não é que haja muita gente a morrer de velhice. não é haja que uma forma de se morrer de velhice. nem é que seja mais fácil, ou que custe menos. nem que haja uma idade para se dizer adeus. uma idade certa para se deixar tudo. não. não é, não há.
mas que bom se pudesse ser. viveríamos tudo o que queríamos viver, sonhávamos todas as coisas, fazíamos todos os planos e vivíamos tudo, até ao limite do que traçámos. e se mais sonhos aparecessem, viveríamos todos, tudo, até se esgotar.
depois, já cansados de tanto viver, escolheríamos o último lugar, e fecharíamos os olhos. não ia custar, estávamos preparados. satisfeitos com a vida, esboçaríamos um último sorriso. apaziguados nós, apaziguados eles, aqueles que amamos e que nos amam, cessaríamos o pêndulo. e daríamos então o último suspiro.
e seria o certo. o justo até. porque tínhamos vivido tudo.
(acredito que quando a vida leva de rajada alguém, ou até quando leva devagarinho, o que dói mais é a injustiça do golpe. que o que angustia são esses sonhos que ficam por viver, as vidas que ficam por completar. os vazios que ficam por preencher. no fundo, o que ainda podia ter sido, e não foi.)
(música: Joe Hisaichi, Summer,
do filme de Takeshi Kitano, Kikujirô no natsu, 1999;
*letra: Os dias sem ti, Sitiados)
mas que bom se pudesse ser. viveríamos tudo o que queríamos viver, sonhávamos todas as coisas, fazíamos todos os planos e vivíamos tudo, até ao limite do que traçámos. e se mais sonhos aparecessem, viveríamos todos, tudo, até se esgotar.
depois, já cansados de tanto viver, escolheríamos o último lugar, e fecharíamos os olhos. não ia custar, estávamos preparados. satisfeitos com a vida, esboçaríamos um último sorriso. apaziguados nós, apaziguados eles, aqueles que amamos e que nos amam, cessaríamos o pêndulo. e daríamos então o último suspiro.
e seria o certo. o justo até. porque tínhamos vivido tudo.
(acredito que quando a vida leva de rajada alguém, ou até quando leva devagarinho, o que dói mais é a injustiça do golpe. que o que angustia são esses sonhos que ficam por viver, as vidas que ficam por completar. os vazios que ficam por preencher. no fundo, o que ainda podia ter sido, e não foi.)
(música: Joe Hisaichi, Summer,
do filme de Takeshi Kitano, Kikujirô no natsu, 1999;
*letra: Os dias sem ti, Sitiados)