domingo, julho 21, 2013

replace fear of the unknown with curiosity

o tanas. 
deixa-o estar, ao fear do unknown, bem sossegadito que algum propósito há-de ter. por mero e casual exemplo, fazer com que nos remetamos ao essencial (i.e. a 5 artigos e mais um ou outro) para escrever uma tese. já a damn curiosity, por querer saber mais isto e, se puder ser, ainda mais aquilo e aqueloutro, além de não dar cabo do unknown, o que nos faz é perder a cabeça, a paciência e - pior que tudo! - o tempo no meio dos milhões de artigos da pubmed.
       
       
         
      

segunda-feira, julho 08, 2013

birras (ii)


para além de sovina, ainda é cabra. a cerveja no nosso país não tem vergonha na cara.

(deve ter motivos para isso. oba!)


sexta-feira, junho 28, 2013

domingo, junho 16, 2013

em delírio

desde que descobri que há uma great song inspirada num favorite book.


(o conhecimento a mim chega-me sempre com décadas de atraso. quando toda a gente já viu, reviu, entrou em histeria, teve convulsões, reanimações, deu palestras, desenrolou toda a sua vida com base nisso, e se cansou, de tão batido que estava, chego eu à festa, fresquíssima. depois, completamente out of time, extasio-me.

mas, pronto, eventualmente chega.)




sexta-feira, junho 14, 2013

uma vez ou outra quando o autocarro passa na paragem do hospital

       
há algo de extremamente romântico, comovedor e, de certa forma, abrupto, em ver um homem - de escalpe luzidio, barriga a saltar da calça, em robe de seda e chinelo de flanela - a apanhar flores com a maior candura no meio dos canteiros da portaria.


(é de fazer crer que não há limites para o pudor humano. oba!)


         

segunda-feira, junho 03, 2013

'nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.'





do tempo em que corríamos ao campo, pelos caminhos de amoras, giestas e silvas,
em que as procurávamos, uma a uma, dispersas nos lameiros verdes e frescos,

as macelas, macelinhas, daquelas mais miudinhas, daquelas mais amarelas...


hoje cobrem-te a campa.
felizes, nós, que cremos em Lavoisier.




(parabéns, avó, pelas memórias.)


quarta-feira, maio 29, 2013

combinações mais-que-perfeitas















(i) have the ticket! and (i) also have the perfect shoes to go along!

(é o delírio portanto.)



                             

quinta-feira, maio 23, 2013

Wie geht's? (*Como estás?)


- es geht. (*vai-se andando)

não, diz-me ele, corrigindo. não, não e não. não podes responder assim: é de mau tom, revela falta de maneiras, má educação. dizer uma coisa assim, imprecisa, morna, deslavada, coaje o outro a ter que se interessar pela tua vida, a perguntar: então, diz láaaa, afinal que se passa?... e não pode ser. há que não importunar o outro. há que omitir, encobrir, enfeitar. encurtar a resposta para que possamos todos coexistir  com um belíssimo sorriso amarelo empunhando triunfantemente o livro de etiqueta nas mãos. para que possamos manter uma convivência morna mas extensa e sem azias, sem emoções, sem extremismos desnecessários. em sociedade. isso, nem que nos estejam a sair as tripas pelo buraco do umbigo.

como? para poupar os outros, disse? os outros que quê - para a próxima segue um entusiástico

- sehr gut! exzellent! wunderbar! (* muito bem! excelente! espetacular!) -

mas é para me poupar a mim que ando sem paciência para dar explicações.


             

segunda-feira, maio 20, 2013

intervenção divina. isso Ou genealógica.


foto: íman de frigorífico da sô dona m.m.g.
     
     
depois de auxiliar o ministério de Estado e da Defesa Nacional em 2002, salvando Portugal da maré negra do Prestige, e de ter amparado o ministério das Finanças ao iluminar a Troika na sétima avaliação feita a Portugal, a nossa senhora de Fátima parece ter metido um pézinho no mi(ni)stério do futebol. de facto, só isso poderia explicar o valente tropeção do clube dos Infernos a 3 jornadas do fim. intervenção celestial, só pode. isso ou o Papa.

ah não, espera!, - parece que este ano foi mesmo o Jesus. malandreco.



(post dedicado com muito fervor à FJ, encéfalo-mor da espiral medula)



quarta-feira, maio 15, 2013

Do you have advice for young scientists?


"Be clear with yourself about what exactly you want to do in the long term. Know how you want to affect the world and what you are passionate about. Ignore boundaries and pursue what you want most to do.", 
says Laura Deming, aged 19, a bright, motivated and passionate scientist.


and for the old ones, do you have any?




sexta-feira, maio 10, 2013

Cheshire cat (i)



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
(...)

hmm,

Eu olho-os com olhos lassos, (...)
E cruzo os braços, (...)


Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


isso!

but god damnit, man! you're not leaving me many chances.


segunda-feira, maio 06, 2013

‘Are you still an effective team?’,


says Sally*, in a brilliant Texas accent and with an enthusiastic smile. o presidente do Conselho Europeu deve ter visto o filme recentemente também:

«Rompuy elogiou o comportamento de Portugal nos últimos dois anos. O país "é um bom exemplo" pelos resultados alcançados no "trabalho que tem sido feito nas finanças públicas e na implementação de reformas", disse. "O mais importante é mantermos o nosso rumo", vincou, defendendo mesmo que isso é "imprescindível para a credibilidade" externa dos países. Até porque, "se formos bem-sucedidos, a crise acabará por nos tornar mais fortes". Foi, aliás, esse bom comportamento que permitiu que os credores internacionais alargassem o prazo para o pagamento da dívida portuguesa há algumas semanas (...).»**


sujo, exausto e impaciente, o País quer perceber o que diz o presidente. quer saber como pode ele responder às suas preces, às suas questões, às suas dúvidas. quer tomar o microfone nestas visitas de quando a quando. mas o presidente, ou os senhores da troika, ainda que pareçam falar ao povo, não falam verdadeiramente para o povo:

Sally* a.k.a. Big Boss: This is mission control. How are you all doing this lovely morning?
Vicka* a.k.a. Passos Coelho e o seu executivo tomam o microfone: Another day in paradise, Sally.  

«Porêm», avança o Sr. Rompuy (Sally), sem querer pintar as coisas em demasia, «há ainda um longo caminho a percorrer. os "ajustamentos são difíceis, demoram muito tempo até parecerem fazer efeito" e é preciso "coragem política", avisou, mesmo que as sondagens mostrem que o Governo é cada vez menos querido pela população. Essa é, aliás, uma situação que Rompuy desvaloriza. "É tempo de coragem política e muitos líderes, tal como os do vosso país, mostram coragem. Estão convencidos que tem que ser como agem. E é assim que tem que ser.»**


Vicka* suspira, ou Passos Coelho e o seu executivo suspiram (, o País expira). mas compõem logo o seu melhor sorriso enquanto se dirigem ao País: Only two more weeks (como quem diz, anos), Jack (O País), and we can finally leave and join the others. Please, don't take any chances... 


(shouldn't we? que eles estão convencidos percebo eu. mas, muito infelizmente, a fé não parece ser um bom indício de razão. pensar que ainda por cima as premissas da fé se podem basear em erros de cálculo, é tirarem-me outro pedaço de tapete. chegar a ponderar a ideia de alocar as esperanças na fatia política oposta, que foca as preocupações na cavalgada sobre o governo, é permitir um gancho nos queixos; enquanto que idealizar que as medidas (ainda que enaltecíveis), propostas por uma facção que ainda crê que o comunismo é operacionável, poderiam chegar para cobrir a dívida que nem uma tonelada de ouro europeu cobre, é oferecer a face a um valente soquete esquerdino.
who should we trust then? No one, someone whispers. é o knock out - e arrumam comigo de vez.).



* Oblivion (2013) 


quinta-feira, abril 25, 2013

conquista



   
- Eu disse-lhes: «já estou farto. soltem-me, se não mato alguém e mato-me em seguida...».
Depois disso, puseram-me em liberdade.
- E o Teo Manzin? escreve versos?
- Escreve. Não posso compreender - disse ele, abanando a cabeça. - ele é um canário ou quê? puseram-no na gaiola e ele canta.
         

    (A Mãe, 1907, Máximo Gorki (Максим Горький))

segunda-feira, abril 22, 2013

reconciliação, Ou 'i said what i said but'.


não aguentei. ontem, passadas quatro semanas sobre o pedido de divórcio, fui vê-lo. estava à espera de uma agressividade irritada mas sem foco definido, de alguma atitude mais infantil, não sei, de um desleixo instalado, de um desespero corrosivo que o fizesse perder o rumo. mas não. 
bati de mansinho à porta - acho que não estava à espera de me ver - e surpreendeu-me: boa cara, fresca, com pose enérgica e vigorosa. a mostrar vontade de dar a volta por cima - bem melhor do que o supus. 

dei-lhe o beijo e saí. sentei-me na bancada. olhei os outros, olhei-o a ele, o jeito de pentear o cabelo, os movimentos, a forma como ajeitava as meias. olhei-o comparativamente a todos os outros. um pouco jovem talvez, pensei, mas confiante. e, pela primeira vez em muito tempo, senti uma faísca de paixão. como se o acender de uma labareda. acontecesse o que acontecesse, ia levar-te para casa depois. o rapaz lutou e foi bravo. mas a vontade não foi suficiente. 

fui vê-lo no fim. olhou-me com ar feroz, magoado e insatisfeito, mas sem dar o braço a torcer, e assim esteve durante algum tempo -  forte, intransponível, como um muro de pedra. depois, tremeram-se-lhe os joelhos, e desabou. 

então, estendi-lhe a mãozinha, e disse:
- anda cá amor, vem chorar no meu colinho.



(i'm yours, baby. é que, por mais que tente, nem há volta a dar-lhe.)


             

quinta-feira, abril 11, 2013

'The distance between insanity and genius is measured only by success'.





















Jardins da Gulbenkian, Lisboa. imagem, com entrevista, daqui    


"O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles foi esta quarta-feira distinguido com o Nobel da Arquitectura Paisagista, o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe. (...) Gonçalo Ribeiro Telles (...) espera que chame a atenção para muitos dos problemas que o levaram a receber o prémio: "problemas que têm preenchido a minha vida e que eram entendidos como utopias.” Depois, ri-se, e diz que o prémio é uma “couraça”, uma defesa que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, agora com reconhecimento internacional."

      

quinta-feira, abril 04, 2013

blasfémia. ou premonição?




"Condenadme, no importa, la historia me absolverá."

Fidel Castro, 16 de Outubro de 1953, Santiago de Cuba.


"Só a história julgará, com a objectividade e a distância temporal indispensáveis, a acção de cada um de nós."
Miguel Relvas, 4 de Abril de 2013, Lisboa.


(foi de propósito?!)


(a História. aquele pedaço de conhecimento factual feito por pessoas objectivas... exacto. não, a História nem sempre absolve. julga sim, à sua maneira: corrige, sublinha, esquece, acrescenta. às vezes revela, mas só o que lhe foi dado a ver. é mais ou menos como as leis: não se livra nunca dos erros de interpretação.)