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quinta-feira, setembro 19, 2013

há a mais velha profissão. e depois há também a mais velha pergunta.






           
(she) - doesn't that just say all? penis first and then rest of the world.
(he) - ooh, but if you can explain it all strictly in gender terms, why do you, why does any woman waste time getting mad at or bother trying to change a man?
(friend) -
exactly, it's all biology. what is the problem?
(she) - and you are so so good at turning things around... i mean like: you're a genius!...
(he) - oh no, no. I am just saying is like being pissed at a frog for being green.*

*(Before midnight, 2013, Richard Linklater) 

 

domingo, março 18, 2012

este josé luís, este josé luís...


"Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilusões. As ambições que demorámos anos a acreditar que alcançávamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, não são nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo é visto daí, de onde estás. Depois, há os olhos que estão ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo é nada. Ou esse tudo é ainda mais tudo. Ou esse tudo é mil coisas vezes mil coisas que nos são impossíveis de compreender, apreender, porque só temos uma única vida.
— Porquê, pai?
— Não sei. Mas creio que é assim. Só temos uma única vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefinição, transformámos as certezas que construímos na nossa própria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa existência dependia delas e que não seríamos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, é o nosso sangue. Mas, em consciência absoluta, não podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada, nem de nada de nada de nada. Assim, repetido até nos sentirmos ridículos. E sentimo-nos ridículos muitas vezes e, em cada uma delas, a única razão desse ridículo é não conseguirmos expulsar da nossa biologia, do nosso sangue, dos nossos órgãos, essas certezas injustificadas, ou justificadas por palavras sempre incompletas. Mas é bom que seja assim. Porque podemos continuar e, enquanto continuamos, continuamos. Estamos vivos. Ou acreditamos que estamos vivos, o que é, talvez, a mesma coisa.
— Porquê, pai?
— Porque o amor, filho."*


*Não podemos ter a certeza de nada, José Luís Peixoto, in 'Abraço'
                                                 
              

segunda-feira, abril 11, 2011

Solidão (III)





as coisas existem enquanto nos lembrármos delas.


(pergunto-me,
se há tantas guerras que se fazem em teu nome,
se há tantos homens que acham conforto no teu silêncio,
porque te julgam ouvir, porque te querem ouvir,

o que acontecerá se um dia as pessoas te esquecerem?

seremos nós mais felizes, ou
mais perdidos,
e sós?)