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segunda-feira, junho 13, 2011

Papillon (ii), Ou Banhinhas e celulite e.


daqui


(tantas as vezes que valorizamos as coisas pequenininhas. e quando perdemos as maiores
é que percebemos a relatividade das coisas.)


Papillon (i)






(duramos tão pouco.
como é possível passar um dia que seja sem que testemos os nossos limites?)



sexta-feira, janeiro 14, 2011

fazer do negro humor


confesso que sempre achei mórbida a tendência imediata de fazer piadas sobre pessoas estraçalhadas e afins. que não haveria maior insensibilidade do que rirmos da desgraça dos outros. mas mudei de ideias. pior é sofrermos com essas desgraças que preenchem a TV, que mancham de sangue os jornais, que passam de boca em boca à nossa porta. pior é afundarmo-nos nelas, nas desgraças alheias com medo que nos toquem a nós um dia, pior é desiludirmo-nos com o ser humano e, depois, como consequência, com o mundo e a vida em geral.
rir das desgraças é até muito bom sinal. sinal que apesar de tudo o que acontece de horrível à volta, nós lhe damos a volta, rimo-nos um bom bocado, e continuamos. não temos outro remédio.


quarta-feira, janeiro 06, 2010

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Causas para a desgraça dos povos (I)


Atropelando a variabilidade, existem dois tipos de sorrisos: o genuíno "duchenne" e o alternativo, profissional ou-como-lhe-queiram-chamar, "pan American" (o nome não deixa de ser curioso). Ora, acontece que o primeiro segue as vias da extinção enquanto o segundo prolifera a olhos vistos.

(existe uma altura em que devemos questionar as coisas. uns, ocorre-lhes a ideia com a chegada da maturidade - ou será que a maturidade chega apenas depois da ideia? -, outros torram a cabeça aos pais na idade dos porquês. não sei se eu ainda estou na idade dos porquês ou se algum dia atingirei a maturidade, mas)

Porquê?

Ora, acontece que hoje em dia existem coisas maravilhosas, várias coisas maravilhosas até, entre as quais as chamadas máquinas fotográficas (não me posso estender nas outras coisas maravilhosas, mas). Ora, acontece que essas máquinas só captam o instante (de duração variável, mas) e

(a nossa vida também só capta o instante, o resto esfuma-se no tempo, mas)

é esse instante que tende a permanecer no tempo para as gerações vindouras. Ora acontece que por acaso agora nem interessam as gerações vindouras – não são meus amigos do hi5. ponto. – o que interessa é o aqui e o agora, esse maravilhoso instante captado pela objectiva. Ora acontece que essa lente até é demasiado objectiva, porque só vê o que parece e não se mete com interpretações (há sempre a questão da luz, mas). Ora acontece que a-grande-maioria-de-nós (eu até nem me importava de ser anormal, o pior é que não sou) acha que o que deve passar para a eternidade dos momentos presentes são os momentos de felicidade extasiada.

Porquê?

As teorias evolutivas dizem que parecermos-felizes aumenta a probabilidade de encontrarmos um macho ou uma fêmea que nos considere atraentes o suficiente ao ponto de podermos carregar os seus genes.

(inevitavelmente, a reprodução da espécie)

E isto até faria sentido se percebêssemos o princípio subjacente da saúde mental. E da maior probabilidade de sobrevivência. Mas, o que me preocupa nem é a essência, é a aparência. Pensando que a-grande-maioria-de-nós anda numa de Vá, tira [a foto] rápido que já estou cansada de sorrir! não sei até que ponto esta aparência feliz traduz verdadeira e estável sanidade mental. Ou, pior que isso, verdadeira e estável malinha de valores morais que valham a pena fecundar.

(a mim preocupa-me mais que o injector de genes seja um insensível de sorriso empalhado que um depressivo sincero.)

E inquieta-me que ande para aí demasiada gente a vender o produto, imersa num sorriso americano profissional e que, afinal, tenha é os genes encharcados em anti-depressivos, ou muito-pior-que-isso, em valores-de-superfície que enganem a objectiva dos que sobre eles disparam – aqueles que, depois de seduzidos pela aparência, irão construir as gerações vindouras.

(inevitavelmente, a reprodução da espécie.)