quando se estende a plataforma para
ver partir os viajantes e
se põe o sol a pique, quente que estala e
é sexta-feira e
demasiada gente para os poucos abrigos,
ou para os abrigos curtos, delgados,
para as massas que seguem viagem a uma sexta-feira.
quando o sol cai a pique e depois desliza
enquanto o tempo passa, e
a sombra desliza,
quando o tempo corre, e
se criam dois territórios: o da luz
e o da sombra.
quando se sucede a aglomeração das massas que
esperam e depois desesperam, e
a forma como criam a fronteira e
como se mantêm no seu território, e o procuram
enquanto se movem, enquanto se movem inconscientes,
inconscientes que mudam enquanto
a areia escorre na ampulheta e uns
procuram a luz, quente na pele, e
os outros se refugiam na sombra.
tudo isto
enquanto o sol traça no pavimento cinzento
uma linha imaginária.
(na noite bebemos e tornamo-nos mais bichos. no sonho, e
na realidade. deve ser da falta de luz. da escuridão. misturamo-nos. com os outros, e misturamo-nos cá dentro.
talvez a ausência da linha faça sumir o critério.)