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domingo, junho 16, 2013

em delírio

desde que descobri que há uma great song inspirada num favorite book.


(o conhecimento a mim chega-me sempre com décadas de atraso. quando toda a gente já viu, reviu, entrou em histeria, teve convulsões, reanimações, deu palestras, desenrolou toda a sua vida com base nisso, e se cansou, de tão batido que estava, chego eu à festa, fresquíssima. depois, completamente out of time, extasio-me.

mas, pronto, eventualmente chega.)




quinta-feira, março 03, 2011

toca no ponto, e torces a peça.


comprei um frigorífico. vocês ainda não sabem a história do frigorífico? eu vou-lhes contar.
comprei um frigorífico num outlet. o que equivale a dizer que vinha com defeito. e que eu o aceitei assim, com defeito. e que paguei por ele, com defeito. pois, amolgadela aqui, amolgadela ali, enfim, aceitável para o preço. o que eu não contava é que ao pagar um serviço de entregas, e ao ser executado o serviço de entregas, a lista de defeitos aumentasse. portanto, o produto saiu da loja com umas amolgadelas, e chegou cá a casa com um pé torcido e partido. claro que uma pessoa nunca vê o essencial no acto da recepção caseira, nunca vê os defeitos escondidos quando se apaixona e consegue enfim ter o objecto amado entre os bracinhos esperançosos e desesperados. com a convivência, a saudação, o abrir de portas, a conversa, é que uma pessoa vai também abrindo os olhos e lá percebe: ora bolas, afinal é coxo.

15 dias não passados, ainda há espaço para a reclamação. ou muda agora ou curvinha com ele! e começa a odisseia da reclamação. telefono aos pais, descartam, não têm culpa do pé, foi pelos caminhos da vida que o torceu decerto. quero lá saber! vocês são a origem, e ele já vinha com defeitos da origem. não me venham com coisas, paguei-vos a peça, comprei-vo-la com alguns defeitos. agora, pelo caminho chegar com outros, oh meus amigos, isso é que não pode ser: tem que mudar, haja paciência mas não lhe quero o pé assim.

o ideal seria mesmo desatarraxar o pé partido e colocar um novinho. ora que beleza. e reivindico, reivindico um pé novo! mas... se o encaixe já vem torto, que peça direita lhe encaixará?... baixo os braços a metade. estou a ver que, perante as dificuldades, os responsáveis pela peça se escaparão. de fininho, piarão que aceitei a peça, que me amanhe com ela. estão os braços encolhidos, mas os cabelos em pé! telefono, quero saber como é, responsabilizações, estou piursa. adivinho já, antecipo, sofro o desfecho trágico. e construo sobre a hipótese do desfecho trágico. engrandece-se-me a raiva, o coração a palpitar, o sangue a crepitar. telefono e desfio que aquele pézinho está tão aleijadão que nem muito amor e boa intenção o poderão reparar. que quero uma solução. "obrigada pelo seu contacto, pode aguardar?". aguardar? o quê?, a solução? que remédio! duas, três vezes, aguardar. enquanto pago eu ao impulso. estou com os nervos na ponta, já quase a saltar da franja. a temer o pior, estou mesmo para lhes saltar encima e pedir o livro de reclamações e exigir o dinheiro de volta do serviço de entrega e gritar-lhes e enchê-los de mim

quando,

muito lentamente, uma emocionalidade me começa a percorrer os bracitos trémulos, os cabelos eriçados, e a preencher os poros. algo positivo e bonito e afável. e condescendente! que se passa?! não!, por favor não, estou a amolecer??! não pode. quero estar enraivecida para andar ao soquete se for preciso. e se-andar-ao-soquete-se-for-preciso quero estar com os punhos duros para ganhar. quero ser implacável, não quero amolecer caramba!

estou em espera, ainda. e enfim apercebo-me: de fundo, enquanto eu imergia ingenuamente nos meus pensamentos ruminativos profundos, ficara a tocar, como que por acaso a preencher o silêncio, uma musiquinha profundamente lamechas e romântica e doce, e incitadora de condescendências!: "you were once, twice, three times a lady...".

(caramba para a Psicologia de Marketing Aplicada.)

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

a particularidade p do instante i e da questão q


Ama o próximo como a ti mesmo.



calculo à partida que, se assim fosse, o mundo poderia ser um lugar bem melhor. mas depois, repenso: Ui!, com a quantidade de gente que anda para aí com problemas de auto-estima, isto seria a desgraça!

(o problema das leis universais, é que raramente abarcam a flexibilidade acrobática do quotidiano.)


quinta-feira, janeiro 13, 2011

3:45






não sei se as relações humanas têm alguma coisa de lógico. mas deverão ter, talvez,
pelo menos muito de prático.

...


sábado, outubro 02, 2010

'o amor é o amor e depois?', o que adianta saber isso, do amor, eu amo-te, ou não se diz, é mais

fácil não dizer, dar só o beijo que cala as palavras, e as discussões, dar-se a mãozinha na rua, ou deixar-se a mãozinha ao relento, trocar só o olhar, eu dou-te o meu tu dás-me o teu, o beijinho no pescoço 'enrolado pelo chão', e depois depois passa o tempo e Zás, instala-se a rotina e achamos eh pah eu acho que não é isto E nos cansamos Até que desponta novamente um tremelique, um engasgar, um sonho iludido sem quotidiano. e Zás lá vamos nós outra vez, Enganados.


nos meus 14 anos revoltados, de resposta na ponta da língua, aguçada e seca, a minha mãe dizia-me, ao ver-me entre lágrimas, a chorar fininho por um amor que nem chegara a ser, que ficara por conquistar e que doía na ilusão,

tu ainda não sabes o que é o amor.


(tinha tanta razão. ainda não sabia. mas, pergunto, e quando é que eu vou saber?)

segunda-feira, setembro 27, 2010

a guerra das rosas*




não sei se todas as letras são vidas. mas muitas vidas, amores, há
que são esta letra.


(* Camané, Do amor e dos dias, 2010)


quinta-feira, setembro 23, 2010

you're asking me how far will my love go. i don't know, i don't know.






"... You're asking me will my love grow,
I don't know, I don't know."


mas
"... Stick around, and it may show. "



quarta-feira, setembro 01, 2010

stupidity


"... suppose i never ever met you
suppose we never fell in love
suppose i never ever let you kiss me so sweet and so soft
suppose i never ever saw you
suppose you'd never ever called
suppose i kept on singing love songs just to break my own fall..."*


teria sido melhor?


(*Regina Spektor, Fidelity from Begin to Hope, 2006)


terça-feira, julho 13, 2010

As relações, em versão Sobre Rodas.


1. as amarras da solidão


















2. contra a parede


















3. o jogo das escondidas


















4. as quedas


















5. ménage à trois


















6. os amores impossíveis


















7. os amores possíveis


















8. a versão familiar



















(como em tudo na vida, o difícil é manter o equilíbrio.)



quarta-feira, maio 26, 2010

segunda-feira, março 22, 2010

novos ricos


no bairro em que morei, todas as casas tinham jardim ou terraço. dava trabalho mas também permitia outras liberdades. ter um cão e dar-lhe um espaço, por exemplo. o meu vizinho tinha um dálmata. lembro-me de passar na rua e de o ver trancado na sua casota, a qual consistia numa "psicina" de tijolo com paredes de rede. ia ladrando a quem passava, e era uma tristeza vê-lo ali confinado à solidão. talvez por isso, ou por um certo receio obscuro dos donos, de vez em quando soltavam-no e deixavam-no à vontade. nestas alturas, eu sentava-me sobre a calçada da nossa casa e ficava a observá-lo. vum, vum, vum. uma volta e passava por mim. e outra, e outra. eu ficava a vê-lo, e a tentar percebê-lo. ali às voltas à casa, a correr desenfreadamente. como os ciclos da lua acelerados. como se não houvesse amanhã. ou apenas como se receasse que amanhã já não fosse livre.

(às vezes ficamos tanto tempo presos, que a liberdade nos dá para a loucura. é ver-nos correr correr e correr, cegos. a bater contra paredes, também. depois cansamo-nos. um dia. fica o que passou e aquilo em que nos tornámos. e se valeu a pena ou não.)


terça-feira, outubro 06, 2009

(h)Ard[i] to believe


Lembro-me bem daquela aula de História do meu 7º ano em que a professora nos informou a todos, numa versão simplificada, que descendíamos do macaco. Eu, que até então fora profundamente catequizada com a estória do Adão e da Eva no Paraíso, fiquei perplexa.

Matutei nisto continuamente e, não sei bem em que dia no meio de um qualquer almoço, arremessei a pergunta: Há uma coisa que não estou a perceber... A professora de História diz que houve uma evolução e que nós evoluímos do macaco, mas a catequista diz que Deus criou o Adão e a Eva... onde é que entram aqui os macacos? Penso que naquele instante provoquei sensivelmente nos meus pais a mesma reacção que tem a pergunta 'De onde vêm os bebés?'. O meu pai, entranhadamente homem da ciência, iria provavelmente reafirmar-me a ideia de que, de facto, descendemos dos macacos. Depois entraria em termos infindavelmente complicados, mas a conclusão seria essa. Mas foi a minha mãe, mulher de Fé, que sem ser por acaso tomou a palavra. Com alguma paciência, explicou-me como o Adão e a Eva eram uma metáfora para o princípio da humanidade. E devo dizer que, de forma bastante simples, me deixou mais apaziguada com estas várias versões que os senhores adultos se lembram de nos transmitir.

Porque quando se misturam alhos com bugalhos a coisa fica difícil de explicar. Por um lado, dizer às crianças que os papás primeiros foram o Adão e a Eva, é fazer-lhes um nó no cérebro de forma a que não passe qualquer outro tipo de informação. Foi assim e pronto, e depois o Caim matou o Abel e a maldade ficou-nos nos sangue. Tudo tem explicação. Corta-se assim com qualquer outro tipo de ideia(s) como, por simples exemplo, de que talvez não tenha sido Deus que nos fez as costelas (pelo menos, não directamente), mas que talvez o nosso papá fosse afinal um ser demasiadamente peludo, desprovido de moral e, também, de tecnologia.
Por outro lado, dizer às crianças que descendemos do 'macaco', é ignorar que o seu pensamento concreto ligará A a A, B a B, e C a C. É aliás quase o mesmo que dizer-lhes que Macaco é tudo o mesmo e que, assim sendo, o 'macaco' que anda por aí não evoluiu, enquanto nós, humanos, seres avançadíssimos, produto de ponta, nos fartámos de evoluir.

Ainda bem que 'descobriram' a Ardi. É que ela, no seu silêncio misterioso veio lançar outras hipóteses. Ao que parece, nós humanos somos muito mais parecidos com esse antepassado longínquo do que aquilo que queríamos ser (e que as descobertas científicas até agora pareciam fazer acreditar). E mais, o que sugere a descoberta dos infindos ossinhos (há já 17 anos) é que provavelmente quem 'evoluiu-mais' até foi o comummente chamado 'macaco'. Blasfémia!

Claro que teorias e versões há muitas. E provavelmente outros factos e dados surgirão, e novas hipóteses serão tecidas. E talvez nem nunca cheguemos à unicidade. E depois? Isso talvez até seja bom. Porque suscita a dúvida, suscita a discussão, suscita o querer saber mais. Suscita tudo aquilo que, quem acha que já sabe tudo, parece não querer ouvir falar. Pena. Porque ninguém devia estabelecer como certo e seguro aquilo que nunca foi posto à prova com uns valentes abanões.