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quarta-feira, dezembro 16, 2009

life is a state of mind


















beware of the territory in which you choose to live.



quinta-feira, agosto 27, 2009

Sapho



Alice:
- I don't love you anymore.

Dan:
- Since when?

Alice:
- Now, just now.*


(creio eu que haja pouca coisa tão forte e, ao mesmo tempo, tão frágil
quanto o amor.)



*diálogo do filme Closer, 2004, de Mike Nichols.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Causas para a (des)graça dos povos (III)


O outro dia a m. e a v. vieram uma teoria que diz que rirmo-nos de situações estúpidas serve de aviso-para-os-outros de que alguém caiu, mas que não se magoou.

(aqui está uma situação em que um sorriso pan-american seria bem mais discreto e apropriado que uma sonora gargalhada.)

Ora, isto do “aviso para os outros de que alguém caiu, mas que não se magoou” é, sinceramente, uma trampa. Eu quando me rio da queda aparatosa de alguém não fico à espera para ver se se magoou ou não: primeiro, e instantaneamente, rio-me aparatosamente também; depois, passo a desgraçadíssima vergonha de ter que me enfiar num buraco para fugir a um ou outro olhar matador que me esfola a insensibilidade.

(de facto, sempre achei isto um problema. é terrível, eu não sou insensível. porque é que o pareço?)

Nem sei de onde vem esta ideia de pensar-antes-de-agir-impulsivamente. Acaso alguém pensa racionalmente antes de tirar a mão de uma superfície a escaldar? Não: agir impulsivamente é-a-resposta adaptativa aos atrasos burocráticos da racionalidade! E nem se pensa se houve ou não alguém que se magoou – ora essa!, é o meu corpinho que se queima. Assim, e prosseguindo no raciocínio, se sou eu-e-este-instante que estamos em questão, rir-me agora também não me diz que no futuro os papéis se poderão inverter. Claro que não: nós nunca iremos cair, os outros é que caem.

(enfim, isto de sermos animais na essência também é uma trampa.)

Só que a vida, marota, também prega rasteira, e dia virá em que eu espetarei o meu incólume queixinho no chão. Aí, ainda que o meu kit de sobrevivência não me permita antecipar, alguém se rirá da minha desgraça. Se o riso dele foi fruto de genes impulsivos? isso é que já não sei. É que se algumas coisas já vêm connosco, outras aprendem-se. E por melhores que sejam os genes, e os impulsos, na falta de melhores exemplos, aprende-se com o que se vê em volta.

(em suma, rir às gargalhadas da desgraça dos outros também é uma desgraça mundial.)

quarta-feira, outubro 29, 2008

Chapadas (I)


Andamos um ano, dois, abalados com o safanão da notícia. A cambalear e tentar manter o equilíbrio. A ver alguém subir as escadas e a aproximar-se cada vez mais do portão final. A saber que é uma ironia feroz por ser cada vez maior o esforço, mas ainda assim ter sempre que se subir, sabendo o que nos espera. A saber que é uma ironia feroz, ponto. Andamos assim um ano, dois. Olhamos sentimos sofremos. Fugimos. Voltamos. Tarde de mais. Chega o dia. Resta-nos despedir. Foi longo o caminho. Preparámo-nos. Tentámos preparar-nos, mas nunca estamos. Temos que nos despedir. Despedimo-nos. Da forma que sabemos, num modo que não controlamos. Temos que continuar, temos. Sofreu-se, sofre-se, vai-se sofrer. Acompanha-se o corpo. Choramos. Somos família, vivemos, prosseguimos. Há coisas que não mudam. Outras mudam mas têm que ser enfrentadas. Mesmo quando não queremos. Falamos sobre o ano vagaroso, o sofrimento lento, a preparação para a despedida. Falamos do amanhã. Digo, adeus, até logo. Temos que continuar, é assim a vida. Pois é, até amanhã.
Vejo-o afastar-se. Penso que amanhã, ou depois, na próxima vinda, falarei com ele sobre isto, ou sobre aquilo. Vem um carro, ele não vê. Pum, morre.

Andamos um ano a preparar-nos para a morte de alguém. E vem a vida e, num segundo, apanha-nos desprevenidos.

(Juro que não sei, não sei lidar com esta imprevisibilidade. É que não é se A gosta de B, se não gosta, se chateia, se rodopia. Não é se não comprei a bota, se perdi o filme, se não vi o jogo o João ou o carapuço, se me caiu do céu e eu não lutei, se não houve tempo, se não descansei, se não controlo isto, se não controlo aquilo. Se nem tudo é como quero, se falho, se não gostei de ouvir, se não sei do futuro, se nem sequer sei, se me assusto, se penso na minha vida, nestas com os planos e os sonhos todos. Não, não é nada disso. O que verdadeiramente me deprime é não saber Se no próximo instante continuo viva. O que incontornavelmente me prega com cada chapada é este imenso acaso Que até me pode manter viva mas roubar os que amo. De um dia para o outro. É isso que me deprime. O resto só acontece porque estou viva, e eles também.)

terça-feira, julho 01, 2008

Escape


Decorei-te a frase de intervenção, a aparição súbita. Decorei-te o cabelo ligeiramente encaracolado, os fios brancos de quando a quando, os dentes finos e os olhos arregalados. Decorei-te os gritos e a voz arrancada de um fundo sem fundo. Decorei-te esse desespero de querer ser o que não está em nós. De fugir daquilo que nos está no sangue. Encontrámo-nos no meio de uma sucessão desordenada de instantes, e falámos como se nos conhecêssemos desde sempre. Trocámos ideias, ultrapassámos os limites. E depois, saciados da quebra da rotina, seguimos com a nossa vida.
Talvez todos queiramos encontrar um louco. Alguém que nos arranque do que vivemos todos os dias. Que nos acorde. Por instantes. Para quando formos para o café termos uma história para contar. O que não queremos depois é ter que viver com ele. É um brinquedo de meia-hora que só queremos se, quando começar a chatear, o pudermos pôr de lado.
(aparte de ser rebelde, acho que uma parte de mim – a que não se preocupa com as aparências, a que compensa essa parte – uma parte de mim sempre quis ser louca. mas essas coisas não se forçam. já vêm nos genes. e se tentarmos ser loucos, acabamos por nos tornar ridículos.)

sexta-feira, maio 09, 2008

A spot.


A vida devia ser (lá estou eu a dar palpites) um momento no tempo (e não é?). Digo, sem memórias. Sem medo das consequências. Era o agora e pronto.

Sem direcções ou sentidos.
Sem antes nem depois, pedaços negros da vida.

Like a spot. A round, white, shining spot.