"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
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quarta-feira, novembro 16, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
há de tudo (ii).
ele
- like it?
eu
- no, thank you.
ele
- what are you looking for?
eu
- no thank you, i don't want to buy.
ele, sem desistir,
- we have everything, everything is possible!
(como se chega ao sab kuch milega na Índia. do nada. ou do que quer que seja. e talvez seja por isso que funciona.)
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quarta-feira, novembro 09, 2011
há de tudo.
ele
- want to buy?
eu, desprendendo o olhar de uma peça,
- no thank you.
ele
- how much?
eu
- i don't want it. i'm looking for something...
ele, já eu a afastar-me,
- which kind of something?
(mesmo para indefinidos.)
sexta-feira, outubro 21, 2011
viagens (ii).
segunda-feira, março 21, 2011
impressões a cor
com o devido respeito pela espécie e um pedido de desculpas aos anormais [leia-se, fora da norma], dá-me a impressão que, ainda que iluminados pela benesse da inteligência, aqui na terra não passamos de uns GRANDESSÍSSIMOS animais, tamanhas são as atrocidades.
aliás, tenho a dizer que aquilo a que se chama de inteligência, se de facto se aplica aos espécimes, só tende a piorar a coisa.
(inquieta-me. inquieta-me que a luz do sol por entre as nuvens, como se duma benção se tratasse, ilumine nada mais nada menos que estas cabeças. e ninguém me tira da minha que há uma conspiração à escala universal para exterminar a praga em que nos tornámos.)
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quinta-feira, agosto 19, 2010
antes de dormir, fecho os olhos. e raramente penso nisto.
(Prašná brána, Praha, Agosto 2010)
penso noutras. gosto de me perder no pensamento circular.
(há um certo sentido masoquista em ignorar o que realmente interessa.)
terça-feira, julho 13, 2010
segunda-feira, novembro 16, 2009
"Se em alternativa se atira." (*)
sento-me à beira da pequenina pequenininha mesa de café. peço uma torrada e um galão. lá fora o sol espreita pela baixa depois da chuva. há um jornal sobre a mesa. há os restos ainda não recolhidos de pequeno-almoço. há uma chávena com espuma de leite seco. um pratito com migalhas. uma colher alta e um garfo. uma faca de comer bolo. uma faca. e se eu agora pegasse na faca e a espetasse no meu ventre?
imagino o depois. o sangue, os gritos, as fugas. se. empurro para lá. abro o jornal e leio. está uma belíssima manhã.
(*) João Condinho, projecto Se numa noite de inverno um viajante, Exposição em Coimbra-B, 7 a 14 Novembro 2009
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domingo, novembro 15, 2009
quinta-feira, novembro 12, 2009
what the hell??!
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quarta-feira, outubro 07, 2009
metabolismos
(Douz, Tunísia, Agosto 2009)
independentemente de nascerem já escravos, de terem que suportar o ferro quente a marcar-lhe um dono que nem lhes é nada senão carrasco, de apanharem porrada a torto e a direito, de passarem horas intermináveis a suportar infernos e de não terem horas livres senão quando são largados ao deus-dará à espera de um fim do dia que só lhes trará quilos e quilos de turistas, é impressionante como
quem olha para aqueles olhos pestanudos de quem passa a vista pelo mundo e para aquela boquinha em movimentos de quem mastiga uma interminável pastilha elástica com sabor a qualquer coisa que nem interessa o quê, é impressionante como, quem os olha, não lhes consegue achar uma ponta de stress.
(deve ser do metabolismo. lento, talvez. ou então do calor, que atrasa sempre tudo menos o sono. eu também queria ter um metabolismo assim. para que quando me estivesse a passar dos carretos os meus movimentos fossem tão lentos tão lentos que eu não conseguisse mover palha e morresse de frustração [solução 1, mais drástica]. ou então não, e o metabolismo era tão lento tão lento que quando me chegasse o sangue à cabeça já tinha passado o momento e deixara de valer a pena - era sol de pouca dura [solução 2, mais simpática]. pois era, queria ter um metabolismo assim. mas se tivesse um metabolismo assim, queixava-me que engordava mais rápido.)
quinta-feira, outubro 01, 2009
dupla personalidade
(Almeida, Junho, 2009)
às vezes também me apetecia ter duas cabeças: primeiro, uma para ouvir incessantemente o mundo lá fora, processá-lo nos seus pormenores infindáveis, nas suas possibilidades (im)prováveis, sob uma perspectiva e outra, e aqueloutra até, testá-lo através de hipóteses e, sempre insatisfeita, esmiuçar os resultados. assim, o mundo chatinho e exigente cá de dentro reflectiria nas coisas à vontade e viveria sob as regras do correcto-e-do-justo. depois, descaradamente livre, teria outra para quando me fartasse da primeira - com jeitinho, punha essa de lado, deixava-a a processar o infinito, e ia gozar a vida.
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terça-feira, julho 21, 2009
instantâneo
(Porto, Portugal, 2009)
Enquanto estendo o pé em cada passo,
enquanto vislumbro a estação,
enquanto subo o degrau do comboio,
enquanto me sento e acomodo,
enquanto espreito pela janela,
enquanto vejo a cidade a mover,
enquanto páro na estação seguinte e depois na outra e na outra depois,
enquanto contemplo o homem sentado,
enquanto o vejo afastar-se, momento atrás de momento, sem rasto palpável, ou que possa aconchegar no colo, enquanto lhe tento reter a face, a expressão, pensando que talvez não o volte a ver jamais, e se me derretem na boca, como algodão doce, esses pensamentos fortuitos,
enquanto se dissipa também ela, a face, na marcha do comboio,
e se me passa, também, este dia pelas mãos, pelos olhos, em sons e gostos que só saberei depois,
aí, nesse(s) entretanto(s) prolongado(s), pergunto-me
para onde vão eles, esses instantes em que pedalamos à velocidade da luz?
(assim, visto de passagem, parece-me que gastamos a vida ou no passado ou no futuro. fazia-me falta às vezes abrir a janela do comboio e deitar borda fora Tudo o que não seja aquele instante. Mas.)
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segunda-feira, abril 13, 2009
São massas, meu senhor, são massas.
descobri que as hóstias, aquele pedaço de pão imaculado e entregue por uma das muitas mãos de Deus, são feitas às carradas - em massa - por meio de objectos metálicos standardizados.




(Centro Galego de Arte Contemporânea, Agosto 2008,
Santiago de Compostela)
e confesso que me melindrou um bocadinho.
nem tem que ser lógico. não, nem tem. mas
dá-nos o homem a carne, e que fazemos nós? reproduzimo-la em formato standard para responder às exigências da procura.
pior que isto, só inseri-la no circuito da comercialização.
(Centro Galego de Arte Contemporânea, Agosto 2008,
Santiago de Compostela)
e confesso que me melindrou um bocadinho.
nem tem que ser lógico. não, nem tem. mas
dá-nos o homem a carne, e que fazemos nós? reproduzimo-la em formato standard para responder às exigências da procura.
pior que isto, só inseri-la no circuito da comercialização.
terça-feira, março 31, 2009
Birras
(Guimarães, Julho 2008)
(ando a deixar o blog de parte. deixo-o sossegadito no seu canto, a girar sobre si próprio. ele chora e eu ignoro. ele grita e eu ignoro. ele faz birra, pede atenção, e eu, impassível, viro a face. mas custa. só que, dizem os mais experientes, os meninos para crescerem fortes têm que ser volta-e-meia ignorados. isto, ou coisa que o valha.
enfim, ignorar. até pode ser desculpa. mas eu, de qualquer forma, também nunca consegui fazer grande coisa ao mesmo tempo. por isso, tenho-me desviado para as outras fixações. digo-o até sem grande vergonha: eu, ultimamente, deixo o menino num canto, e ando às voltas com a vida.)
quinta-feira, outubro 23, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
Blue Holes And Revelations
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quarta-feira, dezembro 12, 2007
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