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terça-feira, dezembro 13, 2011

Os estados de espírito, em versão Sobre Rodas.


       
9. deixei-me aqui a um canto, e remeti-me aos blues.


(Jodhpur, India)
       
       
(começo a crer, muito sinceramente, que as bicicletas traduzem com bastante fidelidade muita coisa da vida. isso e tudo aquilo que observamos com suficiente paciência e imaginação. ou então que simplesmente apareça.)
        
        

segunda-feira, setembro 19, 2011

Dreams (II)




e se caírmos. 
  
nos mundos ao contrário,
não importa se me deixares cair.
       
          
       

domingo, novembro 01, 2009

viver passa muito por definir critérios (VI)












              
quando se estende a plataforma para
ver partir os viajantes e
se põe o sol a pique, quente que estala e
é sexta-feira e
demasiada gente para os poucos abrigos,
ou para os abrigos curtos, delgados,
para as massas que seguem viagem a uma sexta-feira.

quando o sol cai a pique e depois desliza
enquanto o tempo passa, e
a sombra desliza,
quando o tempo corre, e

se criam dois territórios: o da luz
e o da sombra.

quando se sucede a aglomeração das massas que
esperam e depois desesperam, e
a forma como criam a fronteira e
como se mantêm no seu território, e o procuram
enquanto se movem, enquanto se movem inconscientes,
inconscientes que mudam enquanto
a areia escorre na ampulheta e uns

procuram a luz, quente na pele, e
os outros se refugiam na sombra.

tudo isto

enquanto o sol traça no pavimento cinzento
uma linha imaginária.


(na noite bebemos e tornamo-nos mais bichos. no sonho, e
na realidade. deve ser da falta de luz. da escuridão. misturamo-nos. com os outros, e misturamo-nos cá dentro.

talvez a ausência da linha faça sumir o critério.)

         


quarta-feira, janeiro 21, 2009

Dreams


















Sonhei
que havia panteras na minha rua
pintadas de um cinzento columbino, ou de um rosa-fúchsia,
e que falavam

sonhei
que o céu era amarelo
e o sol de um profundo azul

que vivíamos de noite e
sonhávamos de dia

que não havia dia
como o conhecemos.

sonhei
que as árvores caíam do céu
e que o mar nevava quente
como as peles sob o agosto europeu.

que não havia europa, nem sequer ruas,
que era tudo mar, só mar
sobre o qual voávamos
sem tecto nem fundo,

que éramos livres.

que os meninos só não governavam o mundo porque
vivíamos em anarquia
e que, de resto, também não havia moscas.

que dormíamos embrulhados em nuvens
sonhando com o dia definitivo em que iríamos para a terra, mãe
última de todas as coisas.

Sonhei.

com um mundo ao contrário
mas

it was just my imagination.