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terça-feira, junho 28, 2011

"there was a crime. there was a trial. and there is punishment." (*)


depois de várias dúvidas existenciais, apaziguadas pela clara e racionalizada relatividade das coisas, surge-me na cabeça, contra todos os intuitos e lógicas de paciência, a derradeira questão de base. e eis que brado ao alto, (com a perninha cuidadosamente amparada para não me desequilibrar):

- porquê?!, MEU DEUS, MAS PORQUÊ!? O QUE FIZ EU PARA MERECER ISTO?!

- escorregaste, responde logo a vozinha de ricochete -
e, pior, caíste. e caíste mal.


(contra factos, nunca houve argumentos. e é assim: o que uma pessoa faz tem consequências. tem. não pode deixar de ter. e perante tamanha certeza das coisas, onde raio se há-de refugiar uma pessoa?! exaspera-me!)


terça-feira, julho 21, 2009

instantâneo










(Porto, Portugal, 2009)


Enquanto estendo o pé em cada passo,
enquanto vislumbro a estação,
enquanto subo o degrau do comboio,
enquanto me sento e acomodo,
enquanto espreito pela janela,
enquanto vejo a cidade a mover,
enquanto páro na estação seguinte e depois na outra e na outra depois,
enquanto contemplo o homem sentado,
enquanto o vejo afastar-se, momento atrás de momento, sem rasto palpável, ou que possa aconchegar no colo, enquanto lhe tento reter a face, a expressão, pensando que talvez não o volte a ver jamais, e se me derretem na boca, como algodão doce, esses pensamentos fortuitos,
enquanto se dissipa também ela, a face, na marcha do comboio,

e se me passa, também, este dia pelas mãos, pelos olhos, em sons e gostos que só saberei depois,
aí, nesse(s) entretanto(s) prolongado(s), pergunto-me

para onde vão eles, esses instantes em que pedalamos à velocidade da luz?


(assim, visto de passagem, parece-me que gastamos a vida ou no passado ou no futuro. fazia-me falta às vezes abrir a janela do comboio e deitar borda fora Tudo o que não seja aquele instante. Mas.)