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segunda-feira, janeiro 28, 2008

We should all be hard candies


I - Quando os frutos caiem.

Se amadurecer significa deixar de ver o mundo de forma bonita e iluminada
e sentir na pele o estalo rude da terra dura,
então devo estar no bom caminho
para um dia poder dizer que, enfim,
apodreci…

II - Loja das Grosserias.

Da próxima vez que te vir entrar na loja de guloseimas com o teu vestido de cetim azul e com esses teus sapatinhos de verniz vermelho, e te vir mostrar esse sorriso cândido de menina
- dessa próxima vez que te vir sonhar –
vou-te agarrar na face suave e nos cabelos doirados
e dizer-te aos ouvidos num rasgão:
que esse Senhor simpático que te mostra os doces como se te os oferecesse apenas,
que esse Senhor que te pede as horas e a quem tu as dás, agradecida,
que esse Senhor maduro e pai de meninas como tu,
é vendedor.
E que esses doces que te estende,
na sua sabedoria refinada,
são doces ressequidos, amargurados e degustados;
E que, afinal, o que esse senhor oferece não são os doces
mas os murros no estômago que ficam no final.

III - Porcos

Enojam-me os senhores que
levam na algibeira descontraída a cartilha do saber muito
e tudo,
e que,
depois,
confundem meninas com Meninas.
        
    
    

Permissão para ser normal

    
Uma das partes irónicas e desanimantes do mundo
é que chegamos ao ponto de ter que justificar
- como quem desespera se não mostrar o contrário -
o facto de vermos o mundo bonito.

E termos que bater o pé e dizer
Não, Não, Juro! O mundo não é nada bonito, Eu não o vejo assim!
Eu sou como todos os outros
Que o vêem feio e decepcionante.