Mostrar mensagens com a etiqueta depressão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta depressão. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, setembro 06, 2011

o estatuto do foro psicológico

              
Transbordam as nádegas dos assentos revestidos. sob as cochas apertadas nas saias pelo joelho, assentam as mãos gretadas e morenas. os peitos arfam, bicudos, por baixo das blusas de seda, e nas carteiras guardam-se certamente os comprimidos para as diabetes e para a hipertensão. Falam entre si as senhoras, na viagem da camioneta:

- opois no sábado sentiu-se mal.
- mas ele é epiléptico?
- não. deu-lhe um ataque de ansiedade. e no sábado teve que ir ao médico.

- ah, não sabia. mas ele há médico disso? da ansiedade?



(há pois. mas chiu, ninguém sabe, é segredo. é um bicho. um bicho que não se conhece bem. que não se percebe. isto do coração a saltar por motivos que não os intrínsecos ao coração. isto de tremermos sem termos a Parkinson. isto de nos esquecermos desprovidos do Alzheimer. de andarmos tristes sem motivo aparente. nervosos, quando as provas já passaram. cansados, sem trabalhar. sem sono, quando queremos tanto dormir.

mas prepare-se, querida senhora, habitue-se a ouvir destas, que isto só vai aumentar.)
       

quarta-feira, abril 27, 2011

[indeterminado]




Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


(melhor perdido no nevoeiro que
encharcado no lodo da perdição.

do nevoeiro escapa-se com cautela,

mas do lodo dificilmente escapamos
sem a garganta imersa e
a mente suja.

sejam as flores a bandeira. efémeras sim, perecíveis é um facto
mas
constantemente renováveis.)


terça-feira, abril 19, 2011

Dos tropeções silenciosos


- [...................... ]
- estou? estás aí?
- [......... ] estou...
- ah, não te ouvia, pensei que tinhas ido abaixo.


(também eu.)


segunda-feira, abril 18, 2011

uma coisa (im)possível antes do pequeno almoço


- alguém perdeu o passe, estende a senhora o bracito flácido para o motorista enquanto o entrega. ele recolhe e responde:
- oh minha senhora, há quem só não perca a cabeça porque está agarrada!
- pois eu digo-lhe que há muita gente que perde a cabeça mesmo tendo-a agarrada.


terça-feira, fevereiro 08, 2011

'Do Gut Bugs Practice Mind Control?'


e se a ansiedade, a preocupação ruminativa e os comportamentos de evitamento pudessem ser propiciados por bactérias no nosso sistema digestivo?
se calhar não é só o que fazes, não é só o que comes, não é só o que vives. se calhar é também aquilo com que vens, aquilo que carregas aí dentro. e o que carregas aí dentro, num fio genético imenso, é mesmo muita coisa.


(somos provavelmente mais influenciados pela biologia dos processos do que pensamos. e
somos também, talvez, demasiado cépticos. até que venha alguém e mostre o contrário.)