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segunda-feira, maio 20, 2013

intervenção divina. isso Ou genealógica.


foto: íman de frigorífico da sô dona m.m.g.
     
     
depois de auxiliar o ministério de Estado e da Defesa Nacional em 2002, salvando Portugal da maré negra do Prestige, e de ter amparado o ministério das Finanças ao iluminar a Troika na sétima avaliação feita a Portugal, a nossa senhora de Fátima parece ter metido um pézinho no mi(ni)stério do futebol. de facto, só isso poderia explicar o valente tropeção do clube dos Infernos a 3 jornadas do fim. intervenção celestial, só pode. isso ou o Papa.

ah não, espera!, - parece que este ano foi mesmo o Jesus. malandreco.



(post dedicado com muito fervor à FJ, encéfalo-mor da espiral medula)



sexta-feira, maio 10, 2013

Cheshire cat (i)



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
(...)

hmm,

Eu olho-os com olhos lassos, (...)
E cruzo os braços, (...)


Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


isso!

but god damnit, man! you're not leaving me many chances.


segunda-feira, abril 22, 2013

reconciliação, Ou 'i said what i said but'.


não aguentei. ontem, passadas quatro semanas sobre o pedido de divórcio, fui vê-lo. estava à espera de uma agressividade irritada mas sem foco definido, de alguma atitude mais infantil, não sei, de um desleixo instalado, de um desespero corrosivo que o fizesse perder o rumo. mas não. 
bati de mansinho à porta - acho que não estava à espera de me ver - e surpreendeu-me: boa cara, fresca, com pose enérgica e vigorosa. a mostrar vontade de dar a volta por cima - bem melhor do que o supus. 

dei-lhe o beijo e saí. sentei-me na bancada. olhei os outros, olhei-o a ele, o jeito de pentear o cabelo, os movimentos, a forma como ajeitava as meias. olhei-o comparativamente a todos os outros. um pouco jovem talvez, pensei, mas confiante. e, pela primeira vez em muito tempo, senti uma faísca de paixão. como se o acender de uma labareda. acontecesse o que acontecesse, ia levar-te para casa depois. o rapaz lutou e foi bravo. mas a vontade não foi suficiente

fui vê-lo no fim. olhou-me com ar feroz, magoado e insatisfeito, mas sem dar o braço a torcer, e assim esteve durante algum tempo -  forte, intransponível, como um muro de pedra. depois, tremeram-se-lhe os joelhos, e desabou. 

então, estendi-lhe a mãozinha, e disse:
- anda cá amor, vem chorar no meu colinho.



(i'm yours, baby. é que, por mais que tente, nem há volta a dar-lhe.)


             

segunda-feira, março 25, 2013

eu e o meu clube vamo-nos divorciar


pronto, chega, acabou, basta. depois de muitas noites a pensar no que dizer, se as coisas são mesmo assim, a torturar-me com as consequências, vou respirar fundo, sentar-me no sofá, agarrar-lhe na mãozinha esverdeada e doente, e dizer: Amor, já não dá, tem que ser, vamo-nos fazer este favor? que já não comunicamos, que eu já não sei dele, nem ele de mim. que tantas vezes ele tem jogos e eu já nem acompanho. mas pior que isso, já não sinto a falta de acompanhar.

ele, numa inércia impensada de quem está prestes a perder algo, virá talvez com a conversa que Agora é que vai ser, agora é que vai mudar, que já não é o mesmo. e eu pensarei para mim, É talvez uma hipótese. mas vá, depois de tanto gira o disco e toca o mesmo, muito pouco provável.

e chamar-nos-ei à razão, Não amor, não pode ser, vai ser melhor para os dois. tu repara: há quanto tempo não vibro eu com uma vitória tua? há quanto tempo não me fazes vibrar com uma vitória tua? sinto falta de vibrar com as coisas. sinto falta de sentir o estômago embrulhado e de ficar doente por tua culpa. de ficar anestesiada, perdida no tempo e no espaço, e de me extasiar só porque marcaste um golo. afinal, vivemos já cada um para seu lado, a dormir cada um em sua cama, sem sentir falta do corpo um do outro. e, vistas bem as coisas, tu, neste momento, nem sabes que eu existo. somos na realidade já independentes, só não o queremos admitir. está na altura de tentarmos uma coisa nova, e de nos apaixonarmos outra vez.

então ele, reflectindo sumariamente no passado, e já com a possibilidade renascida de um futuro carnavalesco, respirá de alívio. e sei que, com a nova etapa que se avizinha, cheia de rostos frescos, beneficentesconfortados e vigorosos, depressa me esquecerá.


(porque os casamentos não são para sempre, ou não têm que ser, a minha relação com o meu clube também não é vitalícia. era o que mais faltava. quando se esfuma a chama da paixão, há que reconhecer. talvez reatemos um dia, quem sabe. neste momento, sei só que não estou para isto.)
                       

quinta-feira, dezembro 02, 2010

a quente


«Quando se ganha jogos importantes podemos chorar de alegria. Quando perdemos por 4 ou 5 não se pode sair a chorar, mas com vontade de jogar a próxima partida. É pena jogarmos sábado. Gostava que fosse amanhã já, porque depois de um jogo tão mau e de resultado tão negativo só há que voltar a jogar e a ganhar».


(é exactamente o que eu penso após uma péssima exibição. gostava que fosse já amanhã a próxima vez. enquanto a insatisfação ainda nos está quente nas veias e grita por desforra. enquanto ainda ferve a revolta de sermos tão limitados. enquanto ainda raspa na ferida e dói a crença de que poderíamos ter sido melhores, mas não fomos.)



sexta-feira, outubro 09, 2009

Vermelho, vermelhaço, vermelhuço, vermelhante, vermelhão


(imagem daqui)


perdoem-lhe, que o rapaz não sabe o que diz. primeiro porque 'Portugal pintado de vermelho' seria a morte por asfixia de tudo quanto é vivo (óbvio...). depois, porque a tomar nota na quantidade de crimes bárbaros, ora de maridos ora de namorados ciumentos, ora de vizinhos à beira de um ataque de nervos, ora de mães, padrastos, tios e tantos outros membros-do-nicho-familiar enraivecidos, ora ainda de gente que decide simplesmente 'atirar para o ar', já para não falar da sinistralidade na estrada e na construção civil, se ainda não estamos vermelhinhos, estamos lá bem perto.

terça-feira, setembro 22, 2009

'tirar' o sumo, e não 'o leite, das pedras'.




















publicidade [algures] daqui.


não sei se eles quiseram dizer exactamente o que me passou pela cabeça que eles pudessem querer dizer, nem sei porque raio iriam eles querer dizer o que eu acho e me parece que eles até quiseram dizer, mas vamos supor que eles nem quiseram dizer o que eu acho e suponho e acredito até que eles quisessem dizer porque, de facto, nem sei o que é que isso teria a ver com goiaba, ou mais a mais, com fruta. ou espremendo bem o assunto, com o néctar das coisas. nem sei porque é que a goiaba, filha do Brasiu e numa aparente historinha de amor, quereria pertencer à nossa selecção nacional de frutas. quer? mesmo? hm. enfim, alguma razão deve haver.

quarta-feira, setembro 02, 2009

AVC


Há muitos muitos anos, nas terras da Babilónia, todos os homens se entendiam. Mas devido a uma certa insatisfação humana, estes homens decidiram que afinal não queriam [só] a terra, queriam também o céu. Então, descontente com o facto de ter sido esquecido, Deus castigou os povos. E criou as línguas.

Subitamente, os homens passaram a falar sem que se pudessem entender. Cada palavra passou a ser interpretada de acordo, não com o que realmente era dito por quem a proferia mas, com a intenção do descodificador.

(Isto é, se o Liedson cai na área e grita Penalty!, o significado depende: (a) se o juiz é da mesma equipa - penalty significa Justiça!, e há que ser feita; (b) se o juiz é da equipa adversária - penalty significa Estou a gozar com vocês e vou-me safar!, e há que penalizar o Liedson gozão; ou (c) se o juiz veste de amarelo-e-preto, aí, o significado de Penalty! depende dos acordos antes do jogo.)

Adiante. Os povos fecharam-se sobre si. E nacionalizaram-se. Falavam com os da sua língua, desentendiam a língua alheia. Ou pior ainda, entendiam-na como queriam. Uma palavra podia dar azo a uma Peleja, ou ao início de uma Pacífica cooperação. E, assim, as palavras deixaram de valer por si, para passaram a ser somente o espírito que por elas passa*.

Avó, eu sou a i., filha da r., sou sua neta. Ela sorri, esticando as peles já velhinhas e amarrotadas. Diz-me Sim, todos cantamos, e Nosso Senhor fica contente. Isto quando ainda dizia. Agora murmura palavras indecifráveis Mu ru gu ru interminavelmente. Ou acena que sim, é pois é, vamos. Sorri de vez em quando, inesperadamente. Dá até sinais subjectivos de me reconhecer enquanto estica a mãozinha para umas palmaditas afáveis. Mas já não sei, nunca sei na ausência dos sinais linguísticos precisos, na ausência de um nome proferido, não sei se sabe mesmo quem eu sou.

(isto da comunicação é um problema. até quando todos parecemos falar a mesma língua, ouvir as mesmas palavras, ver as mesmas imagens, tudo reside na descodificação da mensagem. Avó, sou eu. Não vê a minha face, não me reconhece pelo tom de voz, não ouve as minhas palavras? tudo reside na descodificação da mensagem. uns, acarinhados pela vida, interpretam benevolamente. outros, deixam simplesmente de escutar. tudo depende do aparelho que construímos para descodificar. mas agora
entender como se constrói tal aparelho, detalhar os factores, prever o caos – isso já implica descodificar a vida. e, apesar até de muito estudo científico, voltamos ao mesmo, lá está, - cada um tem a sua interpretação.)


* Ferreira, V., 1994, Aparição.


quarta-feira, junho 24, 2009

estava escrito.































(imagem daqui)

pois claro que sim. então? já a Bíblia, esse livro avançadíssimo para a sua época, há uns bons aninhos previa isto: «Deixai vir a mim as criancinhas (...) » (Mt 19,13-15; Lc 18, 16).

(esperemos é que não acerte no Apocalipse.)