"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
terça-feira, julho 08, 2008
24
Se pensar de dentro, de dentro das coisas, das coisas como eu Parece-me que a minha vida se passou num dia.
Não sei, mas da infância tenho algumas lembranças semelhantes ao raiar de uma luz, ao nascer dos sonhos.
Da adolescência um sol a pique de se ficar encandeado e pensar que se vê tudo E afinal não se vê é nada.
De agora (será velhice?) é um cansaço das coisas, Querer o tempo e saber que se extingue e que não volta.
A noite vai escura e parece-me que não há a luz no fundo do túnel, que ainda faltam umas 7 horas para o novo dia, e eu nem sei se depois de dormir volto a acordar.
Couraças
Na descida, andei a pisar ouro. Não sabia que havia ouro na Couraça. Erro meu, porque todos os dias ao final da tarde, quando o sol se vai deitando de mansinho, as pedras cinzentas encerram-se e metem as couraças de ouro para dormir.
(é incrível como as coisas mais pequeninas da vida nos despertam, por vezes, o maior sorriso do dia.)
quinta-feira, julho 03, 2008
Berço
(Bairro da Graça, Lisboa, Natal 2006)
Lisboa dos lisboetas
Lisboa dos deslocados
Lisboa dos portugueses
Lisboa dos emigrantes
Lisboa dos residentes
Lisboa dos turistas
Lisboa dos bairristas
Lisboa dos betinhos
Lisboa dos fadistas
Lisboa dos rappers
Lisboa dos pastéis
Lisboa da fast food
Lisboa das ruas estreitas
Lisboa das ruas largas
Lisboa dos olhares curiosos
Lisboa dos indiferentes
Lisboa dos que vêm de fora
Lisboa dos que vão de dentro.
(pergunto-me como podemos sentir falta de algo
que não chegámos a conhecer?)
terça-feira, julho 01, 2008
Escape
Decorei-te a frase de intervenção, a aparição súbita. Decorei-te o cabelo ligeiramente encaracolado, os fios brancos de quando a quando, os dentes finos e os olhos arregalados. Decorei-te os gritos e a voz arrancada de um fundo sem fundo. Decorei-te esse desespero de querer ser o que não está
sexta-feira, junho 27, 2008
Serviço Público.
Marco o número.
Para tal e tal marque isto.
Para tal e outro marque aquilo.
Marco isto.
Se quer tal e coiso marque x.
Se quer tal e aqueloutro marque y.
Marco y. Para condições marque bu.
Para confirmar marque pu.
Marco pu.
De certeza que quer tal e aqueloutro?
Marque s para confirmar.
Marque t para cancelar.
Marco s.
Lamentamos. Só pode mudar no dia que não é hoje.
quarta-feira, junho 25, 2008
“Achas que sou maluquinha por gostar do cheiro dos teus pés?”
acho. mas ser-se louco é tão bonito.
(tenho tal admiração por esta mulher, que calculo quer ela me acharia ridícula se soubesse que o chego a confessar.)
Acerca dos Episódios Depressivos (Ou um telegrama aqui para dentro)
"Eu disse que ia ao fundo buscar-te. Não disse que ficava lá a fazer-te companhia.”
(Inferno, Joaquim Leitão, 1999)
Das Mulheres
I – Achegas
“Deviam vestir-se de branco, como os outros electrodomésticos.”
(Bernie Ecclestone, patrão da Fórmula 1, acerca das mulheres e da sua potencial participação como pilotas de automóvel.)
II – Truque
“Eu quando me excito ao ver uma mulher, basta-me imaginar o interior do corpo dela.”
(ilustre desconhecido)
Bexiguinha e o Point-less da existência das coisas.
Pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra pedra.
segunda-feira, junho 23, 2008
Sem volta.
That's the return to yourself
The return to innocence
e a essa inocência
de ser só eu, sem o resto.
Sem tudo o que se vai acoplando, E a estripa.
É o preço de não sofrerem a consciência do mundo. É assim a inocência – tem um tempo
e, depois,
quinta-feira, junho 19, 2008
Promessas
Quanto mais oiço falar deste mundo
Quanto mais oiço falar as pessoas deste mundo
Menos vontade tenho de viver nele
Mais vontade tenho de ir para outro lugar.
Para onde? Não sei.
Para o meu mundo talvez. (Para lado nenhum?)
“But I have promises to keep And miles to go before I can sleep.” (Robert Frost)
(Bolas!)
Pur(o) acaso [ler Por acaso].
Sou tremendamente defensora que o mundo é transformável, que as situações são alteráveis, que a nossa percepção das coisas é moldável. Daí, que tudo seja modificável! Por essa razão, não há lugar para determinismos, nem para contas feitas a priori com resultados direitinhos e bonitinhos. Não. Tudo na natureza nos surpreende. Mas estamos tão enviesados pelo larga-cai, que falamos de milagres quando não conseguimos compreender o que correu mal.
(fui à casa-de-banho num instante, fazer o que tinha que ser feito. meti a mão à roldana do papel e… ups! acabou.)
Ok, algumas coisas não são modificáveis.
Pirâmide das necessidades.
Sou um homem de negócios. Faço negócios. Sempre fiz negócios. Sempre fui um homem de negócios. Desde o tempo em que trocava laranjas por rebuçados, apontamentos por ténis novos, bolas de futebol por nomes de raparigas. Hoje troco serviços por lucros. Por segurança. Por conforto. Para no final do dia chegar a casa e dizer “Querida, cheguei a casa”. E receber nos lábios o beijo enternecido e nas pernas os abraços fortes dos bracitos exaustos de um dia de brincadeiras.
Cheguei ao topo da montanha. Quando saí do trabalho, cansado e exaurido de tentar convencer o mundo, de lhe mostrar que os meus serviços são os melhores, que sem eles não vale a pena progredir neste negócio, Quando cheguei a casa, ansioso pelo beijo e pelos abraços, Quando abri a porta, quando entrei… encontrei o silêncio. Querida, cheguei! Silêncio. Meninos! Calado o espaço.
sexta-feira, junho 13, 2008
Jogos
Mudando radicalmente de assunto. O meu lado emotivo diz-me para vibrar com os golos, o lado racional (o mesmo que não me deixou gritar e saltar quando consegui a bolsa, o mesmo que me estancou a reacção efusiva quando entrei no curso que queria e no sítio onde queria, o mesmo que não me deixa dar gargalhadas sonoras em filmes básicos, o mesmo que me faz ponderar sobre alguma aparente graça do destino, o mesmo que me faz parecer adulta quando o nome que eu dou a isso é velhice precoce.), este lado racional diz-me que é tudo uma cangalhada e que o que vale a pena é desesperarmos com este país (e com este mundo!) que nos devora sorrateiramente.
Deixar que os golos me preencham. Pensar que é tudo um engodo. Eu até acho que agora consigo ver por detrás das coisas! Devo dizer que, geralmente, o meu lado racional controla o jogo. E acaba por ganhar. Quem perde sou eu.
quinta-feira, junho 12, 2008
Blue Holes And Revelations
Lesmas
Ainda me lembro quando a minha tia me veio com a história dos cães abandonados à sorte naqueles caminhos sós, dos cães que abocanhavam as pessoas, das pessoas que tiveram que enfrentar os bichos. Lembro-me de ouvir que eram caminhos perigosos, que havia homens à espreita, que eram incertos para uma menina sozinha os fazer. Os caminhos tornaram-se então longos e inquietantes. E as petalazinhas brancas dentes arregalados.
Ainda me lembro quando as ruas de Coimbra eram as ruas de uma cidade pequena, livre de perigos e sobressaltos. Os caminhos da noite eram desertos, e não havia grande receio que o não fossem. Depois, o chinfrim no ouvido que assaltavam aqui e ali, que violavam acolá. Que as meninas sozinhas eram um chamariz para as tentações dos homens. As ruas de Coimbra passaram a fazer-se à pressa. Sem o prazer da luz dourada a bater no pensamento.
(a minha mãe também encontrava lesmas nas couves. metia-lhes sal encima e lá as deixava a contorcerem-se até se lhes desaparecer a existência. e era assim que devia ser com estas minhocas.)
terça-feira, junho 03, 2008
Eternal sunshine of the spotless mind
Este filme tem tanto de fantasia como de realidade.
E é isso que o torna tão bonito.
(quando tudo-o-que-temos-cá-dentro é mais forte.
porque não se apagam amores: aprende-se é a viver sem eles. e mais díficil que isso, só aprender a viver com eles.)
(música: The Polyphonic Spree, Light and day;
filme: Eternal sunshine of the spotless mind, Michel Gondry, 2004)
sexta-feira, maio 30, 2008
Louca
quarta-feira, maio 28, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
(Bexiguinha e ) O legado do Dr. Mabuse
Quando ando sozinha pela Baixa
e o caminho se estende mais longo do que a minha coragem
Quando subo pelo caminho mais curto
e percorro as ruas estreitas e escuras
E não sei o que me espera
Quando vejo pessoas
E não sei quem são
O que me assusta
O que me faz tremer
O que faz bater o meu coração
Arfar os meus pulmões
Sentir o sangue engasgado no cérebro
E o torpor na mente
Não é que me tirem os valores
Os anéis
E levem a carteira
Não é que me queiram o dinheiro
O leitor de músicas
O casaco
Os brincos
Ou o relógio.
O que me arrepia e faz recear essas viagens
É que me queiram a mim.
(não é o dinheiro, nem o poder político, nem as férias nas Filipinas. Não são as malas Louis Vitton, nem os ténis da Nike, nem as calças da Levi’s. O que me assusta, e que este filme captou tão bem, é o prazer na destruição do homem, qualquer homem. Na destruição da vida, seja ela qual for. O gosto em ver uma existência contorcer-se em dor, na súplica, para então se esvair numa poça onde se perde.)
A blueberry called world. Another one called life.
Não tenho muito por onde pegar, nesta vida de todos os dias.
Por isso, às vezes, quando percorro o caminho para casa,
quando vejo novamente o que vi ontem e antes de ontem
quando já ando sem olhar
quando já olho sem ver,
também a mim me apetece dar a volta pelo caminho mais comprido,
pelo caminho diferente.
faz-me falta tudo o que não sei nem imagino
faz-me falta saber que tudo é estranho e diverso,
e que outros olham e vêem distinto o que eu olho também.
sinto falta de olhar eu também e ver estranho e distinto
E, depois de o ver,
sentir e querer e gostar de estar em casa.
(mas este medo que me prende.
esta preguiça que me arrasta.
esta rotina que me atraiçoa.)
Quero embrenhar-me no mundo
Quero ir,
e só então, cansada e descansada,
Voltar.
Quero ir, para então, enfim, bradar sedenta a esta terra:
-Casa, o quanto eu te ansiei.
(às vezes, muitas vezes, devíamos pegar no medo da mudança, içá-lo com jeito e cuidado, e arrumá-lo numa caixinha perfumada onde ele não se cansasse de estar.)
segunda-feira, maio 12, 2008
O Quadrado da Lógica.
Pessoas instáveis mudam quando o ambiente muda.
Logo, mudo frequentemente.
Meninos coitadinhos.
queixam-se a torto e a direito
a direito e a torto
para cima e para baixo
para a direita e para a esquerda
para a esquerda e para lado nenhum
que chega a cansar
vê-los queixarem-se tanto.
que o mundo é uma merda
(isso) já todos sabemos
mas os coitadinhos gostam de repetir.
as suas pernas pesadas
que não os deixam voar.
os que lutam
todos os dias
apesar de tudo o que vem contra
e não se queixam
fraquinhos
galos-zinhos
arrepiam
em pele de galinha
os que conseguem
sem a queixa na ponta da língua.
apregoam o dito
mas
morrem
sem viverem
morrem
sem perceberem
que é em nós que é tudo.
Caranguejos.
Aos que têm um destino
que não era deveras o seu.
Tenho caranguejos pelo corpo
Que me beliscam as vísceras e a vontade.
Tenho caranguejos sobre a alma
Que me roubam a luz
E a idade.
Tenho caranguejos.
Assassinos,
Sacudo-os eu.
Carrascos frígidos.
Sorrateiros e silenciosos,
Chegaram mudos ao meu destino.
Assassinos.
Larguem-me a vontade
(ao menos deixem-me a vontade…)
Tenho caranguejos pelo corpo
Caranguejos.
Chegam calados ao que somos
e vão trilhando o que éramos.
Será este o meu destino?
Pergunto-me se era este o meu destino.
(bruta sina
que me escreve um signo que não é o meu.
Dize que não é...)
Quando os caranguejos são mais fortes
que a vontade,
mais fortes
que os grilhões a esta vida.
Quando a vida não tem fado,
Nem sequer um sentido.
sexta-feira, maio 09, 2008
A spot.
quarta-feira, abril 23, 2008
Retrato de Família
quarta-feira, abril 16, 2008
em-nos-eh-tudo.blogspot.com
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser.
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Fernando Pessoa
(assim nasceu a morada do meu blog: porque sou entranhadamente existencialista.
ressalve-se que não tiro o mérito ao acaso, mas acredito piamente que, de uma forma ou de outra, é sempre possível dar-lhe a volta.)
quarta-feira, março 26, 2008
«Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente.»
Anda para aí um dito a arranhar-se pelas paredes que até escandaliza o Homem. Dizem que as mulheres são gente. Gente? Que ideia radical é essa?! Gente de gentinha? Radical é se fossem pessoas!
(:x)
Ainda bem que há o outro.
Tenho andado a pensar na vida. Nas coisinhas da vida. Nas coisinhas minúsculas. Nas coisas do nosso tamanho. Neste mundo. Nas pessoas. No mundo que as pessoas construíram. Nas mesquinharias. Nos nadas. Nos nadas e nas tardes de chuva. Na luz cinzenta por entre a janela de uma casa vazia. Na velha dessa casa vazia. Nos filhos dessa velha que viveram numa casa cheia que agora é vazia. No abandono dessa velha. Nos anos que passam. Em tudo o que se deixa para trás. Nos sonhos que tínhamos. Nos sonhos que já não temos. Nos sonhos que decidimos apagar, à medida que a nossa sombra cresce. No que víamos e já não vemos. No que não víamos e passamos a ver. Na ilusão. Na desilusão. No sentido da vida. No sentido desta vida. No tempo. Nos velhos. Nos velhos doidos. Nos velhos que nos olham. No que os velhos vêem. Nos novos que já foram. Nos novos que foram como nós. No que nós ainda não vemos. Nas rugas e na celulite. No que vemos dos outros. No que vemos nos outros. Nas relações. No que nos liga aos outros. No que queremos dos outros. No que eles querem de nós. Nos medos. No sentido desta vida. No que vale a pena. No que não vale. No dinheiro. Na Política. No Pinóquio. Nas políticas. Na batalha naval dos crescidos. No poder. Nas pressões. Nas verdades que se escondem. Nas verdades que nunca saberemos. Nas verdades que não existem. Nas mentiras que nos vendem. Nas mentiras em que escolhemos acreditar. No fardo desta vida. Na morte. Na fé. Nas crianças. Nas crianças degoladas com os olhos postos no sonho. Nos adultos engravatados, e razoavelmente vivos. Nas crianças adultas. Nos adultos embirrentos e chatos. Nos adultos cruéis. Nas mãozitas endurecidas pelo peso de uma arma. No olhar das crianças. Nas crianças sem olhar. Na fragilidade da vida. No azar. No destino. No imprevisto. Na injustiça. Na ironia da vida. Nas coincidências. No acaso. No que insistimos em querer dar nome. No que não tem nome, nem sequer existência. No que queremos explicar. No que não tem explicação. No homem e na sua natureza. Na essência do homem. Neste jogo em que entramos nem sei bem quando. Neste jogo de aparências. Neste jogo nojento. Em pulsos cortados. Em medos. No resto. No que vale a pena. Nos laços que nos amarram aqui. Nos laços que temos e que, nem assim, nos permitem ficar. Na eterna ironia da vida. Em faces no chão e o vento na face. No fim. Enfim, na vida. Triste, mesquinha, pesada e injusta. O que vale é que é curta, muito curta.
(A minha mãe diz: ainda bem que há o outro, senão – credo! – isto seria uma injustiça. Fico a pensar que para suportarmos esta vida apenas precisamos de uma boa, muito boa mentira.)
terça-feira, março 18, 2008
Visão periférica.
segunda-feira, março 10, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
Psicodrama
A tribute to Fridays
(The Cure – Friday I’m in Love
uma das minhas canções predilectas,
nem a propósito com o que nos espera este fds.
Um tributo aos The Cure, também.)
quarta-feira, março 05, 2008
(apetece-me dar um murro, pode ser no antónio.)
Rebelde. Ser rebelde. Acho que o desejo me veio da irmã que sempre foi contra tudo e todos. Então quis ser também. Passei por cima do cordeirinho – apesar de continuar a sê-lo para sempre – e enfaixei os cabelos em dois totós que percorri com elásticos de diferentes cores; cortei o cabelo curtinho e deixei a madeixa comprida que entrancei. Comprei o casaco de cabedal e as botas pretas e pesadas – que me magoavam imenso os tornozelos, mas Quero lá saber, não há alma que não se vença, também não há-de haver botas inflexíveis nem tornozelos incontornáveis!
Quis ir contra tudo, contra deus até. Então mudei-me para a malfadada terra, que os corvos deixaram ao abandono, e vesti-me de preto para fazer o luto de tudo o que ficou para trás. Vesti luvas esburacadas, saias por cima de calças e fiquei enfim a Saia-calça, com muito orgulho meu. No meio – e bem emaranhado, como quem quer ser tudo e não é senão uma amálgama de identidades – pintei as unhas, uma de cada cor, deixei-as crescer, e fiz recortes nelas. Meti as meias debaixo do joelho e os dois totós. Fiquei a Pipi, Pipi das Meias Altas. A menina instável, como me descreveu ele, aquela fachada de gente. Pois era, pois fui (pois sou). Desde esse tempo. Até ao dia em que me cansei de tudo. As cores esbateram, as calças prevaleceram. E eu continuei em frente. Até ao dia em que me cansar de tudo. Acho que nunca consegui. Ser rebelde. Entrei numa certa harmonia com as coisas, e não há como escapar-lhe.
Mas não gosto. Nunca gostei.
(reparo agora que tenho os punhos ensanguentados…)
segunda-feira, março 03, 2008
Mea Culpa
I
Eu gosto dele. É estranho. Gosto. Ainda que seja estranho. Por ser estranho. Ele ser estranho. Não o resto (até porque tive sempre a tendência para me identificar com os rejeitados,
e sei porquê.)
I-I
I like him. He’s weird. Weeeeird. Weird weird weird. Weirdo.
(gosto de alongar o uso das palavras até que se tornem estranhas. Será que se abusarmos do uso das pessoas elas também acabam por se tornar estranhas?)
II
Ele é estranho.
Mas não gosto dele. Não por ser estranho, mas por ser de um estranho estranho, de um estranho que não gosto.
Por isso, não gosto. Dele. Não do estranho.
Do estranho gosto.
Não gosto é dele. E do seu Estranho.
Ponto.
(Tornou-se estranho?)
As muitas faces do Tau.
E, tau!, saiu-me isto:
(1) (não necessariamente com maior grau de importância…) o tau-tau que se dá no rabinho dos meninos, e das meninas, seja porque razão for…
(2) o Tau empregue como remate descodificador e extremamente esclarecedor para uma frase anterior suficientemente agressiva mas que poderia ter ficado na penumbra, e numa ambiguidade incerta, se não fosse articulada de rompante a tal palavrinha multifacetada e nada ambígua, pois claro…
(3) (a parte mais séria…) a proteína tau, implicada na doença de Alzheimer (investiguem…)
(4) um coeficiente qualquer que os engenheiros usam para ter desculpa para terem que fazer muitos cálculos e medirem temperaturas na casa de pessoas nas quais nunca entrariam caso não fosse esse coeficiente.
(confesso que quando originalmente me apeteceu fazer isto… pareceu ter mais piada…
mas, agora, depois de o escrever, confesso que me apercebi… que ainda não ganhei o tal juízo… Tau?)
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Can you read my mind?
por razão nenhuma
eu deixaria
de poder dançar isto.
por razão nenhuma
eu deixaria de poder saltar
alienada
dentro do escuro do meu quarto
com um candeeiro de rua a entrar-me pelo espaço adentro
ou só um esguicho de luz do candeeiro
e um chapéu de chuva aberto por cima da cabeça
ou que fosse um resto de chapéu com abelhinhas penduradas.
por razão nenhuma,
é que por razão nenhuma.
deixem-me
ainda que por momentos
ser meia louca
ou só (e) louca por inteiro.
(já bastam os dias
em que ninguém nos lê a mente
e todos somos somente o que parecemos.)
terça-feira, fevereiro 19, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Ser afim de ti
'Cause I don't shine if you don't shine. (The Killers)
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
O que é que estão aí a fazer parados
- À espera. (Ou terão dito 'Nada'?)
(À espera? Da vida talvez. Erro comum.)
terça-feira, fevereiro 12, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Reminiscências
Quando Ela Passa (Fernando Pessoa, Maio 1902)
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Vejo a doce imagem d'ela
Quando passa... passa.... passa...
N'esta escuridão tristonha
Duma travessa sombria
Quando aparece risonha
Brilha mais qu'a luz do dia.
Quando está noite ceifada
E contemplo imagem sua
Que rompe a treva fechada
Como um reflexo da lua,
Penso ver o seu semblante
Com funda melancolia
Qu'o lábio embriagante
Não conheceu a alegria
E vejo curvado à dor
Todo o seu primeiro encanto
Comunica-mo o palor
As faces, aos olhos pranto.
Todos os dias passava
Por aquela estreita rua
E o palor que m'aterrava
Cada vez mais s'acentua
Um dia já não passou
O outro também já não
A sua ausência cavou
Ferida no meu coração
Na manhã do outro dia
Com o olhar amortecido
Fúnebre cortejo via
E o coração dolorido
Lançou-me em pesar profundo
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n'este mundo
E mais um anjo no céu.
Depois o carro funério
Esse carro d'amargura
Entrou lá no cemitério
Eis ali a sepultura:
Epitáfio.
Cristãos! Aqui jaz no pó da sepultura
Uma jovem filha da melancolia
O seu viver foi repleto d'amargura
Seu rir foi pranto, dor sua alegria.
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa... não passa.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Sólidos de Catalan
Tinha 14 anos quando me perdi. O pensamento concreto de até então deu o salto e tornou-se (i)lógico, com todos os caminhos em aberto. E fiquei eu no meio das escolhas
e dos escolhos
de tudo o resto que ficou, simplíssimo, para trás.
Catorze anos de um mundo certo, pensando que havia uma idade para tudo. Depois, caí, e percebi
Que a idade não interessa,
que somos bichos eternos
em luta com as escolhas.
Que as escolhas podem ser mal feitas?
Podem, mas que só aprendemos assim – julgamos as próximas, com as anteriores.
E se aprendemos mal, julgaremos mal (óbvio…).
Que o homem não é naturalmente bom sr. Rosseau, nem sequer naturalmente. Que é uma mistela de tanta coisa que anda por aí, e que tentar compreendê-lo e aplicar-lhe uma equação certa que o desvende é estourar a cabeça em mil pedacinhos loucos e estridentes.
Que é tudo uma incerteza
um conjunto de escolhas disparatado
aleatório,
irresoluto,
como quem joga num euromilhões sem sorteio.
Como quem ganha sem saber
E depois morre.
(tanta coisa que fica por saber…)
Que a velhice virá um dia,
E a sabedoria com ela.
Que não sei se a sabedoria chegará com ela, sem ela, se chegará seja com quem for.
Que não há sabedoria –
Há uma e excessivas formas de ver a vida
(e depois há os conformistas e os inconformistas
e todos os outros nos intervalos infinitesimais
que as aceitam ou não.
Ou que decidem ficar no meio e nos meios, porque não há um mas vários
porque nunca há nada que seja uno e simples!)
Que a matemática é um sonho e não bate certo com nada.
(que quanto mais penso
mais esfolo o sossego, mais estripo o equilíbrio.)
Que só a Ceifeira é feliz quando canta.
Mas que os 14 anos dela não a devem ter atirado ao chão...
terça-feira, janeiro 29, 2008
Lost in translation
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro,
Enquanto não alcances Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.*
segunda-feira, janeiro 28, 2008
We should all be hard candies
II - Loja das Grosserias.
Permissão para ser normal
Uma das partes irónicas e desanimantes do mundo
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Permission to Speak Freely (II)
Não vejo muros cor-de-rosa. São muito cinzentos, juro.
Mas meti os óculos coloridos em pequena, e
ficaram-me tão cravados na carne… que
quando os vou para tirar,
dói-me arrancar esse pedaço de mim.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Receita para 2008
Numa época que chamamos de crise, muitas vezes deparamo-nos com a facilidade de apontar o dedo e dizer Não fizeste isto, Não fizeste aquilo. Sempre o que o outro não fez e devia ter feito. E encontramos nessa expiação da culpa alguma libertação do próprio peso (in)consciente que carregamos também. [aqui está o clichêzinho sempre actual… e agora o complemento:]. Porque isso de andarmos mal não É (só) culpa do Governo! – cada um deve governar-se também [o “bom” do trocadilho…]. E já que (des)culpas há muitas, preocupemo-nos também em achar soluções… cada um de nós.
Foi nesta procura que me deparei com indícios de soluções do dia-a-dia nas palavras de um “médico” de que urge Portugal [mas este não é um médico qualquer… é um médico sábio!] – um que receita sopinha quente em vez do medicamento mata-bicho. Conta-nos então Cândido Ferreira (25 Agosto 2005, Campeão das Províncias) um episódio acerca de uma família que a ele recorreu. E como me parece que essa família somos todos nós [Portugueses sobretudo…], atentemos no que nos diz a receita:
“Foi então que fui cravado para uma nova consulta: ‘O Sr. Dr. que é político é que nos podia aconselhar [sem comentários…], o que é que a nossa família pode fazer para melhor resistir à crise?’ (…) Manifestando o casal sábia intenção em educar a prole e garantir património, recordo os três remédios que, improvisado ‘médico de família’, entendi prescrever a esses meus doentes:
1º: produzam mais e melhor que os outros;
2º: não guardem para amanhã o que podem fazer hoje; e
3º: não gastem hoje o que não sabem se ganham amanhã.
É que a Europa não é tão burra quanto parece e, qualquer dia, anda por aí a pedir os juros de tanto disparate.”
(Bons conselhos não? Então mãos à obra! ;) )
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Cinzenta
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Columba dançava.
(Mole o teu corpo. Mole a tarde dourada, e o sol que escorria no horizonte. Moles as minhas entranhas a pensarem nas tuas, por certo atropeladas. Amolecidas.)
Não vi sangue nem tripas. Só o teu corpo amachucado num último arrastar. Num rodopio decrescente e finito. Pensei – Crua a luta em que sabemos já o fim, mas batemo-nos ainda desenfreadamente para morrer a tentar. Feroz o término não anunciado que espera nas esquinas mais douradas e nos voos mais livres. Bruta a mão alheia que manda mais que tu na tua própria vida. Como facas ao pescoço ou comida para servir quente, fria. Como as noites em branco das mães, e as manhãs pretas quando os filhos morrem primeiro. Quando a morte antecipa o tempo e apaga os voos.
Cruéis os finais sem Razão.
Mas devaneiam ainda as pombas sobre a calçada escura. Inconscientes da dança, correm o risco afinal. E quando caiem, cinzentas e esfaceladas, dançam até que a exaustão as consuma e as torne em pedras, negras e duras.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Diz-me
Diz-me que o dia é para viver e a noite para sonhar, e que quando morremos a vida foi vivida e a noite sonhada.
Diz-me que é só da minha cabeça, e que estes bichos que me aparecem são pesadelos de menina assustada. Pesadelos sem tempo nem lugar – porque a noite é para sonhar e a vida para viver.
Diz-me que as coisas são simples, e que não há que pensar. E que quando escolhemos, escolhemos certo.
Diz-me que a paz chega quando somos livres, e que as angústias desaparecem quando fazemos o que sentimos. Quando sentimos o que fazemos.
Diz-me que o céu é azul e que apenas se encarniça ao final da tarde. Diz-me que morrerei de velha e que os filhos virão quando eu os quiser ter.
Diz-me que as coisas são como as queremos, e que aquilo que queremos é claro como um dia de sol, transparente como a água de um ribeiro.
Diz-me que quando crescemos, ainda vemos o mundo através dos olhos de um menino. E que mesmo que mintamos aos outros, nunca mentimos a nós próprios.
Diz-me que as dúvidas não existem – que são apenas bichos que inventamos. Porque a vida é simples e o caminho é só um.
Diz-me que não sou eu que escolho o caminho. Que temos um destino e não o pudemos mudar.
Diz-me que esse destino que me foi dado estava quebrado à partida. E que eu não o posso consertar.
Diz-me que a culpa é de Deus que nos espera na esquina. Ou do Diabo que se esconde por entre campos de Açucenas. Diz que não é nossa nem minha. Ou apenas que não é minha…
Diz-me que sou eu que tenho medo de tudo e de nada. Que sou eu que penso e invento. Que sou eu que complico, mas que afinal não é nada.
Diz-me o que quer que seja, mas sossega-me o espírito.
Pois se nada é certo neste mundo, como viver feliz sem ter a certeza de nada?
19.07.07; 30.09.07; 04.12.07
sexta-feira, novembro 30, 2007
Ordinários
Mas erro meu, está visto. Porque, na minha desadaptada ingenuidade, pensei que estas pessoas – que têm o privilégio de poder influenciar as massas – conseguissem escapar às malhas da vulgaridade.
terça-feira, novembro 27, 2007
Caixas e cordéis.
Não sei. Não me lembro. Talvez esteja desde sempre a lutar contra mim.
Mas eu sei o ciclo. É fácil e acessível. Apenas não é modificável. Começa por eu saber o que me faz feliz. Ok, é difícil e arriscado. Hipótese B: o que é que eu devo fazer? Aparecem as Boas Oportunidades. Não me enchem o peito de vontade-e-algo-mais-forte-que-esta-vida, mas são boas oportunidades e eu não as posso perder. Pressão pressão. Decidir. Ui! Arriscar Vs. Derrubar os pinos do caminho. Decidir decidir… ai… Nestas ocasiões é sempre mais fácil Fazer O Que Devo [as missivas aparecem em letra maiúscula na minha mente], que por acaso é igual à Hipótese B: “derrubar os pinos” – o que é bem mais fácil e não implica grande esforço. De mais a mais, A vontade não é mais importante que o dever (Até porque é a contrariar o Dever que eu ganho os remordimientos!). Derrubar os pinos então. Daqui a uns anitos estou despachada e posso já seguir a vontade. Certo?...
Que raça de momento aquele em que deixamos que o medo de perder supere o receio de arriscar… O teu amigo largou tudo e partiu à conquista do Mundo. E eu penso Quando terei eu coragem de ser livre?
Não sei. Sei que a Susana me deu uma caixinha para meter os sonhos, e por enquanto é por lá que eles vão ficar…
24Maio07, 27Nov07
Esclarecimento.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Manifesto.
15 Nov 07
Ocasos
Tenho por certo que uma criança perderá os pais, e que uns pais verão o seu filho morrer. Que muitas vidas se apagarão.
E tenho também certa a angústia de saber que, no entanto, nada posso fazer para que o sol não cruze o horizonte.
16 e 18 Nov 07
Momentos (II)
21 Nov 2007
Momentos (I)
15 Nov 07
terça-feira, novembro 13, 2007
Psiquiatria Mulheres.
segunda-feira, outubro 29, 2007
Onde Judas deixou as botas.
(já me veio à cabeça mais que uma vez esta questão, à qual é fulcral dar resposta para depois não ficarmos na dúvida cada vez que vemos a não-referida publicidade)
Vender maçãs
Ela: Não… Mas olhe que se é por causa dos diabetes qualquer maçã dá!
(note-se a forma simples como ela contornou a questão de não ter reinetas... Eu tentei notar nessa forma simples, mas também não consegui. Fiquei logo esmagada por aquela desconcertante capacidade de adivinhação...)
Eu: Mas eu prefiro maçã reineta…
Ela: Mas também tenho bravo esmolfe, não quer?
(note-se o perfeito ignorar dos termos "Eu prefiro".)
Eu: Não, obrigado. É que para assar é melhor a reineta.
Ela: Ah, então…
(note-se como a minha sugestão culinária a deixou então sem argumentos...)
(Porque é que não podemos simplesmente comprar maçãs?)
segunda-feira, outubro 15, 2007
Punhos cerrados
Há coisas no passado que nos perseguem… coisas que fizemos e que não poderemos nunca mudar. Coisas que nos acorrentam e angustiam… e consomem… Porque as fizemos. Porque não as deixámos de fazer.
Por isso controlem-se, expludam para dentro, morram de contenção, enlouqueçam. Mas não exteriorizem. Afinal, porque deixar os outros ver-nos na merda, a perder o balanço, desvairados?
“Sou rei das palavras que guardo comigo, e escravo daquelas que deixo escapar”. Acima de tudo, encerrem nos vossos punhos os murros enlouquecidos. Decerto viverão muito melhor e parecerão aos outros muito mais felizes. Perfeitos, talvez.
:/
(Pois não é nesta aparente aparência que se baseia a mórbida inveja alheia... de quem não se dá ao trabalho de conhecer o que ficou encerrado?)
segunda-feira, outubro 01, 2007
Instruções para ler um Livro de Julio Cortázar.
Abrir o Livro e pousá-lo no rebordo da mesa mais perto de nós. Segurar com uma mão ambas as páginas que, por forças desconhecidas da Natureza, tentam encerrar só consigo as palavras mágicas. Prestar atenção a todo o barulho em volta e no quão difícil seria fazer uma leitura descansada, se porventura nos apetecesse ler um livro no meio de um café da Baixa.
Então, desligar de tudo o resto, pois a História falará por si: “Há anos que trabalho na Unesco (…) e ainda conservo (…) uma notável capacidade de abstracção.”
VER & LER Júlio Cortázar (1973). Histórias de famas e de cronópios. Editorial Estampa.
O Ciclo Mediático (I)
Pensei eu que realmente é preciso ter tomates para decidir reclamar em directo. Sim senhor, Pedro Santana Lopes. Continue assim. Já toda a gente o conhece. Pode ser que agora passem a admirá-lo por simplesmente decidir não ser hipócrita.
A manchete correu o país. Ainda não sei de opiniões mas calculo que nos próximos dias tenhamos notícias dos partidários e os vejamos defender a sua ideia num apaixonado Prós e Contras. Mais, tenho por certo que, após o primeiro choque atarantado dos nossos agentes informativos, uma outra entrevista terá sido imediatamente interrompida para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Santana decidiu interromper a entrevista.
O Ciclo Mediático (II) ou A Outra Entrevista Voluntária e Inesperadamente Interrompida
José Mourinho recusa-se a continuar entrevista à porta de sua casa após a inesperada interrupção para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Pedro Santana Lopes decidiu interromper a entrevista.
Alpha beta Dog's death
Experimentei tudo o que há para ver, fazer e sentir. Só não me lembro de ter acordado.
A verdadeira decadência humana
Não sei se hei-de invocar uma Joana sorridente e estraçalhada, se uma Maddie desaparecida por culpados a decapitar…
Nem sei se a minha intuição vale de algo, ou se é apenas uma esperança de que este mundo não seja a merda que tenho medo que seja.
Não sei se me assuste com o que as pessoas fazem, se com o que elas julgam ser possível fazer.
Não sei se ainda há escrúpulos neste mundo, ou se decisões mais simples a tomar.
Não sei se há muitos Johnnies Truelove por aí, ou se eu sou apenas o puto de 15 anos que nem fugiu dos carrascos e acreditou que as mordaças eram postas por quem não lhe faria “nunca nunca nunca” mal algum…
Talvez o destino um dia me leve para um beco e me rasgue como papel cor-de rosa.
Talvez eu pense que as manchas encarniçadas são apenas beijinhos estonteantes, já que a minha cabeça está tonta…
…e o carrasco impiedoso. - Talvez me aperceba tarde de mais. Mas pergunto-me se o destino demoraria mais tempo a chegar se eu começasse a acreditar que este mundo não tem salvação?
Setembro 2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
Recomeço após as férias.
Sinto falta das letras em formato informático, pensamentos pixelizados. Olhos do Mundo.
Talvez a minha vontade esteja para regressar, com o tempo que me escapa pelos dedos palpitantes.
Talvez. Talvez o desânimo com a vida também esteja pronto para ser escrito.
terça-feira, maio 22, 2007
Café e ginjas
Não sei se a minha vida é um café que vejo numa chávena lá o fundo e parece bem negra, mas não deve ser porque esse oiro negro sabe a ginjas amargas e sabe bem. Se calhar é isso, eu é que gosto das coisas amargas – como o chocolate preto – e se não são amargas eu torno-as amargas só para ter esse sabor, amargo. Quem sabe se já não me habituei ao sabor – amargo – das coisas e agora quando o sol brilha e as tuas palavras são doces até já custa. Como os elogios que recebo e dos quais me desvio, só porque não sei como recebê-los sem caírem mal encima de mim.
E é tão bom recebermos um elogio. Até o sangue corre mais rápido e brinca nas veias e artérias, e quer vir ao de cima ver essa pessoa, aquela que disse o que disse e que nos fez cambalear e pôs o sangue a saltar. E como tudo quer ver, ficamos rosadinhos de tanto sangue que quer espreitar.
Não sei se estas palavras são mesmo a minha vida ou o que sinto, ou o que não sinto. Não sei. Mas devem aparecer aqui encima porque o café estava bem negro e amargo, e caiu-me que nem ginjas no estômago - como um elogio que cambaleia na minha cabeça - e pôs o sangue a brincar.
15:03 22.05.2007
sexta-feira, maio 04, 2007
Contra-corrente
Mas...
E se às vezes precisarmos mesmo de nos deixar cair no fundo do poço... para nos fartarmos de tanta escuridão?
E se às vezes precisarmos mesmo de fazer da vida uma catástrofe... para ver o quanto tudo é relativo, e nada o que parece?
Às vezes (muitas vezes...), apetece-me ficar só só comigo. E cansar-me dessa solidão.
16:19 04.05.2007