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quinta-feira, maio 23, 2013

Wie geht's? (*Como estás?)


- es geht. (*vai-se andando)

não, diz-me ele, corrigindo. não, não e não. não podes responder assim: é de mau tom, revela falta de maneiras, má educação. dizer uma coisa assim, imprecisa, morna, deslavada, coaje o outro a ter que se interessar pela tua vida, a perguntar: então, diz láaaa, afinal que se passa?... e não pode ser. há que não importunar o outro. há que omitir, encobrir, enfeitar. encurtar a resposta para que possamos todos coexistir  com um belíssimo sorriso amarelo empunhando triunfantemente o livro de etiqueta nas mãos. para que possamos manter uma convivência morna mas extensa e sem azias, sem emoções, sem extremismos desnecessários. em sociedade. isso, nem que nos estejam a sair as tripas pelo buraco do umbigo.

como? para poupar os outros, disse? os outros que quê - para a próxima segue um entusiástico

- sehr gut! exzellent! wunderbar! (* muito bem! excelente! espetacular!) -

mas é para me poupar a mim que ando sem paciência para dar explicações.


             

sexta-feira, março 15, 2013

febre (ii) ou Ontem foi como ter ido ao ginásio

           
porque a julgar pelas dores que tenho nos abdominais devo ter malhado e bem. ou então malhou a gripe em mim, enquanto eu quietinha lhe dizia, Oh por favor deixa-me estar aqui sossegadinha, mas ela entusiasmada insistia para o meu bem, Vá só mais um, e Atchim, lá chegava eu com o nariz quase à ponta dos pés, Crof Cooof, lá se levantava abruptamente o meu dorso num movimento concertado de esforço abdominal. enfim, um sucesso. nada como ter uma personal trainer 24h encima de nós. porque se hoje não tenho os abdominais delineados, pelo menos sinto-os delineados.
           
          
(que ginásio, que dietas, que quê: nunca vi ninguém perder tanto peso, gastar tanta energia e manter-se tão hot hot como quando está com as síndromes. só é pena ficar um pouquinho cadavérico, mas vá, também não se pode ter tudo.)

           
     

quinta-feira, agosto 25, 2011

contexto (i)

      
hoje, o gajo-de-quem-toda-a-gente-foge fez um trocadilho. e, garanto, foi um trocadilho com piada. mas ninguém se riu. eu não me ri. limitei-me a esboçar um sorriso discreto, baixei os olhos para o prato e engoli. será que acabou por não ter piada mesmo que, no absoluto, tivesse piada? não sei, mas o meu cérebro detectou ali um bom trocadilho.
pensei, se fosse o gajo-que-toda-a-gente-curte a fazer este trocadilho ia ser risada a tarde toda. mas não foi. e, olha, vamos ter que trabalhar.

(acho que há uma aplicação qualquer que a sociedade nos instala no cérebro para identificar contextos. e com direito a actualizações! a partir daqui, e depois de dada a etiqueta correcta, permite-nos ter o bom senso - ou o senso comum? - de não rir de piadas de pessoas que à partida não têm piada. para compensar, vá, podemos rir-nos delas.)

                        

sexta-feira, janeiro 21, 2011

'à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo.'


a poucas horas da eleição presidencial, procuram-se os últimos podres que poderão ainda abalar opiniões. quem já tem a opinião formada, é perfeitamente capaz de tapar os olhos ao que não quer ver. mas para quem ainda não a tem e anda à procura de alternativas [e.g. de um d. Sebastião salvador debaixo das vestes dos candidatos] estes pequenas manchas de comportamento são bem capazes de criar desilusão.

candidatar-se a um cargo político é quase o mesmo que abrir a porta da casa e deixar que vasculhem sem fio de piedade os nossos pertences. e a nossa vida. e por certo que encontrarão: a embalagem do leite no balde azul para reciclar papel, o slip leopardo para homem em vez dos boxers, a meia branca no fundo da gaveta e, ai meu deus, os restos de bolacha tipo americana nos confins do sofá.

'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. uma ova, quem pecou que esconda bem, fora dos focos da vasculhice, e procure o pecado do outro, bem feio e imperdoável para o publicar ao mundo e incentivar a morte à pedrada.

se os políticos são sérios ou não, isso não interessa. porque conhecendo a natureza humana dificilmente o serão. mas que pelo menos o pareçam, caramba! que não tendo a qualidade da perfeição e a capacidade de dar o bom exemplo, que tenham outras. por exemplo, a capacidade de ocultar bem a fraude, a capacidade de fazer amigos que dão alibi, e por aí em diante. é que, quer dizer, cria uma pessoa uma imagem de pureza celestial e depois, pumba!, deixam uma fralda de fora e, zás!, deixam-nos incrédulos, desamparados, desiludidos, e com o beicinho a tremer.

quarta-feira, março 26, 2008

«Feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente.»

       
Anda para aí um dito a arranhar-se pelas paredes que até escandaliza o Homem. Dizem que as mulheres são gente. Gente? Que ideia radical é essa?! Gente de gentinha? Radical é se fossem pessoas!

(:x)