"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
terça-feira, junho 03, 2008
Eternal sunshine of the spotless mind
Este filme tem tanto de fantasia como de realidade.
E é isso que o torna tão bonito.
(quando tudo-o-que-temos-cá-dentro é mais forte.
porque não se apagam amores: aprende-se é a viver sem eles. e mais díficil que isso, só aprender a viver com eles.)
(música: The Polyphonic Spree, Light and day;
filme: Eternal sunshine of the spotless mind, Michel Gondry, 2004)
sexta-feira, maio 30, 2008
Louca
quarta-feira, maio 28, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
(Bexiguinha e ) O legado do Dr. Mabuse
Quando ando sozinha pela Baixa
e o caminho se estende mais longo do que a minha coragem
Quando subo pelo caminho mais curto
e percorro as ruas estreitas e escuras
E não sei o que me espera
Quando vejo pessoas
E não sei quem são
O que me assusta
O que me faz tremer
O que faz bater o meu coração
Arfar os meus pulmões
Sentir o sangue engasgado no cérebro
E o torpor na mente
Não é que me tirem os valores
Os anéis
E levem a carteira
Não é que me queiram o dinheiro
O leitor de músicas
O casaco
Os brincos
Ou o relógio.
O que me arrepia e faz recear essas viagens
É que me queiram a mim.
(não é o dinheiro, nem o poder político, nem as férias nas Filipinas. Não são as malas Louis Vitton, nem os ténis da Nike, nem as calças da Levi’s. O que me assusta, e que este filme captou tão bem, é o prazer na destruição do homem, qualquer homem. Na destruição da vida, seja ela qual for. O gosto em ver uma existência contorcer-se em dor, na súplica, para então se esvair numa poça onde se perde.)
A blueberry called world. Another one called life.
Não tenho muito por onde pegar, nesta vida de todos os dias.
Por isso, às vezes, quando percorro o caminho para casa,
quando vejo novamente o que vi ontem e antes de ontem
quando já ando sem olhar
quando já olho sem ver,
também a mim me apetece dar a volta pelo caminho mais comprido,
pelo caminho diferente.
faz-me falta tudo o que não sei nem imagino
faz-me falta saber que tudo é estranho e diverso,
e que outros olham e vêem distinto o que eu olho também.
sinto falta de olhar eu também e ver estranho e distinto
E, depois de o ver,
sentir e querer e gostar de estar em casa.
(mas este medo que me prende.
esta preguiça que me arrasta.
esta rotina que me atraiçoa.)
Quero embrenhar-me no mundo
Quero ir,
e só então, cansada e descansada,
Voltar.
Quero ir, para então, enfim, bradar sedenta a esta terra:
-Casa, o quanto eu te ansiei.
(às vezes, muitas vezes, devíamos pegar no medo da mudança, içá-lo com jeito e cuidado, e arrumá-lo numa caixinha perfumada onde ele não se cansasse de estar.)
segunda-feira, maio 12, 2008
O Quadrado da Lógica.
Pessoas instáveis mudam quando o ambiente muda.
Logo, mudo frequentemente.
Meninos coitadinhos.
queixam-se a torto e a direito
a direito e a torto
para cima e para baixo
para a direita e para a esquerda
para a esquerda e para lado nenhum
que chega a cansar
vê-los queixarem-se tanto.
que o mundo é uma merda
(isso) já todos sabemos
mas os coitadinhos gostam de repetir.
as suas pernas pesadas
que não os deixam voar.
os que lutam
todos os dias
apesar de tudo o que vem contra
e não se queixam
fraquinhos
galos-zinhos
arrepiam
em pele de galinha
os que conseguem
sem a queixa na ponta da língua.
apregoam o dito
mas
morrem
sem viverem
morrem
sem perceberem
que é em nós que é tudo.
Caranguejos.
Aos que têm um destino
que não era deveras o seu.
Tenho caranguejos pelo corpo
Que me beliscam as vísceras e a vontade.
Tenho caranguejos sobre a alma
Que me roubam a luz
E a idade.
Tenho caranguejos.
Assassinos,
Sacudo-os eu.
Carrascos frígidos.
Sorrateiros e silenciosos,
Chegaram mudos ao meu destino.
Assassinos.
Larguem-me a vontade
(ao menos deixem-me a vontade…)
Tenho caranguejos pelo corpo
Caranguejos.
Chegam calados ao que somos
e vão trilhando o que éramos.
Será este o meu destino?
Pergunto-me se era este o meu destino.
(bruta sina
que me escreve um signo que não é o meu.
Dize que não é...)
Quando os caranguejos são mais fortes
que a vontade,
mais fortes
que os grilhões a esta vida.
Quando a vida não tem fado,
Nem sequer um sentido.
sexta-feira, maio 09, 2008
A spot.
quarta-feira, abril 23, 2008
Retrato de Família
quarta-feira, abril 16, 2008
em-nos-eh-tudo.blogspot.com
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser.
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Fernando Pessoa
(assim nasceu a morada do meu blog: porque sou entranhadamente existencialista.
ressalve-se que não tiro o mérito ao acaso, mas acredito piamente que, de uma forma ou de outra, é sempre possível dar-lhe a volta.)
quarta-feira, março 26, 2008
«Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente.»
Anda para aí um dito a arranhar-se pelas paredes que até escandaliza o Homem. Dizem que as mulheres são gente. Gente? Que ideia radical é essa?! Gente de gentinha? Radical é se fossem pessoas!
(:x)
Ainda bem que há o outro.
Tenho andado a pensar na vida. Nas coisinhas da vida. Nas coisinhas minúsculas. Nas coisas do nosso tamanho. Neste mundo. Nas pessoas. No mundo que as pessoas construíram. Nas mesquinharias. Nos nadas. Nos nadas e nas tardes de chuva. Na luz cinzenta por entre a janela de uma casa vazia. Na velha dessa casa vazia. Nos filhos dessa velha que viveram numa casa cheia que agora é vazia. No abandono dessa velha. Nos anos que passam. Em tudo o que se deixa para trás. Nos sonhos que tínhamos. Nos sonhos que já não temos. Nos sonhos que decidimos apagar, à medida que a nossa sombra cresce. No que víamos e já não vemos. No que não víamos e passamos a ver. Na ilusão. Na desilusão. No sentido da vida. No sentido desta vida. No tempo. Nos velhos. Nos velhos doidos. Nos velhos que nos olham. No que os velhos vêem. Nos novos que já foram. Nos novos que foram como nós. No que nós ainda não vemos. Nas rugas e na celulite. No que vemos dos outros. No que vemos nos outros. Nas relações. No que nos liga aos outros. No que queremos dos outros. No que eles querem de nós. Nos medos. No sentido desta vida. No que vale a pena. No que não vale. No dinheiro. Na Política. No Pinóquio. Nas políticas. Na batalha naval dos crescidos. No poder. Nas pressões. Nas verdades que se escondem. Nas verdades que nunca saberemos. Nas verdades que não existem. Nas mentiras que nos vendem. Nas mentiras em que escolhemos acreditar. No fardo desta vida. Na morte. Na fé. Nas crianças. Nas crianças degoladas com os olhos postos no sonho. Nos adultos engravatados, e razoavelmente vivos. Nas crianças adultas. Nos adultos embirrentos e chatos. Nos adultos cruéis. Nas mãozitas endurecidas pelo peso de uma arma. No olhar das crianças. Nas crianças sem olhar. Na fragilidade da vida. No azar. No destino. No imprevisto. Na injustiça. Na ironia da vida. Nas coincidências. No acaso. No que insistimos em querer dar nome. No que não tem nome, nem sequer existência. No que queremos explicar. No que não tem explicação. No homem e na sua natureza. Na essência do homem. Neste jogo em que entramos nem sei bem quando. Neste jogo de aparências. Neste jogo nojento. Em pulsos cortados. Em medos. No resto. No que vale a pena. Nos laços que nos amarram aqui. Nos laços que temos e que, nem assim, nos permitem ficar. Na eterna ironia da vida. Em faces no chão e o vento na face. No fim. Enfim, na vida. Triste, mesquinha, pesada e injusta. O que vale é que é curta, muito curta.
(A minha mãe diz: ainda bem que há o outro, senão – credo! – isto seria uma injustiça. Fico a pensar que para suportarmos esta vida apenas precisamos de uma boa, muito boa mentira.)
terça-feira, março 18, 2008
Visão periférica.
segunda-feira, março 10, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
Psicodrama
A tribute to Fridays
(The Cure – Friday I’m in Love
uma das minhas canções predilectas,
nem a propósito com o que nos espera este fds.
Um tributo aos The Cure, também.)
quarta-feira, março 05, 2008
(apetece-me dar um murro, pode ser no antónio.)
Rebelde. Ser rebelde. Acho que o desejo me veio da irmã que sempre foi contra tudo e todos. Então quis ser também. Passei por cima do cordeirinho – apesar de continuar a sê-lo para sempre – e enfaixei os cabelos em dois totós que percorri com elásticos de diferentes cores; cortei o cabelo curtinho e deixei a madeixa comprida que entrancei. Comprei o casaco de cabedal e as botas pretas e pesadas – que me magoavam imenso os tornozelos, mas Quero lá saber, não há alma que não se vença, também não há-de haver botas inflexíveis nem tornozelos incontornáveis!
Quis ir contra tudo, contra deus até. Então mudei-me para a malfadada terra, que os corvos deixaram ao abandono, e vesti-me de preto para fazer o luto de tudo o que ficou para trás. Vesti luvas esburacadas, saias por cima de calças e fiquei enfim a Saia-calça, com muito orgulho meu. No meio – e bem emaranhado, como quem quer ser tudo e não é senão uma amálgama de identidades – pintei as unhas, uma de cada cor, deixei-as crescer, e fiz recortes nelas. Meti as meias debaixo do joelho e os dois totós. Fiquei a Pipi, Pipi das Meias Altas. A menina instável, como me descreveu ele, aquela fachada de gente. Pois era, pois fui (pois sou). Desde esse tempo. Até ao dia em que me cansei de tudo. As cores esbateram, as calças prevaleceram. E eu continuei em frente. Até ao dia em que me cansar de tudo. Acho que nunca consegui. Ser rebelde. Entrei numa certa harmonia com as coisas, e não há como escapar-lhe.
Mas não gosto. Nunca gostei.
(reparo agora que tenho os punhos ensanguentados…)