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segunda-feira, março 19, 2012

'the grass is always greener on the other side' ou, em português de Portugal, 'a galinha do vizinho é bem melhor que a minha'. (ii)



isto, podia bem ter sido dito com menos palavras:


"As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem."  


José Luís Peixoto, in Visão, Janeiro 2012

           

terça-feira, setembro 27, 2011

'get him up. let him live.'


(ver a partir minuto 5:02. não ver se quiserem ver o filme por inteiro.)


Alexandria: Why are you making everyone die?
Roy Walker: Because... everything dies.
Alexandria: Don't kill him.
Roy Walker: There's nothing left for him.
Alexandria: I don't want you to die. Roy. Don't kill him. Let him live. Let him live. Don't kill him. Roy?*





(somos nós o nosso próprio destino. podemos culpar o outro, e o azar, mas isso não muda a nossa responsabilidade. todos temos um secret hell. mas é a vontade. é a vontade.

You should be scaring me
But don't I only scare myself?**)





* The Fall, Tarsem Singh, 2006.
** dEUS, Secret hell, Worst Case Scenario, 1994.
         

quinta-feira, setembro 08, 2011

Do Comunismo (visto às cegas)

       
a primeira primeira vez. quando é bonita. tomara que todas as vezes fossem como a primeira vez quando é bonita. tão bonitas ou mais. quando se descobre pela primeira primeiríssima vez aquilo que nos vai fazer querer respirar, viver o dia por inteiro e dormir só para se poder viver outra vez amanhã. aquilo que nos vai encher o peito. aquilo de que afinal somos feitos e só ainda não o sabíamos.
é tão bonita a paixão pela causa, principalmente quando se torna essa paixão tão natural como  conversar com um amigo, ou dançar quando se está feliz. quando a paixão torna a luta tão essencial como matar a sede. 
é tão bonito ter-se a fé num ideal. e acreditar que esse ideal é possível, e que só pode ser assim, possível. que não há outra maneira. quando se têm mais certezas que dúvidas. que a luta é o caminho. que o caminho é luta, mas por cansados que fiquemos hoje, que seja de lutarmos!, e que amanhã cá estaremos e não estaremos sós. que os camaradas se unem, e a força está na união. que amanhã cá estaremos. que o amanhã virá, e virá melhor. mesmo que não venha. que virá um dia. se não para nós, para outros então. porque haverá sempre luta enquanto houver espaço para a mudança, e a mudança para melhor.

Até amanhã, camaradas!, diz o Manuel Tiago. e eles respondem-lhe certamente, Até amanhã camarada!. e é esta fé neste amanhã - que começa hoje com a luta! - que é tão admirável.


   
(se sou comunista? não. ser comunista é agir em direcção ao ideal colectivo, o qual eles sabem muito bem qual é. eu, vá, também tenho um ideal. também sou idealista. mas fico por aí. e com pena. pois tomara ao meu ideal ser tão concreto quanto o deles.)
             
   

Do Comunismo

        
I - o primeiro contacto

II - a descoberta do símbolo
III - o caminho para se ser livre




IV - a união faz a força

V - o preço da ousadia


VI - o valor do colectivo



* fotos tiradas na Festa do Avante 2011







           
              
           

quarta-feira, abril 27, 2011

[indeterminado]




Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...


(melhor perdido no nevoeiro que
encharcado no lodo da perdição.

do nevoeiro escapa-se com cautela,

mas do lodo dificilmente escapamos
sem a garganta imersa e
a mente suja.

sejam as flores a bandeira. efémeras sim, perecíveis é um facto
mas
constantemente renováveis.)


terça-feira, abril 26, 2011

'não sei se é sonho se realidade...'


Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

(m.t.)


(para a s.. e para todos os que se batem com a condição. para ti também.)

terça-feira, abril 19, 2011

Dos tropeções silenciosos


- [...................... ]
- estou? estás aí?
- [......... ] estou...
- ah, não te ouvia, pensei que tinhas ido abaixo.


(também eu.)


quarta-feira, março 05, 2008

(apetece-me dar um murro, pode ser no antónio.)

        
Rebelde. Ser rebelde. Acho que o desejo me veio da irmã que sempre foi contra tudo e todos. Então quis ser também. Passei por cima do cordeirinho – apesar de continuar a sê-lo para sempre – e enfaixei os cabelos em dois totós que percorri com elásticos de diferentes cores; cortei o cabelo curtinho e deixei a madeixa comprida que entrancei. Comprei o casaco de cabedal e as botas pretas e pesadas – que me magoavam imenso os tornozelos, mas Quero lá saber, não há alma que não se vença, também não há-de haver botas inflexíveis nem tornozelos incontornáveis!
Quis ir contra tudo, contra deus até. Então mudei-me para a malfadada terra, que os corvos deixaram ao abandono, e vesti-me de preto para fazer o luto de tudo o que ficou para trás. Vesti luvas esburacadas, saias por cima de calças e fiquei enfim a Saia-calça, com muito orgulho meu. No meio – e bem emaranhado, como quem quer ser tudo e não é senão uma amálgama de identidades – pintei as unhas, uma de cada cor, deixei-as crescer, e fiz recortes nelas. Meti as meias debaixo do joelho e os dois totós. Fiquei a Pipi, Pipi das Meias Altas. A menina instável, como me descreveu ele, aquela fachada de gente. Pois era, pois fui (pois sou). Desde esse tempo. Até ao dia em que me cansei de tudo. As cores esbateram, as calças prevaleceram. E eu continuei em frente. Até ao dia em que me cansar de tudo. Acho que nunca consegui. Ser rebelde. Entrei numa certa harmonia com as coisas, e não há como escapar-lhe.
Mas não gosto. Nunca gostei.

(reparo agora que tenho os punhos ensanguentados…)