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terça-feira, março 19, 2013

falsos amigos


se eu for ao meu computador, seleccionar uma pasta - A - com, digamos, 500Mb, copiar para outra pasta, e impaciente, antes desse processo terminar, começar a copiar outra pasta - B - de 1Gb, verifico que:

o tempo que demoraria a copiar a 'pasta A', mais o tempo que demoraria a copiar a 'pasta B', se for feito numa sequência de acções - primeiro um, depois o outro - é infinitamente inferior ao tempo que acaba por demorar copiar a pasta A e a pasta B ao mesmo tempo, isto é, paralelamente.

(evidentemente, isto tem a ver com o tamanho das pastas. uma pasta de 20Mb, que demora 5 seg a ser copiada, nem me dá tempo de ir seleccionar a outra pasta e pô-la a ser copiada...)

ora, ponho-me a pensar:

se eu conseguisse perceber o que leva a que os tempos conjuntos da cópia das pastas seja superior aos tempos separados da cópia das mesmas,

talvez conseguisse perceber porque é que eu, na minha vidinha em geral, quando tento fazer duas coisas ao mesmo tempo, paralelamente, acabo sempre por demorar mais tempo do que se me desse a paciência e decidisse fazer as coisas sequencialmente.

-.-''

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Hereditariedade


Anteontem à noite, ainda que por instantes, quebrei um bocadinho do mundo da minha avó.

Eu explico. Nos seus 94 anos de vida, a minha avó já não tem vida social. Para além da pouca mobilidade, já pouco vê (digamos que ainda reconhece os netos mas que a taxa de erro ronda os 5%... e se lhe perguntarem se o que tem no prato é peixe ou batatas, aproxima-se dos 90%). Ora, quem pouco ou nada vê refugia-se no que ouve, e se o volume for criteriosamente ajustado (i.e. no máximo!) é quase impossível não ouvir. Aparece então, para preencher o vazio dos dias e o lugar no céu, a sessão do terço, religiosamente acompanhado na famosíssima RR (também conhecida por Rádio Renascença) todos os dias às 18.30. E se por acaso passa o relato da bola ai o relato da bola! Fica desconsolada mas não usa palavrões pois a minha avó sabe palavras esquisitas mas não diz palavras feias. Ora,

o dia tem 24h e os 30 minutos de terço é coisa pouca para quem já não tem muito que fazer senão dormir, esperar pela hora das refeições e circular de tempos a tempos para cumprir calendário(s). Ora, acontece que

por volta da hora de jantar, enquanto se aquece debaixo das mantinhas no sofá e vê com pesar a minha mãe subir e descer 2 lanços de escada para lhe trazer a sopa, anuncia-se no grande ecrã (não tão grande que seja visível para os pequeninos olhos da minha avó) o magnífico, único, e portador da boa disposição, senhor Carlos Malato. Ora,

a minha avó, perdida nos êxtases da audição e na voz sonora daquele senhor, lá acaba por prestar atenção às perguntas. E visto que até sabe palavras esquisitas lá acerta volta e meia nas respostas e, pronto, ganha afecto ao senhor. Então, nas noites em que apareço, solta-me ansiosa a confissão

- daqui a pouco vem A Herança!

Não é que eu esteja por-dentro-destas-coisas, mas na outra noite achei por bem esclarecê-la. E actualizá-la. Afinal, ainda que seja Natal, as verdades têm que se fazer saber.

- oh vó? Sabe aquele programa do Malato? Aquele programa que a avó gosta! A avó não sabe mas aquilo já não é A Herança.
- Não?
- Não vó, isso era dantes, agora já não há disso. Agora, as pessoas não recebem o que merecem ou mesmo o que é justo [mas não que a herança de facto garanta isso…]. Não. Agora as pessoas manipulam para receber, fazem Jogo Duplo.
- Ai é?
- É, vó…

(o que ela não sabe é que dantes também era assim, mas que nem sempre os olhos vêem e nem sempre os ouvidos ouvem o profundo-sentido-das-coisas.)

Doeu-me. Mas lá ficou com a ideia. Claro que eu sei que não há-de durar muito e que hoje à noite, por volta da hora do jantar, quando as vozes do ecrã anunciarem o Malato abençoado, a minha avó vai meter os ouvidos à escuta e dizer à minha mãe que

- lá vem A Herança!

E que hei-de eu fazer? Talvez esperar que esta forma “simples” de ver o mundo, esta forma que escuta para logo depois obliterar as partes-feias-da-existência, me seja passada de alguma forma em herança pelos mistérios duplos da hereditariedade.

segunda-feira, maio 12, 2008

O Quadrado da Lógica.


Tenho uma teoria.
O ambiente é mutável, e muda frequentemente.
Pessoas instáveis mudam quando o ambiente muda.
Eu sou instável.
Logo, mudo frequentemente.
Solução: parar a mudança do ambiente! (:P)
       
(é por isso que nos devíamos tornar todos ambientalistas.)