«Trabalhei sempre muito, estudei muito, a atividade política teve sempre uma grande intensidade, mas não gostava que fosse só isso a vida. E, por isso, estar por exemplo a comer e a falar de política, levantar e falar de política, ir para casa para junto dos filhos falar de política, para a mulher falar de política, para a avó falar de política, para o tio falar de política - não, isso não gostava nem gosto. A par do trabalho político intenso, gosto de um convívio livre e descontraído sobre as coisas simples da vida, do valor das pequenas coisas.» (Cinco conversas com do Álvaro Cunhal com a Catarina Pires, Abril de 1999)
"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
segunda-feira, novembro 11, 2013
resiliência
«Trabalhei sempre muito, estudei muito, a atividade política teve sempre uma grande intensidade, mas não gostava que fosse só isso a vida. E, por isso, estar por exemplo a comer e a falar de política, levantar e falar de política, ir para casa para junto dos filhos falar de política, para a mulher falar de política, para a avó falar de política, para o tio falar de política - não, isso não gostava nem gosto. A par do trabalho político intenso, gosto de um convívio livre e descontraído sobre as coisas simples da vida, do valor das pequenas coisas.» (Cinco conversas com do Álvaro Cunhal com a Catarina Pires, Abril de 1999)
quinta-feira, outubro 24, 2013
segunda-feira, maio 20, 2013
intervenção divina. isso Ou genealógica.
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| foto: íman de frigorífico da sô dona m.m.g. |
ah não, espera!, - parece que este ano foi mesmo o Jesus. malandreco.
segunda-feira, maio 06, 2013
‘Are you still an effective team?’,
«Rompuy elogiou o comportamento de Portugal nos últimos dois anos. O país "é um bom exemplo" pelos resultados alcançados no "trabalho que tem sido feito nas finanças públicas e na implementação de reformas", disse. "O mais importante é mantermos o nosso rumo", vincou, defendendo mesmo que isso é "imprescindível para a credibilidade" externa dos países. Até porque, "se formos bem-sucedidos, a crise acabará por nos tornar mais fortes". Foi, aliás, esse bom comportamento que permitiu que os credores internacionais alargassem o prazo para o pagamento da dívida portuguesa há algumas semanas (...).»**
Vicka* a.k.a. Passos Coelho e o seu executivo tomam o microfone: Another day in paradise, Sally.
quinta-feira, abril 04, 2013
blasfémia. ou premonição?
"Condenadme, no importa, la historia me absolverá."
"Só a história julgará, com a objectividade e a distância temporal indispensáveis, a acção de cada um de nós."
terça-feira, março 12, 2013
segunda-feira, novembro 14, 2011
sexta-feira, junho 10, 2011
eu é que disse, não eu é que disse, não não, eu é que disse!
«"Portugal não pode falhar, nem tem margem para errar, acho que todos temos consciência disso", afirmou o líder do CDS-PP, Paulo Portas, em declarações aos jornalistas à saída da sessão solene do 10 de Junho, que se realizou em Castelo Branco e onde o Presidente da República sublinhou que Portugal não pode falhar.»
«Questionado sobre a declaração do Presidente da República de que Portugal não pode "falhar", o futuro primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] disse apenas que todos sabem isso. "Sabemos todos isso, eu próprio disse isso durante a campanha eleitoral", referiu. »
(eu não disse. ups... mas passou-me pela cabeça... conta?)
segunda-feira, junho 06, 2011
já a respeito das cadeiras,
calculo que a cadeira de Primeiro-Ministro, apesar de apelativa, também não seja muito confortável. mas das duas uma: ou não nos sentamos, ou aguentamos e moldamos o rabinho.
(ninguém se devia sentar numa cadeira onde não se sente confortável. mas passando por cima das comodidades, porque nem tudo é uma questão de conforto, ninguém se devia queixar de uma cadeira onde quer sentar o rabinho. a não ser que a queira mudar para melhor.)
beijinhos sem ou com compromisso?
o pai, quando ele foi eleito para o cargo de secretário-geral do PSD, foi dar-lhe um beijo de parabéns e pediu-lhe uma coisa, apenas uma: "Vê lá se não desiludes a tua mãe".
não sei que planos tem a mãe do Pedro para o Pedro, mas espero bem que passem por bons planos para o país.
eu, se pudesse, tinha-lhe dito na altura outra coisa: a tua mãe?! oh Pedrinho, vê lá é se não te desiludes a ti próprio.
bem, mas não conhecendo a peça, hoje, dado o beijinho da introdução, diria antes: vê se não mentes aos portugueses, sim?!
(porque isso de [não] desiludir é complicado. basta que [não] haja ilusão.)
quarta-feira, maio 25, 2011
pelo contrário
nunca se falou opinou escreveu gritou argumentou assentiu tanto por vontade própria.
nem nunca foi tanta a liberdade de expressão, tanta a expressão da vontade, do "eu quero",
do "eu posso e mando e faço". do "eu, a mim, agora, não me apetece".
mudos só se forem mesmo os tempos, ensurdecidos pela peixaria das vontades.
(o trocadilho é uma coisa engraçada. é. mas, desprovido do contexto, acaba por se perder na troca. e depois é a velha questão: as leis universais já raramente abarcam a flexibilidade acrobática do quotidiano. quanto mais quando são subvertidas.)
quarta-feira, abril 27, 2011
[indeterminado]
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
(melhor perdido no nevoeiro que
encharcado no lodo da perdição.
do nevoeiro escapa-se com cautela,
mas do lodo dificilmente escapamos
sem a garganta imersa e
a mente suja.
sejam as flores a bandeira. efémeras sim, perecíveis é um facto
mas
constantemente renováveis.)
quinta-feira, abril 21, 2011
segunda-feira, abril 18, 2011
uma coisa (im)possível antes do pequeno almoço
- alguém perdeu o passe, estende a senhora o bracito flácido para o motorista enquanto o entrega. ele recolhe e responde:
- oh minha senhora, há quem só não perca a cabeça porque está agarrada!
- pois eu digo-lhe que há muita gente que perde a cabeça mesmo tendo-a agarrada.
segunda-feira, março 14, 2011
e que se tenha uma atitude diferente, que não encaixe?! que se batam por ela, e não se deixem simplesmente levar pelas massas.
isto abaixo, daqui.
"Um 'e-mail'
Uma leitora, Ana Caraballo, enviou-me um e-mail que cito com autorização.
"Trabalho a recibos verdes, e não vou protestar pelo direito a um contrato de trabalho, nem pelo fim dos recibos. Não quero nada disso. Quero continuar a trabalhar a recibos verdes, pasme-se. Quero ser freelancer, que loucura! Quero ser dona da minha reforma, do meu tempo, do meu nariz, quero ser dona daquilo que ganho com o meu trabalho e não andar a sustentar este Estado gordo e despesista. É que ninguém se lembra que a precariedade pode ser o facto de nos extorquirem aquilo que ganhamos sem qualquer ajuda do Estado. Não quero um lugar cativo de onde não posso ser despedida, faz-me bem ser competente e dar o meu melhor, mantém-me actualizada, mantém-me viva! Não quero subsídios de férias. Quero gerir aquilo que ganho de modo a fazer as minhas férias com os meus próprios recursos. O drama é que com esta carga fiscal não consigo gerir aquilo que ganho. Como é que se explica que quem tem menos direitos tem mais deveres? E aqui escreve-lhe uma pessoa que não quer essas porcarias desses direitos. Quero uma redução dos deveres. Quero o Estado o menos possível na minha vida. Não quero nada deles e quero que precisem o menos possível de mim. Nunca votei em nenhum deles."
Ao que sei, a Ana é "jovem". Ao que sei, a Ana participou na manifestação dos ditos "à rasca". Ao que sei, a posição da Ana é desalmadamente minoritária num desfile dominado pelo mito reaccionário da "estabilidade", apropriado pela extrema-esquerda e enfeitado, com certa naturalidade, por skinheads. De qualquer modo, a lucidez da Ana previne contra generalizações abusivas das pessoas que, desgraçadamente, se deixam definir enquanto "geração". Para lá das lamúrias dos "jovens" oficiosos, para lá dos resignados hinos de Homens da Luta e Deolindas, ainda há quem privilegie a liberdade. Ainda há vida, portanto, mesmo que o seu carácter residual, quase excêntrico, já não permita o luxo de haver esperança."
(e se a atitude nos arremessar às massas? força. mas se não for por aí, porque é que tem que ser por aí?)
sábado, março 12, 2011
Silogismo hipotético condicional
Se Sócrates é homem, então é mortal.
(Todos os ciclos têm um fim. O problema é se o Sócrates não é homem...)
segunda-feira, março 07, 2011
da Guerra (I)
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
porque há uma figura de estilo que se chama ironia.
muito se fala dos parvinhos da geração [à] rasca que para aí anda. de facto, a letra dos Deolinda deu e muito que falar. as opiniões divergem, uns acham que insentiva ao desânimo, que não motiva ao estudo, que se foca no parvo, parva, parvinho e não sai daí. que é uma maneira de uma pessoa se queixar e não fazer mais nada.
'a minha opinião, posso posso dar, posso, a minha opinião'? é esta: uma salva de palmas, basta uma mas bem dada, a quem põe o dedo na ferida. e quem põe o dedo na ferida são os Deolinda quando escrevem o que escrevem. mas o que eles escrevem nem sempre é o que os revolucionários da causa revolucionária querem ouvir. os Deolinda, ou quem deles escreve a letra das música,s tem uma particularidade: não se ficam pelo queixar, viram o dedo para o próprio, e chamam a atenção para os defeitos que também nós temos e não só o outro (e.g. veja-se a letra fenomenal do "Movimento Perpétuo Associativo" ). mas quando os revolucionários da causa revolucionária não querem ler o que se escreve, lêem o que querem que se escreva. desde que encaixe na causa revolucionária.
da Parva que sou, gosto particularmente de um pormenor. o coliseu do Porto foi ao rubro quando ouviu pela primeira vez o verso "Porque isto está mal e vai continuar,/ já é uma sorte eu poder estagiar (...) que mundo tão parvo/ onde para ser escravo é preciso estudar". foi o bater de palmas em uníssono, porque fácil é culpar o mundo da nossa desgraça. mas, seguindo na letra, quando eles cantam "Sou da geração ‘casinha dos pais’,/ se já tenho tudo, pra quê querer mais?", ouvem-se umas palminhas com cessar rápido (minuto 1'18'' daqui).
tenho é pena que não se saiba ler nas entrelinhas. da ironia ser lida à letra. propósitos há muitos, e quem quer ver queixume vê queixume, quem quer ver luta, vê luta. " a culpa é do Governo", dizemos todos. e é. mas não só. não vejo a música dos Deolinda como um hino para ser cantado em tom de amargura ou queixume, para ser entoado pelas ruas em manifestações compridas, enquanto se espera um D.Sebastião que é pau para toda a obra, enquanto se espera que o Governo nos dê condições a todos, que o Governo mude os Poderes Locais e as pessoas que existem nos Poderes Locais. que o Governo mude o meu vizinho porque ele me incomoda. (e eu, incomodo quem?)
a luta maior procede em silêncio, nos nossos dias-a-dias, nos pormenores. as coisas não mudam se nós não as mudarmos aos poucos. se apenas cada um de nós e, por conseguinte, todos, pudéssemos dar o exemplo em vez de esperar vê-lo no outro.
arrisco-me a dizer que as pessoas não querem que os políticos deixem de ser corruptos, não, não querem. estão-se mesmo a cagar para isso, desde que lhes garantam um lugarzinho numa Câmara à beira-mar, com um salário bem simpático e onde não tenham que fazer muito. caramba, que mais poderíamos querer?
parva? sou parva quando me queixo queixo mas não faço mais nada. só exijo. não estou a falar de ser boazinha ou de passar a ser ingénua. nem deixar que nos pisem. mas também não é ir gritar para a rua, como quem reza na Igreja e critica a crucificação de Cristo inconsciente que somos todos o Pedrito que o negaria 3 ou mais vezes, quantas fossem. o que digo aqui é precisamente o contrário, e é a parte mais difícil: é não nos agarrarmos a hinos, é não nos fazermos de vítimas - é, precisamente, não nos fazermos de parvos. porque não o somos de facto.
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
a particularidade p do instante i e da questão q
Ama o próximo como a ti mesmo.
calculo à partida que, se assim fosse, o mundo poderia ser um lugar bem melhor. mas depois, repenso: Ui!, com a quantidade de gente que anda para aí com problemas de auto-estima, isto seria a desgraça!
(o problema das leis universais, é que raramente abarcam a flexibilidade acrobática do quotidiano.)
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Mʋham̑ad alBúoazízí
quando o copo está cheio, basta uma gota.
atemorizam-me os suicídios. desde sempre. não porque os acho ilógicos, irracionais e desmedidos. mas porque a mente é uma e todos vamos enchendo o copo. porque o corpo com a mente que sai todo o santo dia para a rua vender as frutas e os legumes é o mesmo que um dia chega ao posto da gasolina, e se imola. porque somos todos normais. até ao dia em que não o somos. e é essa possibilidade de metamorfose comum que me incomoda.)




