"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
Mostrar mensagens com a etiqueta perfeição. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta perfeição. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, junho 28, 2013
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
"graças a deus [que foste recusada]!" (*)
depois de ponderados pensamentos prolongados, e de um click instantâneo do tipo escorregadela, "ah espera lá que estou a ver isto de outra perspectiva", chego à conclusão - por enquanto - de que talvez tenhas alguma razão.
vejamos. sou bolseira. quando apelei à minha bolsa o objectivo foi obter financiamento para o meu trabalho. e claro está, não é que não estejamos apaixonados pelo tema, mas a questão passa muito por pintar aquilo de modo a que fique bonito e seja comprado.
obter uma recusa é um terror. significa mais um ano sem bolsa, mais um ano de espera - ou procura de outra coisa qualquer, - e para os mais resistentes, reformular e voltar a submeter e voltar a esperar. e quem fala em apelar a uma bolsa para um projecto, fala em tentar publicar um artigo: ambos podem receber um desmesurado NÃO.
a recusa pode ter muitos motivos: porque não interessa a ninguém; porque interessa mas a mensagem não foi bem entregue; porque interessa, a mensagem foi entregue mas interessa a alguém que quer ficar com ela; por motivos financeiros (falta de verbas. a linha de água desce. mais pexinhos que ficam sem água).
e os motivos finaceiros ditam grande parte da questão aliás. hoje em dia (mas obviamente que desde que o homem percebeu que podia obter mais do que o que vale = especulação), o lucro, os excedentes, governam as massas. ora se o teu projecto não dá nada a ganhar, e assumindo o cenário ideal que as pessoas realmente o avaliam para tu o desenvolveres e não com interesses próprios, óbvio que não vai ser financiado. afinal, não há verbas para tudo! mas, e no seguimento do primeiro parágrafo, ainda bem.
vejamos. sou bolseira. quando apelei à minha bolsa o objectivo foi obter financiamento para o meu trabalho. e claro está, não é que não estejamos apaixonados pelo tema, mas a questão passa muito por pintar aquilo de modo a que fique bonito e seja comprado.
obter uma recusa é um terror. significa mais um ano sem bolsa, mais um ano de espera - ou procura de outra coisa qualquer, - e para os mais resistentes, reformular e voltar a submeter e voltar a esperar. e quem fala em apelar a uma bolsa para um projecto, fala em tentar publicar um artigo: ambos podem receber um desmesurado NÃO.
a recusa pode ter muitos motivos: porque não interessa a ninguém; porque interessa mas a mensagem não foi bem entregue; porque interessa, a mensagem foi entregue mas interessa a alguém que quer ficar com ela; por motivos financeiros (falta de verbas. a linha de água desce. mais pexinhos que ficam sem água).
e os motivos finaceiros ditam grande parte da questão aliás. hoje em dia (mas obviamente que desde que o homem percebeu que podia obter mais do que o que vale = especulação), o lucro, os excedentes, governam as massas. ora se o teu projecto não dá nada a ganhar, e assumindo o cenário ideal que as pessoas realmente o avaliam para tu o desenvolveres e não com interesses próprios, óbvio que não vai ser financiado. afinal, não há verbas para tudo! mas, e no seguimento do primeiro parágrafo, ainda bem.
sou a favor da investigação básica, mas praticando-a, apercebo-me que a quero ver em aplicação. que a quero ver a ter efeitos e não somente lidar com números abstractos que nunca dirão olá a ninguém.
ora uma recusa significa voltar a trás e melhorar. porque uma, entre várias outras razões, é que à primeira não fomos suficientemente bons.
queremos melhorar o país? então melhoremos. recusados? "graças a deus!" é para a perfeição que caminhamos!
ou então não.
(o " ou então não" é uma das minhas expressões favoritas.)
(ao J.C., que me estalou na face esta frase(*). sinceramente, muito agradecida! ;) )
sexta-feira, janeiro 21, 2011
'à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.'
a poucas horas da eleição presidencial, procuram-se os últimos podres que poderão ainda abalar opiniões. quem já tem a opinião formada, é perfeitamente capaz de tapar os olhos ao que não quer ver. mas para quem ainda não a tem e anda à procura de alternativas [e.g. de um d. Sebastião salvador debaixo das vestes dos candidatos] estes pequenas manchas de comportamento são bem capazes de criar desilusão.
candidatar-se a um cargo político é quase o mesmo que abrir a porta da casa e deixar que vasculhem sem fio de piedade os nossos pertences. e a nossa vida. e por certo que encontrarão: a embalagem do leite no balde azul para reciclar papel, o slip leopardo para homem em vez dos boxers, a meia branca no fundo da gaveta e, ai meu deus, os restos de bolacha tipo americana nos confins do sofá.
'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. uma ova, quem pecou que esconda bem, fora dos focos da vasculhice, e procure o pecado do outro, bem feio e imperdoável para o publicar ao mundo e incentivar a morte à pedrada.
se os políticos são sérios ou não, isso não interessa. porque conhecendo a natureza humana dificilmente o serão. mas que pelo menos o pareçam, caramba! que não tendo a qualidade da perfeição e a capacidade de dar o bom exemplo, que tenham outras. por exemplo, a capacidade de ocultar bem a fraude, a capacidade de fazer amigos que dão alibi, e por aí em diante. é que, quer dizer, cria uma pessoa uma imagem de pureza celestial e depois, pumba!, deixam uma fralda de fora e, zás!, deixam-nos incrédulos, desamparados, desiludidos, e com o beicinho a tremer.
terça-feira, setembro 09, 2008
Cube
Combinações. 24 x 24. Imensos os cubinhos que se movem numa ordem rígida e perfeita. Até que tudo volte ao início. À perfeição*. Para que se possa desmoronar em seguida e repetir o ciclo.
(o desespero humano de não conseguir perceber o que não tem um sentido.)
Vou para casa. Não sei quando foi o início, nem se quer se algum dia tive o início, mas sinto os cubinhos na minha cabeça, a mover a mover a mover. Seguem movimentos ritmados; vão-se dispondo e caminhando no sentido da ideia primeira, única, perfeita. As palavras encaixam-se, constroem-se, combinam-se. E atingem: Tenho que escrever, Já.
Mas o instante passou. Vagarosos e impassíveis, retomam o ciclo. Vejo as ideias desmontarem-se (desmoronarem-se) a pouco e pouco. Esqueço as palavras. Já não sei como voltar.
Ideias. Palavras. Como cubos. Montam-se, atingem o momento em que a eclosão madura do fruto é possível, e voltam a desmontar-se.
(o desespero de se ter o momento na mão e de o deixar escapar, irreversivelmente.)
*A “perfeição” é, em si mesma, um conceito inatingível. Mas, ainda que sabendo as nossas limitações, procuramos sempre a proximidade do Horizonte.
(o desespero humano de não conseguir perceber o que não tem um sentido.)
Vou para casa. Não sei quando foi o início, nem se quer se algum dia tive o início, mas sinto os cubinhos na minha cabeça, a mover a mover a mover. Seguem movimentos ritmados; vão-se dispondo e caminhando no sentido da ideia primeira, única, perfeita. As palavras encaixam-se, constroem-se, combinam-se. E atingem: Tenho que escrever, Já.
Mas o instante passou. Vagarosos e impassíveis, retomam o ciclo. Vejo as ideias desmontarem-se (desmoronarem-se) a pouco e pouco. Esqueço as palavras. Já não sei como voltar.
Ideias. Palavras. Como cubos. Montam-se, atingem o momento em que a eclosão madura do fruto é possível, e voltam a desmontar-se.
(o desespero de se ter o momento na mão e de o deixar escapar, irreversivelmente.)
*A “perfeição” é, em si mesma, um conceito inatingível. Mas, ainda que sabendo as nossas limitações, procuramos sempre a proximidade do Horizonte.
Etiquetas:
despero,
filmes,
ideias,
irreversibilidade,
perfeição
Subscrever:
Mensagens (Atom)