"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
quinta-feira, janeiro 13, 2011
terça-feira, janeiro 04, 2011
boas formas de começar o ano
(entrar numa loja de produtos hortículas, ou espreitá-la apenas pela janela, é dar asas à exploração - dos alhos, das cabras, das abelhas, dos coelhos, das beterrabas para gado, das flores, do caracol. enfim, é ter a certeza que do novo ano lhe havemos de ver os frutos, caso o tempo sacana não estrague a colheita.)
Etiquetas:
animais,
desejos,
fotos,
hortofruticultura,
plantação de sonhos
segunda-feira, janeiro 03, 2011
'o que a gente é e o que a gente chega a ser'.
primeiro habituou-nos a ela. à destreza, ao quanto-queres desdobrável em mãe irmã tia avó bisavó e devota de nosso senhor jesus cristo. habituou-nos às mãos grossas e calejadas que secaram o queijo, estiraram as filhozes, bateram o pão-de-ló sequinho e dourado, as mesmas que durante anos lavaram paninhos, alimentaram 8 bocas saídas do ventre, estriparam a terra, esfolaram animais, e desfiaram candidamente as contas do terço, aninhando-se depois sobre o colo numa quietude de alma.
(aquelas mãos que te vi brancas)
habituou-nos à ligeireza, aos caminhos ao terço por amor a cristo, aos caminhos à Terra e à outra terra e onde fosse que tivesse que ser - o que veio da vida foi para aceitar e amanhar.
(aquele corpinho que te vi mirrado)
depois a vida pregou a rasteira e abrandou-lhe o passo. continuaram as mãozinhas ágeis e a carinha risonha enquadrada na trança de cabelo enrodilhado e longo, mas não tão longo quanto a estrada percorrida e os 96 invernos.
(aquelas madeixas que te vi de cinza)
depois cortou a trança, e foi como se cortasse o passado. continuaram os olhos pequeninos felizes de pouco, a notinha pelo natal, pelos anos e mais quando fosse e o coração achasse. continuaram as palavras e o hábito das histórias com que encheu os serões e as nossas cabecitas de mimória muita mimória de outros tempos e costumes.
depois foram as histórias. uma a uma foram sendo apagadas, perdida as páginas, esquecidas, no percorrer das coisas, enquanto as perninhas outrora altas se entorpeciam com o anoitecer.
depois foi-se a mimória toda, e deixou de nos conhecer. e foi-se quem ela era também. foi-se o sorriso e o olhar, num vácuo interrompido apenas por beijinhos de graça vá-se lá compreender os desígnios do criador e o porquê das coisas. ficou-lhe o mundo lá dentro, e nós cá fora sem lhe chegar.
(se eu pudesse ver o que tu vias, aí e quando encerraste os olhos)
depois foi-se a presença. tinha sono, muito sono. isso, dormir só e sonhar quem sabe. pois pois é. foi-se a força e a vontade. e, por fim, num último sopro, a vida.
(julgo que as pessoas, se chegarem a percorrer a velhice, se vão afastando devagarinho. deixando isto, deixando aquilo, uma coisa de cada vez. talvez para não custar tanto, a nós e a eles. o ser humano habitua-se, que remédio tem senão habituar-se, vê-los descer os degraus um a um, com vagar e paciência. e,
se assim fosse sempre, o mundo seria tão mais justo e a vida também: um degrau de cada vez, até chegar ao último. mas o último, por rápido ou mais devagar que chegue, é sempre demasiado grande.)
quarta-feira, dezembro 29, 2010
para sempre
passamos todos
fica só a música e
quem ainda se lembra dela.
(para a minha vó.)
Etiquetas:
a-deus,
avós,
coisas que fazem bater e bater o coração,
efémero,
filmes,
incógnitas,
memórias,
muzcas,
recordações
terça-feira, dezembro 21, 2010
puzzle
"Não. O meu filho não iria desaparecer por causa da escola. É um óptimo aluno, que está à espera, neste período, de ter seis notas de cinco. O meu filho desapareceu porque foi aliciado por alguém".
"Mandei algumas mensagens e, quando adoptei um tom mais duro, obtive resposta. Disse-me que era o Igor, que tinha 14 anos e que eu me chamo Paulo. Mas duvido que fosse ele. Esses elementos são fáceis de obter e, por outro lado, utilizou termos que o meu filho nunca utilizaria. Disse "caneco". O meu filho não utiliza esses termos", acrescentou.
O pai confessa que só desde quarta-feira, quando o filho desapareceu, é que tomou conhecimento do "segundo mundo" onde o jovem se estaria a movimentar .
(há tanta coisa que não conhecemos dos nossos miúdos. onde é que os pais andam com as cabeças? será que já se esqueceram do que é ter 14 anos?)
Etiquetas:
(in)consciência,
adolescência,
crianças,
efeito pigmaleão,
escola,
expectativas,
inconsistências,
pais,
pulsão sexual
segunda-feira, dezembro 20, 2010
hemianopsia

andamos à procura da harmonia no meio das coisas. mas
esquecemo-nos que uma parte da realidade é-nos desconhecida.
imagem daqui
sexta-feira, dezembro 17, 2010
handle with care (II).
mas não com tanto cuidado que se mime uma pele incólume
que não crie calo.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
ontem o j. perguntou-me como é que se desenhava um 'k' minúsculo. - sei lá!, - não te lembras?! mas tu uma vez desenhaste-o.
sabem porque é que o saber não ocupa lugar? porque nos despojamos dele.
:|
(odeio saber que as vezes que os meus pais já Bateram Com A Testa Na Parede Para Finalmente Conseguirem Perceber Alguma Lógica do Dia-A-Dia não se transmitem à descendência pelo milagre bonito da biologia reprodutiva. porque por mais que nos contem as coisas, que nos digam as coisas, que nos impinjam as coisas, somos nós - nós! - que temos que Caminhar Os Caminhos Para Aprender A Cair E Não Ficar Muito Tempo No Chão A Pedir Falta. porque as aprendizagens são individuais e subjectivas [bolas!]. pronto, está bem, aceito [que remédio!]. sei que Vou Ter Que Voltar A Escorregar Onde Outros Já Escorregaram Para Conseguir Aprender Algo Acerca De Como Caminhar Para A Sobrevivência. mas,
após aceitar esse facto codificado na caixa preta a que não temos acesso, odeio saber que depois de todas as quedas, de todos os estalos, de todas os espetáculos infelizes, de toda a ingenuidade mal-passada, de todo o tempo que se passa a aprender Como Não Escorregar nas Folhas Dos Passeios Após Assentar Valentemente O Rabinho No Chão, essas aprendizagems não duram para sempre. [bah.])
segunda-feira, dezembro 13, 2010
mudar de vida
I
"já sei lidar com máquinas, agora quero aprender a lidar com pessoas." (g.n.)
II
"olhe, estou farto de pessoas! agora interesso-me é pelos animais." (i.d. II)
(dê lá por onde der, o mal é talvez passarmos demasiado tempo na mesma coisa.)
"já sei lidar com máquinas, agora quero aprender a lidar com pessoas." (g.n.)
II
"olhe, estou farto de pessoas! agora interesso-me é pelos animais." (i.d. II)
(dê lá por onde der, o mal é talvez passarmos demasiado tempo na mesma coisa.)
quinta-feira, dezembro 09, 2010
handle with care.
i myself would also like to have Carefully in the name.
'coz i think people tend to forget.
Etiquetas:
amor,
animais sociais,
etiquetas-na-pele,
fragilidades,
Matthew Carefully,
muzcas,
porcelana,
sensibilidades
quinta-feira, dezembro 02, 2010
a quente
«Quando se ganha jogos importantes podemos chorar de alegria. Quando perdemos por 4 ou 5 não se pode sair a chorar, mas com vontade de jogar a próxima partida. É pena jogarmos sábado. Gostava que fosse amanhã já, porque depois de um jogo tão mau e de resultado tão negativo só há que voltar a jogar e a ganhar».
(é exactamente o que eu penso após uma péssima exibição. gostava que fosse já amanhã a próxima vez. enquanto a insatisfação ainda nos está quente nas veias e grita por desforra. enquanto ainda ferve a revolta de sermos tão limitados. enquanto ainda raspa na ferida e dói a crença de que poderíamos ter sido melhores, mas não fomos.)
chiu (II)
caminham na rua, olhos nos olhos, nas mãos, nos gestos. falam entre si numa língua que não entendo. quero ouvir, ouvir o que dizem, e não sei. conversas assim entre duas pessoas: das coisas mais bonitas que já vi. linguagem gestual, digo: no meio de todo o ruído, são eles que me cativam.
são os olhares, os gestos e as expressões. tudo fala sem falar. tudo se expressa, mesmo quando queremos conter.
porque, se virmos bem, o silêncio não existe.
Etiquetas:
bem-hajas carol,
comunicação,
etiquetas-na-pele,
expressões,
muzcas,
palavras,
sia,
silêncio,
tudo-o-que-temos-cá-dentro
quarta-feira, dezembro 01, 2010
'try a different angle'
sexta-feira, novembro 26, 2010
greve (II)
strike, é a palavra inglesa para greve. e para luta.
na passada quarta-feira os trabalhadores (não) saíram para a rua. homens e mulheres apostaram na ausência para se manifestarem. e de que vale isto, pergunto?
tenho uma bolsa de estudo, não tenho futuro garantido, não acredito naqueles que me governam, não sei governar um país. quero um emprego, quero um futuro como o sonhei, quero acreditar nos soberanos. só não quero governar o país.
tenho dinheiro para comer, para comprar roupa, para viajar. tenho uma casa. mas depois há os outros, os que não sabem se haverá dinheiro ao fim do mês; os que têm os filhos e não sabem se lhes poderão continuar a pagar os estudos. quem sabe a comida. e o quente da casa.
pedem-me dinheiro na rua, é para ajudar, senhora. ajudar os outros. ajudemo-nos uns aos outros, nós o Governo, o Governo a nós. mas olho as pessoas nos olhos e não sei se me querem o dinheiro porque têm fome, se me dizem a verdade, se o querem para sonhar acordados nos 5 minutos em que a veia ferve. ou se é para andarem de um lado para o outro em classe exclusiva a apertar a mão a negócios opacos. quer o Governo ajuda? não sei se quer. e o povo, quer o quê?
eu estudo-trbalho. só não sei é o que sou. nem para onde vou. mas, hoje, também não sei se alguém sabe.
é para investir na Educação? quer-se o povo letrado? para quê, para pensar? pensar que os brindes que lhe dão têm um preço?, que o que nos dão nos será tirado de outra forma?, que o que nós não damos também não retorna?, que os impostos são para ser pagos? eu não pago impostos. mas também não tenho futuro. e tu que pagas impostos, tens? Não sei se querem investir na Educação.
não investem na Educação. e a torneira fica aberta, a luz fica acesa, mas(!) vem o plasma cá para casa. só não há é comida na mesa.
há dinheiro para o TGV, há dinheiro para as classes conforto, só não há para o Metro da Lousã. há dinheiro pra as empresas que estudam o Metro da Lousã, para tirar as linhas féreas e colocar autocarros. há dinheiro para os satélites humanos que gravitam em torno do Metro-Sol. só não há é para acabar o raio do Metro.
há dinheiro para pagar a quem opina, só não há é quem entre num autocarro e gravite nas curvas da serra, com o estômago a gravitar também. não há quem nos calce os sapatos. os meus até eram capazes de servir, mas há quem os tenha apertados para a magreza que tem.
e há dinheiro para os blindados dos senhores importantes. só não há para os salários dos trabalhadores. não há futuro. certo, se calhar nem incerto. não há.
mas quando é que a vida foi certa? ou fácil? quando é que tivemos o futuro garantido?
quando é que estivemos nós satisfeitos?!
luta, luta, todos os dias caramba. basta
tudo isto, basta.
(sei lá como lutar.)
'estás no caminho para te tornares uma má pessoa.'
a arrogância, crepita na língua, na pose, e desarma. (quem?)
talvez os genes sejam a desculpa. talvez. talvez até venha nos genes, agora que há um gene para tudo, mas no fundo no fundo apenas nos cansámos.
quando a arrogância ameaça a rotina, de estar sempre vergado, e (zás!) sobe pela espinha acima, e é o arrepio contínuo e pesado que a endireita, impedindo-a que vergue. outra vez.
e leva dá luta chuta pá tira arremessa. mas depois cessa. repentinamente. e caímos nós, pás, desamparados. mas se ela nunca nos deixaria vergar, tinha-se acabado o outra vez.
(acabamos tão-somente vergados por ela) e caímos. somos arrastados pelo vento longos metros, suficientes para esfolar a pele e o amor-próprio. depois, trémulos ainda, erguemo-nos. e ergue-se ela connosco. sujos feridos desgrenhados, berramos como se mais pulmões tivessemos. como quem perdeu a guerra mas não as múltiplas batalhas. (ou então perdeu as batalhas mas a guerra não acaba nunca.)
e então raspam na garganta com gosto acre as palavras 'Geou que não geasse, eu cá estou debaixo da minha vidraça'. e ficamos nós, eu e ela, a tiritar.
(por estes dias, cala-me só o vento quando me estala forte na face. e tu, quando me estalas os ouvidos com palavras injustas.
(zás!) que interessa, gosto das estaladas, sabem-me a beijos.)
quarta-feira, novembro 24, 2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
acertar ao lado
“Fazes círculos perfeitos, mas
perdes sempre.”
(pena que nem tudo aquilo em que investimos tudo o que temos, seja aquilo que os outros esperam de nós.)
terça-feira, novembro 16, 2010
segunda-feira, novembro 15, 2010
vinculação
o ninho. enroscar-se nos recantos, no calor da carne, nas pregas da pele.
andar sobre o outro, outro corpo, achar-lhe os espaços, encontrar o espaço.
(tenho 26 anos, que sei eu da vida, do casamento, das rotinas, das dificuldades, enfim, dessa vinculação a que se chama afecto ao fim de 30, 35, 50 anos? - ou dessa vinculação-que-se-chama-hábito? - que sei eu da diferença das coisas, do que é amor, do que não é. do que é rotina, trabalho, do que é paixão. do que é coisa-sem-nome por mais que lhe queiramos dar um. estou ainda na confusão das coisas, envolta no nevoeiro infindo de uma cabeça desassossegada. mas
e a vontade? e a vontade? visceral. no âmago das coisas. não interessa onde se está: o que interessa é onde se quer estar. que interessa o nome se o espaço onde passamos a querer estar é o corpo do outro. sob o abraço, no aconchego.
pensar que se perdemos isso, perdemo-nos também. que - ai jesus! - falta-se-nos o chão. que sem ele, passamos a estar definitivamente além, sem estar bem em lado nenhum. porque o outro é o ninho. e é um ninho daqueles que por mais que cresçamos não nos queremos despojar.)
sexta-feira, novembro 12, 2010
não é à toa que se diz que há uma idade para as coisas. depois disso, sabe a ranço sem ter fritado grande coisa.
há as fases da vida, e depois há as fases da não-vida.
uma delas é a da mosquinha morta.
(lembro-me daquela professora e do que nos disse, que mais valia uma criança rebelde do que uma criança indiferente às coisas. porque a rebelde ao menos esperneava.)
o problema é se não é só uma fase. mas uma face.
quarta-feira, novembro 10, 2010
terça-feira, novembro 09, 2010
onde é que começa o mundo?
ganham na mtv as stars da pop. critica-se que na mtv ganhem as stars da pop. porque ganham na mtv as stars da pop, o povo ama as stars da pop. o povo ama as stars da pop que aparecem na mtv. porque o povo ama as stars da pop que aparecem na mtv, as stars da pop ganham. na mtv.
e se aparecessem na mtv as non-stars da indie? ganhavam na mtv as non-stars da indie?
e o povo? o povo amava indie non pretentious music?
(quem raio precisa da mtv,
o povo continua a ser uma criança.)
segunda-feira, novembro 08, 2010
novas velhas estratégias

"Será que ele veio para salvar... ou destruir o mundo?".
hem? andamos com as perguntas ao lado.
qual quê!, ele veio foi para dar o privilégio a alguns de não pagarem o IVA.
terça-feira, novembro 02, 2010
who am I
(somos o que os outros vêem que somos? ou o que nós vemos também? ou talvez... algo no meio? ou nada disso afinal? difícil definir a identidade quando se anda à procura dela. ou talvez, quando já se encontrou mas não se quer ver.)
i think i know the answer.
segunda-feira, outubro 25, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
acordes da vida
"sometimes they do.
sometimes they don't."
(acerca do que nos propomos a compôr na vida. do que chegamos a compôr. e, depois, da forma como vemos o nosso desempenho.)
quarta-feira, outubro 20, 2010
gosto mesmo desta sentença
porque me faz sentir mesmo mal.
(e o desconforto, em última instância, acaba por levar à acção.)
domingo, outubro 10, 2010
mini som ou mesmo népia
a MiniSom, especialista em aparelhos auditivos, está com uma campanha:
faça já o rastreio auditivo e receba gratuitamente o CD do Marco Paulo!
se por mero acaso for surdo,
devem ter para lá uma fita de cinema mudo.
sexta-feira, outubro 08, 2010
because life is a ever ending story.
- All right, Xayide. I will make my last wish. I wish...
for you to have a heart!*
for you to have a heart!*
(sabia muito bem ele a importância de ter um.)
(*Bastian Bux; George Miller, The Neverending Story II: The Next Chapter, 1990)
Etiquetas:
coisas que fazem bater e bater o coração,
desejos,
filmes,
inocência,
morte,
saúde,
transplantes
quarta-feira, outubro 06, 2010
viva.
"Existe no entanto, outro busto que foi adotado como o rosto da República, da autoria de José Simões de Almeida e criado em 1908. (...) A modelo para este busto foi Ilda Pulga, uma jovem trabalhadora do comércio do Chiado."
(algo está mal quando o rosto de uma nação não é o seu povo.)
terça-feira, outubro 05, 2010
coloquialidades
anda para aí um cartaz com a pergunta: o que diria a Deus se O encontrasse? eu andei a pensar nisto, e confesso que fiquei indecisa. acabei com 3 opções de resposta.
1) antes que ele tivesse grande tempo, e porque é porreiro e tal, espetava-lhe de enfiada com o
Então,-tudo-bem?-Tudo.
2) na mesma linha, mas numa versão mais formal, arregaçava a manga e puxava do
Passou-bem?-Muito-obrigada.
3) mas acertado mesmo era meter a minha melhor cara de pasmo, e exclamar:
então, Meu, por onde é que tens andado?!
sábado, outubro 02, 2010
'o amor é o amor e depois?', o que adianta saber isso, do amor, eu amo-te, ou não se diz, é mais
fácil não dizer, dar só o beijo que cala as palavras, e as discussões, dar-se a mãozinha na rua, ou deixar-se a mãozinha ao relento, trocar só o olhar, eu dou-te o meu tu dás-me o teu, o beijinho no pescoço 'enrolado pelo chão', e depois depois passa o tempo e Zás, instala-se a rotina e achamos eh pah eu acho que não é isto E nos cansamos Até que desponta novamente um tremelique, um engasgar, um sonho iludido sem quotidiano. e Zás lá vamos nós outra vez, Enganados.
nos meus 14 anos revoltados, de resposta na ponta da língua, aguçada e seca, a minha mãe dizia-me, ao ver-me entre lágrimas, a chorar fininho por um amor que nem chegara a ser, que ficara por conquistar e que doía na ilusão,
tu ainda não sabes o que é o amor.
(tinha tanta razão. ainda não sabia. mas, pergunto, e quando é que eu já vou saber?)
(entre-tantos)
.
o j., sugestionado pelo site menos boring do século, diz que a melhor forma de tomar decisões é mandar a moeda ao ar.
.
eu, enquanto ela subia e dava cambalhotas inimagináveis no ar, enquanto ela rodopiava lá encima,
.
lembrei-me de ti.
.
.
sexta-feira, outubro 01, 2010
'right to be wrong'
assim lá a meio disse-me que tenho o direito de ser ridícula. sério? de ser ridícula? de ser parva, parvinha, parvalhona? de fazer figura de insignificante? tenho o direito de ser? de ser o que eu sou?
OBA!
muito agradecida, meu estimado querido psicólogo. muito agradecida. e caramba se não vou exercê-lo. ah vou pois!
e só para começar vou já gritar aqui disparates sem sentido frei3qiwrjsdngfsrj gurksmfjioq3ºksdkça kokldºçl xhajjkf jesf jsjkjdf jnsjdlks dfbnfkedka dçw98r9damskf hkjd-isjlkclm njdlkoxkf JHJDJSIJDSJK JKKXFILSJKDKMSMKLDFJSIJ JCHSLAPO0+EO0WJ jshfjiowus9idopskl huhdusjkl oooOOOOOOhhhhhhhHHHHHHHHH yyYYyYYYYYEEEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAhhhhhhhhHHHHHHHHHHHHHH!
Etiquetas:
direitos (e deveres),
joss stone,
psicologia,
ridícula
quarta-feira, setembro 29, 2010
desaire
matou-me o menino. ontem,
no meio da calçada. matou-me o menino da pistola em punho. ergueu a mira e posicionou. depois, com o olhar franzido e o sorriso maroto, puxou do gatilho e fez
Pum!
imagino a pistola carregada. a bala mortífera. não teria tempo de pensar, por certo. mas
era só cola, por sorte. era apenas uma pistola de cola.
(passam os filmes na TV. os heróis de arma em punho, os cowboys. não, os assassinos natos, os terroristas; vivem os vilões no jogo. a tarefa é matar e vencer. há o prazer expresso no herói. há os pontos amealhados. o próximo nível.há também o terror dos que são mortos. há o medo, o sofrimento. nas faces estende-se o esgar infeliz da sensação que percorre o corpo. o sangue esvai-se. há gritos. e os meninos, vêem? porque não haviam de ver?
juro que não percebo, será inato? porque é que preferimos o gozo do poder à compaixão pelo sofrimento.)
segunda-feira, setembro 27, 2010
quinta-feira, setembro 23, 2010
you're asking me how far will my love go. i don't know, i don't know.
"... You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know."
mas
"... Stick around, and it may show. "
quarta-feira, setembro 22, 2010
negligência
porque vale a pena dar a conhecer repetir divulgar espalhar gritar. até que a garganta doa. até que os olhos chorem. até que alguma coisa mude.
Etiquetas:
a guerra dos sexos,
medicamentos,
mulheres,
papéis,
publicidade,
silêncio,
violências
sexta-feira, setembro 17, 2010
instintos (restruturados)
ela entrou, balanceou entre as varas de suporte, como macaco de galho em galho, e deixou-se a rodopiar no meio do autocarro. tinha a pele morena e os beiços inchados. calças justas de ganga com t-shirt de cor incerta. tinha também o cabelo enrolado, longo, a terminar num caracol escuro. mas o que nela cativou foram os rugidos, os balbúcios tenebrosos com que falava ao telemóvel. vinha numa conversa crua que alongava em silêncio e quebrava logo de seguida com violência, chuviscando as pingas da fala e mostrando os dentes roídos decerto pelos açúcares da gula.
era um cenário de suster a respiração. era vê-la mandar bufos de impaciência, levando as mãos à testa pequenina, ao crânio minúsculo. era vê-la mover amplamente os cotovelos como se pudesse afastar os demónios que a atormentariam. era vê-la. e logo se nos estarrecia a visão.
era um cenário de suster a respiração. era vê-la mandar bufos de impaciência, levando as mãos à testa pequenina, ao crânio minúsculo. era vê-la mover amplamente os cotovelos como se pudesse afastar os demónios que a atormentariam. era vê-la. e logo se nos estarrecia a visão.
depois, já certo consumida de maldizer a vida e quem lhe falava do outro lado, deixou-se cair no banco. entrevi-lhe o desespero. mas ignorei.
toca para parar o autocarro. pára. sai uma mãe com a filha pequena pela mão. sai ela também.
toca para parar o autocarro. pára. sai uma mãe com a filha pequena pela mão. sai ela também.
observo ainda. os olhos prendem-se-lhe no quadro que mãe e filha pintam ao andar. na mãe e na filha. na filha. então, curiosa, sem desfitar, noto-lhe o olhar. deixo-me ficar nele. os olhos pestanudos contemplam enternecidos a cachopa. e alonga-se nos beiços inchados um dos sorrisos mais benevolentes que já vi.
eu? fujo depressa. enfio-me num buraco cá dentro. e vejo-me a diminuir a diminuir a diminuir. até ficar mirrada que nem uma criatura oca.
(tenho este terrível hábito de observar demoradamente as pessoas. mas, ainda assim, a contínua insatisfação de não lhes conseguir descobrir os fundos.)
finito infinito
passo na Baixa. na esquina da Câmara, um velho olha o futuro, apoiando na bengala gasta a mão encarquilhada. tem o olhar preso. a postura imóvel. olho para ele enquanto avanço. penso: apetecia-me perguntar-lhe o que vê. para o que dirige o olhar tão atentamente. se vale uma vida. queria tanto saber.
mas depois desiludia-me, com toda a certeza.
(prefiro tecer o sonho, colar-lhe as pontas. construí-lo em castelo e subir nele, percorrendo-o encantada. ficar lá. do que depois ter que o partir contra a realidade.)
Etiquetas:
des(ilusões),
expectativas,
futuro(s),
olhares,
tudo-o-que-temos-cá-dentro,
velhice
quarta-feira, setembro 15, 2010
Causas para a desgraça dos povos (IV)
os meninos na praia à noite. uma tenda montada. as dunas minúsculas, ondulantes, fazendo desenhos sombrios. os caracóis loiros, as perninhas lançadas no chão, a mão rechonchuda e rosa que se estende ao alto. lança a areia num fiozinho que escoooorre. e cai cai cai, como mil estrelinhas doiradas transformadas em prata pela luz da lua. tudo isto encoberto, sob o olhar vigilante de um pai que, de dentro da tenda, observa. deitado sobre a bossa estomacal, afasta os olhos da criança à medida que se aproximam os vultos curvilíneos. nas covas oculares, revolvem-se-lhe os olhos sempre que passam as moças. e um olhar negro, voraz, lança-lhes no caminho a baba que se desprende dos lassos beiços. "queres companhia?", ataca.
remexe ainda na areia, o menino, lança-a ao alto, enquanto deita o olho à cena. enquanto, sem se aperceber, a vai guardando na memória.
(tanta inocência que se estreita, e que desaparece, sufocada pelas mentes instintivas e insatisfeitas destes pais.)
terça-feira, setembro 14, 2010
segunda-feira, setembro 13, 2010
humor negro
(Sabugal, Portugal, Agosto 2010)
(sempre me soube melhor trinchar a carne no prato depois de saber
que era daquela vaquinha super fofa da vizinha.)
quinta-feira, setembro 09, 2010
malmequer
um bom dia
um mau dia
um bom dia
um mau dia
um bom dia
um mau dia
um bom dia
um mau dia
um bom dia
um mau dia
um bom dia
um mau dia
...
n+1.
(nunca acaba. acaba?
e porque é que não se chama bemmequer?)
segunda-feira, setembro 06, 2010
who are you
ca'los c'ús. era assim que, na idade tenra, a minha irmã chamava o apresentador do 123. era o seu predilecto. estava na inocência de achar, ou de nem pensar, que um homem só deseja uma mulher para lhe dar beijinhos e ser mãe de filhos. que um homem só deseja uma criança como pai, ou como irmão mais velho, para a amar candidamente. nunca para encontrar na sua pele doce o que não encontra no companheira/o. nunca para encontrar nas suas entranhas algum prazer.
saiu esta 6aF no Público uma reportagem sobre o Parque Eduardo VII. falava-se dos cenários que se criam. da prostituição por prazer, por dinheiro. das fugas às rotinas. das rotinas alternativas. e das personagens. o sérgio é casado e a mulher "nem sonha que ele faz aquilo". ele vai buscá-la ao emprego, jantam, conversam e fazem amor. só depois, pela calada da noite, enquanto ela dorme, vai satisfazer os outros. ela não lhe conhece as faltas. as necessidades. desconhece-lhe a incompletude que o preenche e que, noite após noite, procura numa vida pouco bem vista aos olhos da sociedade convencional. estes familiares são outsiders. são gentes que vivem na incredulidade que estas coisas acontecem perto. o que ouvem são estórias que se contam, estórias de gentes doentes. mas, acima de tudo, de gentes distantes.
quando os noticiários anunciaram o escandâlo dos meninos da casa pia e dos seus intervenientes, descaiu-nos o queixo. caiu perante o povo, e caiu perante as famílias dos acusados. como se lida com isto? com um lado lunar que desconhecemos e que faz parte de quem amamos? é passível de ser amado? prefere-se acreditar e perdoar, ou é preferível negar e acreditar no que o parceiro nos assegura? de qualquer das formas, é preciso muito amor. ou muita "logística".
depois das sentenças lidas, passou-me pela cabeça a possibilidade de eles serem 'inocentes'. dessa ínfima possibilidade que tantas vezes escapa às mãos da justiça. da possibilidade de haver essa possibilidade. e ficou a dúvida. a germinar. mas absolvidos ou não um dia, o povo julgou o que ouviu. e foi inflexível. após a confiança traída, não há veredicto que lhes volte a caiar as vidas.
depois das sentenças lidas, ficam as mulheres dos réus. as famílias. pois ainda que declarada persistentemente a inocência, fica a pairar, como abutre incansável, a possibilidade de eles serem mesmo culpados.
(não há nada mais corrosivo do que a dúvida. quando a confiança é abalada, é ela que lhe destrói as bases.)
Etiquetas:
casa pia,
confiança,
corrosão,
dúvidas,
Maddie,
necessidades,
pedofilia,
posts predilectos,
relações,
tudo-o-que-temos-cá-dentro
quarta-feira, setembro 01, 2010
stupidity
"... suppose i never ever met you
suppose we never fell in love
suppose i never ever let you kiss me so sweet and so soft
suppose i never ever saw you
suppose you'd never ever called
suppose i kept on singing love songs just to break my own fall..."*
teria sido melhor?
quinta-feira, agosto 19, 2010
antes de dormir, fecho os olhos. e raramente penso nisto.
(Prašná brána, Praha, Agosto 2010)
penso noutras. gosto de me perder no pensamento circular.
(há um certo sentido masoquista em ignorar o que realmente interessa.)
sexta-feira, julho 30, 2010
terça-feira, julho 27, 2010
expressões caseiras (i)
o meu pai:
- fulano era um papagaio, era um papagaio!
eu, curiosa com o sentido das coisas:
- hem? um papagaio?! mas o que é que isso quer dizer?
o meu pai, seguro que estava já tudo dito:
- olha, porque falava... falava aereamente!
(pois.)
terça-feira, julho 20, 2010
quinta-feira, julho 15, 2010
"como iniciar um romance em apenas duas palavras"
olá. adeus.
(porque isto é só o início. )
terça-feira, julho 13, 2010
domingo, junho 27, 2010
quando x tende para o infinito, y vai-se reduzindo a nada.
havia um rei.
sonhar uma coisa é querê-la.
nas pontas dos dedos. tocá-la.
querer tocá-la.
querer uma coisa é consumi-la. no sonho,
com o pensamento.
desejá-la.
eu-que-ro-te. quero
-te. como te imagino.
estendo os dedos e alcanço-te.
és-tu-a-qui.
és ouro. ouro. [mas...] ouro para quê?
tornas-te não comestível,
não consumível.
tu aqui deixas de ser alcançável -
passas a ser alcançado.
não aprazível.
tu-can-sas-me.
o que eu quis não é o que eu devia ter querido. o que é que eu
quero? o que é que eu
vou querer?
sonho. quero
outra coisa qualquer. de preferência
não-al-can-çá-vel.
(quando o sonho tende para o infinito, a vida vai-se reduzindo a nada.)
terça-feira, junho 22, 2010
segunda-feira, junho 21, 2010
A respeito de tudo
"nunca puxar por eles durante muito tempo seguido".
Etiquetas:
computadores,
engenheiros informáticos,
frases do café,
kaput,
limites,
overload,
posts predilectos,
psiquiatria
segunda-feira, junho 14, 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)



