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domingo, julho 21, 2013

replace fear of the unknown with curiosity

o tanas. 
deixa-o estar, ao fear do unknown, bem sossegadito que algum propósito há-de ter. por mero e casual exemplo, fazer com que nos remetamos ao essencial (i.e. a 5 artigos e mais um ou outro) para escrever uma tese. já a damn curiosity, por querer saber mais isto e, se puder ser, ainda mais aquilo e aqueloutro, além de não dar cabo do unknown, o que nos faz é perder a cabeça, a paciência e - pior que tudo! - o tempo no meio dos milhões de artigos da pubmed.
       
       
         
      

quarta-feira, maio 15, 2013

Do you have advice for young scientists?


"Be clear with yourself about what exactly you want to do in the long term. Know how you want to affect the world and what you are passionate about. Ignore boundaries and pursue what you want most to do.", 
says Laura Deming, aged 19, a bright, motivated and passionate scientist.


and for the old ones, do you have any?




quarta-feira, fevereiro 08, 2012

"graças a deus [que foste recusada]!" (*)

           
depois de ponderados pensamentos prolongados, e de um click instantâneo do tipo escorregadela, "ah espera lá que estou a ver isto de outra perspectiva", chego à conclusão - por enquanto - de que talvez tenhas alguma razão.

vejamos. sou bolseira. quando apelei à minha bolsa o objectivo foi obter financiamento para o meu trabalho. e claro está, não é que não estejamos apaixonados pelo tema, mas a questão passa muito por pintar aquilo de modo a que fique bonito e seja comprado.

obter uma recusa é um terror. significa mais um ano sem bolsa, mais um ano de espera - ou procura de outra coisa qualquer, - e para os mais resistentes, reformular e voltar a submeter e voltar a esperar. e quem fala em apelar a uma bolsa para um projecto, fala em tentar publicar um artigo: ambos podem receber um desmesurado NÃO.

a recusa pode ter muitos motivos: porque não interessa a ninguém; porque interessa mas a mensagem não foi bem entregue; porque interessa, a mensagem foi entregue mas interessa a alguém que quer ficar com ela; por motivos financeiros (falta de verbas. a linha de água desce. mais pexinhos que ficam sem água).

e os motivos finaceiros ditam grande parte da questão aliás. hoje em dia (mas obviamente que desde que o homem percebeu que podia obter mais do que o que vale = especulação), o lucro, os excedentes, governam as massas. ora se o teu projecto não dá nada a ganhar, e assumindo o cenário ideal que as pessoas realmente o avaliam para tu o desenvolveres e não com interesses próprios, óbvio que não vai ser financiado. afinal, não há verbas para tudo! mas, e no seguimento do primeiro parágrafo, ainda bem.

sou a favor da investigação básica, mas praticando-a, apercebo-me que a quero ver em aplicação. que a quero ver a ter efeitos e não somente lidar com números abstractos que nunca dirão olá a ninguém.

ora uma recusa significa voltar a trás e melhorar. porque uma, entre várias outras razões, é que à primeira não fomos suficientemente bons.

queremos melhorar o país? então melhoremos. recusados? "graças a deus!" é para a perfeição que caminhamos!

ou então não.



(o " ou então não" é uma das minhas expressões favoritas.)


           
             (ao J.C., que me estalou na face esta frase(*). sinceramente, muito agradecida! ;) )
                                       

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Lomba


"A introspecção leva à dúvida, não leva ao conhecimento."*  

é como na ciência. deixamos de ver, de perceber a coisa. cria-se a dúvida. gera-se a hipótese. mas depois é preciso testá-la.





*Pedro Lomba, Fonte - Diário de Notícias / 20050624


segunda-feira, março 28, 2011

mirabolante


às vezes, enquanto leio artigos em que os autores, cientistas, interpretam os resultados obtidos a partir de análises estatísticas confusas baseados em técnicas que se baseiam em sistemas que têm ainda tanto de desconhecido, em análises em que é sempre possível dar-lhe a volta, às vezes penso que É engraçado como a mente humana é capaz de tirar tantas ilações. Engraçado engraçado é que tudo isto não significasse nada, e que nós passássemos as nossas vidinhas em torno de coisas que não são nada. ou que, pelo menos, não são nada do que nós pensamos que são, acabando nós a calcular a vida por cima disto tudo que não é senão vago, escasso, incerto, múltiplo e hipotético. como a ciência.

(tantas horas passo de cabeça enfiada num ecrã plano, a perder dias intermináveis de sol e chuva e vento na face, e um mar enorme e a areia nos pés, a relva fresquinha e pontiaguda a fazer cócegas, os músculos a correr atrás de uma bola, os músculos a estirar enquanto correm, o sabor das coisas no topo de uma montanha, os banhos gelados no mar de inverno, o sol a cair por entre as árvores e as sombras a crescer nos campos de perder a vista. tanta coisa que se perde que às vezes penso...

valerão a pena todas as horas aqui?)

terça-feira, fevereiro 08, 2011

'Do Gut Bugs Practice Mind Control?'


e se a ansiedade, a preocupação ruminativa e os comportamentos de evitamento pudessem ser propiciados por bactérias no nosso sistema digestivo?
se calhar não é só o que fazes, não é só o que comes, não é só o que vives. se calhar é também aquilo com que vens, aquilo que carregas aí dentro. e o que carregas aí dentro, num fio genético imenso, é mesmo muita coisa.


(somos provavelmente mais influenciados pela biologia dos processos do que pensamos. e
somos também, talvez, demasiado cépticos. até que venha alguém e mostre o contrário.)


quarta-feira, janeiro 19, 2011

menstruação


vou ao homeopata. [sim, fuuuui.] senta-me num aparelhómetro complicado aos meus olhos. espreita-me a irís adentro. a rezar que vê nela tanto quanto eu vejo com ela, deve encontrar universos imensos. tantos que por fim arrisca:
"está menstruada?"
"não."
"então deve estar a vir-lhe."
"penso que não. acabou há coisa de uma semana e tal."
"pois." [leia-se, "pois, ou isso."]

(o ciclo são 28 dias. estar a duas semana de ter acabado, ou a duas semanas de começar vai dar praticamente no mesmo. ora pois.)


vou à ginecologista. espreita-me o útero com o olho cinzento. está entumescido. muito.
"a menstruação deves estar vir-lhe."
"hm... deve ainda faltar uma semana, talvez."
"mas está próxima. da forma como está, já passou a 2a fase."
"hm..."

(o útero rasga-se no dia seguinte.)


(o que é que eu quero tirar disto? sei lá. talvez que há muitas formas de ver o mundo. e que, depois, há os reforços - positivos ou em falta, os que vemos e os que deixamos escapar, os que nos aparecem evidentes e aqueles que vemos porque queremos ver. e são talvez esses reforços, que vindo como consequência, nos encorajam um caminho a seguir. ocasionais e casuais, vão desbastando um caminho e, inevitavelmente, esbatendo outros que não nos deram motivos para voltar a passar por lá.)


terça-feira, fevereiro 16, 2010

Actividade experimental




















a Vida pega em nós, mete-nos em frasquinhos, e depois vai fazendo misturas. só para ver no que é que dá.

(pior é que sem saber os objectivos da sr.ª d. experimentadora, como é que pode alguém manipular os resultados?)


terça-feira, outubro 06, 2009

(h)Ard[i] to believe


Lembro-me bem daquela aula de História do meu 7º ano em que a professora nos informou a todos, numa versão simplificada, que descendíamos do macaco. Eu, que até então fora profundamente catequizada com a estória do Adão e da Eva no Paraíso, fiquei perplexa.

Matutei nisto continuamente e, não sei bem em que dia no meio de um qualquer almoço, arremessei a pergunta: Há uma coisa que não estou a perceber... A professora de História diz que houve uma evolução e que nós evoluímos do macaco, mas a catequista diz que Deus criou o Adão e a Eva... onde é que entram aqui os macacos? Penso que naquele instante provoquei sensivelmente nos meus pais a mesma reacção que tem a pergunta 'De onde vêm os bebés?'. O meu pai, entranhadamente homem da ciência, iria provavelmente reafirmar-me a ideia de que, de facto, descendemos dos macacos. Depois entraria em termos infindavelmente complicados, mas a conclusão seria essa. Mas foi a minha mãe, mulher de Fé, que sem ser por acaso tomou a palavra. Com alguma paciência, explicou-me como o Adão e a Eva eram uma metáfora para o princípio da humanidade. E devo dizer que, de forma bastante simples, me deixou mais apaziguada com estas várias versões que os senhores adultos se lembram de nos transmitir.

Porque quando se misturam alhos com bugalhos a coisa fica difícil de explicar. Por um lado, dizer às crianças que os papás primeiros foram o Adão e a Eva, é fazer-lhes um nó no cérebro de forma a que não passe qualquer outro tipo de informação. Foi assim e pronto, e depois o Caim matou o Abel e a maldade ficou-nos nos sangue. Tudo tem explicação. Corta-se assim com qualquer outro tipo de ideia(s) como, por simples exemplo, de que talvez não tenha sido Deus que nos fez as costelas (pelo menos, não directamente), mas que talvez o nosso papá fosse afinal um ser demasiadamente peludo, desprovido de moral e, também, de tecnologia.
Por outro lado, dizer às crianças que descendemos do 'macaco', é ignorar que o seu pensamento concreto ligará A a A, B a B, e C a C. É aliás quase o mesmo que dizer-lhes que Macaco é tudo o mesmo e que, assim sendo, o 'macaco' que anda por aí não evoluiu, enquanto nós, humanos, seres avançadíssimos, produto de ponta, nos fartámos de evoluir.

Ainda bem que 'descobriram' a Ardi. É que ela, no seu silêncio misterioso veio lançar outras hipóteses. Ao que parece, nós humanos somos muito mais parecidos com esse antepassado longínquo do que aquilo que queríamos ser (e que as descobertas científicas até agora pareciam fazer acreditar). E mais, o que sugere a descoberta dos infindos ossinhos (há já 17 anos) é que provavelmente quem 'evoluiu-mais' até foi o comummente chamado 'macaco'. Blasfémia!

Claro que teorias e versões há muitas. E provavelmente outros factos e dados surgirão, e novas hipóteses serão tecidas. E talvez nem nunca cheguemos à unicidade. E depois? Isso talvez até seja bom. Porque suscita a dúvida, suscita a discussão, suscita o querer saber mais. Suscita tudo aquilo que, quem acha que já sabe tudo, parece não querer ouvir falar. Pena. Porque ninguém devia estabelecer como certo e seguro aquilo que nunca foi posto à prova com uns valentes abanões.

quinta-feira, outubro 01, 2009

dupla personalidade















(Almeida, Junho, 2009)

às vezes também me apetecia ter duas cabeças: primeiro, uma para ouvir incessantemente o mundo lá fora, processá-lo nos seus pormenores infindáveis, nas suas possibilidades (im)prováveis, sob uma perspectiva e outra, e aqueloutra até, testá-lo através de hipóteses e, sempre insatisfeita, esmiuçar os resultados. assim, o mundo chatinho e exigente cá de dentro reflectiria nas coisas à vontade e viveria sob as regras do correcto-e-do-justo. depois, descaradamente livre, teria outra para quando me fartasse da primeira - com jeitinho, punha essa de lado, deixava-a a processar o infinito, e ia gozar a vida.


terça-feira, abril 07, 2009

Estrelas


A judite (de sousa) sorri. Escorre-lhe a franja pela testa sobre os olhos pestanudos. Então, numa felicidade de poder colocar em palavras suas as dúvidas da humanidade, arremessa:
- Mas o senhor professor antónio damásio, ãaa..., julga que, apesar de tudo isso que disse e de tudo o que já se conseguiu até hoje... o que é que nós nunca iremos saber?
O senhor professor antónio (damásio) abisma-se. Mas depois, certo que o mundo inteiro bebe do que irá dizer, controla-se e solta com naturalidade:
- Impossível saber o que nunca se vai saber.

(pois. acontece-me também. antes de começar qualquer coisa nova, antes de entrar, antes de ver, antes de saber como as coisas são por dentro - imperfeitinhas, incertas, e em permanente (des)construção -, acontece-me esperar que o não sejam. calculo que a ciência, quando vista de fora, também seja assim: uma espécie de certeza inabalável com métodos afinados que dão respostas precisas a todas as questões travessas.
então, quando a imprecisão dos tarôts, o enevoamento dos oráculos de bellines, a atribulação das linhas da mão - e a poluição luminosa! - nos impedem de ver as constelações estelares - e o futuro! -, o mundo redescobre a pólvora: vira-se para os neurocientistas. quer saber da "pílula da memória", da felicidade eterna, da vida com muitos dias e mordomias, se puder ser também. enfim, de mimos.
os neurocientistas é que ainda não aprenderam a lidar com tamanhas responsabilidades. por isso, desabituados que estão de 'perguntas às três pancadas', quando lhes fazem questões destas, poêm-nos com a cabeça à roda. e, inevitavelmente, a ver estrelas.)