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sábado, fevereiro 25, 2012

'sem'texto

            
como explicar as pessoas e aquilo que elas fazem. o que elas fazem, acima do que elas são. que o que elas são é tanto. como explicar o desfazamento entre o que as pessoas fazem e o que as pessoas são. eu não sei o que as pessoas são.
as pessoas, como dizia o Mischel, funcionam por contextos. funcionam sempre por contextos. e as coisas, como as pessoas, fora de contexto, perdem inevitavelmente o sentido.

porque é que eu não gosto do joão e aguento o humberto, mesmo quando me fala das coisas mais aborrecidas do universo. porque o humberto é um contexto. e sem o humberto, a minha paciência ou a minha impaciência perdem-se num conjunto de conjecturas que impedem a compreensão do meu comportamento.

tudo perde o sentido. não há como explicar a joana que vê a amiga morrer na droga e segue o mesmo caminho. não há como explicar que um filho batido volte ele próprio a bater. ou que não o faça, exactamente porque o foi. não há como explicar um homem. e o que ele vem a ser.

é como a vida, as lições da vida. precisam de um contexto de ocorrência. queres aprender a lidar com a desgraça? tens que estar nela e ela em ti. tens que perceber as coisas por dentro. queres aprender a lidar com a frustração? tens que a sentir. tens que estar lá. queres aprender uma pessoa? tens que a ler, que a observar, sabê-la. e não há como. tens que viver o mesmo. tens que passar pelo mesmo. ou parecido. não há livros, citações, conversas de 3 horas que nos ensinem a tirar o sumo das coisas.

não é de ensinamentos que precisamos, é de contextos. e vários.

            

sexta-feira, abril 23, 2010

ansiedade por antecipação



no autocarro, duas senhoras:

- estou atrasadíssima. nem quero olhar para o relógio! já sei!
- olhe, são 9.10.
- 9.10? ah, afinal não é assim tão tarde...



(como dizia o outro: fazer duas vezes antes de pensar. poupava-nos muito desgaste.)


segunda-feira, novembro 30, 2009

a braços com a vida

















estes braços que se estendem ao céu, imenso e amplo.
e nem saberem o porquê.

(porque não vale a pena pensar nisto. vale só a pena viver.)


segunda-feira, outubro 26, 2009

corrigendum


A menina de porcelana pede desculpa pelo que a i., sua representante real, disse um destes dias ao almoço acerca dos intermináveis minutos de mimo-muito-mimo-e-embalo-muito-embalo no Baby Channel enquanto se olha para um peixinho paciente e se ouve uma musiquinha tra la la.
De facto, enterrou-se a si mesma e ao post do mesmo dia. porque as coisas para serem descobertas, têm que ser observadas. mas, mais que isso, tem que se ir com disponibilidade para a contemplação.

E o que acontece é que eu e o Baby Channel ainda não nos enfrentámos nesses preparos.