says Sally*,
in a brilliant Texas accent and with an enthusiastic smile. o presidente do
Conselho Europeu deve ter visto o filme recentemente também:
«Rompuy elogiou o comportamento de Portugal nos últimos dois anos. O país "é um bom exemplo" pelos resultados alcançados no "trabalho que tem sido feito nas finanças públicas e na implementação de reformas", disse. "O mais importante é mantermos o nosso rumo", vincou, defendendo mesmo que isso é "imprescindível para a credibilidade" externa dos países. Até porque, "se formos bem-sucedidos, a crise acabará por nos tornar mais fortes". Foi, aliás, esse bom comportamento que permitiu que os credores internacionais alargassem o prazo para o pagamento da dívida portuguesa há algumas semanas (...).»**
sujo, exausto e impaciente, o País quer perceber o que diz o presidente. quer saber como pode ele responder às suas preces, às suas questões, às suas dúvidas. quer tomar o microfone nestas visitas de quando a quando. mas o presidente, ou os senhores da troika, ainda que pareçam falar ao povo, não falam verdadeiramente para o povo:
Sally* a.k.a. Big Boss:
This is mission control. How are you all doing this lovely morning?
Vicka* a.k.a. Passos Coelho e o seu executivo tomam o microfone
:
Another day in paradise, Sally.
«Porêm», avança o Sr. Rompuy (Sally), sem querer pintar as coisas em demasia, «há ainda um longo caminho a percorrer. os "ajustamentos são difíceis, demoram muito tempo até parecerem fazer efeito" e é preciso "coragem política", avisou, mesmo que as sondagens mostrem que o Governo é cada vez menos querido pela população. Essa é, aliás, uma situação que Rompuy desvaloriza. "É tempo de coragem política e muitos líderes, tal como os do vosso país, mostram coragem. Estão convencidos que tem que ser como agem. E é assim que tem que ser.»**
Vicka* suspira, ou Passos Coelho e o seu executivo suspiram (, o País expira). mas compõem logo o seu melhor sorriso enquanto se dirigem ao País:
Only two more weeks (
como quem diz, anos)
, Jack (O País)
, and we can finally leave and join the others. Please, don't take any chances...
(shouldn't we? que eles estão convencidos percebo eu. mas, muito infelizmente, a fé não parece ser um bom indício de razão. pensar que ainda por cima as premissas da fé se podem basear em
erros de cálculo, é tirarem-me outro pedaço de tapete. chegar a ponderar a ideia de alocar as esperanças na
fatia política oposta, que foca as preocupações na cavalgada sobre o governo, é permitir um gancho nos queixos; enquanto que idealizar que as
medidas (ainda que enaltecíveis), propostas por uma facção que ainda crê que o comunismo é operacionável, poderiam chegar para cobrir a dívida que nem uma tonelada de ouro europeu cobre, é oferecer a face a um valente soquete esquerdino.
who should we trust then?
No one, someone whispers. é o knock out - e arrumam comigo de vez.).