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sábado, outubro 02, 2010

'o amor é o amor e depois?', o que adianta saber isso, do amor, eu amo-te, ou não se diz, é mais

fácil não dizer, dar só o beijo que cala as palavras, e as discussões, dar-se a mãozinha na rua, ou deixar-se a mãozinha ao relento, trocar só o olhar, eu dou-te o meu tu dás-me o teu, o beijinho no pescoço 'enrolado pelo chão', e depois depois passa o tempo e Zás, instala-se a rotina e achamos eh pah eu acho que não é isto E nos cansamos Até que desponta novamente um tremelique, um engasgar, um sonho iludido sem quotidiano. e Zás lá vamos nós outra vez, Enganados.


nos meus 14 anos revoltados, de resposta na ponta da língua, aguçada e seca, a minha mãe dizia-me, ao ver-me entre lágrimas, a chorar fininho por um amor que nem chegara a ser, que ficara por conquistar e que doía na ilusão,

tu ainda não sabes o que é o amor.


(tinha tanta razão. ainda não sabia. mas, pergunto, e quando é que eu vou saber?)

quarta-feira, julho 15, 2009

«E esta, hem?»


Experiência (II)

Nunca fui travessa na escola. Fui sim travessa com a(s) minha(s) avó(s). Com menos de uma década de vida já lhe tentávamos, eu e a minha irmã, passar a perna, convencidas que a esperteza infantil vai mais longe que a sabedoria centenária. Lembro-me que uma vez pegámos em pedaços de pastilha elástica, fizemos bolinhas pequenininas, e colámo-las em raminhos de Mimosa. Depois, com caras de inocência matreira, fomos vender com unhas e dentes aquele achado à minha avó i.. 'Olhe vó, olhe o que descobrimos!' ' Oh, então isso é Mimosa!' 'Não é não vó!, olhe lá, esta tem bolinhas brancas, e a Mimosa não tem!'. Pois sim, riu-se ela. E ficámos nós, com a matreirice a derreter-nos nas mãos.

(enfim, não é à toa que as mães nos mandam investir na sopa. mas acho engraçado, e muito!, que tantas vezes se olhe para os velhos como quem olha para crianças: demasiado crédulos. mas onde raio achamos nós que eles enfiaram os anos de vida?)

«My momma always said...»


Experiência (I)

não sei como o fazem, se o fazem, se não o fazem, se lhes sai simplesmente, como uma criança nos cresce na barriga sem termos que querer assim forçosamente. não sei. não sei como o sabem, se o chegam a saber, se nem pensam nisso. não sei de onde lhes vem essa experiência que parece só (ou principalmente) funcionar no que toca à vida dos filhos. não sei, mesmo. e até pode passar tempo, podem passar tempestades, podem vir turbilhões, bonanças, e acabarmos a pensar que nós, afinal, é que sabemos. mas depois, amassadas as coisas, choradas, requentadas, depois, no fim de tudo, apercebemo-nos que as mães tinham, têm (e terão?) sempre sempre... razão.

(que raiva, pá.)

terça-feira, dezembro 02, 2008

Doce.














(Lagameças, Novembro de 2008)


Amarg(ur)a-me pensar que

os frutos maduros
caiem de árvores já secas.

(mas quando caiem
caiem belos e iluminados.)


Outros, verdes ainda,
Fica por lhes florir o sabor