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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Mʋham̑ad alBúoazízí


quando o copo está cheio, basta uma gota.


(fala-se nos suícidios, nos homens que saltam das pontes, nas mulheres que adormecem afogadas em alcóol e comprimidos, das crianças que saltam aos rios. e eu penso, Como, como têm eles coragem para tanto? não têm medo da dor?, do arrependimento posterior?, não se lembram dos pais ou de uma qualquer figura de vinculação?, não vislumbram eles a luz, para um dia, por mais suja que seja? esquecem eles que querem viver? Que estado de alienação é esse em que se perde o receio?, que desespero é esse que nos cega e nos deixa apenas um caminho?
atemorizam-me os suicídios. desde sempre. não porque os acho ilógicos, irracionais e desmedidos. mas porque a mente é uma e todos vamos enchendo o copo. porque o corpo com a mente que sai todo o santo dia para a rua vender as frutas e os legumes é o mesmo que um dia chega ao posto da gasolina, e se imola. porque somos todos normais. até ao dia em que não o somos. e é essa possibilidade de metamorfose comum que me incomoda.)