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sexta-feira, junho 28, 2013

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

"graças a deus [que foste recusada]!" (*)

           
depois de ponderados pensamentos prolongados, e de um click instantâneo do tipo escorregadela, "ah espera lá que estou a ver isto de outra perspectiva", chego à conclusão - por enquanto - de que talvez tenhas alguma razão.

vejamos. sou bolseira. quando apelei à minha bolsa o objectivo foi obter financiamento para o meu trabalho. e claro está, não é que não estejamos apaixonados pelo tema, mas a questão passa muito por pintar aquilo de modo a que fique bonito e seja comprado.

obter uma recusa é um terror. significa mais um ano sem bolsa, mais um ano de espera - ou procura de outra coisa qualquer, - e para os mais resistentes, reformular e voltar a submeter e voltar a esperar. e quem fala em apelar a uma bolsa para um projecto, fala em tentar publicar um artigo: ambos podem receber um desmesurado NÃO.

a recusa pode ter muitos motivos: porque não interessa a ninguém; porque interessa mas a mensagem não foi bem entregue; porque interessa, a mensagem foi entregue mas interessa a alguém que quer ficar com ela; por motivos financeiros (falta de verbas. a linha de água desce. mais pexinhos que ficam sem água).

e os motivos finaceiros ditam grande parte da questão aliás. hoje em dia (mas obviamente que desde que o homem percebeu que podia obter mais do que o que vale = especulação), o lucro, os excedentes, governam as massas. ora se o teu projecto não dá nada a ganhar, e assumindo o cenário ideal que as pessoas realmente o avaliam para tu o desenvolveres e não com interesses próprios, óbvio que não vai ser financiado. afinal, não há verbas para tudo! mas, e no seguimento do primeiro parágrafo, ainda bem.

sou a favor da investigação básica, mas praticando-a, apercebo-me que a quero ver em aplicação. que a quero ver a ter efeitos e não somente lidar com números abstractos que nunca dirão olá a ninguém.

ora uma recusa significa voltar a trás e melhorar. porque uma, entre várias outras razões, é que à primeira não fomos suficientemente bons.

queremos melhorar o país? então melhoremos. recusados? "graças a deus!" é para a perfeição que caminhamos!

ou então não.



(o " ou então não" é uma das minhas expressões favoritas.)


           
             (ao J.C., que me estalou na face esta frase(*). sinceramente, muito agradecida! ;) )
                                       

sexta-feira, janeiro 21, 2011

'à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.'


a poucas horas da eleição presidencial, procuram-se os últimos podres que poderão ainda abalar opiniões. quem já tem a opinião formada, é perfeitamente capaz de tapar os olhos ao que não quer ver. mas para quem ainda não a tem e anda à procura de alternativas [e.g. de um d. Sebastião salvador debaixo das vestes dos candidatos] estes pequenas manchas de comportamento são bem capazes de criar desilusão.

candidatar-se a um cargo político é quase o mesmo que abrir a porta da casa e deixar que vasculhem sem fio de piedade os nossos pertences. e a nossa vida. e por certo que encontrarão: a embalagem do leite no balde azul para reciclar papel, o slip leopardo para homem em vez dos boxers, a meia branca no fundo da gaveta e, ai meu deus, os restos de bolacha tipo americana nos confins do sofá.

'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. uma ova, quem pecou que esconda bem, fora dos focos da vasculhice, e procure o pecado do outro, bem feio e imperdoável para o publicar ao mundo e incentivar a morte à pedrada.

se os políticos são sérios ou não, isso não interessa. porque conhecendo a natureza humana dificilmente o serão. mas que pelo menos o pareçam, caramba! que não tendo a qualidade da perfeição e a capacidade de dar o bom exemplo, que tenham outras. por exemplo, a capacidade de ocultar bem a fraude, a capacidade de fazer amigos que dão alibi, e por aí em diante. é que, quer dizer, cria uma pessoa uma imagem de pureza celestial e depois, pumba!, deixam uma fralda de fora e, zás!, deixam-nos incrédulos, desamparados, desiludidos, e com o beicinho a tremer.

terça-feira, setembro 09, 2008

Cube

Combinações. 24 x 24. Imensos os cubinhos que se movem numa ordem rígida e perfeita. Até que tudo volte ao início. À perfeição*. Para que se possa desmoronar em seguida e repetir o ciclo.

(o desespero humano de não conseguir perceber o que não tem um sentido.)

Vou para casa. Não sei quando foi o início, nem se quer se algum dia tive o início, mas sinto os cubinhos na minha cabeça, a mover a mover a mover. Seguem movimentos ritmados; vão-se dispondo e caminhando no sentido da ideia primeira, única, perfeita. As palavras encaixam-se, constroem-se, combinam-se. E atingem: Tenho que escrever, Já.
Mas o instante passou. Vagarosos e impassíveis, retomam o ciclo. Vejo as ideias desmontarem-se (desmoronarem-se) a pouco e pouco. Esqueço as palavras. Já não sei como voltar.

Ideias. Palavras. Como cubos. Montam-se, atingem o momento em que a eclosão madura do fruto é possível, e voltam a desmontar-se.

(o desespero de se ter o momento na mão e de o deixar escapar, irreversivelmente.)


*A “perfeição” é, em si mesma, um conceito inatingível. Mas, ainda que sabendo as nossas limitações, procuramos sempre a proximidade do Horizonte.