a minha tia é um amor. tem braços de ferro e força suficiente para mover montanhas. passa os dias de mãos na terra, a plantar os alhos e a ver dos kiwis e das alfaces, e a levantar-se cedo para ir levar a colheita ao mercado. e ri, muito, tanto que é um regalo vê-la a rir.
este domingo contáva-nos ela, a mim e ao meu amigo j., a sua lida da terra:
pois, andava lá eu com um
cherrebeco a
empapar a terra. sabe?
(o j. franze os olhos como quem tenta ver.)
é com uma
foice de bizar, sabe?
(o j. faz um esgar de dor por não conseguir saber.)
é a como uma
pedoa!
(não, não sabe. nem ele nem eu.)
(uma pessoa anda na escola, aprende a ler os textos do saber, e depois os livros da economia, aprende a escrever correcto e direito, com as palavras certas, sem enganar nos termos, aprende a falar e a comunicar com os dirigentes do mundo. fala direito e bonito, e faz boa figura na televisão.
mas passados tantos anos afastado das gentes das terras, que pode ele
entender do que eles dizem e do que eles realmente querem saber?)