"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
sexta-feira, maio 30, 2008
Louca
quarta-feira, maio 28, 2008
segunda-feira, maio 19, 2008
(Bexiguinha e ) O legado do Dr. Mabuse
Quando ando sozinha pela Baixa
e o caminho se estende mais longo do que a minha coragem
Quando subo pelo caminho mais curto
e percorro as ruas estreitas e escuras
E não sei o que me espera
Quando vejo pessoas
E não sei quem são
O que me assusta
O que me faz tremer
O que faz bater o meu coração
Arfar os meus pulmões
Sentir o sangue engasgado no cérebro
E o torpor na mente
Não é que me tirem os valores
Os anéis
E levem a carteira
Não é que me queiram o dinheiro
O leitor de músicas
O casaco
Os brincos
Ou o relógio.
O que me arrepia e faz recear essas viagens
É que me queiram a mim.
(não é o dinheiro, nem o poder político, nem as férias nas Filipinas. Não são as malas Louis Vitton, nem os ténis da Nike, nem as calças da Levi’s. O que me assusta, e que este filme captou tão bem, é o prazer na destruição do homem, qualquer homem. Na destruição da vida, seja ela qual for. O gosto em ver uma existência contorcer-se em dor, na súplica, para então se esvair numa poça onde se perde.)
A blueberry called world. Another one called life.
Não tenho muito por onde pegar, nesta vida de todos os dias.
Por isso, às vezes, quando percorro o caminho para casa,
quando vejo novamente o que vi ontem e antes de ontem
quando já ando sem olhar
quando já olho sem ver,
também a mim me apetece dar a volta pelo caminho mais comprido,
pelo caminho diferente.
faz-me falta tudo o que não sei nem imagino
faz-me falta saber que tudo é estranho e diverso,
e que outros olham e vêem distinto o que eu olho também.
sinto falta de olhar eu também e ver estranho e distinto
E, depois de o ver,
sentir e querer e gostar de estar em casa.
(mas este medo que me prende.
esta preguiça que me arrasta.
esta rotina que me atraiçoa.)
Quero embrenhar-me no mundo
Quero ir,
e só então, cansada e descansada,
Voltar.
Quero ir, para então, enfim, bradar sedenta a esta terra:
-Casa, o quanto eu te ansiei.
(às vezes, muitas vezes, devíamos pegar no medo da mudança, içá-lo com jeito e cuidado, e arrumá-lo numa caixinha perfumada onde ele não se cansasse de estar.)
segunda-feira, maio 12, 2008
O Quadrado da Lógica.
Pessoas instáveis mudam quando o ambiente muda.
Logo, mudo frequentemente.
Meninos coitadinhos.
queixam-se a torto e a direito
a direito e a torto
para cima e para baixo
para a direita e para a esquerda
para a esquerda e para lado nenhum
que chega a cansar
vê-los queixarem-se tanto.
que o mundo é uma merda
(isso) já todos sabemos
mas os coitadinhos gostam de repetir.
as suas pernas pesadas
que não os deixam voar.
os que lutam
todos os dias
apesar de tudo o que vem contra
e não se queixam
fraquinhos
galos-zinhos
arrepiam
em pele de galinha
os que conseguem
sem a queixa na ponta da língua.
apregoam o dito
mas
morrem
sem viverem
morrem
sem perceberem
que é em nós que é tudo.
Caranguejos.
Aos que têm um destino
que não era deveras o seu.
Tenho caranguejos pelo corpo
Que me beliscam as vísceras e a vontade.
Tenho caranguejos sobre a alma
Que me roubam a luz
E a idade.
Tenho caranguejos.
Assassinos,
Sacudo-os eu.
Carrascos frígidos.
Sorrateiros e silenciosos,
Chegaram mudos ao meu destino.
Assassinos.
Larguem-me a vontade
(ao menos deixem-me a vontade…)
Tenho caranguejos pelo corpo
Caranguejos.
Chegam calados ao que somos
e vão trilhando o que éramos.
Será este o meu destino?
Pergunto-me se era este o meu destino.
(bruta sina
que me escreve um signo que não é o meu.
Dize que não é...)
Quando os caranguejos são mais fortes
que a vontade,
mais fortes
que os grilhões a esta vida.
Quando a vida não tem fado,
Nem sequer um sentido.
sexta-feira, maio 09, 2008
A spot.
quarta-feira, abril 23, 2008
Retrato de Família
quarta-feira, abril 16, 2008
em-nos-eh-tudo.blogspot.com
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser.
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Fernando Pessoa
(assim nasceu a morada do meu blog: porque sou entranhadamente existencialista.
ressalve-se que não tiro o mérito ao acaso, mas acredito piamente que, de uma forma ou de outra, é sempre possível dar-lhe a volta.)
quarta-feira, março 26, 2008
«Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente.»
Anda para aí um dito a arranhar-se pelas paredes que até escandaliza o Homem. Dizem que as mulheres são gente. Gente? Que ideia radical é essa?! Gente de gentinha? Radical é se fossem pessoas!
(:x)
Ainda bem que há o outro.
Tenho andado a pensar na vida. Nas coisinhas da vida. Nas coisinhas minúsculas. Nas coisas do nosso tamanho. Neste mundo. Nas pessoas. No mundo que as pessoas construíram. Nas mesquinharias. Nos nadas. Nos nadas e nas tardes de chuva. Na luz cinzenta por entre a janela de uma casa vazia. Na velha dessa casa vazia. Nos filhos dessa velha que viveram numa casa cheia que agora é vazia. No abandono dessa velha. Nos anos que passam. Em tudo o que se deixa para trás. Nos sonhos que tínhamos. Nos sonhos que já não temos. Nos sonhos que decidimos apagar, à medida que a nossa sombra cresce. No que víamos e já não vemos. No que não víamos e passamos a ver. Na ilusão. Na desilusão. No sentido da vida. No sentido desta vida. No tempo. Nos velhos. Nos velhos doidos. Nos velhos que nos olham. No que os velhos vêem. Nos novos que já foram. Nos novos que foram como nós. No que nós ainda não vemos. Nas rugas e na celulite. No que vemos dos outros. No que vemos nos outros. Nas relações. No que nos liga aos outros. No que queremos dos outros. No que eles querem de nós. Nos medos. No sentido desta vida. No que vale a pena. No que não vale. No dinheiro. Na Política. No Pinóquio. Nas políticas. Na batalha naval dos crescidos. No poder. Nas pressões. Nas verdades que se escondem. Nas verdades que nunca saberemos. Nas verdades que não existem. Nas mentiras que nos vendem. Nas mentiras em que escolhemos acreditar. No fardo desta vida. Na morte. Na fé. Nas crianças. Nas crianças degoladas com os olhos postos no sonho. Nos adultos engravatados, e razoavelmente vivos. Nas crianças adultas. Nos adultos embirrentos e chatos. Nos adultos cruéis. Nas mãozitas endurecidas pelo peso de uma arma. No olhar das crianças. Nas crianças sem olhar. Na fragilidade da vida. No azar. No destino. No imprevisto. Na injustiça. Na ironia da vida. Nas coincidências. No acaso. No que insistimos em querer dar nome. No que não tem nome, nem sequer existência. No que queremos explicar. No que não tem explicação. No homem e na sua natureza. Na essência do homem. Neste jogo em que entramos nem sei bem quando. Neste jogo de aparências. Neste jogo nojento. Em pulsos cortados. Em medos. No resto. No que vale a pena. Nos laços que nos amarram aqui. Nos laços que temos e que, nem assim, nos permitem ficar. Na eterna ironia da vida. Em faces no chão e o vento na face. No fim. Enfim, na vida. Triste, mesquinha, pesada e injusta. O que vale é que é curta, muito curta.
(A minha mãe diz: ainda bem que há o outro, senão – credo! – isto seria uma injustiça. Fico a pensar que para suportarmos esta vida apenas precisamos de uma boa, muito boa mentira.)
terça-feira, março 18, 2008
Visão periférica.
segunda-feira, março 10, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
Psicodrama
A tribute to Fridays
(The Cure – Friday I’m in Love
uma das minhas canções predilectas,
nem a propósito com o que nos espera este fds.
Um tributo aos The Cure, também.)
quarta-feira, março 05, 2008
(apetece-me dar um murro, pode ser no antónio.)
Rebelde. Ser rebelde. Acho que o desejo me veio da irmã que sempre foi contra tudo e todos. Então quis ser também. Passei por cima do cordeirinho – apesar de continuar a sê-lo para sempre – e enfaixei os cabelos em dois totós que percorri com elásticos de diferentes cores; cortei o cabelo curtinho e deixei a madeixa comprida que entrancei. Comprei o casaco de cabedal e as botas pretas e pesadas – que me magoavam imenso os tornozelos, mas Quero lá saber, não há alma que não se vença, também não há-de haver botas inflexíveis nem tornozelos incontornáveis!
Quis ir contra tudo, contra deus até. Então mudei-me para a malfadada terra, que os corvos deixaram ao abandono, e vesti-me de preto para fazer o luto de tudo o que ficou para trás. Vesti luvas esburacadas, saias por cima de calças e fiquei enfim a Saia-calça, com muito orgulho meu. No meio – e bem emaranhado, como quem quer ser tudo e não é senão uma amálgama de identidades – pintei as unhas, uma de cada cor, deixei-as crescer, e fiz recortes nelas. Meti as meias debaixo do joelho e os dois totós. Fiquei a Pipi, Pipi das Meias Altas. A menina instável, como me descreveu ele, aquela fachada de gente. Pois era, pois fui (pois sou). Desde esse tempo. Até ao dia em que me cansei de tudo. As cores esbateram, as calças prevaleceram. E eu continuei em frente. Até ao dia em que me cansar de tudo. Acho que nunca consegui. Ser rebelde. Entrei numa certa harmonia com as coisas, e não há como escapar-lhe.
Mas não gosto. Nunca gostei.
(reparo agora que tenho os punhos ensanguentados…)
segunda-feira, março 03, 2008
Mea Culpa
I
Eu gosto dele. É estranho. Gosto. Ainda que seja estranho. Por ser estranho. Ele ser estranho. Não o resto (até porque tive sempre a tendência para me identificar com os rejeitados,
e sei porquê.)
I-I
I like him. He’s weird. Weeeeird. Weird weird weird. Weirdo.
(gosto de alongar o uso das palavras até que se tornem estranhas. Será que se abusarmos do uso das pessoas elas também acabam por se tornar estranhas?)
II
Ele é estranho.
Mas não gosto dele. Não por ser estranho, mas por ser de um estranho estranho, de um estranho que não gosto.
Por isso, não gosto. Dele. Não do estranho.
Do estranho gosto.
Não gosto é dele. E do seu Estranho.
Ponto.
(Tornou-se estranho?)
As muitas faces do Tau.
E, tau!, saiu-me isto:
(1) (não necessariamente com maior grau de importância…) o tau-tau que se dá no rabinho dos meninos, e das meninas, seja porque razão for…
(2) o Tau empregue como remate descodificador e extremamente esclarecedor para uma frase anterior suficientemente agressiva mas que poderia ter ficado na penumbra, e numa ambiguidade incerta, se não fosse articulada de rompante a tal palavrinha multifacetada e nada ambígua, pois claro…
(3) (a parte mais séria…) a proteína tau, implicada na doença de Alzheimer (investiguem…)
(4) um coeficiente qualquer que os engenheiros usam para ter desculpa para terem que fazer muitos cálculos e medirem temperaturas na casa de pessoas nas quais nunca entrariam caso não fosse esse coeficiente.
(confesso que quando originalmente me apeteceu fazer isto… pareceu ter mais piada…
mas, agora, depois de o escrever, confesso que me apercebi… que ainda não ganhei o tal juízo… Tau?)
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Can you read my mind?
por razão nenhuma
eu deixaria
de poder dançar isto.
por razão nenhuma
eu deixaria de poder saltar
alienada
dentro do escuro do meu quarto
com um candeeiro de rua a entrar-me pelo espaço adentro
ou só um esguicho de luz do candeeiro
e um chapéu de chuva aberto por cima da cabeça
ou que fosse um resto de chapéu com abelhinhas penduradas.
por razão nenhuma,
é que por razão nenhuma.
deixem-me
ainda que por momentos
ser meia louca
ou só (e) louca por inteiro.
(já bastam os dias
em que ninguém nos lê a mente
e todos somos somente o que parecemos.)
terça-feira, fevereiro 19, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Ser afim de ti
'Cause I don't shine if you don't shine. (The Killers)
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
O que é que estão aí a fazer parados
- À espera. (Ou terão dito 'Nada'?)
(À espera? Da vida talvez. Erro comum.)
terça-feira, fevereiro 12, 2008
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Reminiscências
Quando Ela Passa (Fernando Pessoa, Maio 1902)
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Vejo a doce imagem d'ela
Quando passa... passa.... passa...
N'esta escuridão tristonha
Duma travessa sombria
Quando aparece risonha
Brilha mais qu'a luz do dia.
Quando está noite ceifada
E contemplo imagem sua
Que rompe a treva fechada
Como um reflexo da lua,
Penso ver o seu semblante
Com funda melancolia
Qu'o lábio embriagante
Não conheceu a alegria
E vejo curvado à dor
Todo o seu primeiro encanto
Comunica-mo o palor
As faces, aos olhos pranto.
Todos os dias passava
Por aquela estreita rua
E o palor que m'aterrava
Cada vez mais s'acentua
Um dia já não passou
O outro também já não
A sua ausência cavou
Ferida no meu coração
Na manhã do outro dia
Com o olhar amortecido
Fúnebre cortejo via
E o coração dolorido
Lançou-me em pesar profundo
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n'este mundo
E mais um anjo no céu.
Depois o carro funério
Esse carro d'amargura
Entrou lá no cemitério
Eis ali a sepultura:
Epitáfio.
Cristãos! Aqui jaz no pó da sepultura
Uma jovem filha da melancolia
O seu viver foi repleto d'amargura
Seu rir foi pranto, dor sua alegria.
Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa... não passa.
quarta-feira, janeiro 30, 2008
Sólidos de Catalan
Tinha 14 anos quando me perdi. O pensamento concreto de até então deu o salto e tornou-se (i)lógico, com todos os caminhos em aberto. E fiquei eu no meio das escolhas
e dos escolhos
de tudo o resto que ficou, simplíssimo, para trás.
Catorze anos de um mundo certo, pensando que havia uma idade para tudo. Depois, caí, e percebi
Que a idade não interessa,
que somos bichos eternos
em luta com as escolhas.
Que as escolhas podem ser mal feitas?
Podem, mas que só aprendemos assim – julgamos as próximas, com as anteriores.
E se aprendemos mal, julgaremos mal (óbvio…).
Que o homem não é naturalmente bom sr. Rosseau, nem sequer naturalmente. Que é uma mistela de tanta coisa que anda por aí, e que tentar compreendê-lo e aplicar-lhe uma equação certa que o desvende é estourar a cabeça em mil pedacinhos loucos e estridentes.
Que é tudo uma incerteza
um conjunto de escolhas disparatado
aleatório,
irresoluto,
como quem joga num euromilhões sem sorteio.
Como quem ganha sem saber
E depois morre.
(tanta coisa que fica por saber…)
Que a velhice virá um dia,
E a sabedoria com ela.
Que não sei se a sabedoria chegará com ela, sem ela, se chegará seja com quem for.
Que não há sabedoria –
Há uma e excessivas formas de ver a vida
(e depois há os conformistas e os inconformistas
e todos os outros nos intervalos infinitesimais
que as aceitam ou não.
Ou que decidem ficar no meio e nos meios, porque não há um mas vários
porque nunca há nada que seja uno e simples!)
Que a matemática é um sonho e não bate certo com nada.
(que quanto mais penso
mais esfolo o sossego, mais estripo o equilíbrio.)
Que só a Ceifeira é feliz quando canta.
Mas que os 14 anos dela não a devem ter atirado ao chão...
terça-feira, janeiro 29, 2008
Lost in translation
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro,
Enquanto não alcances Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.*
segunda-feira, janeiro 28, 2008
We should all be hard candies
II - Loja das Grosserias.
Permissão para ser normal
Uma das partes irónicas e desanimantes do mundo
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Permission to Speak Freely (II)
Não vejo muros cor-de-rosa. São muito cinzentos, juro.
Mas meti os óculos coloridos em pequena, e
ficaram-me tão cravados na carne… que
quando os vou para tirar,
dói-me arrancar esse pedaço de mim.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
Receita para 2008
Numa época que chamamos de crise, muitas vezes deparamo-nos com a facilidade de apontar o dedo e dizer Não fizeste isto, Não fizeste aquilo. Sempre o que o outro não fez e devia ter feito. E encontramos nessa expiação da culpa alguma libertação do próprio peso (in)consciente que carregamos também. [aqui está o clichêzinho sempre actual… e agora o complemento:]. Porque isso de andarmos mal não É (só) culpa do Governo! – cada um deve governar-se também [o “bom” do trocadilho…]. E já que (des)culpas há muitas, preocupemo-nos também em achar soluções… cada um de nós.
Foi nesta procura que me deparei com indícios de soluções do dia-a-dia nas palavras de um “médico” de que urge Portugal [mas este não é um médico qualquer… é um médico sábio!] – um que receita sopinha quente em vez do medicamento mata-bicho. Conta-nos então Cândido Ferreira (25 Agosto 2005, Campeão das Províncias) um episódio acerca de uma família que a ele recorreu. E como me parece que essa família somos todos nós [Portugueses sobretudo…], atentemos no que nos diz a receita:
“Foi então que fui cravado para uma nova consulta: ‘O Sr. Dr. que é político é que nos podia aconselhar [sem comentários…], o que é que a nossa família pode fazer para melhor resistir à crise?’ (…) Manifestando o casal sábia intenção em educar a prole e garantir património, recordo os três remédios que, improvisado ‘médico de família’, entendi prescrever a esses meus doentes:
1º: produzam mais e melhor que os outros;
2º: não guardem para amanhã o que podem fazer hoje; e
3º: não gastem hoje o que não sabem se ganham amanhã.
É que a Europa não é tão burra quanto parece e, qualquer dia, anda por aí a pedir os juros de tanto disparate.”
(Bons conselhos não? Então mãos à obra! ;) )
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Cinzenta
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Columba dançava.
(Mole o teu corpo. Mole a tarde dourada, e o sol que escorria no horizonte. Moles as minhas entranhas a pensarem nas tuas, por certo atropeladas. Amolecidas.)
Não vi sangue nem tripas. Só o teu corpo amachucado num último arrastar. Num rodopio decrescente e finito. Pensei – Crua a luta em que sabemos já o fim, mas batemo-nos ainda desenfreadamente para morrer a tentar. Feroz o término não anunciado que espera nas esquinas mais douradas e nos voos mais livres. Bruta a mão alheia que manda mais que tu na tua própria vida. Como facas ao pescoço ou comida para servir quente, fria. Como as noites em branco das mães, e as manhãs pretas quando os filhos morrem primeiro. Quando a morte antecipa o tempo e apaga os voos.
Cruéis os finais sem Razão.
Mas devaneiam ainda as pombas sobre a calçada escura. Inconscientes da dança, correm o risco afinal. E quando caiem, cinzentas e esfaceladas, dançam até que a exaustão as consuma e as torne em pedras, negras e duras.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Diz-me
Diz-me que o dia é para viver e a noite para sonhar, e que quando morremos a vida foi vivida e a noite sonhada.
Diz-me que é só da minha cabeça, e que estes bichos que me aparecem são pesadelos de menina assustada. Pesadelos sem tempo nem lugar – porque a noite é para sonhar e a vida para viver.
Diz-me que as coisas são simples, e que não há que pensar. E que quando escolhemos, escolhemos certo.
Diz-me que a paz chega quando somos livres, e que as angústias desaparecem quando fazemos o que sentimos. Quando sentimos o que fazemos.
Diz-me que o céu é azul e que apenas se encarniça ao final da tarde. Diz-me que morrerei de velha e que os filhos virão quando eu os quiser ter.
Diz-me que as coisas são como as queremos, e que aquilo que queremos é claro como um dia de sol, transparente como a água de um ribeiro.
Diz-me que quando crescemos, ainda vemos o mundo através dos olhos de um menino. E que mesmo que mintamos aos outros, nunca mentimos a nós próprios.
Diz-me que as dúvidas não existem – que são apenas bichos que inventamos. Porque a vida é simples e o caminho é só um.
Diz-me que não sou eu que escolho o caminho. Que temos um destino e não o pudemos mudar.
Diz-me que esse destino que me foi dado estava quebrado à partida. E que eu não o posso consertar.
Diz-me que a culpa é de Deus que nos espera na esquina. Ou do Diabo que se esconde por entre campos de Açucenas. Diz que não é nossa nem minha. Ou apenas que não é minha…
Diz-me que sou eu que tenho medo de tudo e de nada. Que sou eu que penso e invento. Que sou eu que complico, mas que afinal não é nada.
Diz-me o que quer que seja, mas sossega-me o espírito.
Pois se nada é certo neste mundo, como viver feliz sem ter a certeza de nada?
19.07.07; 30.09.07; 04.12.07
sexta-feira, novembro 30, 2007
Ordinários
Mas erro meu, está visto. Porque, na minha desadaptada ingenuidade, pensei que estas pessoas – que têm o privilégio de poder influenciar as massas – conseguissem escapar às malhas da vulgaridade.
terça-feira, novembro 27, 2007
Caixas e cordéis.
Não sei. Não me lembro. Talvez esteja desde sempre a lutar contra mim.
Mas eu sei o ciclo. É fácil e acessível. Apenas não é modificável. Começa por eu saber o que me faz feliz. Ok, é difícil e arriscado. Hipótese B: o que é que eu devo fazer? Aparecem as Boas Oportunidades. Não me enchem o peito de vontade-e-algo-mais-forte-que-esta-vida, mas são boas oportunidades e eu não as posso perder. Pressão pressão. Decidir. Ui! Arriscar Vs. Derrubar os pinos do caminho. Decidir decidir… ai… Nestas ocasiões é sempre mais fácil Fazer O Que Devo [as missivas aparecem em letra maiúscula na minha mente], que por acaso é igual à Hipótese B: “derrubar os pinos” – o que é bem mais fácil e não implica grande esforço. De mais a mais, A vontade não é mais importante que o dever (Até porque é a contrariar o Dever que eu ganho os remordimientos!). Derrubar os pinos então. Daqui a uns anitos estou despachada e posso já seguir a vontade. Certo?...
Que raça de momento aquele em que deixamos que o medo de perder supere o receio de arriscar… O teu amigo largou tudo e partiu à conquista do Mundo. E eu penso Quando terei eu coragem de ser livre?
Não sei. Sei que a Susana me deu uma caixinha para meter os sonhos, e por enquanto é por lá que eles vão ficar…
24Maio07, 27Nov07
Esclarecimento.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Manifesto.
15 Nov 07
Ocasos
Tenho por certo que uma criança perderá os pais, e que uns pais verão o seu filho morrer. Que muitas vidas se apagarão.
E tenho também certa a angústia de saber que, no entanto, nada posso fazer para que o sol não cruze o horizonte.
16 e 18 Nov 07
Momentos (II)
21 Nov 2007
Momentos (I)
15 Nov 07
terça-feira, novembro 13, 2007
Psiquiatria Mulheres.
segunda-feira, outubro 29, 2007
Onde Judas deixou as botas.
(já me veio à cabeça mais que uma vez esta questão, à qual é fulcral dar resposta para depois não ficarmos na dúvida cada vez que vemos a não-referida publicidade)
Vender maçãs
Ela: Não… Mas olhe que se é por causa dos diabetes qualquer maçã dá!
(note-se a forma simples como ela contornou a questão de não ter reinetas... Eu tentei notar nessa forma simples, mas também não consegui. Fiquei logo esmagada por aquela desconcertante capacidade de adivinhação...)
Eu: Mas eu prefiro maçã reineta…
Ela: Mas também tenho bravo esmolfe, não quer?
(note-se o perfeito ignorar dos termos "Eu prefiro".)
Eu: Não, obrigado. É que para assar é melhor a reineta.
Ela: Ah, então…
(note-se como a minha sugestão culinária a deixou então sem argumentos...)
(Porque é que não podemos simplesmente comprar maçãs?)
segunda-feira, outubro 15, 2007
Punhos cerrados
Há coisas no passado que nos perseguem… coisas que fizemos e que não poderemos nunca mudar. Coisas que nos acorrentam e angustiam… e consomem… Porque as fizemos. Porque não as deixámos de fazer.
Por isso controlem-se, expludam para dentro, morram de contenção, enlouqueçam. Mas não exteriorizem. Afinal, porque deixar os outros ver-nos na merda, a perder o balanço, desvairados?
“Sou rei das palavras que guardo comigo, e escravo daquelas que deixo escapar”. Acima de tudo, encerrem nos vossos punhos os murros enlouquecidos. Decerto viverão muito melhor e parecerão aos outros muito mais felizes. Perfeitos, talvez.
:/
(Pois não é nesta aparente aparência que se baseia a mórbida inveja alheia... de quem não se dá ao trabalho de conhecer o que ficou encerrado?)
segunda-feira, outubro 01, 2007
Instruções para ler um Livro de Julio Cortázar.
Abrir o Livro e pousá-lo no rebordo da mesa mais perto de nós. Segurar com uma mão ambas as páginas que, por forças desconhecidas da Natureza, tentam encerrar só consigo as palavras mágicas. Prestar atenção a todo o barulho em volta e no quão difícil seria fazer uma leitura descansada, se porventura nos apetecesse ler um livro no meio de um café da Baixa.
Então, desligar de tudo o resto, pois a História falará por si: “Há anos que trabalho na Unesco (…) e ainda conservo (…) uma notável capacidade de abstracção.”
VER & LER Júlio Cortázar (1973). Histórias de famas e de cronópios. Editorial Estampa.
O Ciclo Mediático (I)
Pensei eu que realmente é preciso ter tomates para decidir reclamar em directo. Sim senhor, Pedro Santana Lopes. Continue assim. Já toda a gente o conhece. Pode ser que agora passem a admirá-lo por simplesmente decidir não ser hipócrita.
A manchete correu o país. Ainda não sei de opiniões mas calculo que nos próximos dias tenhamos notícias dos partidários e os vejamos defender a sua ideia num apaixonado Prós e Contras. Mais, tenho por certo que, após o primeiro choque atarantado dos nossos agentes informativos, uma outra entrevista terá sido imediatamente interrompida para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Santana decidiu interromper a entrevista.
O Ciclo Mediático (II) ou A Outra Entrevista Voluntária e Inesperadamente Interrompida
José Mourinho recusa-se a continuar entrevista à porta de sua casa após a inesperada interrupção para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Pedro Santana Lopes decidiu interromper a entrevista.
Alpha beta Dog's death
Experimentei tudo o que há para ver, fazer e sentir. Só não me lembro de ter acordado.
A verdadeira decadência humana
Não sei se hei-de invocar uma Joana sorridente e estraçalhada, se uma Maddie desaparecida por culpados a decapitar…
Nem sei se a minha intuição vale de algo, ou se é apenas uma esperança de que este mundo não seja a merda que tenho medo que seja.
Não sei se me assuste com o que as pessoas fazem, se com o que elas julgam ser possível fazer.
Não sei se ainda há escrúpulos neste mundo, ou se decisões mais simples a tomar.
Não sei se há muitos Johnnies Truelove por aí, ou se eu sou apenas o puto de 15 anos que nem fugiu dos carrascos e acreditou que as mordaças eram postas por quem não lhe faria “nunca nunca nunca” mal algum…
Talvez o destino um dia me leve para um beco e me rasgue como papel cor-de rosa.
Talvez eu pense que as manchas encarniçadas são apenas beijinhos estonteantes, já que a minha cabeça está tonta…
…e o carrasco impiedoso. - Talvez me aperceba tarde de mais. Mas pergunto-me se o destino demoraria mais tempo a chegar se eu começasse a acreditar que este mundo não tem salvação?
Setembro 2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
Recomeço após as férias.
Sinto falta das letras em formato informático, pensamentos pixelizados. Olhos do Mundo.
Talvez a minha vontade esteja para regressar, com o tempo que me escapa pelos dedos palpitantes.
Talvez. Talvez o desânimo com a vida também esteja pronto para ser escrito.
terça-feira, maio 22, 2007
Café e ginjas
Não sei se a minha vida é um café que vejo numa chávena lá o fundo e parece bem negra, mas não deve ser porque esse oiro negro sabe a ginjas amargas e sabe bem. Se calhar é isso, eu é que gosto das coisas amargas – como o chocolate preto – e se não são amargas eu torno-as amargas só para ter esse sabor, amargo. Quem sabe se já não me habituei ao sabor – amargo – das coisas e agora quando o sol brilha e as tuas palavras são doces até já custa. Como os elogios que recebo e dos quais me desvio, só porque não sei como recebê-los sem caírem mal encima de mim.
E é tão bom recebermos um elogio. Até o sangue corre mais rápido e brinca nas veias e artérias, e quer vir ao de cima ver essa pessoa, aquela que disse o que disse e que nos fez cambalear e pôs o sangue a saltar. E como tudo quer ver, ficamos rosadinhos de tanto sangue que quer espreitar.
Não sei se estas palavras são mesmo a minha vida ou o que sinto, ou o que não sinto. Não sei. Mas devem aparecer aqui encima porque o café estava bem negro e amargo, e caiu-me que nem ginjas no estômago - como um elogio que cambaleia na minha cabeça - e pôs o sangue a brincar.
15:03 22.05.2007
sexta-feira, maio 04, 2007
Contra-corrente
Mas...
E se às vezes precisarmos mesmo de nos deixar cair no fundo do poço... para nos fartarmos de tanta escuridão?
E se às vezes precisarmos mesmo de fazer da vida uma catástrofe... para ver o quanto tudo é relativo, e nada o que parece?
Às vezes (muitas vezes...), apetece-me ficar só só comigo. E cansar-me dessa solidão.
16:19 04.05.2007
terça-feira, abril 10, 2007
Oh Glória, O que é que tu achas do Céu?
quinta-feira, abril 05, 2007
São homens, meu Senhor, são homens...
quinta-feira, março 22, 2007
Meninos de Sangue
Ontem a minha irmã deixou-me sobre a colcha um pequeno recorte de jornal. “Um rapaz de 8 anos matou um menino de 3 no Pará, Brasil. O rapaz atraiu o colega para um descampado, deu-lhe uma pancada mortal na cabeça, violou-o e decapitou-o. O rapaz foi apanhado com a faca de crime na mão e confessou tudo, com uma frieza que chocou as autoridades.” (In Metro, 20 de Março, 2007).
E sabem o que mais me chocou ao ler esta notícia? [Num mundo onde vivemos todos os dias com violência e programas de treino em jogos de vídeo,] simplesmente, já não me chocou…
21&22Março2007 - 10 e picos (ou 10 e facas? :/)
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Afinal, quem é que ganhou?
como a quem custa engolir em aperto,
vestir roupa que não serve,
ou mesmo ter que dizer Não.
Custou-me
Aquela cruz
como um X e um alvo,
como uma marca qualquer.
Custou-me
Aquela resposta insípida,
aquele movimento bruto
como quem deixa de ser menina
- como quem cresce e se apercebe
que a vida não pode ser sonhada,
e que boas intenções não bastam alheias, quanto mais somente intenções…
Custou-me
- como angústia cá dentro -
Esta liberdade
E este direito.
(Irónico, não?)
Custou-me decidir por cima do que é certo
(- o que é que é certo? -)
Só para que ela pudesse escolher.
Custou-me.
Porque és tu que sais morto,
E sem ninguém para culpar
(isto das culpas…)
Quem te vai defender
A ti a ao teu sorriso de Menino,
Gaiato perdido?
Quem te vai defender
quando a tua vida estiver por um fio
Por um Sim
Ou por outra vida?
Ninguém.
Como o Outro que voltou
E já não era.
Ou o Outro que era
E deixou de ser....
(E tu? Eras, ou nunca foste?)
Custou-me.
Mas a isto chama-se liberdade
- a minha e a d’ela.
A tua
fica por acontecer.
Custou-me a mim a decisão.
E a ti,
Custou a Vida.
11.02.2007 18:18 23:27
terça-feira, janeiro 30, 2007
Nós Desconhecidos
Digo que se tivéssemos estruturas na altura com capacidade para reter aqueles momentos… o que seria de nós hoje! ;)
É fantástico talvez pensar que tanto do que vemos – ou vimos –, apesar de não lembrarmos, continua lá. E que pode em tanto influenciar o que somos e o que fazemos.
Não quero ser linear, nem dizer que somos determinados pelo meio. Não. O meio é construído por nós. A única coisas que distingo aqui é que essa construção pode ser tanto explícita e consciente, como implícita e inconsciente. Porque também temos um Eu que desconhecemos e que afinal até explica – mesmo sem sabermos direito… – porque reagimos assim daquela tal vez, ou porque chorámos naquela palavra, ou porque…
Dizem (queria dar uma referência, mas não fui exaustiva…) que a redundância é que dá sentido às coisas, e que a aprendizagem se faz sobre a repetição. Mas o mundo é tão vasto e é tanta a informação que nos persegue, que nem sempre conseguimos ter mão em tudo. E é então que entram em marcha os outros bichinhos… aqueles a quem nem pedimos ajuda, mas que nos guardam o guarda-chuva quando nem nos lembramos que o deixámos para trás.
A única coisa no meio disto… é que o que tem de bom, também pode ter de mau… e às vezes quem dá a chapada na amiga não foi o Eu que perdoou, mas aquele que guardou as coisas…
30.01.2007 15:40
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Ela canta, pobre ceifeira
E se eu simplesmente não pensasse?
Um conselho? (para mim ou para ti?)
“Go confidently in the direction of your dreams. Live the life you have imagined.” (Henry David Thoreau)
E é não pensar mais nisso.
12:53 11.01.2007
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Mudanças
E como Ano Novo, Vida Nova, talvez seja tempo de eu mudar também. Pelo menos a forma como olho para as coisas, ou a forma como olho para a forma como olho as coisas... ;)
Pelo menos, também mudar um pouco o formato do Blog... estou a pensar torná-lo mais... mais... mais... instrutivo??? Vamos a ver, vamos a ver! (como diz o meu primito David ;)* )
Bom Ano! :)
Febre
Lembro-me do escuro à volta, e das fórmulas na frente, como se tudo fosse fácil e tivesse um só caminho. Ou muitos, mas definidos nos números finitos da matemática – até o infinito se encerra sobre si.
Lembro-me da cabeça a arder em febre e do teste no dia seguinte. E, ali, parecia que era só eu e aquele livro e aquela luz.
Quando tudo parecia fácil. Quando tudo era fácil e as coisas a aprender termináveis.
Não sei porquê, estudar com febre foi sempre um acaso favorito. Talvez porque aí o mundo parecesse tão circunscrito, e a vontade – de fazer outra coisa qualquer – pesada e distante. Então, enrolada sobre mim naquele sofá, eram equações e rectas e funções. E o mundo das pessoas consumia-se no calor da febre, no escuro da sala para além da luz.
Depois, a minha mãe chamava para jantar, e era pescada cozida com batata cenoura couve e azeite, e a luz branca daquela cozinha despertava para o lar que conhecia.
Agora já não há febre nem ardor. Só cansaço. Já não há peixe na cozinha à espera, nem a brancura de um lar onde somos crianças e tudo parece perfeito.
Há a distância de 35 minutos curtos e infindáveis para uma terra que nunca acolhi. E a distância que cresce nessa linha de ferro, nesses montes intermináveis e indiferentes.
Mamã, onde estás tu Mamã?... Quando te afasto e resmungo, somente porque me acometi à impaciência. Somente porque te adoro e não sei mostrar…
Queima-me esta febre, este egocentrismo, e esta desistência.
Queima-se o passado que não volta, mesmo quando agora a febre aparece...
pois já só é para consumir mais um pedaço de mim.
17:41 19:55
22 Outubro 2006
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Disparates disparados...
Só pa dizer q eu conto as minhas manias! (sim, eu gosto de contar e de fazer de ridícula.. :P) mas não vou perpetuar o ritual. Isto é, não vou desafiar ninguém ou nomear sucessores, visto que isso quase me parece aqueles intermináveis emails que volta e meia se mandam "Manda isto a 294 pessoas senão morres amanhã." Olha, se morrer aposto que não foi o senhor do blog que se vingou! Ou até foi... e não foi afinal a tal alma penada que vive de bits e de bytes (se é que se pode perceber "dentadas" nos orçamentos nem sei de quem... - bites=dentadas)...
Nada contra ti minha linda, mas estas coisas em cadeia têm muito que se lhe diga. E eu resolvi fazer birra. Pronto. E como diz a outra, "I have the right to be wrong".
Hoje faço o que me apetecer. Inclusivé disparates. (Esquece...)
Beijão pa ti;) E até Fevereiro;*
19:11 06.12.2006
sexta-feira, novembro 24, 2006
(H)Our (of) [Self-] Destruction II
Existe um conjunto de doenças denominadas de auto-imunes, mas recentemente fiquei sensibilizada para a síndrome de Guillain-Barré. Parece uma coisa simples e inofensiva talvez, mas uma pessoa pode morrer. Ponto. Tudo porque o sistema imunitário do próprio decide sinalizar como inimigo as suas próprias células, como resposta a um ataque exterior agudo. Ora, visto que em questão está a mielina em torno dos nervos periféricos (incorporados no Sistema Nervoso Autónomo) bem como esses mesmos nervos, todas aquelas funções automáticas (que muitas vezes nem damos conta que existem) são postas em causa e de um momento para o outro o nosso coração pode parar.
Para mim, o trágico é pensar que não é nada de fora que me destrói, como um monstro qualquer, uma bactéria talvez, ou um vírus horripilante. Não, somos nós. Nós próprios. E quando é assim, quando temos amigos destes, inimigos para quê?...
2006-11-24, 0:03
Correr é superar
Luta para nos erguermos novamente, por mais que um mundo nos caia encima. Não parar de lutar.
Eu sei, eu sei… Só que eu nunca fui muito de lutar. Sempre preferi resistir.
Naquela pista e naqueles anéis eu preferia correr para sempre, a correr contra os outros. Talvez porque soubesse, ou acreditasse…, que correr contra os outros não valia a pena….
Então, só correr. No games, just sport.
Gostava de sentir todo o cansaço até não poder mais, de saborear na garganta o esforço, de sentir os músculos presos… e resistir resistir sempre. Até que aquilo se tornasse andamento, que fosse força de hábito e prosseguisse sem mim.
E então, naquela última volta, dar tudo! Não sei, mas sempre me pareceu que nesse momento iria voar, tanto que o mais difícil era parar.
[Correr por paixão. Sentir esse vento na face, e nos cabelos atados fio a fio como o fio da meada que não perdemos na vida… Passo atrás de Paço, e passada na corrente da ponte metálica. E saber que o Rio corre também, connosco.
(A propósito dessa Ponte: tive pena que o trabalho adiado fosse barreira para não saltar… Tive pena que os passos corridos desse dia não fossem juntos com outros, e com o cansaço que nos faz viver. Tive pena… :/ )]
Eu sei, também sei que me perguntam: Correr porquê?
Mas eu sei. Todos os dias da minha vida parece que me arrasto, que tudo quanto faço é incompleto e que podia dar tanto mais… Pareço que não me empenho, que as coisas saem sem jeito – sem ordem nem paixão. Mas quando corro, quando corro o sabor torna-se outro. Porque corro corro corro. Corro até mais não (Ok, podia correr mais meia hora – porque podemos correr sempre mais – mas foi aquele tempo que eu marquei, e sei que o consigo levar até ao fim…).
Ali o esforço é físico, mas aqui… Aqui as coisas são sem meta. E acho que resistir aqui é trabalho de muita concentração. Que pena quando nós próprios somos a nossa derrota, e quando nos acometemos à derrota muito antes de entrar em campo. Como dizia o outro, Falhar na preparação é preparar-se para falhar… Que pena quando não acreditamos em Tudo o que temos cá dentro. Que pena quando interiorizamos as merdas a que os outros nos acometem… e como depois passamos a fazê-lo sozinhos, como meninos bem-ensinados…
Eu quando corro sei porque corro – porque sou livre e corro até ao fim, até cansar todo este cansaço… Até me sentir viva e o coração bombear forte.
Eu quando corro sei que não posso dar mais – porque não temos asas e não podemos voar.
Então, correr é chegar à meta a que nos propusemos, e superar os nossos limites. Ao menos que fosse assim em tudo o resto na minha vida…
15:47 10.10.2006
terça-feira, outubro 17, 2006
(H)our (of) destruction
Há uma letra cantada pelo Ronan Keating de que gosto muito. Fala das escolhas que podemos fazer. Fala de desistir e voltar a tentar. Fala de tudo o que está à nossa volta e que nós não escutamos ou deixamos passar. Fala do que não queremos ver quando temos raiva do mundo e é essa a nossa escolha - achar nele desculpas para não voltar a tentar.
E fala da esperança que não podemos perder - da minha e da tua.
When you get the choice to sit it out or dance...
Há noites em que o escuro sopra aqui na minha face e eu não páro, ou não (re)começo. Em que tudo é inércia por preguiça de mudar talvez... por arrastar e deixar que tudo continue como estava.
Pergunto-me porque temos momentos em que simplesmente nos deixamos destruir, e em que o corpo é mais pesado que a vontade...
Pergunto-me o que sei que não tem nunca resposta definitiva. Que não tem nem resposta única. E ter que lutar contra isto a todo instante, contra esta inconsciência de não mudar nada - porque é sempre mais fácil manter as coisas... - cansa...
Cansa este receio não sei do quê. Talvez de nos confrontarmos connosco mesmos e com a nossa incapacidade de realmente ir ao encontro daquilo que queríamos.
É sempre tão mais fácil não pensar, não questionar... não querer saber. Deixarmo-nos arrastar nos momentos, nos lugares. Não mudar o caminho, enfiarmo-nos no mesmo autocarro de sempre e deixar que nos levem.
É sempre tão mais fácil dormir. Ou ficar sentado sem consciência em frente a uma TV que nos mostra outra vida qualquer que não a nossa. A nossa enfadonha vida nossa de que não nos cansamos (como cansar, se não implica esforço? :/)...
Como esta falta de luta, esta preguiça aprendida, este conforto arrepiante de não mexermos uma palha! esta vontade (... que raio de vontade...) de não levantar, de permanecer sentado a ver passar... como nos destrói e limita. E como é horrível ver assim o tempo. E o vazio.
So, i really really hope... I hope that When you get the choice to sit it out or dance...
I hope you dance.
15:36 17.10.2006
quinta-feira, setembro 28, 2006
Tenho a cabeça um estoiro...
Há tantas coisas que hão-de ficar sem resposta. Tantas coisas que nunca poderemos mudar, porque foi assim que aconteceram. Tantas coisas - que nem sabemos bem porquê -mas aconteceram...
O pior é que eu pensava que aprendíamos. Não digo para sempre - não, já não digo. Só digo aprender um pouco melhor. E ao menos o mesmo erro não voltar a cometer.
Fazer as coisas com o nosso maior esforço, para ganhar mesmo! E não somente para despachar... :/
Dizem que o Mourinho é um arrogante. Porquê? Acho que no fundo não estamos habituados alguém a ter amor próprio quando é realmente bom naquilo que faz. Chamem-lhe o que quiserem, pois eu cá admiro-o. E sabem porquê? Porque ele é egoísta quando pensa no que deve fazer. Não está cá com cedências! Quando queremos uma coisa bem feita temos mesmo que cagar (desculpem o termo mas é mesmo assim) para o resto. Temos que nos meter de corpo inteiro naquilo! Ou então digam adeus. Porque se não for para ganhar... não vale mesmo a pena aquele tempo que ali empregamos. Aquele tempo sem sabor nem paixão...
Ou amamos e damos tudo, ou então esqueçam. Como dizia mais ou menos o outro, coisas mornas não aquecem nem arrefecem... :/
Por isso, se querem um conselho, apaixonem-se em cada instante pelo que fazem, e dêem tudo o que podem dar. O resto haverá tempo para ele, mais tarde. Ao contrário, haverá sempre o peso na consciência do que não cumprimos, e esse resto não vai saber a nada. Insonso talvez... coisa morna.
E porquê porquê porquê...
Há respostas que nunca terei. Só dúvidas nesse maldito para sempre que só acaba numa cova ou, na melhor das hipótese, num oceano imenso... Há coisas que nunca saberei. Acho que vou ter que me perdoar e aceitar as consequências. Mas é difícil!:/
Acho... E então, depois de me empenhar para ganhar esse perdão e resolver comigo essa mágoa, então sim seguir para o resto.
Então sim, seguir em frente.
12:44 28/09/2006
segunda-feira, setembro 04, 2006
Se ensinar é dar para sempre...
Jà houve tempos em que deixei de acreditar.
Eu sei que sempre que prometo... é só mais uma desilusão que dou a mim mesma. Por isso, prometer era apenas mais uma daquelas frase que se dizem, tipo "Bom dia" e "Tudo bem?" e que não esperam resposta.
Só ilusão de rotina...
Mas o que mais me magoa nisto tudo nem é eu prometer e dar palavras ocas a mim mesma. O que mais me magoa é não conseguir sair dessa rotina, mesmo quando acho que finalmente aprendi.
Todas as vezes que bato no fundo, que me enrolo contra o chão frio, que choro perdida (ou nem choro porque já nem consigo chorar...), todas as vezes que cansada me deixo arrastar, que desepero e me enfureço e grito contra mim e quase que me apetece...! todas essas vezes eu prometo que vai ser diferente. Que amanhã não vou fazer o mesmo, porque não quero sentir tudo outra vez, Não quero!
E então acho que foi desta que aprendi!...
Mas então levanto-me, e há os "bons dias" pelo meio... e eu sei que as promessas têm muito que se lhe diga, e que o sol corre e o tempo passa. E que eu fico perdida no meio.
E então vejo que ainda não aprendi...
Eu sei, eu sei que temos que lutar todos os dias; prometer e voltar a prometer, e voltar e voltar... até nos convencermos que é uma promessa mesmo. E que as promessas são para serem cumpridas. Ou então não devemos prometer.
Eu sei.. E sei que não posso deixar de acreditar. Ainda que eu o Mundo e o Tempo andemos à paródia num jogo de estalada...
Ainda há-de vir aquele abraço... nem que no dia em que a Terra me abrace primeiro...
Eu sei que o Tempo não desiste de mim, e que me tenta ensinar todos os dias.
Quem sabe se afinal já não aprendi...
Tudo na vida precisa de ser rodado e usado para não ser esquecido, para não enferrujar... E aprender é lutar todos os dias, em cada instante. Levantarmo-nos outra e outra vez, por mais quedas que demos...
Por mais que nos pisemos a nós, é mudar as coisas e reencaixá-las.
É pintar tudo de novo outra vez.
E acredito que é nesta luta que nos construímos. E que a vida se torna mais que um mero recolher de aprendizagens que inscrevemos e praticamos...
automaticamente.
Afinal, o que seria de nós...
... se aprender fosse receber para sempre?
4.09.2006 19h (e um conjunto de instantes)
terça-feira, agosto 29, 2006
(Não tenho tempo - bolas e o Tempo! - para títulos...sorry...)
Bem, recomeçando (... é sempre tão bonito recomeçar... :) afinal... a esperança é a última coisa a morrer! E sabem porquê? Porque quando ela morre não adianta continuarmos…)…
O que eu ía dizer (mas já não vou.. vou?) é que quando estava a escrever o texto anterior (aqui no blog..) me veio à cabeça… me veio à cabeça… Ups… esqueci-me…
Bem, pronto ok, agora também tenho que ir fazer outra coisa qualquer! (que por acaso já devia ‘tar a fazer!) ;P)
(Só para dizer que teoricamente temos tempo para fazer tudo aquilo que delineamos para fazer. O problema é a que a vida é cheia de coisas, e não se limita às exigências ou às estruturações de uma lista pré-definida (ainda bem! mas sempre ainda bem?...) E, por isso, aparece sempre qualquer outra coisa pelo caminho. E depois, realmente, não sobra tempo para tudo… é a vida!... e não é fantástica? :) NÃO! )
29.06.2006 12:26
As coisas são o que Nós Sentimos que elas São...
"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz."
(do grande, complexo e desmesuradamente simples... Alberto Caeiro :) )
29.06.2006 10:29
segunda-feira, julho 24, 2006
terça-feira, julho 11, 2006
sexta-feira, julho 07, 2006
quinta-feira, junho 29, 2006
Gelados e outros afins
Bem, perante isto tudo, quando chego àquele placardzito... fico sempre na dúvida – qual é que me vai saber melhor? Naquele momento, naquele instante? Sim. Qual é o melhor deles todos? Qual é aquele que, se eu fechar os olhos, me aparece no pensamento como que a dizer Sou Eu, Escolhe-me a mim. Eh pá! (esse gelado já nem tanto…lol) Eu ouvir, oiço... Agora ver… e escolher…
Fico a pensar em cada um, a ver os prós e os contras, a associar emoções e gelados, qual é o mais perfeito, etc etc. Eu bem sei… É que depois escolho e aparece-me logo aquele pensamento simpático a rondar – Devia ter escolhido o outro [sempre o outro… independentemente de qual for…], mas agora já é tarde. E pronto, lá arruíno o momento… E da próxima vez lá me ponho eu em frente ao placard, com a acumulação do medo do que aconteceu na vez anterior…
Mas é sempre assim. Pronto. E depois ponho-me a pensar que desta vez é que é – Hoje, hoje é que vai ser! Vou-me sentar naquela esplanada e vou comer um gelado! E vai-me saber mesmo bem. Afinal, ora bolas!, já andei a semana toda a adiar! Vou comer um gelado! Já está mais que na altura. Que mania de andar a adiar! Vou comer e pronto. Um gelado. O melhor!
E esta procura indefinida é que dá cabo de mim…
28.06.2006 23:28
quinta-feira, junho 22, 2006
Há um Nome para as coisas?
quanto tinha sonhado ficou pelo chão
nUma só palavra.
Quem és
Essa que se acomete a um canto à espera? Essa carinha de anjo não engana
Ninguém.
O mundo tem demasiado com que se preocupar do que ir levantar
os que caiem pelo caminho.
Vítima. Como te tornaste em tudo aquilo que não querias ser.
E em cada grito em que
O negavas, te traías a ti própria. Com um beijo.
Não, não o conheço. Não sei quem é Esse de quem falam.
Eu não sou assim. (Não?)
Um beijo de misericórdia. Por uma lágrima de crocodilo.
A consciência a consciência… Ela canta Pobre ceifeira… Rica talvez.
Pelo que não tem.
Somos o que é consciente ou o que é inconsciente.. também?
Foi o Parvo que entrou no céu. Porquê?
Temos desculpa para o que somos? E culpa… pelo que somos?
(Ou Simplesmente ficamos num canto à espera que nos digam que
Não, não és nada má pessoa! ?...)
Mea Culpa…Mea culpa... (Palavras no vento?)
Menina perdida Quando queres tudo. Os caminhos
Tantos. Há um certo? (Há??)
Nem sabes o que ser. Só o que não queres. (Sabes?)
Mas é irónico pensar que
Quanto mais foges, mais te embrenhas no mato
Mais foges e te perdes.
E o único destino Para que corres
É o único que
Não querias.
Mas no fundo (do bosque o destino)
O único que conheces…
21.06.2006 22:59
segunda-feira, junho 19, 2006
terça-feira, junho 06, 2006
Só me apetecia... :/
E, se é possível que seja, porque é que nos mandam à chapada a cor com que os outros o pintam?...
Onde está o Wally? (part II)
I guess I was thinking – and hoping… – that the world is not the shit that it seems to be.
I guess I was thinking that long time ago I must have did something wrong, and missed the way…
I was thinking that people are sometimes so unfair that it really really hurts… ‘cause it was suppose we all to be brothers and sisters, wright? Am I wrong? Am I that wrong?... Sorry… I guess I was thinking… dreaming maybe.
I think it’s time for me to wake up…
terça-feira, maio 23, 2006
Onde está o Wally?
Hoje de manhã, vinha eu na minha caminhada para a rotina, aparece-me um homem emoldurado num fato, a bradar ao mundo pelo orifício de um telemóvel (:/). Não sei porquê mas acho que sentiu que tinha descoberto a pólvora… Falava da cabra de uma mãe, preta, com dois filhos pequenos encavalitados num muro de 4 metros.
Era uma daquelas mães (e pais) que vai curtir p’rá noite, fode a noite toda, e só acorda às 2 da tarde, e os putos sozinhos! E a preta, que podia ser branca, amarela, ou vermelha, ali com os miúdos ao lado, num muro de 4 metros! Era o puto chegar-se à frente e pronto. E até já tinha uns óculos de garrafão!… (blá blá).
Palavras dele.
Não sei. Houve algo que não soou… O mundo é assim tão simples, ou há algo escondido no meio?
Ai... a idade dos porquês... Ver os Livros na Rua. Talvez devessemos ainda perguntar (mas como quem quer mesmo encontrar!)… Onde está o Wally no meio disto tudo?