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segunda-feira, abril 22, 2013

reconciliação, Ou 'i said what i said but'.


não aguentei. ontem, passadas quatro semanas sobre o pedido de divórcio, fui vê-lo. estava à espera de uma agressividade irritada mas sem foco definido, de alguma atitude mais infantil, não sei, de um desleixo instalado, de um desespero corrosivo que o fizesse perder o rumo. mas não. 
bati de mansinho à porta - acho que não estava à espera de me ver - e surpreendeu-me: boa cara, fresca, com pose enérgica e vigorosa. a mostrar vontade de dar a volta por cima - bem melhor do que o supus. 

dei-lhe o beijo e saí. sentei-me na bancada. olhei os outros, olhei-o a ele, o jeito de pentear o cabelo, os movimentos, a forma como ajeitava as meias. olhei-o comparativamente a todos os outros. um pouco jovem talvez, pensei, mas confiante. e, pela primeira vez em muito tempo, senti uma faísca de paixão. como se o acender de uma labareda. acontecesse o que acontecesse, ia levar-te para casa depois. o rapaz lutou e foi bravo. mas a vontade não foi suficiente

fui vê-lo no fim. olhou-me com ar feroz, magoado e insatisfeito, mas sem dar o braço a torcer, e assim esteve durante algum tempo -  forte, intransponível, como um muro de pedra. depois, tremeram-se-lhe os joelhos, e desabou. 

então, estendi-lhe a mãozinha, e disse:
- anda cá amor, vem chorar no meu colinho.



(i'm yours, baby. é que, por mais que tente, nem há volta a dar-lhe.)


             

terça-feira, janeiro 10, 2012

incapacidade de aprendizagem





 (a forma como ele olha para nós. e o que ele diz. fico abalada de pensar que depois de tantos anos, de tantas palavras para trás e para a frente, de tanta renovação de frentes e tanta aprendizagem escolar, ainda somos capazes de cometer os mesmos erros. e de tornar estes discursos sem época.)

           

quinta-feira, setembro 08, 2011

Do Comunismo (visto às cegas)

       
a primeira primeira vez. quando é bonita. tomara que todas as vezes fossem como a primeira vez quando é bonita. tão bonitas ou mais. quando se descobre pela primeira primeiríssima vez aquilo que nos vai fazer querer respirar, viver o dia por inteiro e dormir só para se poder viver outra vez amanhã. aquilo que nos vai encher o peito. aquilo de que afinal somos feitos e só ainda não o sabíamos.
é tão bonita a paixão pela causa, principalmente quando se torna essa paixão tão natural como  conversar com um amigo, ou dançar quando se está feliz. quando a paixão torna a luta tão essencial como matar a sede. 
é tão bonito ter-se a fé num ideal. e acreditar que esse ideal é possível, e que só pode ser assim, possível. que não há outra maneira. quando se têm mais certezas que dúvidas. que a luta é o caminho. que o caminho é luta, mas por cansados que fiquemos hoje, que seja de lutarmos!, e que amanhã cá estaremos e não estaremos sós. que os camaradas se unem, e a força está na união. que amanhã cá estaremos. que o amanhã virá, e virá melhor. mesmo que não venha. que virá um dia. se não para nós, para outros então. porque haverá sempre luta enquanto houver espaço para a mudança, e a mudança para melhor.

Até amanhã, camaradas!, diz o Manuel Tiago. e eles respondem-lhe certamente, Até amanhã camarada!. e é esta fé neste amanhã - que começa hoje com a luta! - que é tão admirável.


   
(se sou comunista? não. ser comunista é agir em direcção ao ideal colectivo, o qual eles sabem muito bem qual é. eu, vá, também tenho um ideal. também sou idealista. mas fico por aí. e com pena. pois tomara ao meu ideal ser tão concreto quanto o deles.)
             
   

quinta-feira, janeiro 13, 2011

3:45






não sei se as relações humanas têm alguma coisa de lógico. mas deverão ter, talvez,
pelo menos muito de prático.

...


terça-feira, novembro 17, 2009

mulher(es)






afinal, o que é isto de que somos feitas?



(porque hoje também é dia da mulher. e não só quando ao almanaque lhe apetece!)

quarta-feira, outubro 28, 2009

viver passa muito por definir critérios (V)


verificou na lista Se ele preenchia os requisitos. encheu Todos os quadradinhos com certinhos. menos Um.
dizia: Enfarta-me o coração.

mandou-o Embora.