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quinta-feira, maio 23, 2013

Wie geht's? (*Como estás?)


- es geht. (*vai-se andando)

não, diz-me ele, corrigindo. não, não e não. não podes responder assim: é de mau tom, revela falta de maneiras, má educação. dizer uma coisa assim, imprecisa, morna, deslavada, coaje o outro a ter que se interessar pela tua vida, a perguntar: então, diz láaaa, afinal que se passa?... e não pode ser. há que não importunar o outro. há que omitir, encobrir, enfeitar. encurtar a resposta para que possamos todos coexistir  com um belíssimo sorriso amarelo empunhando triunfantemente o livro de etiqueta nas mãos. para que possamos manter uma convivência morna mas extensa e sem azias, sem emoções, sem extremismos desnecessários. em sociedade. isso, nem que nos estejam a sair as tripas pelo buraco do umbigo.

como? para poupar os outros, disse? os outros que quê - para a próxima segue um entusiástico

- sehr gut! exzellent! wunderbar! (* muito bem! excelente! espetacular!) -

mas é para me poupar a mim que ando sem paciência para dar explicações.


             

quinta-feira, abril 04, 2013

blasfémia. ou premonição?




"Condenadme, no importa, la historia me absolverá."

Fidel Castro, 16 de Outubro de 1953, Santiago de Cuba.


"Só a história julgará, com a objectividade e a distância temporal indispensáveis, a acção de cada um de nós."
Miguel Relvas, 4 de Abril de 2013, Lisboa.


(foi de propósito?!)


(a História. aquele pedaço de conhecimento factual feito por pessoas objectivas... exacto. não, a História nem sempre absolve. julga sim, à sua maneira: corrige, sublinha, esquece, acrescenta. às vezes revela, mas só o que lhe foi dado a ver. é mais ou menos como as leis: não se livra nunca dos erros de interpretação.)



quinta-feira, janeiro 26, 2012

mas pensas tu que temos sempre consciência dos actos?


pois digo-te eu que há pelo menos duas inconsciências. a alegre inconsciência da ceifeira, e a inconsciência perversa. a primeira vive em acção passiva, sem saber o sofrimento que pode causar nessa passividade, ou o sofrimento que poderia vir a causar a si própria se não fosse insconsciente das coisas que doem e apenas consciente do que precisa para viver.

a segunda vive na forma activa. é-se consciente até um ponto, o resto escapa-nos da mão poque é impossível compreender-se o que não se aprendeu, é difícil, impossível talvez, ver o que não fomos treinados para ver.

nem sequer temos consciência de exactamente quanta consciência temos. porque a consciência é relativa. enformada no que crescemos e no que cresceu em nós.

e se nós não vemos, como poderemos saber que não vemos?

não vendo, saberemos porque alguém nos dirá que é errado, que não se pode colocar filhos em máquinas de lavar e sentar-se calmamente num sofá.

mas é 'chamar-nos à razão' critério suficiente para que a atinjamos?
se eu te disser que deus existe, porque hás-de tu acreditar se não acreditas.


(a mente é resistente à mudança de estado. e quem diz estado diz perspectiva.)
         

sábado, janeiro 14, 2012

push the button

          
expliquem-me por favor por que meio infeliz as pessoas não puxam o autoclismo quando vão a uma casa de banho que se localiza fora das suas casinhas. é que já não é a primeira, nem a segunda, nem certamente será a última vez que vou a uma casa de banho [pública] e que me deparo com o espetáculo ao vivo e a cores na sanita perto de mim. quem nunca experienciou isto que dê um gritinho: a água amarela na melhor das hipóteses, a louça tingida de outra cor e substância na talvez pior (mas não meto limites: o ser humano é capaz de me surpreender).
e não compreendo, pronto, não compreendo. até é coisa para me ultrapassar: a incapacidade de se descarregar um autoclismo. um auto-clismo. nem é preciso encher um balde, erguê-lo e despejá-lo. não. tudo se resume a um simples botão que devemos premir. posto isto, soltar-se-á uma enxurrada de água para que tudo regresse à normalidade naquele local de higiene. um pequeno e simples botão. mais nada. mais simples que isso só se for por pensamento (a caminhar como estamos para o absoluto dolce far niente é coisa para se pretender. ou se pudesse ser automático sem que uma pessoa tivesse de se dar ao trabalho de pensar, ui ui!). 
eu já nem digo usar o piaçaba. não. ui senhor!, isso já seria exigir muito. seria exigir que uma pessoa se desse ao trabalho de limpar o que sujou. ui, não, deus nos livre de cometer tal esforço! mas o botãozinho, a acontecer tão perto de nós, e a implicar apenas que tenhamos em nós uma parte de corpo que encaixe nele, oh por favor.

posto isto, só me resta invocar The Chemical Brothers na sua educadora cançãozinha. ora escutem:

"Don't hold back...
Cause you woke up in the morning, with initiative to move, so why make it harder...
Don't hold back...
If you think about it, so many people do, be cool man, look smarter....
Don't hold back...
(...)
World, the time has come to...
Push the button...
World, the time has come to...
Push the button...
World, the time has come to...
Push the button...
World, my finger, is on the button...
My finger, is on the button...
My finger, is on the button...
Push the button...
"

take-home message (porque convêm sempre reforçar a ideia): from time to time, your finger should also be on the button.
                 
          

terça-feira, outubro 05, 2010

coloquialidades


anda para aí um cartaz com a pergunta: o que diria a Deus se O encontrasse? eu andei a pensar nisto, e confesso que fiquei indecisa. acabei com 3 opções de resposta.

1) antes que ele tivesse grande tempo, e porque é porreiro e tal, espetava-lhe de enfiada com o
Então,-tudo-bem?-Tudo.

2) na mesma linha, mas numa versão mais formal, arregaçava a manga e puxava do
Passou-bem?-Muito-obrigada.

3) mas acertado mesmo era meter a minha melhor cara de pasmo, e exclamar:
então, Meu, por onde é que tens andado?!