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sexta-feira, setembro 13, 2013

extensões



lucky you. já eu, abranjo o período temporal até ao longínquo ano de 1984, já lá vai o tempo.
desde então até agora juro que não entendi nadinha.




(estou de volta. mas não muito mais iluminada.)


sexta-feira, abril 27, 2012

reminiscências (iv)


abri a carta das finanças. tra la la tra la la oficiosamente tra la obstar la la não desobriga la tra. artigo tal e tal, com a sigla e a lei, etc tra la. no meio de 346 palavrinhas e artigos e etc percebi que o que tinha a fazer era ir amanhã à loja do cidadão para perceber o que afinal querem eles.


(esclareci-me. que não espantará haver tanto devedor, mau pagador, tanto imposto por pagar e situação por regularizar em Portugal enquanto a linguagem para estabelecer contacto for esta. eu quase que adivinho, imagino o esquema: há a primeira ideia: oh Zé, anda cá, tens que nos vir dizer que já não trabalhas no talho. mas, ah, não!, não se pode dizer assim, directamente, não! então e as maneiras? e a palavrinha complexa do dicionário? não, há que complicar a coisa e dizê-lo em muitos parágrafos e com muitos enfeites. e não é chegar directamente à mensagem! há que estabelecer o labirinto, entontecer uma pessoa com tanta volta, invocar o suspense e fazer o coração praticar o bac final. Vossa Excelência é notificada para o exercício do direito de audição... e a partir daqui chapam-se 7 parágrafos gratuitamente. 
eu muito sinceramente preferia ser tratada por tu mas que me dissessem na cara o que tinham a dizer. em vez de me andarem a embrulhar o cérebro e a gastar dinheiro no papel. é que nem é o problema da cortesia, que ninguém peca por ela. mas custam-me quando as coisas são somente ocas, sem sumo. custam-me as aparências quando só servem para dar o trabalho de se andar a desembrulhar depois.)


(há qualquer coisa de muito errada na comunicação entre o povo e os seus governantes.)

quinta-feira, janeiro 05, 2012

usar o pé, ir a pedantes, esticar o pernil para o dobrar de seguida, exercitar a pernoca vírgula o pé vírgula e o resto.

          
ele
- queres boleia?
eu
- não, obrigada, prefiro ir a pé.
ele
- mas eu dou-te boleia!
eu
- está bem, mas eu prefiro ir a pé.
ele
- mas eu estou de carro e posso dar-te boleia.
eu
- está bem, agradeço, mas eu gosto de andar e prefiro ir a pé.
ele
- fogo, tu és chata!

...


(das duas uma: ou as pessoas não nos ouvem, o que não parece ser o caso, ou as pessoas não nos compreendem mesmo quando nos ouvem. a minha parca experiência de vida inclina-me pesadamente sobre esta última hipótese. e tenho pena. mais valia que não nos ouvissem e treinássemos somente o acto de audição. já treinar o de compreensão parece ser bem mais tramado.)
         
               

segunda-feira, janeiro 24, 2011

como pode um só homem representar uma nação?


a minha tia é um amor. tem braços de ferro e força suficiente para mover montanhas. passa os dias de mãos na terra, a plantar os alhos e a ver dos kiwis e das alfaces, e a levantar-se cedo para ir levar a colheita ao mercado. e ri, muito, tanto que é um regalo vê-la a rir.
este domingo contáva-nos ela, a mim e ao meu amigo j., a sua lida da terra:

pois, andava lá eu com um cherrebeco a empapar a terra. sabe?
(o j. franze os olhos como quem tenta ver.)
é com uma foice de bizar, sabe?
(o j. faz um esgar de dor por não conseguir saber.)
é a como uma pedoa!
(não, não sabe. nem ele nem eu.)


(uma pessoa anda na escola, aprende a ler os textos do saber, e depois os livros da economia, aprende a escrever correcto e direito, com as palavras certas, sem enganar nos termos, aprende a falar e a comunicar com os dirigentes do mundo. fala direito e bonito, e faz boa figura na televisão.
mas passados tantos anos afastado das gentes das terras, que pode ele entender do que eles dizem e do que eles realmente querem saber?)


quinta-feira, janeiro 13, 2011

afinal



- são rosas, meu senhor, são rosas...
- rosas em Janeiro?!

(pronto, está bem, são camélias.)