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segunda-feira, março 19, 2012

isto é como um teste (ii)


pegas na folha e ficas 1h30, 2h, a resolver as questões. sobe-te o sangue à cabeça, suas, sais a ferver. mas achas que te empenhaste, que aquilo até correu bem. falas com os colegas, até correu bem. puxam das perguntas, tu estás descansado. discutem as respostas. tudo bem. de repente, tramp!. não!, era isso? era essa a resposta? não. como é possível? como é que não me lembrei disso? disso!
segues para casa, jantas cabisbaixo, remóis contigo a pergunta, remóis a resposta que deste, remóis o lapso, o teres falhado. o falhanço. remóis isso tudo, não te sai da cabeça, queres dormir e não te sai da cabeça. falhei. como é que eu não vi? como é que eu errei aquilo? aquilo! eu até estudei...

          

(tinha tudo para dar certo. para correr bem. para ir avante e sair-se bem. o melhor possível. mas cometemos erros, imperdoáveis talvez. porque não podemos ir lá atrás e corrigir, e responder bem, e dar a melhor resposta possível. porque não podemos emendar o teste e ter um 100%. porque tinha tudo para dar 100%, mas falhou. e até perdoarmos o erro, o nosso erro, são noites a pensar, a pensar nem que no sonho. muitas. mas tudo passa, tudo passa.

esperamos nós...)
            
        

quarta-feira, janeiro 11, 2012

ou incapacidade de abstracção?

    
sempre me intrigou como é que aquilo que tanto criticamos nos outros, é exactamente aquilo que acabamos por fazer. e repetidamente.


(mas será que não temos um pingo de consciência? e de contenção de impulso? se calhar não. ocorreram-me agora os famosos erros de interpretação: não não, o que tu fazes está mal. já o que eu faço é diferente...)
   
    

terça-feira, março 29, 2011

«No man's error becomes his own Law, nor obliges him to persist in it. »

         

Morreu Susan Atkins, uma das "raparigas de Charles Manson" ... Depois da sua morte, o marido escreveu no site que mantém sobre ela que "ninguém na Terra trabalhou tão duramente como Susan para corrigir um erro incorrigível".

(até onde podemos errar?)

        

segunda-feira, janeiro 28, 2008

We should all be hard candies


I - Quando os frutos caiem.

Se amadurecer significa deixar de ver o mundo de forma bonita e iluminada
e sentir na pele o estalo rude da terra dura,
então devo estar no bom caminho
para um dia poder dizer que, enfim,
apodreci…

II - Loja das Grosserias.

Da próxima vez que te vir entrar na loja de guloseimas com o teu vestido de cetim azul e com esses teus sapatinhos de verniz vermelho, e te vir mostrar esse sorriso cândido de menina
- dessa próxima vez que te vir sonhar –
vou-te agarrar na face suave e nos cabelos doirados
e dizer-te aos ouvidos num rasgão:
que esse Senhor simpático que te mostra os doces como se te os oferecesse apenas,
que esse Senhor que te pede as horas e a quem tu as dás, agradecida,
que esse Senhor maduro e pai de meninas como tu,
é vendedor.
E que esses doces que te estende,
na sua sabedoria refinada,
são doces ressequidos, amargurados e degustados;
E que, afinal, o que esse senhor oferece não são os doces
mas os murros no estômago que ficam no final.

III - Porcos

Enojam-me os senhores que
levam na algibeira descontraída a cartilha do saber muito
e tudo,
e que,
depois,
confundem meninas com Meninas.