"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
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sábado, junho 18, 2011
sexta-feira, abril 15, 2011
os fabulosos anos 80
(Essa Entente, Dança Nua, 1989)
"... quer levar-me mas eu não vou ficar
Apenas vou sorrir, passar..."
(por mais cruas que sejam as coisas, tenho sempre saudades destes anos.)
terça-feira, setembro 14, 2010
quarta-feira, novembro 26, 2008
Mas temos sempre o canivete.
Quando era mais pequena e ainda não tinha conhecimento das coisas, sentava-me no sofá já gasto e, naquela hora da fome, devorávamos o MacGyver munido de um canivete suíço e de uma cabecinha prodigiosa a escapar de qualquer entrapment. E devo dizer que lhe devo a ele o meu primeiro contacto (positivo) com a Física. Ali, naquele contexto natural, os conhecimentos “elementares” daquele herói faziam-me sonhar acerca daquela ciência ágil e lógica. E pensava: Quando for grande quero ser fisicista!
Depois, descobri que a Física é uma cambada de vectores, leis, movimentos, constantes, forças, velocidades, intensidades, energias, resistências, massas, pesos, cargas, e outros afins (acabei de despejar aqui o livro de Físico-Química do 10º ano). E que implica trabalho, muito! E, pronto – desilusão –, lá se foi o amor pela Física.
(espero que um dia destes, quando voltar à prática, volte a descobrir a paixão. parece-me a mim que as grandezas numéricas são muito mais certas que as particulares pessoas. pena é que não sejam mais fáceis de interpretar.)
terça-feira, outubro 28, 2008
Pai Natal
Foi exactamente enquanto alongava os músculos naquele passeio em frente às Águas, enquanto olhava para a parede com estruturas metálicas para agrilhoar bicicletas, enquanto pensava que também eu podia ter uma bicicleta, guardada no prédio, mas que precisaria de algo para a prender, ou então podia deixá-la lá sem a prender, não não podia, porque poderiam levá-la, como daquela vez. Daquela vez, há uns 20 anos atrás, em que o meu triciclo desapareceu. Do vão das escadas onde foi deixado, já nem sei por meio de que ardiloso acordo. Foi exactamente aí, naquele instante, que se fez uma luz.
Não, espera lá!, o meu triciclo não foi levado. O meu triciclo não desapareceu. Nem teve mão de um alguém distante com boas intenções e esperança de um sorriso. Não. O meu triciclo, o meu veículo de criação de voltas perfeitamente circulares e intermináveis ao quintal, o meu lindo e adorado triciclo(!) foi mandado embora, afastado, numa obscura artimanha… pelos meus próprios pais. Como não percebi antes? Como não vi que tinha sido feito desaparecer, aniquilado, por ter três pernas e ser um comodismo. Por não ter duas e ser então propício a desequilíbrios e quedas e queixos ensanguentados. Por já não ser próprio para a etapa seguinte. Por ser um meio de empate e retenção na etapa anterior. Que se lixem as etapas! O meu triciclo foi mandado fora, posto num recanto frio e obscuro, e deixado assim triste à minha espera, simplesmente, por ter uma perna a mais! Só que eu, naquele dia, não vi isso. Pequenita, esperançosa de que a vida não leva as coisas que não lhe pertencem, que não leva antes do tempo, que não quebra os sonhos dos meninos, deixei-me convencer. E no dia seguinte, já confrontada com a ausência, o meu triciclo, posto naquele vão de prédio, só tinha desaparecido. Só isso. Naquele dia eu acreditei no que eles me quiseram dizer, e no que eu quis ouvir. Só porque assim tinha sido imprevisto, impossível de se saber, impossível de se evitar. Porque, assim, era uma estória mais bonita.
(vou ser muito sincera. tenho 24 anos e - isto é uma desgraça de se dizer mas - por vezes, demasiadas vezes, parece que ainda acredito no Pai Natal. acordem-me para a vida por favor!)
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quarta-feira, janeiro 30, 2008
Sólidos de Catalan
Tinha 14 anos quando me perdi. O pensamento concreto de até então deu o salto e tornou-se (i)lógico, com todos os caminhos em aberto. E fiquei eu no meio das escolhas
e dos escolhos
de tudo o resto que ficou, simplíssimo, para trás.
Catorze anos de um mundo certo, pensando que havia uma idade para tudo. Depois, caí, e percebi
Que a idade não interessa,
que somos bichos eternos
em luta com as escolhas.
Que as escolhas podem ser mal feitas?
Podem, mas que só aprendemos assim – julgamos as próximas, com as anteriores.
E se aprendemos mal, julgaremos mal (óbvio…).
Que o homem não é naturalmente bom sr. Rosseau, nem sequer naturalmente. Que é uma mistela de tanta coisa que anda por aí, e que tentar compreendê-lo e aplicar-lhe uma equação certa que o desvende é estourar a cabeça em mil pedacinhos loucos e estridentes.
Que é tudo uma incerteza
um conjunto de escolhas disparatado
aleatório,
irresoluto,
como quem joga num euromilhões sem sorteio.
Como quem ganha sem saber
E depois morre.
(tanta coisa que fica por saber…)
Que a velhice virá um dia,
E a sabedoria com ela.
Que não sei se a sabedoria chegará com ela, sem ela, se chegará seja com quem for.
Que não há sabedoria –
Há uma e excessivas formas de ver a vida
(e depois há os conformistas e os inconformistas
e todos os outros nos intervalos infinitesimais
que as aceitam ou não.
Ou que decidem ficar no meio e nos meios, porque não há um mas vários
porque nunca há nada que seja uno e simples!)
Que a matemática é um sonho e não bate certo com nada.
(que quanto mais penso
mais esfolo o sossego, mais estripo o equilíbrio.)
Que só a Ceifeira é feliz quando canta.
Mas que os 14 anos dela não a devem ter atirado ao chão...
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