sexta-feira, maio 30, 2008

Louca

Não sei se é pelo olhar comprometido que as pessoas me deitam, ou se por algum resquício de sentido estético em mim, mas sinto que ando na fase de me vestir descombinada. Acredito que seja algo crónico recidivante, consoante o equilíbrio que tenho entre a roupa no roupeiro e na máquina de lavar. Mas também tenho a esperança que seja mais que isso. De facto, julgo começar a gostar.

(imaginar os roxos e os amarelos, os tecidos felpudos com os lisos, as riscas com o floreado, faz-me pensar que o mundo tem uma carrada de possibilidades para além das mais normais.)

E desponta em mim algum prazer em ver esses olhares atravessados. Faz-me sentir louca. Faz-me sentir na pele o que sempre senti nas entranhas.

quarta-feira, maio 28, 2008

menina de porcelana

frágeis

as meninas que se quebram
quando oscilam
bruscamente

entre o quente e o frio.

segunda-feira, maio 19, 2008

(Bexiguinha e ) O legado do Dr. Mabuse

Quando ando sozinha pela Baixa
e o caminho se estende mais longo do que a minha coragem

Quando subo pelo caminho mais curto
e percorro as ruas estreitas e escuras

Quando me aproximo da esquina
E não sei o que me espera

Quando vejo pessoas
E não sei quem são

O que me assusta
O que me faz tremer
O que faz bater o meu coração
Arfar os meus pulmões
Sentir o sangue engasgado no cérebro
E o torpor na mente

Não é que me tirem os valores
Os anéis
E levem a carteira
Não é que me queiram o dinheiro
O leitor de músicas
O casaco
Os brincos
Ou o relógio.

O que me arrepia e faz recear essas viagens
É que me queiram a mim.


(não é o dinheiro, nem o poder político, nem as férias nas Filipinas. Não são as malas Louis Vitton, nem os ténis da Nike, nem as calças da Levi’s. O que me assusta, e que este filme captou tão bem, é o prazer na destruição do homem, qualquer homem. Na destruição da vida, seja ela qual for. O gosto em ver uma existência contorcer-se em dor, na súplica, para então se esvair numa poça onde se perde.)

A blueberry called world. Another one called life.


Não tenho muito por onde pegar, nesta vida de todos os dias.
Por isso, às vezes, quando percorro o caminho para casa,
quando vejo novamente o que vi ontem e antes de ontem
quando já ando sem olhar
quando já olho sem ver,

também a mim me apetece dar a volta pelo caminho mais comprido,
pelo caminho diferente.

Faz-me falta o desconhecido
faz-me falta tudo o que não sei nem imagino
faz-me falta saber que tudo é estranho e diverso,
e que outros olham e vêem distinto o que eu olho também.

Mas acima de tudo
sinto falta de olhar eu também e ver estranho e distinto
E, depois de o ver,
sentir e querer e gostar de estar em casa.

(mas este medo que me prende.
esta preguiça que me arrasta.
esta rotina que me atraiçoa.)

Quero sair. Quero fazer o caminho, percorrer os caminhos, perder os caminhos.
Quero embrenhar-me no mundo

Chorar, perder, rir. Quero lutar, exigir, sonhar e desanimar. Quero ver, sentir, palpitar, enfrentar.

Quero ir,
e só então, cansada e descansada,
Voltar.

Quero ir, para então, enfim, bradar sedenta a esta terra:
-Casa, o quanto eu te ansiei.


(às vezes, muitas vezes, devíamos pegar no medo da mudança, içá-lo com jeito e cuidado, e arrumá-lo numa caixinha perfumada onde ele não se cansasse de estar.)

Silêncio


















É esta a corda que vos amarra as gargantas?

(De fundo
ouve-se o silêncio.

Ou é tão somente a angústia
de no fundo não se querer gritar?...)

segunda-feira, maio 12, 2008

O Quadrado da Lógica.


Tenho uma teoria.
O ambiente é mutável, e muda frequentemente.
Pessoas instáveis mudam quando o ambiente muda.
Eu sou instável.
Logo, mudo frequentemente.
Solução: parar a mudança do ambiente! (:P)
       
(é por isso que nos devíamos tornar todos ambientalistas.)
     
     
   

Meninos coitadinhos.

    
os meninos coitadinhos
queixam-se a torto e a direito
a direito e a torto
para cima e para baixo
para a direita e para a esquerda
para a esquerda e para lado nenhum
que chega a cansar
vê-los queixarem-se tanto.
os meninos coitadinhos precisam de se desculpar
que o mundo é uma merda
(isso) já todos sabemos
mas os coitadinhos gostam de repetir.
os coitadinhos lastimam
as suas pernas pesadas
que não os deixam voar.
os coitadinhos enojam
os que lutam
todos os dias
apesar de tudo o que vem contra
e não se queixam
meninos coitadinhos
fraquinhos
galos-zinhos
arrepiam
em pele de galinha
os que conseguem
sem a queixa na ponta da língua.
meninos coitadinhos
apregoam o dito
mas
morrem
sem viverem
morrem
sem perceberem
que é em nós que é tudo.
   
(p.s.1: faz-me pensar porque te compreendo tão bem…)
(p.s.2: mas ainda que compreenda o que faças, cisma-me na mente a razão porque o chegas a fazer…)  
        
      

Caranguejos.

Aos que têm um destino
que não era deveras o seu.

Tenho caranguejos pelo corpo
Que me beliscam as vísceras e a vontade.

Tenho caranguejos sobre a alma
Que me roubam a luz
E a idade.

Tenho caranguejos.

Assassinos,
Sacudo-os eu.
Carrascos frígidos.

Sorrateiros e silenciosos,
Chegaram mudos ao meu destino.

Assassinos.

Larguem-me a vontade
(ao menos deixem-me a vontade…)

Tenho caranguejos pelo corpo
Caranguejos.
Chegam calados ao que somos
e vão trilhando o que éramos.

Será este o meu destino?
Pergunto-me se era este o meu destino.

(bruta sina
que me escreve um signo que não é o meu.

Dize que não é...)

Quando os caranguejos são mais fortes
que a vontade,
mais fortes
que os grilhões a esta vida.

Quando a vida não tem fado,
Nem sequer um sentido.

sexta-feira, maio 09, 2008

A spot.


A vida devia ser (lá estou eu a dar palpites) um momento no tempo (e não é?). Digo, sem memórias. Sem medo das consequências. Era o agora e pronto.

Sem direcções ou sentidos.
Sem antes nem depois, pedaços negros da vida.

Like a spot. A round, white, shining spot.

quarta-feira, abril 23, 2008

Reflexos

foto: mifares


eternamente à procura
do meu reflexo em algo.



Retrato de Família

   
A minha mãe já não me telefona há três dias. Acho que finalmente se está a tornar independente.
(eu já lhe tinha dito que há uma idade para tudo. eu é que pelo contrário parece que estou a regredir. - mãe? que se passa? porque não me telefonas?... :x)
       
  
      

quarta-feira, abril 16, 2008

em-nos-eh-tudo.blogspot.com

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul se olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri.

Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser.
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.

Mas já sonhada se desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nessa terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem.

Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.

Fernando Pessoa

(assim nasceu a morada do meu blog: porque sou entranhadamente existencialista.

ressalve-se que não tiro o mérito ao acaso, mas acredito piamente que, de uma forma ou de outra, é sempre possível dar-lhe a volta.)

quarta-feira, março 26, 2008

«Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente.»

       
Anda para aí um dito a arranhar-se pelas paredes que até escandaliza o Homem. Dizem que as mulheres são gente. Gente? Que ideia radical é essa?! Gente de gentinha? Radical é se fossem pessoas!

(:x)
       
  

Ainda bem que há o outro.

        
Tenho andado a pensar na vida. Nas coisinhas da vida. Nas coisinhas minúsculas. Nas coisas do nosso tamanho. Neste mundo. Nas pessoas. No mundo que as pessoas construíram. Nas mesquinharias. Nos nadas. Nos nadas e nas tardes de chuva. Na luz cinzenta por entre a janela de uma casa vazia. Na velha dessa casa vazia. Nos filhos dessa velha que viveram numa casa cheia que agora é vazia. No abandono dessa velha. Nos anos que passam. Em tudo o que se deixa para trás. Nos sonhos que tínhamos. Nos sonhos que já não temos. Nos sonhos que decidimos apagar, à medida que a nossa sombra cresce. No que víamos e já não vemos. No que não víamos e passamos a ver. Na ilusão. Na desilusão. No sentido da vida. No sentido desta vida. No tempo. Nos velhos. Nos velhos doidos. Nos velhos que nos olham. No que os velhos vêem. Nos novos que já foram. Nos novos que foram como nós. No que nós ainda não vemos. Nas rugas e na celulite. No que vemos dos outros. No que vemos nos outros. Nas relações. No que nos liga aos outros. No que queremos dos outros. No que eles querem de nós. Nos medos. No sentido desta vida. No que vale a pena. No que não vale. No dinheiro. Na Política. No Pinóquio. Nas políticas. Na batalha naval dos crescidos. No poder. Nas pressões. Nas verdades que se escondem. Nas verdades que nunca saberemos. Nas verdades que não existem. Nas mentiras que nos vendem. Nas mentiras em que escolhemos acreditar. No fardo desta vida. Na morte. Na fé. Nas crianças. Nas crianças degoladas com os olhos postos no sonho. Nos adultos engravatados, e razoavelmente vivos. Nas crianças adultas. Nos adultos embirrentos e chatos. Nos adultos cruéis. Nas mãozitas endurecidas pelo peso de uma arma. No olhar das crianças. Nas crianças sem olhar. Na fragilidade da vida. No azar. No destino. No imprevisto. Na injustiça. Na ironia da vida. Nas coincidências. No acaso. No que insistimos em querer dar nome. No que não tem nome, nem sequer existência. No que queremos explicar. No que não tem explicação. No homem e na sua natureza. Na essência do homem. Neste jogo em que entramos nem sei bem quando. Neste jogo de aparências. Neste jogo nojento. Em pulsos cortados. Em medos. No resto. No que vale a pena. Nos laços que nos amarram aqui. Nos laços que temos e que, nem assim, nos permitem ficar. Na eterna ironia da vida. Em faces no chão e o vento na face. No fim. Enfim, na vida. Triste, mesquinha, pesada e injusta. O que vale é que é curta, muito curta.

(A minha mãe diz: ainda bem que há o outro, senão – credo! – isto seria uma injustiça. Fico a pensar que para suportarmos esta vida apenas precisamos de uma boa, muito boa mentira.)

          

terça-feira, março 18, 2008

Visão periférica.

Ontem ia esbarrando com o Diogo Infante à entrada da Farmácia. O Diogo Infante? Aqui? De braços cruzados, olhou para mim com um sorriso tal que se me rosaram as faces. Mas depois segui em frente. E nem parei para olhar a senhora da porta ao lado, não fosse também ela ser de cartão.

segunda-feira, março 10, 2008

Predilecta


Fiquei a pensar se predilecta
seria uma das minhas palavras predilectas.

Não.

sexta-feira, março 07, 2008

Psicodrama

     
Vaca
Puta
Cabra
Odeio-te
Eu também
Ainda bem
Pronto
Ponto
(suspiro)

Então xau
amanhã o mesmo!

(todos devíamos ter um palco para expressar tudo
o que nos está nas entranhas a remoer nos intestinos
e a criar gases.
pode ser que depois andasse por aí menos espalhafato.)
     
    
       

A tribute to Fridays


(The Cure – Friday I’m in Love
uma das minhas canções predilectas,
nem a propósito com o que nos espera este fds.
Um tributo aos The Cure, também.)

quarta-feira, março 05, 2008

(apetece-me dar um murro, pode ser no antónio.)

        
Rebelde. Ser rebelde. Acho que o desejo me veio da irmã que sempre foi contra tudo e todos. Então quis ser também. Passei por cima do cordeirinho – apesar de continuar a sê-lo para sempre – e enfaixei os cabelos em dois totós que percorri com elásticos de diferentes cores; cortei o cabelo curtinho e deixei a madeixa comprida que entrancei. Comprei o casaco de cabedal e as botas pretas e pesadas – que me magoavam imenso os tornozelos, mas Quero lá saber, não há alma que não se vença, também não há-de haver botas inflexíveis nem tornozelos incontornáveis!
Quis ir contra tudo, contra deus até. Então mudei-me para a malfadada terra, que os corvos deixaram ao abandono, e vesti-me de preto para fazer o luto de tudo o que ficou para trás. Vesti luvas esburacadas, saias por cima de calças e fiquei enfim a Saia-calça, com muito orgulho meu. No meio – e bem emaranhado, como quem quer ser tudo e não é senão uma amálgama de identidades – pintei as unhas, uma de cada cor, deixei-as crescer, e fiz recortes nelas. Meti as meias debaixo do joelho e os dois totós. Fiquei a Pipi, Pipi das Meias Altas. A menina instável, como me descreveu ele, aquela fachada de gente. Pois era, pois fui (pois sou). Desde esse tempo. Até ao dia em que me cansei de tudo. As cores esbateram, as calças prevaleceram. E eu continuei em frente. Até ao dia em que me cansar de tudo. Acho que nunca consegui. Ser rebelde. Entrei numa certa harmonia com as coisas, e não há como escapar-lhe.
Mas não gosto. Nunca gostei.

(reparo agora que tenho os punhos ensanguentados…)
   
   
        

segunda-feira, março 03, 2008

Mea Culpa


I
Eu gosto dele. É estranho. Gosto. Ainda que seja estranho. Por ser estranho. Ele ser estranho. Não o resto (até porque tive sempre a tendência para me identificar com os rejeitados,

e sei porquê.)

I-I
I like him. He’s weird. Weeeeird. Weird weird weird. Weirdo.
(gosto de alongar o uso das palavras até que se tornem estranhas. Será que se abusarmos do uso das pessoas elas também acabam por se tornar estranhas?)

II
Ele é estranho.
Mas não gosto dele. Não por ser estranho, mas por ser de um estranho estranho, de um estranho que não gosto.
Por isso, não gosto. Dele. Não do estranho.
Do estranho gosto.
Não gosto é dele. E do seu Estranho.

Ponto.

(Tornou-se estranho?)

As muitas faces do Tau.

Nas muitas voltas da vida, apercebi-me que anda para aí a circular com alguma frequência a articular palavra formada com as letrinhas T A U, nesta ordem precisa. Daí, pensei que deveria talvez fazer um resumo das utilizações (não extensivo talvez, mas suficiente).
E, tau!, saiu-me isto:

(1) (não necessariamente com maior grau de importância…) o tau-tau que se dá no rabinho dos meninos, e das meninas, seja porque razão for…
(2) o Tau empregue como remate descodificador e extremamente esclarecedor para uma frase anterior suficientemente agressiva mas que poderia ter ficado na penumbra, e numa ambiguidade incerta, se não fosse articulada de rompante a tal palavrinha multifacetada e nada ambígua, pois claro…
(3) (a parte mais séria…) a proteína tau, implicada na doença de Alzheimer (investiguem…)
(4) um coeficiente qualquer que os engenheiros usam para ter desculpa para terem que fazer muitos cálculos e medirem temperaturas na casa de pessoas nas quais nunca entrariam caso não fosse esse coeficiente.

(confesso que quando originalmente me apeteceu fazer isto… pareceu ter mais piada…
mas, agora, depois de o escrever, confesso que me apercebi… que ainda não ganhei o tal juízo… Tau?)

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Can you read my mind?


  
por razão nenhuma
eu deixaria
de poder dançar isto.

por razão nenhuma
eu deixaria de poder saltar
alienada
dentro do escuro do meu quarto
com um candeeiro de rua a entrar-me pelo espaço adentro
ou só um esguicho de luz do candeeiro
e um chapéu de chuva aberto por cima da cabeça
ou que fosse um resto de chapéu com abelhinhas penduradas.

por razão nenhuma,
é que por razão nenhuma.

deixem-me
ainda que por momentos
ser meia louca

ou (e) louca por inteiro.

(já bastam os dias
em que ninguém nos lê a mente
e todos somos somente o que parecemos.)
     
     
   

terça-feira, fevereiro 19, 2008

(Quase) Tudo sobre a minha mãe



















         


(só para 'pega-monstros' experientes.)

       

Muros (I)




(A Wall
Outside my window
Inside my soul.)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Ser afim de ti

'Cause I don't shine if you don't shine. (The Killers)

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

O que é que estão aí a fazer parados

a olhar? perguntou ela ingénua dos seus lábiozinhos rosados como quem não percebe homens a olhar para paredes e janelas e jornais do outro lado do passeio com as mãos nos bolsos.

- À espera. (Ou terão dito 'Nada'?)

(À espera? Da vida talvez. Erro comum.)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Reminiscências


 













foto: mifares

 

Quando Ela Passa (Fernando Pessoa, Maio 1902)

Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Vejo a doce imagem d'ela
Quando passa... passa.... passa...

N'esta escuridão tristonha
Duma travessa sombria
Quando aparece risonha
Brilha mais qu'a luz do dia.

Quando está noite ceifada
E contemplo imagem sua
Que rompe a treva fechada
Como um reflexo da lua,

Penso ver o seu semblante
Com funda melancolia
Qu'o lábio embriagante
Não conheceu a alegria

E vejo curvado à dor
Todo o seu primeiro encanto
Comunica-mo o palor
As faces, aos olhos pranto.

Todos os dias passava
Por aquela estreita rua
E o palor que m'aterrava
Cada vez mais s'acentua

Um dia já não passou
O outro também já não
A sua ausência cavou
Ferida no meu coração

Na manhã do outro dia
Com o olhar amortecido
Fúnebre cortejo via
E o coração dolorido

Lançou-me em pesar profundo
Lançou-me a mágoa seu véu:
Menos um ser n'este mundo
E mais um anjo no céu.

Depois o carro funério
Esse carro d'amargura
Entrou lá no cemitério
Eis ali a sepultura:

Epitáfio.

Cristãos! Aqui jaz no pó da sepultura
Uma jovem filha da melancolia
O seu viver foi repleto d'amargura
Seu rir foi pranto, dor sua alegria.

Quando eu me sento à janela
P'los vidros qu'a neve embaça
Julgo ver imagem dela
Que já não passa... não passa.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Francisco Anselmo de Barros


Putrefactos.
Todos os homens que não sabem o que é morrer por uma causa.

Sólidos de Catalan


Tinha 14 anos quando me perdi. O pensamento concreto de até então deu o salto e tornou-se (i)lógico, com todos os caminhos em aberto. E fiquei eu no meio das escolhas
e dos escolhos
de tudo o resto que ficou, simplíssimo, para trás.
Catorze anos de um mundo certo, pensando que havia uma idade para tudo. Depois, caí, e percebi
Que a idade não interessa,
que somos bichos eternos
em luta com as escolhas.

Que as escolhas podem ser mal feitas?
Podem, mas que só aprendemos assim – julgamos as próximas, com as anteriores.
E se aprendemos mal, julgaremos mal (óbvio…).

Que o homem não é naturalmente bom sr. Rosseau, nem sequer naturalmente. Que é uma mistela de tanta coisa que anda por aí, e que tentar compreendê-lo e aplicar-lhe uma equação certa que o desvende é estourar a cabeça em mil pedacinhos loucos e estridentes.

Que é tudo uma incerteza
um conjunto de escolhas disparatado
aleatório,
irresoluto,
como quem joga num euromilhões sem sorteio.
Como quem ganha sem saber
E depois morre.

(tanta coisa que fica por saber…)

Que a velhice virá um dia,
E a sabedoria com ela.

Que não sei se a sabedoria chegará com ela, sem ela, se chegará seja com quem for.

Que não há sabedoria –
Há uma e excessivas formas de ver a vida
(e depois há os conformistas e os inconformistas
e todos os outros nos intervalos infinitesimais
que as aceitam ou não.
Ou que decidem ficar no meio e nos meios, porque não há um mas vários
porque nunca há nada que seja uno e simples!)

Que a matemática é um sonho e não bate certo com nada.

(que quanto mais penso
mais esfolo o sossego, mais estripo o equilíbrio.)

Que só a Ceifeira é feliz quando canta.
Mas que os 14 anos dela não a devem ter atirado ao chão...
       
     
 

terça-feira, janeiro 29, 2008

Lost in translation

A sala encheu para te ver morrer. Preto no branco.
Só na tua cabeça nada era assim tão simples.
Faz-me pensar o que nos faz dar o salto final.

O mundo é definitivamente um lugar estranho. E o amor.
Mas como pode alguém desistir aos 23?

Um passo de gigante para os outros, um pequeno para ti.

Recomeça…Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres, Nesse caminho duro Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.*

Mas tu não podes. Ponto.
Pena.
Porque eras só um rapaz, um rapaz chamado Ian.

(*Sísifo, Miguel Torga)


        

segunda-feira, janeiro 28, 2008

We should all be hard candies


I - Quando os frutos caiem.

Se amadurecer significa deixar de ver o mundo de forma bonita e iluminada
e sentir na pele o estalo rude da terra dura,
então devo estar no bom caminho
para um dia poder dizer que, enfim,
apodreci…

II - Loja das Grosserias.

Da próxima vez que te vir entrar na loja de guloseimas com o teu vestido de cetim azul e com esses teus sapatinhos de verniz vermelho, e te vir mostrar esse sorriso cândido de menina
- dessa próxima vez que te vir sonhar –
vou-te agarrar na face suave e nos cabelos doirados
e dizer-te aos ouvidos num rasgão:
que esse Senhor simpático que te mostra os doces como se te os oferecesse apenas,
que esse Senhor que te pede as horas e a quem tu as dás, agradecida,
que esse Senhor maduro e pai de meninas como tu,
é vendedor.
E que esses doces que te estende,
na sua sabedoria refinada,
são doces ressequidos, amargurados e degustados;
E que, afinal, o que esse senhor oferece não são os doces
mas os murros no estômago que ficam no final.

III - Porcos

Enojam-me os senhores que
levam na algibeira descontraída a cartilha do saber muito
e tudo,
e que,
depois,
confundem meninas com Meninas.
        
    
    

Permissão para ser normal

    
Uma das partes irónicas e desanimantes do mundo
é que chegamos ao ponto de ter que justificar
- como quem desespera se não mostrar o contrário -
o facto de vermos o mundo bonito.

E termos que bater o pé e dizer
Não, Não, Juro! O mundo não é nada bonito, Eu não o vejo assim!
Eu sou como todos os outros
Que o vêem feio e decepcionante.
         
           

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Permission to Speak Freely (II)


Não vejo muros cor-de-rosa. São muito cinzentos, juro.

Mas meti os óculos coloridos em pequena, e
ficaram-me tão cravados na carne… que
quando os vou para tirar,
dói-me arrancar esse pedaço de mim.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Receita para 2008

(escrevi este texto há uns aninhos, mas achei que era uma boa mensagem de Ano Novo, em jeito de mensagem de Natal do Primeiro-Ministro, ainda que sem Armani nem nariz de Pinóquio…).

Numa época que chamamos de crise, muitas vezes deparamo-nos com a facilidade de apontar o dedo e dizer Não fizeste isto, Não fizeste aquilo. Sempre o que o outro não fez e devia ter feito. E encontramos nessa expiação da culpa alguma libertação do próprio peso (in)consciente que carregamos também. [aqui está o clichêzinho sempre actual… e agora o complemento:]. Porque isso de andarmos mal não É (só) culpa do Governo! – cada um deve governar-se também [o “bom” do trocadilho…]. E já que (des)culpas há muitas, preocupemo-nos também em achar soluções… cada um de nós.
Foi nesta procura que me deparei com indícios de soluções do dia-a-dia nas palavras de um “médico” de que urge Portugal [mas este não é um médico qualquer… é um médico sábio!] – um que receita sopinha quente em vez do medicamento mata-bicho. Conta-nos então Cândido Ferreira (25 Agosto 2005, Campeão das Províncias) um episódio acerca de uma família que a ele recorreu. E como me parece que essa família somos todos nós [Portugueses sobretudo…], atentemos no que nos diz a receita:
“Foi então que fui cravado para uma nova consulta: ‘O Sr. Dr. que é político é que nos podia aconselhar [sem comentários…]
, o que é que a nossa família pode fazer para melhor resistir à crise?’ (…) Manifestando o casal sábia intenção em educar a prole e garantir património, recordo os três remédios que, improvisado ‘médico de família’, entendi prescrever a esses meus doentes:
1º: produzam mais e melhor que os outros;
2º: não guardem para amanhã o que podem fazer hoje; e
3º: não gastem hoje o que não sabem se ganham amanhã.
É que a Europa não é tão burra quanto parece e, qualquer dia, anda por aí a pedir os juros de tanto disparate.”


(Bons conselhos não? Então mãos à obra! ;) )

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Cinzenta

        
Andam por aí umas criaturinhas que se intitulam pomposamente de Descrentes. Fazem questão de marcar que não acreditam em nada que tenha no nome Sociedade, Justiça, Saúde, ou Governo. Ou simplesmente, qualquer coisa que ultrapasse o centímetro em volta da pelezinha amarelada e retesada que já não sorri de inocência há muito tempo. Então deprimem, descrentes do futuro, e enfrascam-se em ajuntamentos de álcool e medicação. Ou então não deprimem, mas enfrascam-se na mesma em ajuntamentos de álcool e medicação. E então deprimem. Enfim. A sociedade ocidentalizada como fonte de descrença e como meio de falecimento precoce.

Andam por aí esses descrentes. Descrentes do mundo, descrentes da sociedade, descrentes dos outros. Por isso, contam consigo mesmos, com a sua vontade própria, e com os troquitos que desviam aos sistemas comuns e ocidentalizados. Pois estes descrentes vão-se safando, porque contam com o seu individualismo e amor-próprio, e isto basta-lhes para seguir em frente. Mas depois há os outros. E os outros têm que se lhe diga. Não crêem no mundo, mas também o mundo que se lixe, é injusto e blá blá buah…. Não crêem na sociedade, que por si própria cria a injustiça. Não crêem no governo nem nas políticas, porque sabem que continua a ser parte da mesma merda. Não crêem nos outros, porque são uns egoístas e apenas vêem o que lhes interessa. Mas – e agora-algo-verdadeiramente-diferente – também não acreditam em si próprios.

E é assim que estes seres, a que chamamos de intimamente descrentes, vêem o mundo como o espaço e palco para escorregar, ouvindo de fundo a gargalhada afiada. Têm a audição apurada para qualquer crítica, e as mãos prontas para pegar na inchada e cavar bem fundo em presença de qualquer elogio. Ou então para ficar de mãos a abanar, porque o elogio decerto não era para eles, e também há sempre a sorte pelo meio. Estes seres sofrem por antecipação o que nunca era para chegar, mas que fazem por ir buscar e arrastar até onde se encontram. Estes seres não se cansam de se destruir e enganar a si próprios, até que seja demasiado tarde para um resgate possível. Estes seres escondem-se dentro de si próprios e tentam esquecer que o mundo lá fora também é palco para as suas vitórias. Porque estes seres não vêem as vitórias – tudo é e continuará a ser imperfeito. Estes seres não têm salvação, porque se recusam a salvar-se a si mesmos.

E é por isso que nós, os permanentemente insatisfeitos, estamos condenados ao fracasso. E à solidão.

 
(13.12.2007 21:59)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Bragança


“Quando decidimos a estrutura, decidimos a luz. Nos edifícios antigos as colunas eram uma expressão de luz, sem luz, luz, sem luz, luz, sem luz, percebe?” (Louis Kahn, 1901-1974)

Columba dançava.

Sobre as pedras negras e sujas da calçada, a luta não havia sido ainda consumida. Eram as asas estendidas a bater contra o chão, numa dança mole e desatinada – os últimos suspiros do vento no teu peito, quem sabe…
(Mole o teu corpo. Mole a tarde dourada, e o sol que escorria no horizonte. Moles as minhas entranhas a pensarem nas tuas, por certo atropeladas. Amolecidas.)

Não vi sangue nem tripas. Só o teu corpo amachucado num último arrastar. Num rodopio decrescente e finito. Pensei – Crua a luta em que sabemos já o fim, mas batemo-nos ainda desenfreadamente para morrer a tentar. Feroz o término não anunciado que espera nas esquinas mais douradas e nos voos mais livres. Bruta a mão alheia que manda mais que tu na tua própria vida. Como facas ao pescoço ou comida para servir quente, fria. Como as noites em branco das mães, e as manhãs pretas quando os filhos morrem primeiro. Quando a morte antecipa o tempo e apaga os voos.

Cruéis os finais sem Razão.

Mas devaneiam ainda as pombas sobre a calçada escura. Inconscientes da dança, correm o risco afinal. E quando caiem, cinzentas e esfaceladas, dançam até que a exaustão as consuma e as torne em pedras, negras e duras.
26Set07, 11Dez07

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Diz-me

Diz-me que tudo vai ficar bem. Que o mundo é como o imaginámos e tudo será certo quanto a chuva no Inverno e o sol no Verão.

Diz-me que o dia é para viver e a noite para sonhar, e que quando morremos a vida foi vivida e a noite sonhada.

Diz-me que é só da minha cabeça, e que estes bichos que me aparecem são pesadelos de menina assustada. Pesadelos sem tempo nem lugar – porque a noite é para sonhar e a vida para viver.

Diz-me que as coisas são simples, e que não há que pensar. E que quando escolhemos, escolhemos certo.

Diz-me que a paz chega quando somos livres, e que as angústias desaparecem quando fazemos o que sentimos. Quando sentimos o que fazemos.

Diz-me que o céu é azul e que apenas se encarniça ao final da tarde. Diz-me que morrerei de velha e que os filhos virão quando eu os quiser ter.

Diz-me que as coisas são como as queremos, e que aquilo que queremos é claro como um dia de sol, transparente como a água de um ribeiro.

Diz-me que quando crescemos, ainda vemos o mundo através dos olhos de um menino. E que mesmo que mintamos aos outros, nunca mentimos a nós próprios.

Diz-me que as dúvidas não existem – que são apenas bichos que inventamos. Porque a vida é simples e o caminho é só um.

Diz-me que não sou eu que escolho o caminho. Que temos um destino e não o pudemos mudar.

Diz-me que esse destino que me foi dado estava quebrado à partida. E que eu não o posso consertar.

Diz-me que a culpa é de Deus que nos espera na esquina. Ou do Diabo que se esconde por entre campos de Açucenas. Diz que não é nossa nem minha. Ou apenas que não é minha…

Diz-me que sou eu que tenho medo de tudo e de nada. Que sou eu que penso e invento. Que sou eu que complico, mas que afinal não é nada.

Diz-me o que quer que seja, mas sossega-me o espírito.

Pois se nada é certo neste mundo, como viver feliz sem ter a certeza de nada?

19.07.07; 30.09.07; 04.12.07

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ordinários

Soube o outro dia que o Vasco Pulido Valente e o Miguel Sousa Tavares [não sei porque não lhes hei-de chamar pelos nomes] andavam a esbofetear-se em praça pública (com a devida classe e fundamentação, claro!, não esperava outra coisa...). Foi uma tremenda desilusão.
Mas erro meu, está visto. Porque, na minha desadaptada ingenuidade, pensei que estas pessoas – que têm o privilégio de poder influenciar as massas – conseguissem escapar às malhas da vulgaridade.

terça-feira, novembro 27, 2007

Caixas e cordéis.

Não sei exactamente o dia em que me enchi de compromissos e obrigações para com os outros, Não sei exactamente o dia em que me pisei e disse Cala a boca e faz o que te dizem, Não sei exactamente o dia em que deixei que a minha opinião fosse engolida pela dos outros no espaço público, Não sei exactamente quando me encerrei dentro de mim e atei cordelinhos aos braços e os dei ao Destino – aquele que os outros podem decidir.

Não sei. Não me lembro. Talvez esteja desde sempre a lutar contra mim.

Mas eu sei o ciclo. É fácil e acessível. Apenas não é modificável. Começa por eu saber o que me faz feliz. Ok, é difícil e arriscado. Hipótese B: o que é que eu devo fazer? Aparecem as Boas Oportunidades. Não me enchem o peito de vontade-e-algo-mais-forte-que-esta-vida, mas são boas oportunidades e eu não as posso perder. Pressão pressão. Decidir. Ui! Arriscar Vs. Derrubar os pinos do caminho. Decidir decidir… ai… Nestas ocasiões é sempre mais fácil Fazer O Que Devo [as missivas aparecem em letra maiúscula na minha mente], que por acaso é igual à Hipótese B: “derrubar os pinos” – o que é bem mais fácil e não implica grande esforço. De mais a mais, A vontade não é mais importante que o dever (Até porque é a contrariar o Dever que eu ganho os remordimientos!). Derrubar os pinos então. Daqui a uns anitos estou despachada e posso já seguir a vontade. Certo?...

Que raça de momento aquele em que deixamos que o medo de perder supere o receio de arriscar… O teu amigo largou tudo e partiu à conquista do Mundo. E eu penso Quando terei eu coragem de ser livre?

Não sei. Sei que a Susana me deu uma caixinha para meter os sonhos, e por enquanto é por lá que eles vão ficar…

24Maio07, 27Nov07

Esclarecimento.

Gostava que a Maria Figueira (vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental) esclarecesse exactamente o que quer dizer quando diz que “há poucos psicólogos clínicos no País” (entrevista ao Destak, xx de Novembro de 2007).

segunda-feira, novembro 19, 2007

Manifesto.

As mulheres que gostam de olhar escancaradamente para as vidas dos outros, gosto de olhar escancaradamente para as figuras que fazem.

15 Nov 07

Ocasos

À hora a que vejo descer este sol iluminado, tenho por certo que quando se voltar a erguer alguém irá perder o autocarro para o trabalho, a carteira de cheques, ou a vida. Que alguém será atropelado num acaso, vitimado na estrada depois de uma manhã terna, desfigurado num acidente de trabalho.
Tenho por certo que uma criança perderá os pais, e que uns pais verão o seu filho morrer. Que muitas vidas se apagarão.
E tenho também certa a angústia de saber que, no entanto, nada posso fazer para que o sol não cruze o horizonte.

16 e 18 Nov 07

Momentos (II)

Agora substituíram o velho e literal caixote do lixo por um verdadeiro balde para lixo, com forma de cilindro branco e perfeito, e uma tampa que diz “papel aquí”. Papel aquí uma ova! E a saqueta de chá?! Mania de disfarçarem as coisas…

21 Nov 2007

Momentos (I)

Adoro o momento em que a saqueta de chá cai vertiginosamente no seio do lixo enorme, e esmaga alguma das porcarias que por lá se encontram.

15 Nov 07

A questão por detrás.

¿Por que insistes en decir esas verdades?

terça-feira, novembro 13, 2007

Psiquiatria Mulheres.

        
Elas gritam
Choram
Correm desgrenhadas,
E arranham a terra com as unhas compridas dos pés.

Elas sentam-se calmamente
Enquanto a loucura as consome.

Elas puxam os cabelos,
Arrastam o corpo pelo soalho dorido
E espezinham esse chão que se cansa de as ver passar.

Elas ferem por vaidade
E matam por orgulho ferido.

Elas agarram os filhos ao peito
E os homens ao corpo.

Elas amam desesperadamente
E morrem sem serem verdadeiramente
Amadas.

Elas queixam-se por viverem únicas.
Choram por viverem sós.
E bradam essa vida perdida.

They are women. They are crazy.

Does that make them sick?

                 

segunda-feira, outubro 29, 2007

Onde Judas deixou as botas.

Mas afinal… não encontraram as botas ou não encontraram Judas?

(já me veio à cabeça mais que uma vez esta questão, à qual é fulcral dar resposta para depois não ficarmos na dúvida cada vez que vemos a não-referida publicidade)

Vender maçãs

Eu: Tem maçã reineta?
Ela: Não… Mas olhe que se é por causa dos diabetes qualquer maçã dá!
(note-se a forma simples como ela contornou a questão de não ter reinetas... Eu tentei notar nessa forma simples, mas também não consegui. Fiquei logo esmagada por aquela desconcertante capacidade de adivinhação...)
Eu: Mas eu prefiro maçã reineta…
Ela: Mas também tenho bravo esmolfe, não quer?
(note-se o perfeito ignorar dos termos "Eu prefiro".)
Eu: Não, obrigado. É que para assar é melhor a reineta.
Ela: Ah, então…
(note-se como a minha sugestão culinária a deixou então sem argumentos...)

(Porque é que não podemos simplesmente comprar maçãs?)

segunda-feira, outubro 15, 2007

Punhos cerrados

Não sou perfeita não. Ou pelo menos não faço sempre como gostaria de fazer. Se damos um passo em falso, um passo a mais, erramos. E depois? Somos humanos, #$§&@#! O problema surge quando esse passo é dado diante de um abismo…

Há coisas no passado que nos perseguem… coisas que fizemos e que não poderemos nunca mudar. Coisas que nos acorrentam e angustiam… e consomem… Porque as fizemos. Porque não as deixámos de fazer.

Por isso controlem-se, expludam para dentro, morram de contenção, enlouqueçam. Mas não exteriorizem. Afinal, porque deixar os outros ver-nos na merda, a perder o balanço, desvairados?

“Sou rei das palavras que guardo comigo, e escravo daquelas que deixo escapar”. Acima de tudo, encerrem nos vossos punhos os murros enlouquecidos. Decerto viverão muito melhor e parecerão aos outros muito mais felizes. Perfeitos, talvez.

:/

(Pois não é nesta aparente aparência que se baseia a mórbida inveja alheia... de quem não se dá ao trabalho de conhecer o que ficou encerrado?)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Instruções para curar uma Depressão.

Ler um livro de Julio Cortázar.

Instruções para ler um Livro de Julio Cortázar.

Entrar num café repleto de gente, num desses Largos da Baixa de qualquer Cidade. Sentar-se numa mesa estrategicamente colocada onde possamos estar no centro das vias de comunicação. Deixar-se impregnar profundamente de todos os pedidos e de todo o barulho que nos cerca. Depois de alguns instantes sem destrinçar frases perfeitas, ouvir atenciosamente cada nota do barulho ou cada anotar do empregado.
Abrir o Livro e pousá-lo no rebordo da mesa mais perto de nós. Segurar com uma mão ambas as páginas que, por forças desconhecidas da Natureza, tentam encerrar só consigo as palavras mágicas. Prestar atenção a todo o barulho em volta e no quão difícil seria fazer uma leitura descansada, se porventura nos apetecesse ler um livro no meio de um café da Baixa.
Então, desligar de tudo o resto, pois a História falará por si: “Há anos que trabalho na Unesco (…) e ainda conservo (…) uma notável capacidade de abstracção.”

VER & LER Júlio Cortázar (1973). Histórias de famas e de cronópios. Editorial Estampa.

O Ciclo Mediático (I)

Santana Lopes abandona entrevista em primeira-mão. Sobejam já os vídeos na Internet, os comentários nos jornais, as fotos na primeira página. As palavras de Santana Lopes recusaram-se a serem interrompidas pela Notícia-Especial-e-em-Directo de que um treinador de futebol acabara de chegar ao aeroporto de Lisboa.
Pensei eu que realmente é preciso ter tomates para decidir reclamar em directo. Sim senhor, Pedro Santana Lopes. Continue assim. Já toda a gente o conhece. Pode ser que agora passem a admirá-lo por simplesmente decidir não ser hipócrita.

A manchete correu o país. Ainda não sei de opiniões mas calculo que nos próximos dias tenhamos notícias dos partidários e os vejamos defender a sua ideia num apaixonado Prós e Contras. Mais, tenho por certo que, após o primeiro choque atarantado dos nossos agentes informativos, uma outra entrevista terá sido imediatamente interrompida para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Santana decidiu interromper a entrevista.

O Ciclo Mediático (II) ou A Outra Entrevista Voluntária e Inesperadamente Interrompida

Notícia-Especial-e-em-Directo:
José Mourinho recusa-se a continuar entrevista à porta de sua casa após a inesperada interrupção para noticiar Em-Directo-Especialíssimo que o Sr. Pedro Santana Lopes decidiu interromper a entrevista.

Alpha beta Dog's death

Eu sonhei que o meu irmão amigo me abria a porta e que, como tudo o que de rompante dá voltas à nossa vida, eu era raptado pelos amigos dele. Tinha 15 anos – o corpo nos plenos sentidos. Foram os melhores dias da minha vida. Vivi tudo intensamente. Conheci miúdas, fumei erva, bebi a goles.
Experimentei tudo o que há para ver, fazer e sentir. Só não me lembro de ter acordado.

P.s.: Fiesta!, até morrer.
06.09.2007


A verdadeira decadência humana

Não sei se hei-de começar pelas provas que nunca são exactas, se pelas lágrimas dos arguidos ou pelas crenças do povinho.

Não sei se hei-de invocar uma Joana sorridente e estraçalhada, se uma Maddie desaparecida por culpados a decapitar…

Nem sei se a minha intuição vale de algo, ou se é apenas uma esperança de que este mundo não seja a merda que tenho medo que seja.
Não sei se me assuste com o que as pessoas fazem, se com o que elas julgam ser possível fazer.
Não sei se ainda há escrúpulos neste mundo, ou se decisões mais simples a tomar.
Não sei se há muitos Johnnies Truelove por aí, ou se eu sou apenas o puto de 15 anos que nem fugiu dos carrascos e acreditou que as mordaças eram postas por quem não lhe faria “nunca nunca nunca” mal algum…

Talvez o destino um dia me leve para um beco e me rasgue como papel cor-de rosa.
Talvez eu pense que as manchas encarniçadas são apenas beijinhos estonteantes, já que a minha cabeça está tonta…
…e o carrasco impiedoso. - Talvez me aperceba tarde de mais. Mas pergunto-me se o destino demoraria mais tempo a chegar se eu começasse a acreditar que este mundo não tem salvação?

Setembro 2007

quarta-feira, setembro 19, 2007

Recomeço após as férias.

Palpita-me nos dedos o coração das teclas.
Sinto falta das letras em formato informático, pensamentos pixelizados. Olhos do Mundo.

Talvez a minha vontade esteja para regressar, com o tempo que me escapa pelos dedos palpitantes.

Talvez. Talvez o desânimo com a vida também esteja pronto para ser escrito.

terça-feira, maio 22, 2007

Café e ginjas

Não sei se o café é uma droga mas deve ser pois sempre que o tomo o mundo parece mais eléctrico e rápido. Mas também deve ser de mim, que o vejo mais eléctrico e rápido.

Não sei se a minha vida é um café que vejo numa chávena lá o fundo e parece bem negra, mas não deve ser porque esse oiro negro sabe a ginjas amargas e sabe bem. Se calhar é isso, eu é que gosto das coisas amargas – como o chocolate preto – e se não são amargas eu torno-as amargas só para ter esse sabor, amargo. Quem sabe se já não me habituei ao sabor – amargo – das coisas e agora quando o sol brilha e as tuas palavras são doces até já custa. Como os elogios que recebo e dos quais me desvio, só porque não sei como recebê-los sem caírem mal encima de mim.
E é tão bom recebermos um elogio. Até o sangue corre mais rápido e brinca nas veias e artérias, e quer vir ao de cima ver essa pessoa, aquela que disse o que disse e que nos fez cambalear e pôs o sangue a saltar. E como tudo quer ver, ficamos rosadinhos de tanto sangue que quer espreitar.

Não sei se estas palavras são mesmo a minha vida ou o que sinto, ou o que não sinto. Não sei. Mas devem aparecer aqui encima porque o café estava bem negro e amargo, e caiu-me que nem ginjas no estômago - como um elogio que cambaleia na minha cabeça - e pôs o sangue a brincar.

15:03 22.05.2007

sexta-feira, maio 04, 2007

Contra-corrente

Eu sei que temos a escolha entre largar o rabinho no meio do chão... ou erguermo-nos de peito contra o destino.

Mas...
E se às vezes precisarmos mesmo de nos deixar cair no fundo do poço... para nos fartarmos de tanta escuridão?
E se às vezes precisarmos mesmo de fazer da vida uma catástrofe... para ver o quanto tudo é relativo, e nada o que parece?

Às vezes (muitas vezes...), apetece-me ficar só só comigo. E cansar-me dessa solidão.

16:19 04.05.2007

terça-feira, abril 10, 2007

Oh Glória, O que é que tu achas do Céu?


O outro dia a minha mãe disse-me Eu gosto muito de vocês, mas quando a morte estiver perto sei que me vou sentir muito indecisa… – por um lado estarão vocês, mas do outro está o meu pai e os meus tios, de quem tenho tantas saudades...

Que Fé é essa que levas contigo e que não te deixa desesperar mesmo nos tempos mais carrascos? Que esperança é essa que carregas no Peito e que não te deixa recear o Fim de tudo?
Às vezes penso que a Esperança de que um Pai-maior-que-tudo existe é simplesmente perfeita para o nosso medo primitivo de solidão. Este Pai acompanha-nos mesmo nas horas mais escuras, nas dores mais pesadas, nas lágrimas mais fundas. Este Pai promete-nos um Céu para as nossas boas acções, faz com que a nossa vida tenha um sentido, e que a nossa existência não acabe num simples último suspiro. Este Pai promete-nos a Eternidade. E uma recompensa para os sofrimentos que aqui, neste mundo real, passamos.

Às vezes penso quão perfeito é acreditar Nele durante a vida e que apenas a carne se extingue no momento da Morte. Pois, se quando morrermos a Terra for só terra e o nosso Corpo e Alma somente pó, que memória consumida estará lá para nos revelar que o resto não existe?

          

quinta-feira, abril 05, 2007

São homens, meu Senhor, são homens...


     

(...) Hoje para eles sou Rei. Amanhã o que serei?

Aquele que Ressuscitou na Mente daqueles que nele acreditaram.


             

quinta-feira, março 22, 2007

Meninos de Sangue

Habituation has usually meant diminutions of normal neural responses, for example, decreases of sensation such as pain” (Mazess, 1975) usually as a result of “repetition of a stimulus” (In Wikipedia, 21 de Março 2007).

Ontem a minha irmã deixou-me sobre a colcha um pequeno recorte de jornal. “Um rapaz de 8 anos matou um menino de 3 no Pará, Brasil. O rapaz atraiu o colega para um descampado, deu-lhe uma pancada mortal na cabeça, violou-o e decapitou-o. O rapaz foi apanhado com a faca de crime na mão e confessou tudo, com uma frieza que chocou as autoridades.” (In Metro, 20 de Março, 2007).

E sabem o que mais me chocou ao ler esta notícia? [Num mundo onde vivemos todos os dias com violência e programas de treino em jogos de vídeo,] simplesmente, não me chocou…

21&22Março2007 - 10 e picos (ou 10 e facas? :/)

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Afinal, quem é que ganhou?

Custou-me
como a quem custa engolir em aperto,
vestir roupa que não serve,
ou mesmo ter que dizer Não.

Custou-me
Aquela cruz
como um X e um alvo,
como uma marca qualquer.

Custou-me
Aquela resposta insípida,
aquele movimento bruto
como quem deixa de ser menina
- como quem cresce e se apercebe
que a vida não pode ser sonhada,
e que boas intenções não bastam alheias, quanto mais somente intenções

Custou-me
- como angústia cá dentro -
Esta liberdade
E este direito.
(Irónico, não?)
Custou-me decidir por cima do que é certo
(- o que é que é certo? -)
Só para que ela pudesse escolher.
Custou-me.
Porque és tu que sais morto,
E sem ninguém para culpar
(isto das culpas…)

Quem te vai defender
A ti a ao teu sorriso de Menino,
Gaiato perdido?
Quem te vai defender
quando a tua vida estiver por um fio
Por um Sim
Ou por outra vida?

Ninguém.
Como o Outro que voltou
E já não era.
Ou o Outro que era
E deixou de ser....
(E tu? Eras, ou nunca foste?)

Custou-me.
Mas a isto chama-se liberdade
- a minha e a d’ela.
A tua
fica por acontecer.

Custou-me a mim a decisão.
E a ti,
Custou a Vida.

11.02.2007 18:18 23:27

terça-feira, janeiro 30, 2007

Nós Desconhecidos

Sou daquelas que acredita que se nos lembrássemos dos primeiros momentos da nossa vinda ao mundo, andávamos para aí ainda meio esgrouviados, só com o choque da primeira vez… Não que tivéssemos consciência das coisas, mas elas podiam marcar-nos cá dentro, sem que disso déssemos conta. ( - e então nunca mais quiséssemos enfiar a cabeça numa coisa daquelas!...).
Digo que se tivéssemos estruturas na altura com capacidade para reter aqueles momentos… o que seria de nós hoje! ;)

É fantástico talvez pensar que tanto do que vemos – ou vimos –, apesar de não lembrarmos, continua lá. E que pode em tanto influenciar o que somos e o que fazemos.
Não quero ser linear, nem dizer que somos determinados pelo meio. Não. O meio é construído por nós. A única coisas que distingo aqui é que essa construção pode ser tanto explícita e consciente, como implícita e inconsciente. Porque também temos um Eu que desconhecemos e que afinal até explica – mesmo sem sabermos direito… – porque reagimos assim daquela tal vez, ou porque chorámos naquela palavra, ou porque…
Dizem (queria dar uma referência, mas não fui exaustiva…) que a redundância é que dá sentido às coisas, e que a aprendizagem se faz sobre a repetição. Mas o mundo é tão vasto e é tanta a informação que nos persegue, que nem sempre conseguimos ter mão em tudo. E é então que entram em marcha os outros bichinhos… aqueles a quem nem pedimos ajuda, mas que nos guardam o guarda-chuva quando nem nos lembramos que o deixámos para trás.

A única coisa no meio disto… é que o que tem de bom, também pode ter de mau… e às vezes quem dá a chapada na amiga não foi o Eu que perdoou, mas aquele que guardou as coisas…

30.01.2007 15:40

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Ela canta, pobre ceifeira

Estou farta de me queixar!

E se eu simplesmente não pensasse?

Um conselho? (para mim ou para ti?)
“Go confidently in the direction of your dreams. Live the life you have imagined.” (Henry David Thoreau)

E é não pensar mais nisso.

12:53 11.01.2007

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Mudanças

Como tudo na vida, o que custa é mudar. Depois é deixar ir no embalo.

E como Ano Novo, Vida Nova, talvez seja tempo de eu mudar também. Pelo menos a forma como olho para as coisas, ou a forma como olho para a forma como olho as coisas... ;)

Pelo menos, também mudar um pouco o formato do Blog... estou a pensar torná-lo mais... mais... mais... instrutivo??? Vamos a ver, vamos a ver! (como diz o meu primito David ;)* )

Bom Ano! :)

Febre

[O outro dia descobri um texto que lá tinha no meio da minha desarrumação... e lembrei-me como adorava aquela febre...]

Lembro-me do escuro à volta, e das fórmulas na frente, como se tudo fosse fácil e tivesse um só caminho. Ou muitos, mas definidos nos números finitos da matemática – até o infinito se encerra sobre si.
Lembro-me da cabeça a arder em febre e do teste no dia seguinte. E, ali, parecia que era só eu e aquele livro e aquela luz.
Quando tudo parecia fácil. Quando tudo era fácil e as coisas a aprender termináveis.

Não sei porquê, estudar com febre foi sempre um acaso favorito. Talvez porque aí o mundo parecesse tão circunscrito, e a vontade – de fazer outra coisa qualquer – pesada e distante. Então, enrolada sobre mim naquele sofá, eram equações e rectas e funções. E o mundo das pessoas consumia-se no calor da febre, no escuro da sala para além da luz.

Depois, a minha mãe chamava para jantar, e era pescada cozida com batata cenoura couve e azeite, e a luz branca daquela cozinha despertava para o lar que conhecia.

Agora já não há febre nem ardor. Só cansaço. Já não há peixe na cozinha à espera, nem a brancura de um lar onde somos crianças e tudo parece perfeito.

Há a distância de 35 minutos curtos e infindáveis para uma terra que nunca acolhi. E a distância que cresce nessa linha de ferro, nesses montes intermináveis e indiferentes.
Mamã, onde estás tu Mamã?... Quando te afasto e resmungo, somente porque me acometi à impaciência. Somente porque te adoro e não sei mostrar…

Queima-me esta febre, este egocentrismo, e esta desistência.
Queima-se o passado que não volta, mesmo quando agora a febre aparece...
pois já só é para consumir mais um pedaço de mim.

17:41 19:55
22 Outubro 2006

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Disparates disparados...

Bem, alguém me lançou um desafio e eu ainda não fiz.. ups! ;)
Só pa dizer q eu conto as minhas manias! (sim, eu gosto de contar e de fazer de ridícula.. :P) mas não vou perpetuar o ritual. Isto é, não vou desafiar ninguém ou nomear sucessores, visto que isso quase me parece aqueles intermináveis emails que volta e meia se mandam "Manda isto a 294 pessoas senão morres amanhã." Olha, se morrer aposto que não foi o senhor do blog que se vingou! Ou até foi... e não foi afinal a tal alma penada que vive de bits e de bytes (se é que se pode perceber "dentadas" nos orçamentos nem sei de quem... - bites=dentadas)...
Nada contra ti minha linda, mas estas coisas em cadeia têm muito que se lhe diga. E eu resolvi fazer birra. Pronto. E como diz a outra, "I have the right to be wrong".

Hoje faço o que me apetecer. Inclusivé disparates. (Esquece...)
Beijão pa ti;) E até Fevereiro;*

19:11 06.12.2006

sexta-feira, novembro 24, 2006

(H)Our (of) [Self-] Destruction II

É irónico saber que para além de toda a destruição psicológica a que nos acometemos, o nosso próprio organismo – orientado para a sobrevivência – é capaz de se auto-comandar para a destruição.
Existe um conjunto de doenças denominadas de auto-imunes, mas recentemente fiquei sensibilizada para a síndrome de Guillain-Barré. Parece uma coisa simples e inofensiva talvez, mas uma pessoa pode morrer. Ponto. Tudo porque o sistema imunitário do próprio decide sinalizar como inimigo as suas próprias células, como resposta a um ataque exterior agudo. Ora, visto que em questão está a mielina em torno dos nervos periféricos (incorporados no Sistema Nervoso Autónomo) bem como esses mesmos nervos, todas aquelas funções automáticas (que muitas vezes nem damos conta que existem) são postas em causa e de um momento para o outro o nosso coração pode parar.
Para mim, o trágico é pensar que não é nada de fora que me destrói, como um monstro qualquer, uma bactéria talvez, ou um vírus horripilante. Não, somos nós. Nós próprios. E quando é assim, quando temos amigos destes, inimigos para quê?...
2006-11-24, 0:03

Correr é superar

Dizem que devemos lutar todos os dias – lutar contra o mundo, contra os outros e contra os que existem cá dentro.
Luta para nos erguermos novamente, por mais que um mundo nos caia encima. Não parar de lutar.

Eu sei, eu sei… Só que eu nunca fui muito de lutar. Sempre preferi resistir.
Naquela pista e naqueles anéis eu preferia correr para sempre, a correr contra os outros. Talvez porque soubesse, ou acreditasse…, que correr contra os outros não valia a pena….
Então, só correr. No games, just sport.

Gostava de sentir todo o cansaço até não poder mais, de saborear na garganta o esforço, de sentir os músculos presos… e resistir resistir sempre. Até que aquilo se tornasse andamento, que fosse força de hábito e prosseguisse sem mim.
E então, naquela última volta, dar tudo! Não sei, mas sempre me pareceu que nesse momento iria voar, tanto que o mais difícil era parar.

[Correr por paixão. Sentir esse vento na face, e nos cabelos atados fio a fio como o fio da meada que não perdemos na vida… Passo atrás de Paço, e passada na corrente da ponte metálica. E saber que o Rio corre também, connosco.
(A propósito dessa Ponte: tive pena que o trabalho adiado fosse barreira para não saltar… Tive pena que os passos corridos desse dia não fossem juntos com outros, e com o cansaço que nos faz viver. Tive pena… :/ )]

Eu sei, também sei que me perguntam: Correr porquê?
Mas eu sei. Todos os dias da minha vida parece que me arrasto, que tudo quanto faço é incompleto e que podia dar tanto mais… Pareço que não me empenho, que as coisas saem sem jeito – sem ordem nem paixão. Mas quando corro, quando corro o sabor torna-se outro. Porque corro corro corro. Corro até mais não (Ok, podia correr mais meia hora – porque podemos correr sempre mais – mas foi aquele tempo que eu marquei, e sei que o consigo levar até ao fim…).
Ali o esforço é físico, mas aqui… Aqui as coisas são sem meta. E acho que resistir aqui é trabalho de muita concentração. Que pena quando nós próprios somos a nossa derrota, e quando nos acometemos à derrota muito antes de entrar em campo. Como dizia o outro, Falhar na preparação é preparar-se para falhar… Que pena quando não acreditamos em Tudo o que temos cá dentro. Que pena quando interiorizamos as merdas a que os outros nos acometem… e como depois passamos a fazê-lo sozinhos, como meninos bem-ensinados…

Eu quando corro sei porque corro – porque sou livre e corro até ao fim, até cansar todo este cansaço… Até me sentir viva e o coração bombear forte.
Eu quando corro sei que não posso dar mais – porque não temos asas e não podemos voar.
Então, correr é chegar à meta a que nos propusemos, e superar os nossos limites. Ao menos que fosse assim em tudo o resto na minha vida…

15:47 10.10.2006

terça-feira, outubro 17, 2006

(H)our (of) destruction

(...)todos os corpos são "preguiçosos" e não desejam modificar seu estado de movimento: se estão em movimento, querem continuar em movimento; se estão parados, não desejam mover-se. Essa "preguiça" é chamada pelos físicos de Inércia e é característica de todos os corpos dotados de massa. (Wikipédia)

Há uma letra cantada pelo Ronan Keating de que gosto muito. Fala das escolhas que podemos fazer. Fala de desistir e voltar a tentar. Fala de tudo o que está à nossa volta e que nós não escutamos ou deixamos passar. Fala do que não queremos ver quando temos raiva do mundo e é essa a nossa escolha - achar nele desculpas para não voltar a tentar.
E fala da esperança que não podemos perder - da minha e da tua.
When you get the choice to sit it out or dance...

Há noites em que o escuro sopra aqui na minha face e eu não páro, ou não (re)começo. Em que tudo é inércia por preguiça de mudar talvez... por arrastar e deixar que tudo continue como estava.
Pergunto-me porque temos momentos em que simplesmente nos deixamos destruir, e em que o corpo é mais pesado que a vontade...
Pergunto-me o que sei que não tem nunca resposta definitiva. Que não tem nem resposta única. E ter que lutar contra isto a todo instante, contra esta inconsciência de não mudar nada - porque é sempre mais fácil manter as coisas... - cansa...
Cansa este receio não sei do quê. Talvez de nos confrontarmos connosco mesmos e com a nossa incapacidade de realmente ir ao encontro daquilo que queríamos.
É sempre tão mais fácil não pensar, não questionar... não querer saber. Deixarmo-nos arrastar nos momentos, nos lugares. Não mudar o caminho, enfiarmo-nos no mesmo autocarro de sempre e deixar que nos levem.
É sempre tão mais fácil dormir. Ou ficar sentado sem consciência em frente a uma TV que nos mostra outra vida qualquer que não a nossa. A nossa enfadonha vida nossa de que não nos cansamos (como cansar, se não implica esforço? :/)...
Como esta falta de luta, esta preguiça aprendida, este conforto arrepiante de não mexermos uma palha! esta vontade (... que raio de vontade...) de não levantar, de permanecer sentado a ver passar... como nos destrói e limita. E como é horrível ver assim o tempo. E o vazio.

So, i really really hope... I hope that When you get the choice to sit it out or dance...

I hope you dance.

15:36 17.10.2006

quinta-feira, setembro 28, 2006

Tenho a cabeça um estoiro...

Porquê porquê porquê?
Há tantas coisas que hão-de ficar sem resposta. Tantas coisas que nunca poderemos mudar, porque foi assim que aconteceram. Tantas coisas - que nem sabemos bem porquê -mas aconteceram...
O pior é que eu pensava que aprendíamos. Não digo para sempre - não, já não digo. Só digo aprender um pouco melhor. E ao menos o mesmo erro não voltar a cometer.
Fazer as coisas com o nosso maior esforço, para ganhar mesmo! E não somente para despachar... :/
Dizem que o Mourinho é um arrogante. Porquê? Acho que no fundo não estamos habituados alguém a ter amor próprio quando é realmente bom naquilo que faz. Chamem-lhe o que quiserem, pois eu cá admiro-o. E sabem porquê? Porque ele é egoísta quando pensa no que deve fazer. Não está cá com cedências! Quando queremos uma coisa bem feita temos mesmo que cagar (desculpem o termo mas é mesmo assim) para o resto. Temos que nos meter de corpo inteiro naquilo! Ou então digam adeus. Porque se não for para ganhar... não vale mesmo a pena aquele tempo que ali empregamos. Aquele tempo sem sabor nem paixão...
Ou amamos e damos tudo, ou então esqueçam. Como dizia mais ou menos o outro, coisas mornas não aquecem nem arrefecem... :/
Por isso, se querem um conselho, apaixonem-se em cada instante pelo que fazem, e dêem tudo o que podem dar. O resto haverá tempo para ele, mais tarde. Ao contrário, haverá sempre o peso na consciência do que não cumprimos, e esse resto não vai saber a nada. Insonso talvez... coisa morna.

E porquê porquê porquê...
Há respostas que nunca terei. Só dúvidas nesse maldito para sempre que só acaba numa cova ou, na melhor das hipótese, num oceano imenso... Há coisas que nunca saberei. Acho que vou ter que me perdoar e aceitar as consequências. Mas é difícil!:/
Acho... E então, depois de me empenhar para ganhar esse perdão e resolver comigo essa mágoa, então sim seguir para o resto.
Então sim, seguir em frente.

12:44 28/09/2006

segunda-feira, setembro 04, 2006

Se ensinar é dar para sempre...

Todos as noites quando me deito, acredito sempre que o amanhã será melhor. Que tudo o que eu prometi hoje... a mim mesma... e não fiz... amanhã será diferente. Amanhã será possível...
Jà houve tempos em que deixei de acreditar.
Eu sei que sempre que prometo... é só mais uma desilusão que dou a mim mesma. Por isso, prometer era apenas mais uma daquelas frase que se dizem, tipo "Bom dia" e "Tudo bem?" e que não esperam resposta.
Só ilusão de rotina...
Mas o que mais me magoa nisto tudo nem é eu prometer e dar palavras ocas a mim mesma. O que mais me magoa é não conseguir sair dessa rotina, mesmo quando acho que finalmente aprendi.
Todas as vezes que bato no fundo, que me enrolo contra o chão frio, que choro perdida (ou nem choro porque já nem consigo chorar...), todas as vezes que cansada me deixo arrastar, que desepero e me enfureço e grito contra mim e quase que me apetece...! todas essas vezes eu prometo que vai ser diferente. Que amanhã não vou fazer o mesmo, porque não quero sentir tudo outra vez, Não quero!
E então acho que foi desta que aprendi!...
Mas então levanto-me, e há os "bons dias" pelo meio... e eu sei que as promessas têm muito que se lhe diga, e que o sol corre e o tempo passa. E que eu fico perdida no meio.
E então vejo que ainda não aprendi...

Eu sei, eu sei que temos que lutar todos os dias; prometer e voltar a prometer, e voltar e voltar... até nos convencermos que é uma promessa mesmo. E que as promessas são para serem cumpridas. Ou então não devemos prometer.
Eu sei.. E sei que não posso deixar de acreditar. Ainda que eu o Mundo e o Tempo andemos à paródia num jogo de estalada...
Ainda há-de vir aquele abraço... nem que no dia em que a Terra me abrace primeiro...
Eu sei que o Tempo não desiste de mim, e que me tenta ensinar todos os dias.
Quem sabe se afinal já não aprendi...
Tudo na vida precisa de ser rodado e usado para não ser esquecido, para não enferrujar... E aprender é lutar todos os dias, em cada instante. Levantarmo-nos outra e outra vez, por mais quedas que demos...
Por mais que nos pisemos a nós, é mudar as coisas e reencaixá-las.
É pintar tudo de novo outra vez.

E acredito que é nesta luta que nos construímos. E que a vida se torna mais que um mero recolher de aprendizagens que inscrevemos e praticamos...
automaticamente.

Afinal, o que seria de nós...
... se aprender fosse receber para sempre?

4.09.2006 19h (e um conjunto de instantes)

terça-feira, agosto 29, 2006

(Não tenho tempo - bolas e o Tempo! - para títulos...sorry...)

Por acaso.. ( isto do acaso tem muito que se lhe diga.. mas eu acredito piamente nele! E isso das coincidências é que dá a magia à coisa! ;) também dava pa escrever mangas e perneiras com isto! mas fica pa ota vez ;) )…
Bem, recomeçando (... é sempre tão bonito recomeçar... :) afinal... a esperança é a última coisa a morrer! E sabem porquê? Porque quando ela morre não adianta continuarmos…)…
O que eu ía dizer (mas já não vou.. vou?) é que quando estava a escrever o texto anterior (aqui no blog..) me veio à cabeça… me veio à cabeça… Ups… esqueci-me…

Bem, pronto ok, agora também tenho que ir fazer outra coisa qualquer! (que por acaso já devia ‘tar a fazer!) ;P)

(Só para dizer que teoricamente temos tempo para fazer tudo aquilo que delineamos para fazer. O problema é a que a vida é cheia de coisas, e não se limita às exigências ou às estruturações de uma lista pré-definida (ainda bem! mas sempre ainda bem?...) E, por isso, aparece sempre qualquer outra coisa pelo caminho. E depois, realmente, não sobra tempo para tudo… é a vida!... e não é fantástica? :) NÃO! )

29.06.2006 12:26

As coisas são o que Nós Sentimos que elas São...

Bem, já que não tenho (sen)tido muito tempo para escrever (a não ser umas pausas que nem devia fazer...)( o Sr.Alberto Caeiro havia de me dar na cabeça havia... :/ ), aqui fica um poema para quem andar a sentir a cabeça a latejar... É que vale sempre a pena respirar fundo... (ou só respirar)... e ver o mundo de outra perspectiva... ;)

"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz
."

(do grande, complexo e desmesuradamente simples... Alberto Caeiro :) )

29.06.2006 10:29

segunda-feira, julho 24, 2006

ok, actualizo...

Do que sentes falta quando sentes falta de alguém?

terça-feira, julho 18, 2006

Não há pessoas impecáveis.

(Toda a gente já sabia, certo?)

terça-feira, julho 11, 2006

Diz a minha mãe...

Luta. E é isso mesmo!
Porque ninguém luta por nós.

19.52 11.07.2006

sexta-feira, julho 07, 2006

hey psst...

Porque raio de piiiiiiiii é que temos que viver no mundo das outras pessoas?

quinta-feira, junho 29, 2006

Do que é que sentes falta quando sentes falta?

Gelados e outros afins

Pois é. Que bom o verão. Altura em que apetece aqueles geladinhos cheios de chocolate! Os Magnum, por exemplo, para mim são os melhores. Dentro do que a Olá oferece… talvez o de amêndoas seja mesmo o melhor. Mas o de caramelo!... o caramelo é outra coisa.. ou o de morango! a melhor tentação! Mas o Corneto de nata também tem que se lhe diga. Embora seja um pouco simples.
Bem, perante isto tudo, quando chego àquele placardzito... fico sempre na dúvida – qual é que me vai saber melhor? Naquele momento, naquele instante? Sim. Qual é o melhor deles todos? Qual é aquele que, se eu fechar os olhos, me aparece no pensamento como que a dizer Sou Eu, Escolhe-me a mim. Eh pá! (esse gelado já nem tanto…lol) Eu ouvir, oiço... Agora ver… e escolher…
Fico a pensar em cada um, a ver os prós e os contras, a associar emoções e gelados, qual é o mais perfeito, etc etc. Eu bem sei… É que depois escolho e aparece-me logo aquele pensamento simpático a rondar – Devia ter escolhido o outro [sempre o outro… independentemente de qual for…], mas agora já é tarde. E pronto, lá arruíno o momento… E da próxima vez lá me ponho eu em frente ao placard, com a acumulação do medo do que aconteceu na vez anterior…
Mas é sempre assim. Pronto. E depois ponho-me a pensar que desta vez é que é – Hoje, hoje é que vai ser! Vou-me sentar naquela esplanada e vou comer um gelado! E vai-me saber mesmo bem. Afinal, ora bolas!, já andei a semana toda a adiar! Vou comer um gelado! Já está mais que na altura. Que mania de andar a adiar! Vou comer e pronto. Um gelado. O melhor!
E esta procura indefinida é que dá cabo de mim…

28.06.2006 23:28

quinta-feira, junho 22, 2006

um Nome para as coisas?

Então perguntou a si mesma Quem és tu? Tudo
quanto tinha sonhado ficou pelo chão
nUma só palavra.

Quem és
Essa que se acomete a um canto à espera? Essa carinha de anjo não engana
Ninguém.
O mundo tem demasiado com que se preocupar do que ir levantar
os que caiem pelo caminho.

Vítima. Como te tornaste em tudo aquilo que não querias ser.
E em cada grito em que
O negavas, te traías a ti própria. Com um beijo.

Não, não o conheço. Não sei quem é Esse de quem falam.
Eu não sou assim. (Não?)

Um beijo de misericórdia. Por uma lágrima de crocodilo.
A consciência a consciência… Ela canta Pobre ceifeira… Rica talvez.
Pelo que não tem.

Somos o que é consciente ou o que é inconsciente.. também?
Foi o Parvo que entrou no céu. Porquê?
Temos desculpa para o que somos? E culpa… pelo que somos?
(Ou Simplesmente ficamos num canto à espera que nos digam que
Não, não és nada má pessoa! ?...)

Mea Culpa…Mea culpa... (Palavras no vento?)

Menina perdida Quando queres tudo. Os caminhos
Tantos. Há um certo? (Há??)

Nem sabes o que ser. Só o que não queres. (Sabes?)
Mas é irónico pensar que
Quanto mais foges, mais te embrenhas no mato
Mais foges e te perdes.

E o único destino Para que corres
É o único que
Não querias.

Mas no fundo (do bosque o destino)
O único que conheces…

21.06.2006 22:59

segunda-feira, junho 19, 2006

terça-feira, junho 06, 2006

Só me apetecia... :/

Porque é que o mundo não é da cor que sonhámos para ele?
E, se é possível que seja, porque é que nos mandam à chapada a cor com que os outros o pintam?...

Onde está o Wally? (part II)

Well.. in what was I thinking?.. ya, in what was I thinking…

I guess I was thinking – and hoping… – that the world is not the shit that it seems to be.
I guess I was thinking that long time ago I must have did something wrong, and missed the way…

I was thinking that people are sometimes so unfair that it really really hurts… ‘cause it was suppose we all to be brothers and sisters, wright? Am I wrong? Am I that wrong?... Sorry… I guess I was thinking… dreaming maybe.

I think it’s time for me to wake up…

terça-feira, maio 23, 2006

Onde está o Wally?

Eu tinha uns daqueles livritos quando era mais miúda, em que tínhamos que procurar (e supostamente também encontrar…) um sujeitinho de barrete, sempre com a mesma roupa e óculos. Era um sujeito viajado, e por isso devia pensar que já conhecia muito do mundo. Talvez por isso mantivesse sempre aquela cara de parvo, como se tivesse o direito e o estatuto para não a ter que mudar. Acho que a única sorte dele era não ter que falar, pois nessa altura talvez nos apercebêssemos que, apesar de já ter dado voltas e voltas, ainda não percebia nada do modo como as coisas funcionam…

Hoje de manhã, vinha eu na minha caminhada para a rotina, aparece-me um homem emoldurado num fato, a bradar ao mundo pelo orifício de um telemóvel (:/). Não sei porquê mas acho que sentiu que tinha descoberto a pólvora… Falava da cabra de uma mãe, preta, com dois filhos pequenos encavalitados num muro de 4 metros.
Era uma daquelas mães (e pais) que vai curtir p’rá noite, fode a noite toda, e só acorda às 2 da tarde, e os putos sozinhos! E a preta, que podia ser branca, amarela, ou vermelha, ali com os miúdos ao lado, num muro de 4 metros! Era o puto chegar-se à frente e pronto. E até já tinha uns óculos de garrafão!… (blá blá).
Palavras dele.
Não sei. Houve algo que não soou… O mundo é assim tão simples, ou há algo escondido no meio?
Ai... a idade dos porquês... Ver os Livros na Rua. Talvez devessemos ainda perguntar (mas como quem quer mesmo encontrar!)… Onde está o Wally no meio disto tudo?