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terça-feira, novembro 02, 2010

who am I



mirror, mirror on the wall...
what do you see?


(somos o que os outros vêem que somos? ou o que nós vemos também? ou talvez... algo no meio? ou nada disso afinal? difícil definir a identidade quando se anda à procura dela. ou talvez, quando já se encontrou mas não se quer ver.)


i think i know the answer.



terça-feira, novembro 17, 2009

mulher(es)






afinal, o que é isto de que somos feitas?



(porque hoje também é dia da mulher. e não só quando ao almanaque lhe apetece!)

quinta-feira, novembro 05, 2009

inimputabilidade


'ela é doida!' 'matou o filho' 'saltou da janela' 'cortou os pulsos' 'entupiu-se em fármacos' 'e tinha uma carreira brilhante' 'eu nem dei por nada, ela parecia tão feliz!' 'já viste o que ele fez à namorada?' 'regou-a com gasolina e pegou-lhe fogo' 'parece um tresloucado, não diz coisa com coisa' 'ele é estranho' 'e a mania das limpezas?!' 'teve uma crise de ansiedade só porque lhe disseram que não?' 'passou-se' 'que parvoíce, ter medo de um animal tão pequenino!' 'matou os pais' 'esmurrou a senhora da caixa' 'pegou nos filhos e um a um afogou-os na banheira'.

prometeu-lhes que baixava os impostos, e mentiu.

(não sei o que é que é pior - e lamento meter isso em questão - se a barbaridade cometida quando se perde o fio à meada, se a judiaria quando se está pleno de si. de qualquer modo, as coisas são muito relativas.)


domingo, novembro 01, 2009

viver passa muito por definir critérios (VI)












              
quando se estende a plataforma para
ver partir os viajantes e
se põe o sol a pique, quente que estala e
é sexta-feira e
demasiada gente para os poucos abrigos,
ou para os abrigos curtos, delgados,
para as massas que seguem viagem a uma sexta-feira.

quando o sol cai a pique e depois desliza
enquanto o tempo passa, e
a sombra desliza,
quando o tempo corre, e

se criam dois territórios: o da luz
e o da sombra.

quando se sucede a aglomeração das massas que
esperam e depois desesperam, e
a forma como criam a fronteira e
como se mantêm no seu território, e o procuram
enquanto se movem, enquanto se movem inconscientes,
inconscientes que mudam enquanto
a areia escorre na ampulheta e uns

procuram a luz, quente na pele, e
os outros se refugiam na sombra.

tudo isto

enquanto o sol traça no pavimento cinzento
uma linha imaginária.


(na noite bebemos e tornamo-nos mais bichos. no sonho, e
na realidade. deve ser da falta de luz. da escuridão. misturamo-nos. com os outros, e misturamo-nos cá dentro.

talvez a ausência da linha faça sumir o critério.)