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terça-feira, março 03, 2009

«Mudasti?»


O mundo mudou, diz o Público. E o público assiste, tem a palavra, sabe: vê de fora, vê melhor.

E eu, mudei? Descobri que o us era usado pelos monarcas em old english para se referirem ao próprio, ao me.

(descobri mas digamos que as minhas descobertas são sempre reinvenções. lembro-me que uma vez descobri por fonte alheia que as rosas do deserto, aqueles aglomerados que se assemelham a rosas em pedra, eram xixi de camelo cristalizado. xixi? que giro! esse meu eu, mais tarde, foi informado que aquilo eram, apenas e afinal, rochas. e esse meu eu transformou-se, deu lugar a outro. rochas? hm. suspicious.)

Penso nisto. Que eu também sou muitas, e muitos. Que somos nós, aqui dentro, a lutar cada um pela sua existência. Numa luta desenfreada para sobreviver. Que este nós existe paralelamente, mas que também vai existindo, serialmente, numa linha de tempo.

(ultimamente, ando a descobrir muita gente cá dentro. volta e meia fazemos festas. outras, andamos à porrada. outras ainda, lá andamos sossegaditos, a viver aos goles enquanto os outros dormem. não sei se no final ficaremos todos, não devemos ficar. não ficamos não. há até alguns eu’s que já não vejo à muito. que não voltarei a ver talvez. que não verei mais. penso nisso, e sinto saudades.)

O r. diz que eu mudei, que não sou a mesma. E di-lo com uma tristeza que me chega a doer. Ecoa em mim essa desilusão. Mudei?, mesmo?? Talvez. O Darwin dizia que os menos aptos num determinado contexto não sobrevivem para deixar herança. E num mundo em que vários coexistimos e queremos sobreviver, os mais ingénuos são sempre menos aptos.

(evitável isto? ou é somente a evolução natural das coisas?)

O mundo mudou, inevitavelmente. Mas visto de fora, ao longe, na abstracção dos pormenores, em média, continua tudo igual – uma lástima. Eu é que desisti de o mudar. Sim, é verdade, mudei.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Unidade de Cuidados Intensivos


Todos temos problemas. Problemazitos, chamemos-lhes assim. E é um facto. Mas, por mais inócuos que sejam, damos-lhe sempre uma importância desmedida. Afinal, são os nossos problemas, não importa o tamanho, são sempre pedras-no-sapato.

No entanto, devido ao facto de levarmos relativamente bem a vidinha, acredito que passamos grande parte do tempo a pensar que (ou sem pensar que) desgraças-DESGRAÇAS só acontecem aos outros. Depois, avessamente, quando nos calha na vez e se nos estilhaça o mundo, desesperamos. E bradamos, Porquê-a-mim-?. É que, a partir daquele momento, o mundo deixa de ser ultrapassável. E porquê? Porque relativamente aos outros-que-nos-rodeiam, parecemos estar piores.

(falácia do contexto. na faixa de Gaza é relativamente normal aparecer um bombista suicida.)

Então, passamos a acreditar que desgraças-DESGRAÇAS, só nos acontecem a nós. Mas, por acaso, por simples acaso, infelizmente não.