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quinta-feira, abril 25, 2013

conquista



   
- Eu disse-lhes: «já estou farto. soltem-me, se não mato alguém e mato-me em seguida...».
Depois disso, puseram-me em liberdade.
- E o Teo Manzin? escreve versos?
- Escreve. Não posso compreender - disse ele, abanando a cabeça. - ele é um canário ou quê? puseram-no na gaiola e ele canta.
         

    (A Mãe, 1907, Máximo Gorki (Максим Горький))

quinta-feira, maio 12, 2011

it



what is it?

this is it
this is really it
this is all there is
and is perfect as it is
there is nowhere to go but here
that is nothing here but now
there is nothing now but this
and this is it
this is really it
this is all there is
and is perfect as it is
there is nowhere to go but here
that is nothing here but now
there is nothing now but this
and this is it
this is really it
this is all there is
and is perfect as it is
there is nowhere to go but here
that is nothing here but now
there is nothing now but this
and this is it
this is really it
this is all there is
and is perfect as it is
there is nowhere to go but here
that is nothing here but now
there is nothing now but this
and this is it
this is it
this is it

is this it here now?
this here now it is.
is now this it here?
here it now is this.
is it here this now?
now is here this it.
is this now it here?
this now here is it.

i am it. and so are you.

This is It and I am It and You are It and so is That and He is It and She is It and It is It and That is That. Oh It is This and It is Thus and It is Them and It is Us and It is Now and here It is and here We are so This is It.

(so, what is it?)

[James Broughton, This Is It (1971)]

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

deadlines

I

no primeiro dia do mês ela escreveu uma linha e fez tudo o resto.
no último dia do mês ela escreveu tudo o resto e fez apenas uma linha
da vida dela.

(há algo de interessante acerca dos prazos-limite.)


II

primeiro, considerou todos os pormenores a ter em atenção na obra-de-arte, todas as partes, todos os materiais, todos os jeitos particulares, tudo. es-mi-u-ça-di-nho.

passou um mês. data limite. ahhh! o quê, já??! cagou nos pormenores e incluiu apenas o essencial.

(viver passa muito por definir critérios. mas definir o que é essencial também passa muito por definir prazos-limite).


segunda-feira, março 08, 2010

busca do prazer

    
vi passar o tempo no meio dos dois sem que nenhum pestanejasse. sentados à mesa, aguardavam o momento do dia. ela deitava um olho discreto à televisão, ele fixava o vazio. ou a pele dela quando era jovem. ou quando ainda se amavam e tinham assunto à mesa. agora, escolhem o restaurante mais caro da cidade, pedem o prato mais gourmet da casa, e saboreiam-no. Está bom, não está? Óptimo. depois, nada. as coisas arrefecem. ela deita um olho discreto à janela, espreita lá fora. ou as memórias de quando se amavam e se olhavam nos olhos. ou quando ele pegava na mão dela e a saboreava fixamente. agora, ele vigia-a sem a olhar. mais nada. há ainda um bacalhau despedaçado para acompanhamento, mas os corações já vêm frios.
     
       

terça-feira, julho 21, 2009

instantâneo










(Porto, Portugal, 2009)


Enquanto estendo o pé em cada passo,
enquanto vislumbro a estação,
enquanto subo o degrau do comboio,
enquanto me sento e acomodo,
enquanto espreito pela janela,
enquanto vejo a cidade a mover,
enquanto páro na estação seguinte e depois na outra e na outra depois,
enquanto contemplo o homem sentado,
enquanto o vejo afastar-se, momento atrás de momento, sem rasto palpável, ou que possa aconchegar no colo, enquanto lhe tento reter a face, a expressão, pensando que talvez não o volte a ver jamais, e se me derretem na boca, como algodão doce, esses pensamentos fortuitos,
enquanto se dissipa também ela, a face, na marcha do comboio,

e se me passa, também, este dia pelas mãos, pelos olhos, em sons e gostos que só saberei depois,
aí, nesse(s) entretanto(s) prolongado(s), pergunto-me

para onde vão eles, esses instantes em que pedalamos à velocidade da luz?


(assim, visto de passagem, parece-me que gastamos a vida ou no passado ou no futuro. fazia-me falta às vezes abrir a janela do comboio e deitar borda fora Tudo o que não seja aquele instante. Mas.)

quarta-feira, maio 13, 2009

Desculpas


I
Tempo. 24 horas. 1440 minutos. 86400 segundos, fora as imprecisões. Tanto tempo, se formos a pensar que podemos demorar apenas uns quantos milisegundos a formar um pensamento. Não me perguntem porquê mas de facto não consigo arranjar tempo, no meio de tanto tempo, para escrever um post. Porquê?

(pronto. desculpa [esfarrapada] número 1 para não actualizar o blogue [quase] há séculos.)

II
Limites cognitivos, i.e. Burrice pura. Os posts escrevem-se quando pensamos em algo razoável (ou não) que queremos partilhar com os outros. Ora eu, sinceramente, nos últimos tempos sinto-me limitada cognitivamente para pensar, decentemente, no que quer que seja. E daí que ande a resistir à partilha de opiniões desconexas com os outros.

(desculpa número 2 para não actualizar o blogue há séculos. e também aquela que espero que explique este post…)

III
Ser livre para partilhar o vazio que habita a minha cabeça, e as ideias disconexas. E, a propósito do 25 de Abril, Liberdade é querer escrever um post e mandar tudo para o ar e escrever o post. Mas: Eu sou, supostamente, uma menina adulta e responsável (sou? hm). Não posso, sem-mais-nem-menos, deitar tudo para o ar e escrever o post (não?). Não. Raios. Pelo que me parece, a liberdade é uma função exclusiva. Isto é, ou temos a liberdade, ou temos o resto. Não podemos é ter ambos. E, visto que este mundo nos exige, a partir de uma certa idadezinha (não me perguntem é qual), umas quantas responsabilidades – que serão, infelizmente, quase a totalidade do resto – o que acontece à liberdade é triste: empurrada borda fora. Que raio de liberdade é esta que quer tudo e não nos deixa ser livres para ter o resto também? Nestes termos, a liberdade torna-se inconsistente e, por isso, uma tanga. Logo, não tenho liberdade, principalmente para escrever acerca do vazio que habita a minha cabeça, e das ideias disconexas que o tentam - impossivelmente - conectar.

(desculpa número 3, e a mais [des]idealista, para não actualizar o blogue há séculos.)


p.s.: Estou com medo, confesso. Aconteceu-me o mesmo com o Diário: de um momento para o outro pensei Já não tenho paciência para isto. E encerrei o caderno. Ou isso, ou estou numa Fase (uuuuuui!): a porcelana está a precisar de uns reparos, de uns reforçozinhos aqui e ali (fragilzinha, hem?… ui ui!). A precisar de tempo. E voltamos ao ciclo das desculpas.

terça-feira, março 31, 2009

Birras















(Guimarães, Julho 2008)


(ando a deixar o blog de parte. deixo-o sossegadito no seu canto, a girar sobre si próprio. ele chora e eu ignoro. ele grita e eu ignoro. ele faz birra, pede atenção, e eu, impassível, viro a face. mas custa. só que, dizem os mais experientes, os meninos para crescerem fortes têm que ser volta-e-meia ignorados. isto, ou coisa que o valha.
enfim, ignorar. até pode ser desculpa. mas eu, de qualquer forma, também nunca consegui fazer grande coisa ao mesmo tempo. por isso, tenho-me desviado para as outras fixações. digo-o até sem grande vergonha: eu, ultimamente, deixo o menino num canto, e ando às voltas com a vida.)