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sábado, março 16, 2013

febre (iii) ou The Most Amazing Documentary Ever Made About Bees


one small (fahrenheit) degree for the bees, one giant one for the hornets.


 
todo o amazing documentário aqui   


(fascina-me a febre. o controlo da febre, o descontrolo da febre. e a extensão deste processo a todos os outros processos de sobrevivência do organismo.

repare-se como as abelhas fazem subir a temperatura do seu corpo para neutralizar um agente infeccioso. no caso delas, externo ao corpo, mas interno à colmeia. no nosso caso, de forma semelhante, primeiro externo, depois hospedeiro. em ambos, a subida da temperatura, se não gradualmente controlada, pode ser fatal.

ora, o corpo sabe o que faz, supostamente. o corpo reage e sobe a temperatura ao ponto de matar o inimigo. mas, numa lógica evolutiva dos mecanismos de sobrevivência, o que é que o faz perder o controlo e permitir que ele se mate a si mesmo?)
   
           

domingo, janeiro 31, 2010

histeria





































* Paula Rego, Swallows The Poison Apple, Snow White Playing with her Father's Trophies, 1995. ** Darwin, C. (1872). The expression of the emotions in man and animals. London: John Murray.

terça-feira, janeiro 12, 2010

#1, fugir à conversa, por exemplo



















(Darwin, C. (1872). The expression of the emotions in man and animals. London: John Murray. VER Exposição "Exuberâncias da Caixa Preta", Museu Soares dos Reis, Porto, Portugal. Mais informações aqui.)


terça-feira, março 03, 2009

«Mudasti?»


O mundo mudou, diz o Público. E o público assiste, tem a palavra, sabe: vê de fora, vê melhor.

E eu, mudei? Descobri que o us era usado pelos monarcas em old english para se referirem ao próprio, ao me.

(descobri mas digamos que as minhas descobertas são sempre reinvenções. lembro-me que uma vez descobri por fonte alheia que as rosas do deserto, aqueles aglomerados que se assemelham a rosas em pedra, eram xixi de camelo cristalizado. xixi? que giro! esse meu eu, mais tarde, foi informado que aquilo eram, apenas e afinal, rochas. e esse meu eu transformou-se, deu lugar a outro. rochas? hm. suspicious.)

Penso nisto. Que eu também sou muitas, e muitos. Que somos nós, aqui dentro, a lutar cada um pela sua existência. Numa luta desenfreada para sobreviver. Que este nós existe paralelamente, mas que também vai existindo, serialmente, numa linha de tempo.

(ultimamente, ando a descobrir muita gente cá dentro. volta e meia fazemos festas. outras, andamos à porrada. outras ainda, lá andamos sossegaditos, a viver aos goles enquanto os outros dormem. não sei se no final ficaremos todos, não devemos ficar. não ficamos não. há até alguns eu’s que já não vejo à muito. que não voltarei a ver talvez. que não verei mais. penso nisso, e sinto saudades.)

O r. diz que eu mudei, que não sou a mesma. E di-lo com uma tristeza que me chega a doer. Ecoa em mim essa desilusão. Mudei?, mesmo?? Talvez. O Darwin dizia que os menos aptos num determinado contexto não sobrevivem para deixar herança. E num mundo em que vários coexistimos e queremos sobreviver, os mais ingénuos são sempre menos aptos.

(evitável isto? ou é somente a evolução natural das coisas?)

O mundo mudou, inevitavelmente. Mas visto de fora, ao longe, na abstracção dos pormenores, em média, continua tudo igual – uma lástima. Eu é que desisti de o mudar. Sim, é verdade, mudei.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Unidade de Cuidados Intensivos


Todos temos problemas. Problemazitos, chamemos-lhes assim. E é um facto. Mas, por mais inócuos que sejam, damos-lhe sempre uma importância desmedida. Afinal, são os nossos problemas, não importa o tamanho, são sempre pedras-no-sapato.

No entanto, devido ao facto de levarmos relativamente bem a vidinha, acredito que passamos grande parte do tempo a pensar que (ou sem pensar que) desgraças-DESGRAÇAS só acontecem aos outros. Depois, avessamente, quando nos calha na vez e se nos estilhaça o mundo, desesperamos. E bradamos, Porquê-a-mim-?. É que, a partir daquele momento, o mundo deixa de ser ultrapassável. E porquê? Porque relativamente aos outros-que-nos-rodeiam, parecemos estar piores.

(falácia do contexto. na faixa de Gaza é relativamente normal aparecer um bombista suicida.)

Então, passamos a acreditar que desgraças-DESGRAÇAS, só nos acontecem a nós. Mas, por acaso, por simples acaso, infelizmente não.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Causas para a desgraça dos povos (I)


Atropelando a variabilidade, existem dois tipos de sorrisos: o genuíno "duchenne" e o alternativo, profissional ou-como-lhe-queiram-chamar, "pan American" (o nome não deixa de ser curioso). Ora, acontece que o primeiro segue as vias da extinção enquanto o segundo prolifera a olhos vistos.

(existe uma altura em que devemos questionar as coisas. uns, ocorre-lhes a ideia com a chegada da maturidade - ou será que a maturidade chega apenas depois da ideia? -, outros torram a cabeça aos pais na idade dos porquês. não sei se eu ainda estou na idade dos porquês ou se algum dia atingirei a maturidade, mas)

Porquê?

Ora, acontece que hoje em dia existem coisas maravilhosas, várias coisas maravilhosas até, entre as quais as chamadas máquinas fotográficas (não me posso estender nas outras coisas maravilhosas, mas). Ora, acontece que essas máquinas só captam o instante (de duração variável, mas) e

(a nossa vida também só capta o instante, o resto esfuma-se no tempo, mas)

é esse instante que tende a permanecer no tempo para as gerações vindouras. Ora acontece que por acaso agora nem interessam as gerações vindouras – não são meus amigos do hi5. ponto. – o que interessa é o aqui e o agora, esse maravilhoso instante captado pela objectiva. Ora acontece que essa lente até é demasiado objectiva, porque só vê o que parece e não se mete com interpretações (há sempre a questão da luz, mas). Ora acontece que a-grande-maioria-de-nós (eu até nem me importava de ser anormal, o pior é que não sou) acha que o que deve passar para a eternidade dos momentos presentes são os momentos de felicidade extasiada.

Porquê?

As teorias evolutivas dizem que parecermos-felizes aumenta a probabilidade de encontrarmos um macho ou uma fêmea que nos considere atraentes o suficiente ao ponto de podermos carregar os seus genes.

(inevitavelmente, a reprodução da espécie)

E isto até faria sentido se percebêssemos o princípio subjacente da saúde mental. E da maior probabilidade de sobrevivência. Mas, o que me preocupa nem é a essência, é a aparência. Pensando que a-grande-maioria-de-nós anda numa de Vá, tira [a foto] rápido que já estou cansada de sorrir! não sei até que ponto esta aparência feliz traduz verdadeira e estável sanidade mental. Ou, pior que isso, verdadeira e estável malinha de valores morais que valham a pena fecundar.

(a mim preocupa-me mais que o injector de genes seja um insensível de sorriso empalhado que um depressivo sincero.)

E inquieta-me que ande para aí demasiada gente a vender o produto, imersa num sorriso americano profissional e que, afinal, tenha é os genes encharcados em anti-depressivos, ou muito-pior-que-isso, em valores-de-superfície que enganem a objectiva dos que sobre eles disparam – aqueles que, depois de seduzidos pela aparência, irão construir as gerações vindouras.

(inevitavelmente, a reprodução da espécie.)