"The range of what we think and do is limited by what we fail to notice. And because we fail to notice that we fail to notice there is little we can do to change until we notice how failing to notice shapes our thoughts and deeds." (Ronald D. Laing)
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quinta-feira, abril 04, 2013
quarta-feira, abril 20, 2011
etiquetas na pele
"na 5a feira vai almoçar com o filho epiléptico."
ouvido isto, tratei de tecer o resto da história:
na 6a feira janta com o primo bipolar em fase maníaca. e depois há festa!
no sábado vai às compras com a tia diabética e, de seguida,
janta com a amiga deprimida que se divorciou recentemente do marido celíaco. não há festa.
não ousando escapar, toma ela própria o comprimido, é uma drogada.
no domingo almoça em família, com o outro filho, hiperactivo, a miúda obesa, e o marido desempregado (que é o mesmo que dizer, futuro alcoólico identificado ou futuro deprimido). o filho epiléptico não almoça aqui.
na 2a, depois de sair do trabalho, faz o jantar para os filhos e vai ver a mãe demente. por coincidência, na mesma casa, está também o pai normal. quê, normal?! não tem sequer uma patologiazinha com que o possamos definir? uma amigdalite recidivante, uma renite alérgica, uma hipertrofiazinha prostática incipiente? sei lá, qualquer coisa muito única, nada repetível e comum, que possa ser incluída na etiqueta descritiva? uma carecazinha à vista, uma fugazinha aos impostos, uma batidelazita no carro da frente? prooonto, está bem. o pai normal. mas um tremendo anormal, caramba.
ouvido isto, tratei de tecer o resto da história:
na 6a feira janta com o primo bipolar em fase maníaca. e depois há festa!
no sábado vai às compras com a tia diabética e, de seguida,
janta com a amiga deprimida que se divorciou recentemente do marido celíaco. não há festa.
não ousando escapar, toma ela própria o comprimido, é uma drogada.
no domingo almoça em família, com o outro filho, hiperactivo, a miúda obesa, e o marido desempregado (que é o mesmo que dizer, futuro alcoólico identificado ou futuro deprimido). o filho epiléptico não almoça aqui.
na 2a, depois de sair do trabalho, faz o jantar para os filhos e vai ver a mãe demente. por coincidência, na mesma casa, está também o pai normal. quê, normal?! não tem sequer uma patologiazinha com que o possamos definir? uma amigdalite recidivante, uma renite alérgica, uma hipertrofiazinha prostática incipiente? sei lá, qualquer coisa muito única, nada repetível e comum, que possa ser incluída na etiqueta descritiva? uma carecazinha à vista, uma fugazinha aos impostos, uma batidelazita no carro da frente? prooonto, está bem. o pai normal. mas um tremendo anormal, caramba.
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