Decorei-te a frase de intervenção, a aparição súbita. Decorei-te o cabelo ligeiramente encaracolado, os fios brancos de quando a quando, os dentes finos e os olhos arregalados. Decorei-te os gritos e a voz arrancada de um fundo sem fundo. Decorei-te esse desespero de querer ser o que não está
Talvez todos queiramos encontrar um louco. Alguém que nos arranque do que vivemos todos os dias. Que nos acorde. Por instantes. Para quando formos para o café termos uma história para contar. O que não queremos depois é ter que viver com ele. É um brinquedo de meia-hora que só queremos se, quando começar a chatear, o pudermos pôr de lado.
(aparte de ser rebelde, acho que uma parte de mim – a que não se preocupa com as aparências, a que compensa essa parte – uma parte de mim sempre quis ser louca. mas essas coisas não se forçam. já vêm nos genes. e se tentarmos ser loucos, acabamos por nos tornar ridículos.)