(i like your voice. it tunes me on.)
"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
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terça-feira, abril 16, 2013
segunda-feira, março 19, 2012
the first time. and all the others. as long it can be called experience.
"Chasing rainbows all my days
Where I go I do not know
I only know the place I've been
Dreams they come and go, ever shall be so
Nothing's real until you feel." (*)
(*) Iron Maiden,Ghost Of The Navigator, Brave New World, 2000,
quarta-feira, maio 26, 2010
stupid girl
all you had you wasted
what drives you on can drives you mad.
quarta-feira, março 17, 2010
as coisas num contexto.
primeiro foi o olhar. só depois veio o verbo.
cresce no regaço da mãe. cresce, cresce. mais e mais. a cada dia. sentem-se os dois, ao princípio, no silêncio. descobrem-se. percorrem as sensações, mesmo sem as saber. falam também. os dois durante meses. anos! aninham-se um no outro procurando conforto. o cheiro da mãe, o cheiro do filho. o toque. o contacto, corpo no corpo. o quente da pele. o filho cresce. o corpo da mãe. o corpo do filho. amam-se, mas há todo um mundo que os separa. e aos corpos também. cria-se a distância, o ver de fora. ao longe.
se tivessem sido só os dois, olhos colados, não veriam mais nada. não diriam mais nada. nem haveria mais nada. seria o sonho.
(o que custa é a falta da pele, do cheiro da pele. de tocar na pele, e de a percorrer. mas há a vida como pano de fundo.)
domingo, novembro 01, 2009
viver passa muito por definir critérios (VI)
quando se estende a plataforma para
ver partir os viajantes e
se põe o sol a pique, quente que estala e
é sexta-feira e
demasiada gente para os poucos abrigos,
ou para os abrigos curtos, delgados,
para as massas que seguem viagem a uma sexta-feira.
quando o sol cai a pique e depois desliza
enquanto o tempo passa, e
a sombra desliza,
quando o tempo corre, e
se criam dois territórios: o da luz
e o da sombra.
quando se sucede a aglomeração das massas que
esperam e depois desesperam, e
a forma como criam a fronteira e
como se mantêm no seu território, e o procuram
enquanto se movem, enquanto se movem inconscientes,
inconscientes que mudam enquanto
a areia escorre na ampulheta e uns
procuram a luz, quente na pele, e
os outros se refugiam na sombra.
tudo isto
enquanto o sol traça no pavimento cinzento
uma linha imaginária.
(na noite bebemos e tornamo-nos mais bichos. no sonho, e
na realidade. deve ser da falta de luz. da escuridão. misturamo-nos. com os outros, e misturamo-nos cá dentro.
talvez a ausência da linha faça sumir o critério.)
quarta-feira, julho 22, 2009
matriz
que tenho um útero bonito, disse ele, perfeito. que dificilmente irei ter problemas com um útero assim. ainda ele não acabou de dizer e comecei já eu, completamente embevecida, a imaginar os filhos a crescerem-me neste útero, primeiro um depois outro, depois outro e outro. os dedinhos perfeitinhos, minuciosos, os labiozinhos de rosa, as dobrinhas das carnes tenras. as crianças a desenvolverem-se, a crescerem, a preencherem-me o útero. depois a saírem, a percorrerem as coisas, os objectos, as pessoas. a crescerem mais e mais. a preencherem-me a vida. imagino essas crianças, minhas, células das minhas células, carne da minha carne, crescidas aqui, neste útero, essas crianças, esses adolescentes, esses adultos. e, depois logo, eu, já velhinha, definhada mas realizada da vida, pronta para adormecer e retornar ao outro útero, ao da mãe primeira, húmida e escura.
(as mulheres. dá-se-lhes uma palavra, uma frase, seja o que for, e dá-se-lhes, ao mesmo tempo, pano para costurarem divagações.)
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quarta-feira, maio 20, 2009
Portas
I
ando a bater à porta dos sonhos, e a pedir num desassossego que me deixem entrar.
- está aberta, entra!
hm.
agora que posso, agora que tenho a permissão para,
será que quero?
(irrita-me, sim irrita-me. confesso que me irrita, e Pro-Fun-Da-Men-Te!, o facto de ter-que questionar tudo. quem me vir assim, abananada pela vida, até diz que o meu problema é não saber o que quero. hm. pois.)
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segunda-feira, fevereiro 23, 2009
7 vidas (ou, pelo menos, 82.6* carnavais)
Às vezes apetecia-me começar este blog(ue) todo outra vez. Compô-lo mais resoluto, mais colorido, mais bonitinho. Ou, pelo menos, simples. Isso, muito simples.
(e, depois, tudo o resto também. tipo a vida. recomeçá-la uma e outra e outra vez. até ter esgotado todas as possibilidades sonhadas. calculo é que os 82, nem sequer os 82.6, carnavais chegassem para o efeito.)
*esperança média de vida à nascença esperada para as mulheres portugueses no ano de 2009.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Ciscos
Quando eu era pequena ouvia vezes sem conta a minha avó, mãe do meu pai, ler a história da santa Teresinha. Da história em si pouco me lembro, mas lembro-me dos pormenores, de como o livro era pequeno e fino, e como a capa era castanha e dura. De como tinha palavras, muitas, que a minha avó desfiava com cuidado, lendo o livro de uma ponta à outra. Começava na capa, com o título, e logo prosseguia para os pormenores técnicos, como a morada da editora, o número de edição, a data e o local de impressão. De como só então lia a história, sem esquecer uma palavra, mas também sem esquecer um sinal de pontuação. Sim, a vírgula, o ponto, os dois pontos, os pontos de exclamação e de interrogação, o travessão. Tudo era lido.
O meu pai seguiu-lhe os passos e, quem sabe, o modo de vida. O outro dia, enquanto fazíamos o percurso até ao almoço de Natal, enquanto a minha irmã e a minha prima discutiam lá atrás os filmes, as novidades e a vida, o meu pai, imune a todas aquelas palavras, insistia em descrever o percurso. Ora aqui 60 Km, eu vou a 70Km, tenho que reduzir. Lau, e é extensa Lau, 60 Km é a velocidade máxima. Terminou Lau. E assim por diante em pormenores que já não me cabem na cabeça, couberam, mas deram lugar a outros.
(quando as coisas são muitas, para ressalvar o importante, algumas têm que se deixar para trás.)
Sorri. Pensei para mim, deve-me estar no sangue também. Eu também gosto de escarafunchar as coisas para as descrever depois no meu auto especial, assegurando que não sejam esquecidas: o Auto das Queixas de Vida. Sim, adoro queixar-me. E sou óptima nisso. Só que eu não me queixo das coisas reais, não!, isso seria bárbaro e sem graça. Não, a piada está em poder inventar. E ora aqui está uma-coisa-em-que-decidi-inovar – eu não me limito a ler os sinais nem as placas, não, eu gosto de acrescentar coisas! (e de retirar outras à socapa, mu-ah-ah-ah). Pego nas coisas, selecciono as coisas bonitas e, pumba, deito-as na forma do esquecimento. E pronto, quando já frias e suficientemente amolgadas, junto-as à minha caixinha de sonhos partidos. E ninguém as tira de lá, nem mesmo eu. Então, enumero e conto tudo o que resta. E só depois – só depois! – faço o Auto e arrumo por temas: Tema n.º 1, a vida é demasiado complexa, Tema n.º 2, quero ser outra-coisa-qualquer, Tema n.º3, a vida não vale a pena. Vale! Não vale. Vale, vale! Trampa!...
(trampa sim trampa! é ano novo oh menina! pelo menos nesta altura devíamos conseguir ver as coisas mais bonitas, ainda que as mais pequenas, estender-lhes o dedito e trazê-las até à nossa atenção. e escolhê-las para (re)lembrar. porque se muita coisa cabe cá dentro, nem tudo cabe cá dentro. devíamos escolher as coisas que valem a pena ficar. o Irving Berlin escreveu uma vez, If you worry and you can't sleep count your blessings instead of sheep. And you’ll fall asleep counting your blessings.)
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