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quinta-feira, maio 17, 2012

muros


- i love you Kevin.
- nhe nhe nhe nhe nha.



(esta mania de estabelecermos barreiras no afecto. de não querermos mostar que apesar de toda a mágoa e desconfiança que se instala, se ama, ainda. esta mania de perpetuar o ciclo. e de nos tornarmos ridículos.

era amar o outro até ele se render. pregar-lhe com cada estalada de afecto que ele se cansava de combater à defesa. mas para isto era preciso ter a sanidade de ver... e o nosso cérebro prefere render-se ao orgulho cegamente.)
    

quarta-feira, outubro 05, 2011

brainycapped (I)

estive a pensar e acho que a idade ideal para se ter filhos é quando ainda se tem saúde mental. por essa altura, ainda existe função cerebral suficiente para se conseguir deixar de olhar para o umbigo e reparar que existem outras pessoas que coabitam connosco. e que poderão existir seres de menores dimensões e faculdades a necessitar de uma mãozinha para sobreviverem. mais, por essas alturas, há ainda a vontade de se criarem seres melhores, bem adaptados ao mundo e que a ele não sucumbam. e, claro, há também ainda a esperança de que tudo isso é possível.

depois disso, lamenta-se, mas a auto-centração destrói qualquer paciência para dar conta do outro. ou para que haja de facto outro. e, quando por acaso for notada a presença do outro, destrói também a paciência de lhe estender um dedito que seja - gasta-se demasiada energia, e uma pessoa já está cansada. cansadíssima aliás. portanto, a haver outro, que seja sem problemas. e se os tiver, paciência, you've got your problems i've got mine. de qualquer forma, para quê andar a criar mais pessoas, e a dar-se a trabalhos quando, perdida já a saúde mental do próprio, é óbvio que mais tarde ou mais cedo as crianças se tornarão adultos e perderão também a sua. e não a perdendo é porque têm truques, os truques dos espertos, dos pérfidos, senhores neste mundo, e que ludibriam o resto, os fracos de espírito. ou de mente. e que assim não vale a pena.


(tenho para mim que quando se perde a saúde mental irreversivelmente, o corpo seca. e se não seca devia secar. que a natureza sabe o que faz mas nem sempre. e há demasiados seres desamparados neste mundo.)

        

segunda-feira, abril 04, 2011

the thin [but deep] red line


" (...) e ocorreu-me que não há diferença entre os homens, de raça ou de inteligência, tão marcada e profunda como a que separa os enfermos dos saudáveis. (...)" *


mas enquanto passamos a barreira, é tudo tão inaudível e indefinido.





*(F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby, New York: Scribner, 1925)


sexta-feira, janeiro 14, 2011

fazer do negro humor


confesso que sempre achei mórbida a tendência imediata de fazer piadas sobre pessoas estraçalhadas e afins. que não haveria maior insensibilidade do que rirmos da desgraça dos outros. mas mudei de ideias. pior é sofrermos com essas desgraças que preenchem a TV, que mancham de sangue os jornais, que passam de boca em boca à nossa porta. pior é afundarmo-nos nelas, nas desgraças alheias com medo que nos toquem a nós um dia, pior é desiludirmo-nos com o ser humano e, depois, como consequência, com o mundo e a vida em geral.
rir das desgraças é até muito bom sinal. sinal que apesar de tudo o que acontece de horrível à volta, nós lhe damos a volta, rimo-nos um bom bocado, e continuamos. não temos outro remédio.