"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
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quarta-feira, outubro 02, 2013
domingo, abril 14, 2013
usar o pé, ir a pedantes, esticar o pernil para o dobrar de seguida, exercitar a pernoca vírgula o pé vírgula e o resto (ii)
what people make me feel like when they offer me a ride and I say I prefer to walk instead.
(e segue isto como homenagem ao gif.)
quinta-feira, abril 11, 2013
'The distance between insanity and genius is measured only by success'.
Jardins da Gulbenkian, Lisboa. imagem, com entrevista, daqui
"O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles foi esta quarta-feira
distinguido com o Nobel da Arquitectura Paisagista, o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe. (...) Gonçalo Ribeiro Telles (...) espera que chame a atenção para muitos dos problemas que o levaram a receber o prémio: "problemas que têm preenchido a minha vida e que eram entendidos como utopias.” Depois, ri-se, e diz que o prémio é uma “couraça”, uma defesa que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, agora com reconhecimento internacional."
quarta-feira, março 31, 2010
vislumbre
eram três da tarde quando o senhor marcelino a viu. eram três e um quando o sr. marcelino tombou.
ele. era um homem calvo, de meia idade, e bochechas pingadas. morava numa das ruas da baixa e desde a viuvez que se metia sozinho pelos cantos, cambaleando ao som do vinho. por estes dias ia circundando pelo parque, entregue às vozes soltas dos seus pensamentos.
ela. tinha a pele morena, lisa, e os olhos verdes de verdes vários. a luz batia-lhe de chapa, e descascava-lhe a beleza. tinha as formas cheinhas e arredondadas - pois quando o sr. marcelino, restabelecido da queda, correu desenfreadamente no seu encalço e se abraçou estampadamente nela, não se lhe tocavam as mãos.
ergueu-se, e ali ficou. e ali esteve ele. nos restantes dias, nas restantes noites. de olhos a sonhar, embalado sobre o fresco peito dela. as pessoas passavam e olhavam-nos. ele seguia-as com o olhar, rodopiava em torno dela e, fechando os olhos descansado, sorria. ele, nos braços fortes dela. ela, aconchegada no abraço dele. ele apertava-lhe o corpo contra o seu e dançavam. ela estendia os braços ao céu, e dançavam. os dois. ao vento. dançavam suavemente sob o luar de Janeiro, sob as chuvas de Abril, e o voo das folhas secas de Outubro. e, ao som do chilrear dos pássaros, dançavam os dois até adormecer.
(eram três da tarde, três, quando o sr. marcelino se apaixonou pela menina árvore.)
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domingo, março 28, 2010
as normas dos (a)normais
m.: acho que ela é estranha.
eu: ela? estranha?! mas estranha como?
m.: oh pá, estranha. sei lá!
eu: mas estranha, estranha porquê?!
m.: sei lá... acho-a banal.
(adoro as tuas 'pancas')
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segunda-feira, março 22, 2010
novos ricos
no bairro em que morei, todas as casas tinham jardim ou terraço. dava trabalho mas também permitia outras liberdades. ter um cão e dar-lhe um espaço, por exemplo. o meu vizinho tinha um dálmata. lembro-me de passar na rua e de o ver trancado na sua casota, a qual consistia numa "psicina" de tijolo com paredes de rede. ia ladrando a quem passava, e era uma tristeza vê-lo ali confinado à solidão. talvez por isso, ou por um certo receio obscuro dos donos, de vez em quando soltavam-no e deixavam-no à vontade. nestas alturas, eu sentava-me sobre a calçada da nossa casa e ficava a observá-lo. vum, vum, vum. uma volta e passava por mim. e outra, e outra. eu ficava a vê-lo, e a tentar percebê-lo. ali às voltas à casa, a correr desenfreadamente. como os ciclos da lua acelerados. como se não houvesse amanhã. ou apenas como se receasse que amanhã já não fosse livre.
(às vezes ficamos tanto tempo presos, que a liberdade nos dá para a loucura. é ver-nos correr correr e correr, cegos. a bater contra paredes, também. depois cansamo-nos. um dia. fica o que passou e aquilo em que nos tornámos. e se valeu a pena ou não.)
segunda-feira, janeiro 11, 2010
altruísmo
o problema de deixar de cuidar dos outros
é que nos centramos demasiado em nós.
e esquecemo-nos que para cuidar de nós
precisamos [de cuidar] dos outros.
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quarta-feira, novembro 25, 2009
terça-feira, novembro 17, 2009
mulher(es)
afinal, o que é isto de que somos feitas?
(porque hoje também é dia da mulher. e não só quando ao almanaque lhe apetece!)
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terça-feira, novembro 03, 2009
viver passa muito por definir critérios (VII)
preenches um dois três e quatro critérios. lamento,
falta-te um. és uma perturbada sem especificação.
sexta-feira, setembro 26, 2008
Elefantes
Eu se estivesse na sala de um exame
ou a percorrer os corredores da minha escola
ou a passar na rua
E viesse um sujeito direito a mim
de arma empunhada na mão
morria.
Mas morria antes. Antes que a bala fosse disparada, antes que a bala me atingisse.
Morria da antecipação, morria do sentimento de transgressão
porque Master Wayne I told you so
porque It's the good advice that you just can't take
porque devia ter ficado em casa
(à espera que o prédio desabasse
ou que a bilha de gás explodisse)
aninhadinha na minha cama
à espera.
À espera de morrer depois.
(o recorte de Jornal que a Susana me deu dizia que o rapazinho de 22 anos tinha bilhetes no quarto onde exprimia o seu ódio pelas «pessoas e pela raça humana». Compreendo. Podemos escapar de todos os que nos rodeiam, trancarmo-nos no nosso quarto e ficar na solidão. Mas, ainda que tentando ignorar, estamos ininterruptamente presentes para conseguirmos escapar de nós mesmos.)
ou a passar na rua
E viesse um sujeito direito a mim
de arma empunhada na mão
morria.
Mas morria antes. Antes que a bala fosse disparada, antes que a bala me atingisse.
Morria da antecipação, morria do sentimento de transgressão
porque Master Wayne I told you so
porque It's the good advice that you just can't take
porque devia ter ficado em casa
(à espera que o prédio desabasse
ou que a bilha de gás explodisse)
aninhadinha na minha cama
à espera.
À espera de morrer depois.
(o recorte de Jornal que a Susana me deu dizia que o rapazinho de 22 anos tinha bilhetes no quarto onde exprimia o seu ódio pelas «pessoas e pela raça humana». Compreendo. Podemos escapar de todos os que nos rodeiam, trancarmo-nos no nosso quarto e ficar na solidão. Mas, ainda que tentando ignorar, estamos ininterruptamente presentes para conseguirmos escapar de nós mesmos.)
terça-feira, julho 01, 2008
Escape
Decorei-te a frase de intervenção, a aparição súbita. Decorei-te o cabelo ligeiramente encaracolado, os fios brancos de quando a quando, os dentes finos e os olhos arregalados. Decorei-te os gritos e a voz arrancada de um fundo sem fundo. Decorei-te esse desespero de querer ser o que não está
Talvez todos queiramos encontrar um louco. Alguém que nos arranque do que vivemos todos os dias. Que nos acorde. Por instantes. Para quando formos para o café termos uma história para contar. O que não queremos depois é ter que viver com ele. É um brinquedo de meia-hora que só queremos se, quando começar a chatear, o pudermos pôr de lado.
(aparte de ser rebelde, acho que uma parte de mim – a que não se preocupa com as aparências, a que compensa essa parte – uma parte de mim sempre quis ser louca. mas essas coisas não se forçam. já vêm nos genes. e se tentarmos ser loucos, acabamos por nos tornar ridículos.)
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quarta-feira, junho 25, 2008
“Achas que sou maluquinha por gostar do cheiro dos teus pés?”
acho. mas ser-se louco é tão bonito.
(tenho tal admiração por esta mulher, que calculo quer ela me acharia ridícula se soubesse que o chego a confessar.)
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sexta-feira, maio 30, 2008
Louca
Não sei se é pelo olhar comprometido que as pessoas me deitam, ou se por algum resquício de sentido estético em mim, mas sinto que ando na fase de me vestir descombinada. Acredito que seja algo crónico recidivante, consoante o equilíbrio que tenho entre a roupa no roupeiro e na máquina de lavar. Mas também tenho a esperança que seja mais que isso. De facto, julgo começar a gostar.
(imaginar os roxos e os amarelos, os tecidos felpudos com os lisos, as riscas com o floreado, faz-me pensar que o mundo tem uma carrada de possibilidades para além das mais normais.)
E desponta em mim algum prazer em ver esses olhares atravessados. Faz-me sentir louca. Faz-me sentir na pele o que sempre senti nas entranhas.
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sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Can you read my mind?
por razão nenhuma
eu deixaria
de poder dançar isto.
por razão nenhuma
eu deixaria de poder saltar
alienada
dentro do escuro do meu quarto
com um candeeiro de rua a entrar-me pelo espaço adentro
ou só um esguicho de luz do candeeiro
e um chapéu de chuva aberto por cima da cabeça
ou que fosse um resto de chapéu com abelhinhas penduradas.
por razão nenhuma,
é que por razão nenhuma.
deixem-me
ainda que por momentos
ser meia louca
ou só (e) louca por inteiro.
(já bastam os dias
em que ninguém nos lê a mente
e todos somos somente o que parecemos.)
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terça-feira, novembro 13, 2007
Psiquiatria Mulheres.
Elas gritam
Choram
Correm desgrenhadas,
E arranham a terra com as unhas compridas dos pés.
Elas sentam-se calmamente
Enquanto a loucura as consome.
Elas puxam os cabelos,
Arrastam o corpo pelo soalho dorido
E espezinham esse chão que se cansa de as ver passar.
Elas ferem por vaidade
E matam por orgulho ferido.
Elas agarram os filhos ao peito
E os homens ao corpo.
Elas amam desesperadamente
E morrem sem serem verdadeiramente
Amadas.
Elas queixam-se por viverem únicas.
Choram por viverem sós.
E bradam essa vida perdida.
They are women. They are crazy.
Does that make them sick?
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