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segunda-feira, junho 06, 2011

já a respeito das cadeiras,

e ainda nas voltas com a Fátima, o Pedro Passos Coelho solta com toda a coloquialidade que não suporta as cadeiras de alguns programas da TV, onde fica enterrado e pouco à vontade: "mas ainda não ninguém percebeu que aquilo é tão desconfortável?".

calculo que a cadeira de Primeiro-Ministro, apesar de apelativa, também não seja muito confortável. mas das duas uma: ou não nos sentamos, ou aguentamos e moldamos o rabinho.

(ninguém se devia sentar numa cadeira onde não se sente confortável. mas passando por cima das comodidades, porque nem tudo é uma questão de conforto, ninguém se devia queixar de uma cadeira onde quer sentar o rabinho. a não ser que a queira mudar para melhor.)


beijinhos sem ou com compromisso?

depois de um dia de cansaço, das voltas com a Fátima Campos Ferreira, de se ter sentado com o rabinho na relva, desconfortável, e de se ter queixado das cadeiras dos programas de conversas na TV, o Pedro Passos Coelho não se quis deitar sem ir dar um beijo à mãe. foi bonito.
o pai, quando ele foi eleito para o cargo de secretário-geral do PSD, foi dar-lhe um beijo de parabéns e pediu-lhe uma coisa, apenas uma: "Vê lá se não desiludes a tua mãe".

não sei que planos tem a mãe do Pedro para o Pedro, mas espero bem que passem por bons planos para o país.

eu, se pudesse, tinha-lhe dito na altura outra coisa: a tua mãe?! oh Pedrinho, vê lá é se não te desiludes a ti próprio.

bem, mas não conhecendo a peça, hoje, dado o beijinho da introdução, diria antes: vê se não mentes aos portugueses, sim?!


(porque isso de [não] desiludir é complicado. basta que [não] haja ilusão.)


segunda-feira, janeiro 24, 2011

como pode um só homem representar uma nação?


a minha tia é um amor. tem braços de ferro e força suficiente para mover montanhas. passa os dias de mãos na terra, a plantar os alhos e a ver dos kiwis e das alfaces, e a levantar-se cedo para ir levar a colheita ao mercado. e ri, muito, tanto que é um regalo vê-la a rir.
este domingo contáva-nos ela, a mim e ao meu amigo j., a sua lida da terra:

pois, andava lá eu com um cherrebeco a empapar a terra. sabe?
(o j. franze os olhos como quem tenta ver.)
é com uma foice de bizar, sabe?
(o j. faz um esgar de dor por não conseguir saber.)
é a como uma pedoa!
(não, não sabe. nem ele nem eu.)


(uma pessoa anda na escola, aprende a ler os textos do saber, e depois os livros da economia, aprende a escrever correcto e direito, com as palavras certas, sem enganar nos termos, aprende a falar e a comunicar com os dirigentes do mundo. fala direito e bonito, e faz boa figura na televisão.
mas passados tantos anos afastado das gentes das terras, que pode ele entender do que eles dizem e do que eles realmente querem saber?)


sexta-feira, janeiro 21, 2011

'à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.'


a poucas horas da eleição presidencial, procuram-se os últimos podres que poderão ainda abalar opiniões. quem já tem a opinião formada, é perfeitamente capaz de tapar os olhos ao que não quer ver. mas para quem ainda não a tem e anda à procura de alternativas [e.g. de um d. Sebastião salvador debaixo das vestes dos candidatos] estes pequenas manchas de comportamento são bem capazes de criar desilusão.

candidatar-se a um cargo político é quase o mesmo que abrir a porta da casa e deixar que vasculhem sem fio de piedade os nossos pertences. e a nossa vida. e por certo que encontrarão: a embalagem do leite no balde azul para reciclar papel, o slip leopardo para homem em vez dos boxers, a meia branca no fundo da gaveta e, ai meu deus, os restos de bolacha tipo americana nos confins do sofá.

'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. uma ova, quem pecou que esconda bem, fora dos focos da vasculhice, e procure o pecado do outro, bem feio e imperdoável para o publicar ao mundo e incentivar a morte à pedrada.

se os políticos são sérios ou não, isso não interessa. porque conhecendo a natureza humana dificilmente o serão. mas que pelo menos o pareçam, caramba! que não tendo a qualidade da perfeição e a capacidade de dar o bom exemplo, que tenham outras. por exemplo, a capacidade de ocultar bem a fraude, a capacidade de fazer amigos que dão alibi, e por aí em diante. é que, quer dizer, cria uma pessoa uma imagem de pureza celestial e depois, pumba!, deixam uma fralda de fora e, zás!, deixam-nos incrédulos, desamparados, desiludidos, e com o beicinho a tremer.

quarta-feira, agosto 26, 2009

O Engodo (II)


O Luís Figo, homem que subiria facilmente a Presidente bastando-lhe tocar na bola..., dá a entender que apoia este governo nas próximas eleições. [Auguro consequências]. Diz ele que é necessário "garantir estabilidade", para que se possam ver os efeitos das políticas. Estabilidade. Deve ser por isso que o Ben Ali está há já 22 anos na presidência da Tunísia. Quem sabe são mesmo precisos 22 anos para se mudarem coisas essenciais, como os direitos das mulheres, por simples exemplo. E a contar com a 'estabilidade' das 'suas' fotos nas paredes das casas e das lojas e dos hotéis, a contar com a 'solidão' dos seus cartazes para as Eleições 2009, não parece ser ainda desta que vá de lá sair. Estabilidade é uma palavra bonita. Quem não a deseja? O Salazar também se manteve 'estável' no seu cargo político durante 35 anos, e com ele manteve igualmente 'estável' uma nação inteira. Já o outro, o Marcellinho Caetano não teve a sorte de ter tanta 'estabilidade', e esgotou-se-lhe o tempo para introduzir as mudanças que precisam de tempo, e de estabilidade.
Mas..., e [falar de] coisas simples, não? Claro que sim! [de] coisas simplex-íssimas até. Por exemplo, como chegar a Primeiro-Ministro. Ou, dado o momento, a Presidente da Câmara. Estabilidade quem?, aqui a palavra-chave é a Instantaneidade: invista-se no sorrisinho (resplan)decente, no porte atlético desnutrido de alimentação constante, no contacto manual ternurento ao som de um belo 'Eu prometo que sim!'. E chega. Nem é preciso ser-se psicologicamente 'estável'. Basta mesmo mesmo parecer-se bom rapaz.

terça-feira, agosto 25, 2009